segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Pequeno Príncipe

"On ne voit bien qu'avec le coeur. L'essentiel est invisible pour les yeux."

Dias atrás, um amigo me emprestou o livro "O Pequeno Príncipe". Um clássico da literatura que, até então, não tinha lido. Quando criança, lembro ter começado a lê-lo, mas não me lembro porquê, parei a leitura e nunca mais retomei. Até o livro cair em minhas mãos nos idos dos meus vinte e tantos anos. Não tenho a pretensão de ser miss, a quem já assimilou os fatos. (até mesmo porque se as moças lessem as entrelinhas do livro iriam mesmo muito além da beleza física) Apenas tive a curiosidade de ler este livro publicado na década de 40, mas que até hoje é tido como atual. Dizem que "O Pequeno Príncipe"é uma obra universal, que se encaixa à idade do leitor, e muitas vezes serve de lição ao que se passa em sua vida não importam a época, a idade etc. Fato! Parece que o principezinho e o narrador falavam sempre comigo ou mesmo raciocinavam com a minha cabeça e, porque não, com o meu coração. Criei certa identidade com o personagem. Assim como quem conta a história, também tinha vontade de pegar o pequeno no colo, cuidar dele e tê-lo como alegre companhia sempre. A mim, nenhuma de suas insistentes perguntas cansava. Ao contrário, em diversos momentos fiz meus seus questionamentos.

Assim como o príncipe anda de planeta em planeta, em busca de respostas, descobertas, semelhanças, diferenças, conhecimento, andei e ando eu por tantos lugares no mundo. Talvez nem sempre em busca de respostas, mas em busca de algo que nada mais é do que eu mesma. Ando em busca de algo que idealizei como meu, como eu, no que acredito, no que quero provar e encontrar. Ando pra conhecer o novo, o outro, a vida que há além do meu pequeno planeta, não só o físico mas também o íntimo, o mais profundo da minha existência. E vou andando, e como o pequeno questionando (indagações estas que vão muito além do meu ofício, eu vivo de perguntas, sou jornalista, um ser curioso por natureza e profissão), tentando entender os motivos de tudo que acontece. Mas respostas exatas, números, coisas concretas nem sempre são as respostas esperadas e corretas. De que vale tanta razão, se muitas vezes não se tem a emoção, o sentimento, o humano da existência?

E coisas tão simples de serem respondidas e compreendidas, o ser humano muitas vezes dificulta, oculta, se enrola e nada fica esclarecido. Chorei lendo "O Pequeno Príncipe". Pode parecer bobo dizer isso, mas é verdade. Chorei porque vi no personagem uma sensibilidade tão pura, tão honesta, até mesmo infantil, que existe muito em mim. Porque as pessoas não podem simplesmente expressar o que sentem, sem ser reprimidas, ou ter que pensar o que o outro vai achar, ou ainda sem ser julgado "estranho"ou errado por isso? Porque é tão difícil para pessoas dizerem e ouvirem "eu te amo", aceitar e achar lindo quando alguém lhe diz isso, sem que pareça uma cobrança, um laço muito forte, quando na verdade é algo tão maior que qualquer conceito social ou diferenças entre homens e mulheres? Porque não se pode esperar ansiosamente, vibrar, sorrir, chorar, expressar o que se sente, sem que isso possa parecer o que não é? Porque o ser humano dificulta tanto as coisas, porque perdemos a essência infantil de sentir e ser honesto, a curiosidade nata ao ser? Porque coisas simples, momentos simples, não podem ser importantes e terem seus valores subjetivos, sem que alguém desconfie do seu interesse escondido ou da sua insanidade adquirida?

É, me coloco como o adulto narrador, e vejo que ao longo da vida vamos perdendo a capacidade de olhar além. Não é um simples chapéu, é um elefante dentro de uma cobra. Algo tão óbvio e ao mesmo tempo naturalmente surreal para a criança, mas que alguém maior, mais vivido não compreende, vê um simples chapéu. E assim crescemos, todos vamos sendo condicionados a vermos sempre o chapéu. Ninguém se importa em ver o que realmente aquilo significa, o que sente o outro, o que há por dentro, o que há de essencial, "invisível aos olhos". A gente problematiza onde não há problema, cria uma equação sem solução. Muitas vezes o Pequeno Príncipe parece um eterno romântico, alguém que imagina um mundo ideal, que pouco conhece os seres. Ele é. A raposa, sempre temida também o foi. Do alto de sua "insensibilidade" compartilha com o Príncipe um dos momentos mais lindos do livro. A metáfora com o trigo, a espera feliz, a amizade verdadeira, a responsabilidade de cativar gente.

O final também me deu um aperto no coração... lembrei de quanta gente querida que me ensinou algo, gente com a qual vivi e convivi, gente que tive de deixar, sem olhar para trás, simplesmente seguir. O que não significa que não tenha levado comigo as lembranças os ensinamentos, a saudades e o sentimento que elas despertaram dentro de mim. Quantas nunca mais vi fisicamente, mas assim como o Príncipe ao narrador, continuam presentes em algum modo de agir e sentir. Nem por isso, nem pelo fato de saber que continuaria minha caminhada em busca da resposta do que ainda me questiona, que seguirei meu caminho atrás do que realmente preciso achar, deixei de gostar, se sentir, de me envolver, de sorrir, de chorar, de falar, de amar, de questionar, de tentar entender, de viver. Mesmo já com alguns anos, tento manter viva em mim a criança que questiona coisas que podem parecer óbvias, mas que não se vê tão facilmente, a que expressa o que sente sem pensar no que irão pensar, tento manter vivo o espírito curioso, livre e sensível. Tento manter vivo o Pequeno Príncipe que existe dentro de mim!


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Saudades d'além mar

Fecho os olhos e ainda vejo em minha frente a ponte toda iluminada, cortando o Douro, imponente, levando da ribeira do Porto ao cais de Gaia. Ainda sinto o sabor do bacalhau a natas servido com vinho verde fresquinho e também o doce do vinho do Porto servido nas caves, que exalam o cheiro encorpado da bebida e da fruta. Ainda ouço o sotaque arrastado, repleto de "s", de palavras emendadas, vejo o colorido das roupas penduradas na janela, o vento frio cortando o rosto, o barulhinho do mar batendo nos infinitos rochedos. É possível sentir em meus pés a água fria do mar, a areia grossa que machuca a sola; observo as andorinhas que sobrevoam a praia, que se amontoam aos bandos quando pousam. Ainda lembro o saculejar do metro, o sinal a cada estação, o sino da igreja tocando a cada hora na esquina de casa. Também posso ouvir o silêncio da minha solidão, ou ainda os risos da região da baixa lotada, os copos de sangria ou vodka preta na mão, o verão fresco que tarda a chegar, as ruas que tardam a encher de gente. O inverno que dói no osso, o frio que dura mais que uma estação, a friagem que sobe pelos pés, a chuva que não cessa, as folhas amarelas forrando as calçadas, as roupas, muitas roupas para encarar a temperatura lá fora. Sinto a canseira nas pernas de descer e subir ladeiras, de andar pela rua do comércio, de cima a baixo, de andar, simplesmente andar, sem rumo, pelo prazer de caminhar, de sentir a brisa no rosto, de viver a cidade, de viver o Porto.

E vivi dez meses, voltei faz um ano, exatamente um ano. É frase feita, batida, mas é verdade, "parece que foi ontem"... ontem que fui, ontem que voltei, e já faz um ano que entrei naquele avião de volta com o peito apertado, trazendo na mala mais que vinho, trazia uma vida. Quando o decolou desatei a chorar, deixava ali, talvez, uma das experiências mais incríveis da minha vida, um momento único. Não me saia da cabeça a frase do poeta português Fernando Pessoa "ó mar salgado, quanto de teu sal / são lágrimas de Portugal". Um pouco das minhas ali ficavam agora. E deixava ali gente querida, momentos, lembranças, saudades. E não só de Porto, não só de Portugal, trazia e deixava tudo isso do mundo! Ah, minha mala companheira, minhas asas nas costas, a sensação plena de viver. O choro ao ver a Torre, a emoção de chegar mais perto da origem do meu sangue, o surrealismo de uma tourada, o choque de estar em um campo de concentração, a energia do coliseu, o teatro real da troca de guarda, a emoção de ver o melhor time de futebol do mundo na atualidade jogar ao vivo, ver times de todo o mundo, os tantos templos do futebol. Nada disso tem preço, nada disso será perdido, está guardado pra sempre no lugar mais seguro do mundo, na minha alma.

Sinto falta de abrir as asas, pegar a mala, o mapa e me jogar em um lugar desconhecido, como se fosse caindo de página em página de um livro de história, a do mundo, das civilizações e a da fantasia, que meu imaginário pudesse criar, idealizar, realizar. Voltar foi como sair de um mundo paralelo, de uma vida a parte, minha, mas uma outra. De quando fui e quando voltei, não me sai da cabeça caravelas lançadas ao mar, rumo a um desconhecido. Senti-me assim ao embarcar, visualizava esta imagem cada vez que sentava na praia, ou me colocava diante do mar. Gente se lançando ao mundo sem saber onde ia chegar, coragem, ousadia, fé e um objetivo. Eu tinha mais rumo e um pouco mais de conhecimento acerca do que me reservava o outro lado do oceano. Mas acho que todo o resto era o mesmo. Não sei quantos voltaram, quantos recolocaram suas caravelas na água de volta pra casa. Na volta, nada de desconhecido, apenas já a mesma sensação de sair de um porto seguro.

Em um ano quanta coisa aconteceu, o quanto conquistei e o quanto andei e ainda ando. Minha vida cigana, meio circense me acompanha. Malas, lugares diferentes, mora ali, mora aqui, se apega a gente, se desapega a gente, vai, segue seu caminho sem olhar para trás, para o que fica, apenas segue incansavelmente atrás do que acredita, do seu sempre lado de lá do Oceano, da sua Índia prometida. Minha mala ainda é minha grande companheira, ainda me dói deixar gente e lugares, mas minha alma viajante acabou se acostumando. Um dia eu volto, volto para todos estes lugares que tem em mim um pedacinho de si. Volto a passeio, para trabalhar, para viver, seja para o que for, certamente volto para matar a saudade que me acompanha desde que regressei. "A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar" (Ruben Alves). É exatamente isso!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O choro e a raça de Argentina e Uruguai

Não por conta da Copa América, mas já há alguns dias queria escrever um pouquinho sobre dois grandes do futebol sul-americano e mundial: Argentina e Uruguai.


A seleção argentina carrega, não de hoje, a desconfiança. Na copa entrou como uma das favoritas, saiu goleada, frustrante para o time que é e tem. Até comentei isso antes do mundial, uma escalação invejável, do meio campo para frente craques indiscutíveis, a defesa se segura como pode. Mas mesmo assim, repleta de craques e grandes nomes, vive sob desconfiança, anos sem levantar um caneco. E os clubes argentinos também vivem uma fase atípica. Nem Boca, nem River disputaram a Libertadores pelo segundo ano consecutivo, presenças quase sempre certas, tradição e preocupação para os adversários. Tudo bem, os representantes do país estavam lá, Vélez, Estudiantes, Argentinos Juniors, também tradicionais. Este ano, a força argentina na competição ficou por conta do Vélez, que chegou à semifinal, mais na raça e no nome do que por um grande time, é bem verdade. Em 2009 o Boca enfrentava crise financeira, 2011 a crise estourou no maior rival e o River Plate amargura a queda para a segunda divisão do país. Embora haja a mágoa alvinegra por 2003 e 2006 acho triste ver a tradição cair, vi no choro dos argentinos lágrimas minhas ao ver meu clube também em um lugar que não lhe serve.


Por outro lado, no vizinho Uruguai, a Celeste Olímpica parece ressurgir. Estava assistindo a um dos jogos do Peñarol na libertadores deste ano e os comentaristas discutiam justamente isso. As categorias de base do país reaparecem, a origem da olímpica, que irá disputar Londres 2012, depois de décadas de ausência nos jogos. Não só a seleção, mas o futebol de clubes do país dá sinais de que vive, e volta a figurar entre os grandes do continente, a Celeste entre as maiores do mundo. A seleção Uruguaia chegou coadjuvante na Copa de 2010, foi a surpresa, talvez uma das melhores, por provar que a primeira campeã ainda vive. E com brio, com vontade. Nada mais bonito do que ver a seleção uruguaia chegar ao hotel após cada vitória e uma etapa do Mundial superada (ver vídeo abaixo). Chega a ser de chorar as imagens, arrepia a quem ama futebol, quem sente o esporte. Assim como achei linda a imagem de um torcedor do Peñarol, chorando após o primeiro gol na segunda partida da semifinal com o Vélez.


Fases opostas, mas chegamos ao ponto comum onde queria. O choro, a raça, a emoção, o sentimento deste futebol sul-americano, destes argentinos e uruguaios. Seja qual for o motivo pelo choro, é, antes de tudo, pelo futebol, pela paixão. Gosto deste futebol tradicionalmente raçudo, sangue nas veias, sangue nos olhos, ninguém entra pra perder, pra empatar. É discussão, catimba, marcação, emoção. Tanta gente questiona o Messi argentino, mas a encarada no Boliviano e a cara de poucos amigos recebendo o prêmio de melhor da partida mostram a origem (talvez um misto de argentino com espanhol, etâ sangue furioso), sim ele entra pra vencer. A coisa é séria, futebol é sério. Desculpem os mais radicais, que entram nessa birra midiática contra argentinos, eu gosto e na nossa seleção coisas como da uruguaia não aconteceriam. Não vejo, sinceramente o sangue nos olhos, a gana por vencer, a raça, a briga. O que já acontece em alguns clubes brasileiros, o choro pelo rebaixamento e por um gol, o não poder perder, o ter que apoiar e brigar sempre. Sou prova viva disso! Talvez por isso a paixão pela seleção no Brasil não consiga mais disputar espaço no coração do torcedor com a paixão pelo clube.


Por isso, quando se trata de seleção, eu ainda prefiro ver os hermanos em campo. É coração na chuteira, é o que eu acredito e como sinto o futebol. Se o jogo não é bom na bola é bom na briga.





domingo, 12 de junho de 2011

Refletindo com as paredes


Tirando o pó. O blog fica parado, mas está sempre em meu pensamento, sempre na minha mais profunda necessidade de escrever. Falta tempo, falta disposição, nunca assunto. O leitor que me acompanha, o amigo que me conhece são ouvidos fiéis ao que eu falo. Mas o título do blog nunca deixa de ser atual e presente na minha vida. Porque falo mesmo apenas comigo, com as paredes do meu eu, mesmo que externe uma coisa ou outra, o mais tocante, o mais importante, o que mais mexe comigo fica preso nas paredes da minha intimidade, do meu coração, do meu pensamento, dos meus sentimentos. Sim, eu falo muito, sincera e honestamente, sempre falo o que acho que devo falar, o que sinto que se guardar acabará me sufocando. Será mesmo que disse tudo? Às vezes recuo, prefiro guardar e isso vira meu falar mais pleno com as paredes tentando me encontrar.

Muitas vezes passo por períodos de reflexão, o mais puro ato de filosofar sobre a vida. Perguntas clássicas, dignas de Sofia: o que faço aqui, o que faço ali, o porque disso, o porque daquilo, o que é amor, o que é dor, o que é bem, o que é ódio, o que eu quero, o que eu não quero, o que me faz bem, o que não me faz tão bem assim, o que me alegra, o que me chateia, o que eu fiz e o que eu tenho feito pra chegar até aqui, pra ir mais longe, pra encontrar o "eu" pleno refletido na vida pessoal, profissional, social. É uma inquietude dentro de mim, no meu coração que se aperta, que palpita, que se expõe verborrágico como nunca e como sempre. Quero os "ques"e "porques".

Ando reflexiva, analisando coisas, momentos, gentes. E quando estou assim às vezes falo mais que devia, outras vezes me calo. Sinto falta do que realmente gosto, de lugares onde gosto de estar, de gente com quem queria estar, sinto saudades até do que não tenho, do que não fui, do que não fiz. Preciso do som do silêncio e da solidão, das paredes físicas e da alma para respirar, pensar e pesar tudo. Mas a vida não para para ser pensada. Vai correndo, vai andando, vai passando e é preciso pensar rápido, agir... Eu também vivo assim, ansiedade pra ontem, tudo deve acontecer em um piscar de olhos. Não consigo esperar, não quero as coisas pela metade... calma, calma! Eu não acalmo. Não deixo meu instinto de jornalista de lado nem para viver. Pressa, urgência, perguntas, respostas. Eu só preciso da calma de poder dormir sem ter hora para acordar, de despertar no domingo na hora do almoço e tomar calmamente meu café da manhã. Poder acordar lentamente, cochilando e espreguiçando. De contar o meu dia, de saber do dia de quem é importante, de como vai a vida, do que tem acontecido de ser boca e ouvido.

E daí quando estou assim sempre que faço e refaço malas, sempre que limpo e arrumo gavetas e armários, tudo têm um significado mais verborrágico. Na verdade tudo traz em si uma história, uma razão de ser e existir, seja foto, seja um objeto, sejam palavras ditas e escritas, seja um cheiro, seja uma roupa. E nestas arrumações também vou refletindo, pesando, guardando o que ainda quero, jogando o que não me serve mais, o que de fato nunca teve utilidade e eu achava que tinha. É um exercício pleno de auto-conhecimento e filosofia de vida. Nestas encontro uma pessoa que já não existe mais, vejo o crescimento de uma que prefiro e chega mais perto de responder o que questiono. No meio dos sentimentos guardados se misturam os novos. O que foi e o que é, o que tinha e o que tenho, o que quis e o que quero.

Respostas? Nossa quanta coisa guardada, bem da verdade, dentro de mim, entre as minhas paredes, esperando a organização dos meus pensamentos e sentimentos. Esperando algumas coisas serem ditas, outras serem guardadas num cantinho só meu. Já que ando tão filosófica, "penso, logo existo", vou como sempre pensando acerca de mim, da minha vida, de quem faz parte dela, do que ela é feita, eu sempre falando e refletindo com as paredes.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Tocando em frente

Ainda corro. Vez ou outra consigo desacelerar o ritmo, mas a marcha não é cadenciada, ao contrário, é impulsiva como quem busca chegar logo, a um destino que só eu sei. Rio, rio muito, mas também choro pelo que é sensível, mas ainda por coisas que não mereciam minhas lágrimas. Me sinto mais forte a cada desafio, a cada dificuldade, a cada vez que devo ser um pouco mais de mim em busca da felicidade. Mas ao mesmo tempo, muitas vezes, me sinto como uma criança frágil, que precisa de colo, de atenção. E mesmo depois de tanto aprendizado, de viver, a cada dia sei que ainda nada sei, ou muito pouco sei. Isso será pra sempre, quando não há mais lição a tirar com a vida ela acabou.

E amo, só eu sei o quanto amo, o que amo, a quem amo e o amor que me faz pulsar, faz pulsar o coração que bombeia o sangue que corre nas veias e faz correr pela vida, pelo ideal, pela felicidade. Mais uma vez choro, de saudades que me acompanha quando vou, quando venho. E o quanto ando, estrada que vou, estrada que sou, caminho que faço, caminho que traço, história que escrevo.

Um dia, quem sabe, eu encontre o ritmo ideal, o equilíbrio entre o riso e o choro, a fortaleza sólida, mas não rígida a ponto de perder a sensibilidade e sutileza da criança. Tenha a humildade de chegar no fim da estrada, olhar para trás e ver o quanto aprendi e vivi, mas que ainda assim faltou tanta coisa para aprender, tanta coisa ficou por fazer... foram escolhas, vivências. Tudo isso sem que o amor deixe de existir, faça sempre sonhar, querer e conduza pela longa estrada. Tudo isso seja reflexo da minha maturidade e de cada ser, que descobre seu próprio dom de ser capaz e ser feliz a seu modo.

Reflexões da alma caipira que tão bem expressão as reflexões de qualquer alma, de qualquer vida, do fato de tocá-la, sempre em frente. Rio e choro com essa música, eu com minha alma de origem caipira do interior do "r" de porteira, minha alma reflexiva que ama, sonha e toca em frente, sempre na estrada que vou e na estrada que sou.



Tocando em frente
Almir Sater/ Renato Teixeira

Ando devagar por que já tive pressa
E levo esse sorriso por que já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Nada sei.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir.


terça-feira, 12 de abril de 2011

Produção em ação 5!

A equipe do Rio Claro passou todo o Paulista da A2 sem receber salários. Os jogadores honraram a profissão, entraram em campo e quase se classificaram para a segunda fase. O saldo de gols derrubou o time de garra. O torneio acabou, mas a crise não! E a produção correu pra reportar mais um capítulo de um clube tradicional do interior de São Paulo que agoniza. Para quem acompanha o futebol do interior, pra quem vive isso, apenas para estas pessoas é compreensível o quanto dói ver mais uma agremiação rumo à falência e às portas fechadas.


terça-feira, 29 de março de 2011

Produção em ação 4!

Grandes personagens, boas histórias. Grandes personagens contando boas histórias. Estes são elementos fundamentais ao jornalismo. E nós jornalistas somos, bem da verdade, contadores de história. Essa foi a proposta do VT abaixo, estes elementos todos juntos para apresentar uma figura de grande história, carisma e simplicidade. Fui conversar com Seo Zé, foram quase 40 minutos de sonora, mas, com certeza, eu o ouviria falar e contar seus causos um dia todo.

Fica aí registrado e homenageado um destes grandes personagens, que merecem ser achados e mostrados. Que conta mais que sua história de vida, conta um pouquinho da história do nosso futebol. Muito bom! Mais uma da produtora em ação!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Nunca desliga!

O vídeo abaixo é um comercial da Globo News, brilhante, por sinal. Desde a primeira vez que o vi me arrepiou e senti uma identificação imensa. Os amigos jornalistas devem saber do que estou falando, e do que sinto ao ver estas imagens legendadas com frases simples e marcantes. Nós nunca desligamos, nem se quisermos, a vida não para, o factual acontece e nossa cabeça trabalha a mil, 24 horas por dia. Quem já não redigiu pauta durante o sono, a noite toda, pensou em vts, em textos enquanto dormia? Quem já não acordou de manhã com a pendência na cabeça, uma ideia a ser colocada em ação, algo a ser resolvido pra ontem, algo que enquanto não for feito não dá sossego. Sempre me sinto assim, ligada e pilhada o tempo todo.

Parece um exagero. Passei o dia em frente ao computador, acompanhei o que pude das notícias, mas parece que falta algo. Ligo o computador em casa, vejo as notícias da tv e assim vai, constante atualização. E quando alguém diz "você viu?". Não vi! Momentos de branco, como assim algo escapou?! Parece que esqueço que sou humana, que tenho vida social e naquele dia não vi mesmo o jornal, ou quem sabe já estava cansada pra atualizar as notícias, pra esquecer um pouco o que faço. Mas a cabeça, assim como nós jornalistas, nunca desliga! E, sinceramente, a gente gosta dessa vida!


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Produção em ação!

Faço a produção do esporte da EPTV - Central. Pra quem não entende muito de jornalismo, o produtor é quem elabora as pautas, define o que a matéria irá abordar, onde será feita, quem será entrevistado, enfim, é de modo bem simplista um trabalho de bastidor na TV. A pauta feita pelo produtor, o repórter vai à rua, munido das informações e marcações para, aí sim, fazer as entrevistas, as imagens, que por fim, depois de mais alguns bonitos e trabalhosos processos de edição, que fazem toda a diferença no vt final, temos o que você assiste na sua casa. Em linhas gerais e a grosso modo é isso. Tem sido um aprendizado a cada dia e, ainda mais, uma satisfação profissional e pessoal.

Mas, há dias em que o trabalho em toda a redação é maior, equipes com mais demanda, correria total! Ou ainda falta um repórter... a produção vai para a rua acompanhada pelo cinegrafista! O trabalho de repórter é também muito gostoso de ser feito. Embora não apareça no vídeo, nem grave os offs, tem minha mão aí nestes vts, que pretendo compartilhar, a partir de hoje, aqui no blog. A quem quiser, critique, sugira, elogie. O espaço é livre, sempre! Curta os links!


ps: não havia me explicado muito bem na descrição do processo de edição, e a pedido do meu querido editor do esporte modifiquei uma linha deste texto. Sim, esta parte do processo é de extrema importância e a mão de quem edita a matéria influi diretamente em sua qualidade. Será que agora tá certo?

domingo, 30 de janeiro de 2011

Por onde quer que eu vá

Não importa onde seja, onde eu esteja, há sempre alguém querido a olhar por mim. Não uma única pessoa, sempre mais que uma, sorte multiplicada. Volta tudo, eu explico melhor. Estes dias me peguei pensando: por todos os lugares em que já passei e já morei na vida, nesta curta, até agora, porém movimentada vida, em todos os cantos do mundo, literalmente, havia sempre gente querida pronta para me ajudar, me acolher, me fazer companhia. Não sou das pessoas mais difíceis para se fazer amizade, mais que isso sempre prefiro a boa vizinhança, a união de todos por uma causa única, a paz entre os seres. Mas é inegável, há quem você goste, há quem não goste tanto assim e há aquelas pessoas especiais com quem a empatia é imediata, com quem a amizade se fortalece, quem entra na sua vida para nunca mais sair, mesmo que seja da lembrança e do coração.

Então me peguei pensando em gente assim, que em todos os lugares onde eu estava algumas delas estavam também. Amigos, amigas, casais de amigos. Os que me adotaram e me levaram pra todos os lados, os que me cederam lugar para dormir, os que me trataram como filha, os que me ligavam para saber como foi meu dia e como ia a vida, os que me fizeram sorrir numa manhã em que acordei cansada, os que me fizeram chorar de rir na mesa do almoço ou na mesa do bar, os que compartilharam cafés, os que me ampararam doente, me apararam com saudades, os que me deram lições de vida, os que me fizeram uma profissional melhor, os pacientes em me ouvir ou em falar comigo. Os nomes? Felizmente precisaria de mais espaço para listá-los. E também, creio que nem preciso dizê-los, quem ler o texto, se for da lista, saberá, certamente, que a carapuça lhe serve.

Tantos lugares, tantas coisas e alguém que se fez importante estava lá. Anjos? Talvez essa seja uma imagem figurada que cabe bem ao contexto. Escrevi no passado, mas cabe ao presente, eles estão sempre presentes. Daí surgiu a reflexão de que, em cada lugar há pessoas certas no momento em que eu chego. É muita sorte da minha parte! Essa gente toda torna a vida tão mais fácil quando penso que vou encontrar dificuldade, faz o mundo tão mais acolhedor quando penso que vou enfrentar a solidão, me faz sentir bem e em casa não importa onde for. Tenho gratidão por cada um, levo comigo todos estes anjos seja na lembrança de um gesto, de um conselho, de um ensinamento, de um sorriso, dos momentos vividos. E o melhor, sempre há mais um anjo amigo para se juntar aos outros e, principalmente, a mim.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Parabéns paulicéia!

Minha homenagem a esta cidade incrivelmente linda, incrivelmente grande, incrivelmente desvairada e louca como esse bando! Parabéns cidade de São Paulo!



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mudanças e andanças


O blog ficou parado, fechado, empoeirado, e a vida passava depressa, mudanças aconteciam. Falta de assunto não era, quantas vezes quis escrever, mentalmente esboçava algumas linhas e textos, mas se perdiam, e aos poucos perdiam o momento de ser escritas, a factualidade, nem sei explicar bem o porquê. E a vida é uma constante mudança, a minha em especial. Meu irmão está de mudança do apartamento em que moramos há cerca de seis anos em Campinas. Na verdade estamos, o cantinho também sempre teve um pedaço meu guardado. Naquele lugar, ficaram registradas lembranças de um importante período da minha existência. As minhas coisas materiais que ainda estavam no apê já estavam encaixotadas, desde quando mudei de lá pela primeira vez. Mesmo assim voltei, rever algumas coisas que um dia foram para a caixa porque serviam, e hoje já não servem mais. De qualquer modo passa aquele filme básico na cabeça, coisas impregnadas nas coisas, coisas impregnadas no lugar. Boas coisas, mas a vida muda, a vida segue, chorei ao fechar aquela porta pela última vez. Fechou-se, outras se abrem.

Eu sigo mudando, a vida na mala me acompanha. Depois da volta, levei um tempo para achar um lugar. Achei, não que seja fixo, ainda indefinido, mas por um período é o meu lugar. Mais que o espaço físico, o espaço profissional. Uma porta que se abriu... entrei, de cabeça e coração, feliz e com vontade de achar dentro de mim a jornalista que estava parada, porém inquieta, por um lugar. A cidade da vez é São Carlos. Já faz um mês. Muito trabalho, muito aprendizado e em apenas dez dias um lugarzinho ainda mais meu, mais específico, onde eu sempre quis estar, o que sempre quis fazer. Estou feliz, bem feliz. Aproveitando ao máximo tudo que me faça mudar, no sentido de crescer, de amadurecer. É o que sinto constantemente em mim, a cada mudança espacial, uma maior ainda, a mudança íntima, do ser humano, da evolução, do desenvolvimento de todos os "eus"que me compõem.

É com essa sensação e em constante mudança que voltei a escrever no blog. Sentia falta de estar nesse espaço virtual que também é um canto tão meu, tão eu. Voltei ao lugar onde registro as experiências, sensações, pensamentos e mudanças da minha vida. Leitores e amigos, estão sempre convidados a me acompanhar na constante viagem na vida.

PS: Ainda em tempo. Um novo ano que já começa novo, que siga nessa energia de mudanças, evoluções e sucesso sempre! Grande 2011!