sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quem quer ser um milionário?


O cenário do longa é a Índia, mas poderia ser Brasil. As favelas, a pobreza, a violência, o contraste social, tudo muito familiar para duas realidades que parecem tão distantes. O jovem Jamal também poderia ser um brasiliero qualquer, que nasce e cresce em meio à violência, à miséria humana e material, que sente na pele o preconceito, que vê a intolerância matar gente e a criminalidade virar meio de sobrevivência. O filme "Quem quer ser um milionário?", (2008), é de uma simplicidade complexa. Por trás de uma história de vida medíocre do personagem principal Jamal Malik há reflexão e forte crítica social.

O menino nasceu e cresceu em uma favela em Mumbai na Índia e aos 18 anos se vê prestes a se tornar milionário em um programa de perguntas e respostas na televisão. Por ser apenas o rapaz que serve o chá em uma empresa de telefonia, a capacidade de Jamal é questionada, já que, teoricamente, segundo a organização do show, por sua baixa escolaridade, ele não poderia responder diversas questões. Acusado de fraudar a atração, o rapaz é preso e torturado para que admita a "trapaça". Como modo de provar sua inocência, Jamal justifica todas suas respostas contando sua história de vida e o momento em que, por situações do acaso, adquiriu tal conhecimento. Além disso, o rapaz explica o real motivo de sua participação no show: recuperar seu grande amor, Latika, que conheceu ainda criança, mas que por necessidade vivia como esposa de um chefe do crime organizado.

O personagem é a prova de que a ignorância e o conhecimento são relativos. Para alguém como Jamal, a vida ensinou o que lhe era necessário saber para sobreviver em um meio tão hostil. Ele pode não saber algo tão simples quanto o que está escrito na bandeira nacional indiana, mas sabe quem é o político que estampa uma nota de dólar americano, porque, quando criança, trabalhou como guia turístico para ganhar algum dinheiro. E neste sentido todas as respostas do rapaz são justificadas por dificuldades e aprendizados que a vida dura lhe trouxe.

"Quem quer ser um milionário?" é ainda mais fiel ao cenário e a realidade que retrata por contar com atores indianos em seu elenco e por esmiuçar de forma tão aberta as mazelas sociais da Índia. Os atores-mirins são um destaque a parte, um show de interpretação. O filme faturou 8 estatuetas do Oscar em 2009, além de quatro Globos de Ouro. É um belo, sensível, crítico e emocionante longa que vale a pena ser visto e principalmente pensado não só naquela, mas também em qualquer outra realidade que se assemelhe.

Quem que ser um milionário? (Slumdog Millionaire)
Ano: 2008
Direção: Danny Boyle
Disponível em DVD

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Reflexões de uma doente

Doente. Não há estado pior para se estar. Mas se observar de um outro modo, pode (ou deve) haver um lado positivo nisso... será? Eu sei que é difícil pensar assim, e até mesmo muito contraditório, mas não é de hoje que me pego pensando deste modo quando adoeço. Podia ser pior, ser mais grave, num período mais complicado da vida, por aí vai. Acredito que esta atitude tenha começado no período em que trabalhei no Hospital de Clínicas da Unicamp. Todo dia que chegava para trabalhar agradecia por ter saúde e, mais que isso, poder pagar pelo plano, pelo médico, pela prevenção, pela cura, pelo tratamento.

Estes dias, novamente, foi assim e, coincidentemente, tinha passado pelo HC. Fui visitar meus antigos colegas de trabalho e, como sempre, diante dos muitos pacientes, pensei na alegria que é ter saúde. Dali alguns dias uma forte gripe me pegava, uma faringite que me tirou a voz por uma semana e por fim uma cistite. Tudo junto e misturado, muito remédio, cama. Nesta situação lembrei de um texto que havia postado no blog, há um ano e meio e que, desde sempre, me vem a cabeça. Toda esta introdução foi apenas para relembrar esta história que guardo com carinho e como um grande aprendizado de vida!