terça-feira, 24 de julho de 2012

De histórias, sonhos e luta vive o esporte

Adoro história de boleiro. História de atletas, do esporte. Das antigas, das contadas por ex-jogadores, dos jogadores ainda em atividade, das que eu presencio e das que relato. Diferente destas últimas, muitas não aparecem, pouca gente fica sabendo, ou apenas conhece quem está mais próximo do mundo do esporte, que mergulha nesta realidade. Quem gosta, quem acompanha, quem conhece acaba se envolvendo com estas histórias. Passam a compor seu repertório, aquelas pessoas passam a ter um significado diferente, você tem um olhar e uma torcida diferente. Não raro isso me acontece. Mesmo fora de gramados, quadras, continuo acompanhando a vida de muitos atletas. E sucesso no esporte, assim como em qualquer área, exige trabalho, abdicações, dedicação, uma pitada de sorte e por aí vai. Tantas vezes mais se perde do que se ganha, mais se cai, porém se levanta, o clube sem recursos, da categoria sem incentivo. No fundo tenho a impressão que a realidade é mesmo aquela que não mostramos. Atletas bem sucedidos são, infelizmente, uma minoria. Poucos ganham muito, outros tantos sonham e tentam. Sempre me pego pensando nisso quando cubro a Copa São Paulo de Juniores, por exemplo. São cerca de 2500 meninos, correndo atrás de um sonho, mais do que da bola. Quantos dali chegam lá? Os dos grandes clubes sofrem a pressão pela concorrência e pelas camisas que usam. Os dos clubes menores pela falta de recursos, por ser aqueles poucos jogos a única chance. Cubro divisões de acesso. Adoro! E são tantos times, tantas lutas, tantos sonhos. Estamos falando de futebol no Estado mais rico da Federação. Mesmo assim há dificuldades. Se elas existem no esporte mais popular do país, imagine para outros. Falta patrocínio, incentivo e o time de basquete, o de vôlei, a natação, tudo vai parando. 

Dei toda esta volta para falar de sonho. Do que vive o ser humano se não de sonhos? O que nos move, nos incentiva, se não um objetivo a ser alcançado, algo a ser realizado? É nisso que esse povo do esporte se apoia e vai. Acreditando nisso, eu e meu colega de trabalho fomos fazer uma matéria com as divisões de base de um pequeno clube do interior de São Paulo. Nem só o que foi ao ar, mas principalmente o que ouvimos, o que choramos e com o que nos identificamos ficou guardado. Histórias de vida, simples assim. Na mesma época, coincidentemente, eu lia o livro do zagueiro Paulo André, "O jogo da minha vida - histórias e reflexões de um atleta". Paulo André é um cara diferenciado, culto, conhecedor de artes, se expressa bem. Confesso, o livro me surpreendeu positivamente. Encontrei ali estas histórias que tanto gosto, parecidas e comuns aos atletas. O clube pequeno, a categoria de base, o sucesso e o fracasso, a vontade de desistir, as ilusões, as decepções. Chorei lendo vários trechos do livro, por me identificar, de algum modo com os sonhos e esforços. Também por conviver com esta realidade, de acompanhar trajetórias e saber que é assim mesmo. 

Naquela base do pequeno clube, encontrei várias histórias. Algumas mais sofridas, da pobreza humana e monetária. Mas encontrei também um Paulo André. Um jovem zagueiro, que além de jogar no clube ajudava na educação dos mais novos, nos treinos, na orientação. Com uma boa base familiar, aos vinte anos, ele era um pouco pai dos mais novos. Falava bem, bem articulado, curioso e interessado pelo que fazíamos ali e também pelas nossas histórias. Enquanto conversava com ele lembrava de trechos do livro, juntava com as outras histórias ouvidas, e misturava com mais outras do zagueiro famoso hoje. O final do livro de Paulo André é feliz. Depois de tudo que passou, chegou ao sucesso. Mas, nem é preciso dizer que nem todos os livros terão finais assim. Que o final não seja um grande clube do Brasil ou exterior, uma seleção, seja ele de que modalidade for, há sempre um bom rumo dado pelo esporte. Quantos daqueles meninos poderiam ter finais mais tristes, famílias destruídas, violência, drogas, e no esporte há uma nova perspectiva. Um dia foram ajudados pelo esporte, também podem ajudar por ele. O papel social, a formação de cidadãos, de seres humanos. O menino pode não ser o atacante ou o armador da seleça, mas será professor, educador físico, envolverá a sociedade em um projeto esportivo e fará a diferença como um dia alguém fez em sua vida. Que as histórias tenham finais diferentes, felizes a seu modo, mas que sejam histórias do esporte leal, de superação, de educação, de luta pelo ideal que todos nós que amamos o esporte acreditamos. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Férias, viagens, reflexões...


Pó. Muito pó no blog, parado há meses. Como sempre eu corro atrás da vida, algumas coisas dela precisam parar por um tempo. Não devia ser assim, mas é, mas foi. Quantas vezes tinha zilhões de ideias, textos se formavam, linha a linha em minha cabeça, e por lá ficavam. Apenas não se materializavam no blog, não foram compartilhados com os amigos leitores. Empoeiradas também estavam minhas botas viajantes, as mesmas que tempos atrás andaram incansavelmente o mundo comigo. Mais que elas, minhas asas! Ah, minhas asas... reclusas, chegam a doer. Quando abertas, batem levantando pó, pó da estrada, das ruas, das cidades, do mundo novo, do velho mundo que pra mim é descoberta. A limpeza, de fato, é na alma, esta alma viajante, esta alma curiosa e apaixonada pelo mundo, pelas cidades, pelas culturas. Cheia de sonhos, vai, voa e volta transtornada de novidades, de fatos e, principalmente, de esperança. 

Depois de quase um ano e meio de muito trabalho, de dias incansáveis de labuta árdua, trinta dias de férias pareciam pouco, e foram mesmo quase nada. Ou será que sou eu que não caibo dentro de mim? Dentro de um espaço que parece delimitado? Não sei... Em doze dias viajei, segui com minha missão de conhecer o mundo, literalmente. O destino desta vez foi a América do Sul, três países, três capitais: Buenos Aires, Montevideo e Santiago do Chile. Um cidade grande, movimentada, trânsito, avenidas largas; a outra parece praiana, mas a "beira mar", na verdade, é toda beira rio; por fim, a que fica embrenhada nas montanhas, em um buraco, em meio às Cordilheiras dos Andes a cidade vive, sob olhos atentos e permanentes dos picos nevados, aqueles mesmos que só via em aulas de geografia, que pareciam dar contornos finais ao continente. 

Conheci estádios e clubes tradicionais, monumentos, gentes. Doze dias intensos de espanhol para os ouvidos, língua que traz consigo um pouco da minha origem, assim como a origem de todos estes povos com quem estive. No fundo, todos nós viemos de algum lugar em comum, temos histórias (de vida e de países, de política) muito parecidas, desde o colonizador aos dias mais atuais. Vi neve aos montes, do alto das cordilheiras, cenário indescritível, um capricho da natureza, daqueles lugares em que nunca se imagina estar, e quando chega tem a certeza que não poderíamos sair deste mundo sem estar ali. 

Enquanto viajo vou também  refletindo. Na volta mais cidades queridas, pessoas queridas, gente das antigas, gente que acaba de chegar ao mundo. Faltou tempo para mais lugares e mais pessoas que moram longe, mas moram no meu coração. Viagem, uma "pausa"no dia-a-dia, tudo me leva a refletir. Porque tudo isso, porque determinada cidade, porque lembranças e descobertas, tudo isso mexe tanto comigo?? Dos sonhos que construí e ainda não realizei, dos sonhos que se renovam, dos outros que surgem. Os lugares onde estive, onde vivi, onde vivo, por onde passei. Ir e voltar, voar, sempre mexe demais com meu íntimo. Volto não só com as energias renovadas, mas com minha natural inquietude aguçada. É difícil explicar, quem me conhece bem sabe, só eu sei ao fundo o que digo e sinto. No fundo, a sensação é de vida que segue, de voar e viver intensamente, como se o amanhã fosse sempre pra ontem... Sonho, vivo e corro para viver e realizar. Eu mesma, nunca paro!