segunda-feira, 30 de junho de 2014

Nas asas das Super Águias



Quando o ônibus partiu, confesso, me deu aquele aperto. Pelas janelas muitos dos meus amigos dos últimos 20 dias me acenavam, tentavam dizer algo que compreendi, respondi por gestos e sinais. O comboio partiu. Seguimos atrás, correndo como sempre. As lágrimas também correram. Naquele ônibus não ia apenas uma seleção de futebol, um mundo no qual passei dias mergulhadas, sem ter noção de hora, nem semana. Um momento que demorou pra chegar e se foi assim, tão rápido, sem volta. Ali seguia um pouco de sonho, uma esperança em que só eu sei, e nem sei também. Seguia as novas relações construídas, a materialização de tantas coisas. Foi um pedacinho e ficou um pedação dentro de mim, daqueles bem guardadinhos no coração. 

Não era uma das seleções badaladas da Copa, nem com o cara mais famoso, mais caro, melhor do mundo. Não foi fácil trabalhar, muitas vezes, mas o carisma e cada sorriso sincero, cada bom dia sincero dos jogadores fazia valer a pena. Cada história descoberta na raça, no papo, nas fontes cultivadas no dia-a-dia, na brincadeira inesperada do maior nome do time, da exclusiva com um ídolo do futebol do país, um nome do futebol mundial. É inevitável, a gente se apega, torce, vê no sonho do outro o seu, na luta do outro a sua. A gente se parece mesmo, tanto do Brasileiro veio da África. Não fui aos jogos, senti falta. Ia comigo toda vez, em toda saída de comboio a energia positiva, a torcida pra que tudo desse certo... pra nós. Naquele dia o ônibus partiu sem volta, a sensação de que tudo desse certo continuou, mas acho que pra um futuro, não dois dias entre um jogo e outro. 

Foi cansativo, até sofrido em alguns momentos, mas valeu tanto a pena. Fica uma sensação de vazio voltar à rotina. A programação da TV, sua "não" rotina, futebol na veia o tempo todo, é bem o que sonhou um dia ter. Podia ter sido mais intenso, mas foi, do jeito que foi. Senti também este choque de realidade, de não estar mais na Copa, de ver que aos poucos tudo vai partindo, vai acabando, a vida vai voltar ao normal. Quem sabe na próxima partida seja eu quem siga, como tantas outras vezes. Atrás daquele sonho de Copa de sempre. 

Do que fica, das risadas, das novas amizades, dos laços antigos que se apertaram ainda mais, da torre de babel em que todos se entendiam, da vontade de estar no mundo de novo, de estar no Mundial de novo. Da alegria e da honra que foi fazer parte deste pedacinho da Nigéria fora da África. De ser chamada pelos amigos da redação de "miss Nigéria" e ter o apelido com carinho. De tudo que só meu coração sabe dizer, explicar e guardar. 

Valeu Super Águias! A gente se encontra em algum voo por aí! 

* Com carinho para os amigos que estiveram comigo nesta cobertura, que também, com certeza, guardam consigo lembranças, experiências, momentos. Obrigada mesmo pela parceria!