quarta-feira, 6 de julho de 2011

O choro e a raça de Argentina e Uruguai

Não por conta da Copa América, mas já há alguns dias queria escrever um pouquinho sobre dois grandes do futebol sul-americano e mundial: Argentina e Uruguai.


A seleção argentina carrega, não de hoje, a desconfiança. Na copa entrou como uma das favoritas, saiu goleada, frustrante para o time que é e tem. Até comentei isso antes do mundial, uma escalação invejável, do meio campo para frente craques indiscutíveis, a defesa se segura como pode. Mas mesmo assim, repleta de craques e grandes nomes, vive sob desconfiança, anos sem levantar um caneco. E os clubes argentinos também vivem uma fase atípica. Nem Boca, nem River disputaram a Libertadores pelo segundo ano consecutivo, presenças quase sempre certas, tradição e preocupação para os adversários. Tudo bem, os representantes do país estavam lá, Vélez, Estudiantes, Argentinos Juniors, também tradicionais. Este ano, a força argentina na competição ficou por conta do Vélez, que chegou à semifinal, mais na raça e no nome do que por um grande time, é bem verdade. Em 2009 o Boca enfrentava crise financeira, 2011 a crise estourou no maior rival e o River Plate amargura a queda para a segunda divisão do país. Embora haja a mágoa alvinegra por 2003 e 2006 acho triste ver a tradição cair, vi no choro dos argentinos lágrimas minhas ao ver meu clube também em um lugar que não lhe serve.


Por outro lado, no vizinho Uruguai, a Celeste Olímpica parece ressurgir. Estava assistindo a um dos jogos do Peñarol na libertadores deste ano e os comentaristas discutiam justamente isso. As categorias de base do país reaparecem, a origem da olímpica, que irá disputar Londres 2012, depois de décadas de ausência nos jogos. Não só a seleção, mas o futebol de clubes do país dá sinais de que vive, e volta a figurar entre os grandes do continente, a Celeste entre as maiores do mundo. A seleção Uruguaia chegou coadjuvante na Copa de 2010, foi a surpresa, talvez uma das melhores, por provar que a primeira campeã ainda vive. E com brio, com vontade. Nada mais bonito do que ver a seleção uruguaia chegar ao hotel após cada vitória e uma etapa do Mundial superada (ver vídeo abaixo). Chega a ser de chorar as imagens, arrepia a quem ama futebol, quem sente o esporte. Assim como achei linda a imagem de um torcedor do Peñarol, chorando após o primeiro gol na segunda partida da semifinal com o Vélez.


Fases opostas, mas chegamos ao ponto comum onde queria. O choro, a raça, a emoção, o sentimento deste futebol sul-americano, destes argentinos e uruguaios. Seja qual for o motivo pelo choro, é, antes de tudo, pelo futebol, pela paixão. Gosto deste futebol tradicionalmente raçudo, sangue nas veias, sangue nos olhos, ninguém entra pra perder, pra empatar. É discussão, catimba, marcação, emoção. Tanta gente questiona o Messi argentino, mas a encarada no Boliviano e a cara de poucos amigos recebendo o prêmio de melhor da partida mostram a origem (talvez um misto de argentino com espanhol, etâ sangue furioso), sim ele entra pra vencer. A coisa é séria, futebol é sério. Desculpem os mais radicais, que entram nessa birra midiática contra argentinos, eu gosto e na nossa seleção coisas como da uruguaia não aconteceriam. Não vejo, sinceramente o sangue nos olhos, a gana por vencer, a raça, a briga. O que já acontece em alguns clubes brasileiros, o choro pelo rebaixamento e por um gol, o não poder perder, o ter que apoiar e brigar sempre. Sou prova viva disso! Talvez por isso a paixão pela seleção no Brasil não consiga mais disputar espaço no coração do torcedor com a paixão pelo clube.


Por isso, quando se trata de seleção, eu ainda prefiro ver os hermanos em campo. É coração na chuteira, é o que eu acredito e como sinto o futebol. Se o jogo não é bom na bola é bom na briga.





Nenhum comentário:

Postar um comentário