segunda-feira, 15 de julho de 2013

O que ficou das férias

Voa. Passa rápido. Trinta dias, um mês, pareceu uma semana. Deu tempo para algumas coisas, a sensação é de que faltou para tantas outras. Foi possível conhecer lugares e gentes... Ah como eu amo viajar, como eu amo conhecer lugares, gentes, culturas. Conheci um pouquinho mais do Brasil. Eta país lindo, eta povo querido, tudo aqui tem sempre uma peculiaridade especial. Desde que morei fora sinto isso, Brasil é sempre incomparável, por si só. João Pessoa e Campina Grande, Paraíba. Povo receptivo, cidade lindas, bem cuidadas, desenvolvidas. Na história do Estado resistência, força, sobrevivência. Ah, os regionalismos, ah o forró, ah o São João. A festa foi um dos motivos da escolha do destino. Certeiro! Tradicional, com aquelas quadrilhas incrivelmente coloridas, com o passo certo, arrepia, emociona de ver. Cultura, as manifestações, as origens, os traços mais marcantes e fortes de um povo. Lindo! O forró, as bandeirinhas, o bem receber sempre. Praias, sol, alegria e paz. Passagens rápidas, apenas para dar mais vontade de voltar, de viajar sem parada, pelo Estado de Pernambuco. Recife, Porto de Galinhas, Olinda. Ladeiras, colorido, gente, história sempre viva, praias encantadoras. Mas o tempo... só uma semana, pra tudo isso, faltou, ficou mesmo aquela sensação de vou voltar, mas quando?! 

Deu tempo de conhecer e rever gente querida. Ou melhor, tempo pra ver o quanto vivemos distantes uns dos outros, fisicamente mesmo, de como a vida nos consome, tempo de já sentir saudade mesmo antes de ter partido, ou de ter partido a pouco tempo. Mais faltou do que deu tempo pra tudo e pra tanto. Pra ir a outros lugares, pra encontros e reencontros, talvez tempo mesmo de ficar sem nada pra fazer, pra dormir até tarde, pra ficar de bobeira, largado em um sofá. Engraçado, até nas férias é preciso correr pra aproveitar, afinal, os 30 dias passam voando. E nessa corrida maluca para ser feliz e aproveitar a cabeça não para. Parece querer avaliar tudo o que acontece, o que aconteceu, a vida, pelo menos nos últimos 12 meses, último mês, sei lá eu. Pesa, repensa, vê o que se passa na sua vida profissional, pessoal, o que se ganhou, o que se perdeu, o que é preciso mudar. O que fazer, como fazer, o sim, o não, o quero, o não quero, o mudo, o não mudo nos próximos meses, nos próximos dias, nos próximos instantes. Sim, é com a mesma rapidez que os dias de folga se esvaem entre seus dedos que você quer resolver o que não lhe parece bem resolvido até então. 

Que tal então começar com uma arrumação em casa, nos armários. Parece que concretizam uma limpeza na vida. A cada gaveta, cada porta, cada caixa ali parada num fundo de armário revela uma coisa. Curioso que já fiz isso tantas vezes, já ocupei e desocupei lugares, fiz e refiz malas e a sensação é sempre a mesma. Surpresas, lembranças, um filme vai passando. Não, nunca em ordem cronológica ou de importância. O que determina isso são os objetos, as fotos, os cheiros, o que fica ou o que vai embora, porque, de algum modo, aquilo ali não serve mais. Você deixa de servir em uma roupa querida, em um sapato velhinho que poderia contar histórias incríveis sobre sua vida, linhas escritas anos atrás já não parecem mais traduzir você e também se vão. Tem coisa que vai, mas leva consigo lembranças queridas. E não adianta, se desfazer daquilo não apaga nada da sua memória. Já que é assim tem coisa que fica, não vai ser usada, mas por algum motivo vai ficar ali, até a próxima faxina pelo menos. Tudo isso vai passando, as coisas mudam de lugar, o que não serve vai embora, coisas novas ganham espaço e aquilo tudo aos poucos te devolve para a realidade. Da vida que já passou por tantas coisas, que já desejou e planejou tanto, do que foi conquistado, do que foi esquecido, do que espera ali sua próxima chance de acontecer. Da vida que não espera pra acontecer, que nem por trinta dias parou e pulsou, pulsou a cada nova descoberta, cada nova emoção, cada novo lugar, cada novo momento. Mas que lá no fundinho, resgatava sempre aquele velho lugar, aquele momento passado.

Tanta coisa, dias e histórias compartilhadas com tanta gente, mas é com a gente mesmo que tudo faz sentido. É quando você guarda estas novas lembranças num lugar especial dentro de si, ao lado de tantas outras que os trinta dias parecem ter voado tanto. No fim passam rápido como todos os outros dias. Aqueles em que se trabalhou tanto, em que alguma coisa foi esquecida, ou lembrada, aquele outro guardado com carinho no coração ou ainda aquele outro que já foi jogado fora porque não lhe servia mais. Na verdade o que passou rápido mesmo foi mais um mês da sua vida, um mês diferente, mas passou voando como os outros 11 do ano, ou os outros tantos já vividos. Deixa saudades, deixa lembranças, deixa histórias pra contar, lugares para amar e para voltar, gentes de quem sentir falta, deixa mais e mais coisas pra guardar não só nas gavetas e armários, mais principalmente no coração. Te coloca de novo numa renovação de esperanças e sensações e energias para mais tantos outros meses e dias de trabalho, de correria pelas coisas mais diversas. No fim, a gente continua correndo mesmo em busca da felicidade, de fazer e de aproveitar o que a vida tem no momento e o que queremos para os próximos meses, para colocar nas gavetas e armários nas próximas arrumações.