domingo, 6 de junho de 2010

Qual sua Copa inesquecível?


Neste clima de Copa, várias vezes já ouvi a seguinte pergunta "qual sua Copa inesquecível?". Resolvi então opinar também. Desde muito que para mim o Mundial é a paixão por ver futebol, craques do mundo todo em campo, a confraternização com os amigos, o churrasco, a rotina parar para o futebol passar. Assim, sem maiores fanatismos pela seleção ou descabelos, assisto aos jogos pelo prazer de ver o pessoal correndo atrás da bola. Mas claro, a quem gosta de futebol, sempre há lembranças boas guardadas, momentos, há sempre uma boa história para contar. Do alto dos meus vinte e poucos anos, já se foram seis Copas, sete com a desse ano. As lembranças começam com a de 1990, em que minimamente podia eu andar e falar, já com quase cindo anos de vida. Tenho viva em minha memória apenas duas coisas do Mundial da Itália: uma toalha de banho que ganhei, verde e amarela, com uma bola de futebol desenhada e as inscrições "Copa Itália" - "Brasil" e um álbum de figurinhas que meu irmão colecionava e eu o acompanhava a cada cromo colado. Consigo visualizar facilmente estes dois elementos, como se os tivesse aqui comigo. São as lembranças daquele Mundial.

Já o de 1994 foi diferente, e considero que esse foi o meu "inesquecível". Ainda criança, mas já com o gosto pelo futebol e informada, o quanto era possível para uma menininha sobre o assunto, tenho lembranças e imagens eternas daquela Copa na cabeça. Ganhei a camisa da seleção brasileira, aquela clássica com os três escudos da CBF em marca d'água. Antes do início da competição, meu irmão e eu já jogávamos, em um mega drive, uma fita do Word Cup USA 94, com o cachorrinho mascote abrindo o jogo. Passávamos horas ali entretidos com o vídeo game, já no clima da Copa. Para os dias de hoje, aquela fita seria uma peça de museu, mas para a época era uma sensação. Aquele Mundial foi todo visto em família, sempre pais, irmão, primos, tios, avó, o povo sempre reunido na casa de alguém. Vamos às memórias em campo. Primeiro, como não se lembrar do jogador norte-americano Lalas, com sua cabeleira e barba longa ruivos? Visualizou? Era um símbolo da seleção anfitriã, sem dúvida. Depois, uma das lembranças que mais gosto, simplesmente por poder dizer que vi e lembro vivamente de Maradona jogar. Um dos maiores Deuses do futebol, participou daquela Copa de 94, já em fim de carreira, mas era ele, pouco importa. A cena do gol contra a Grécia, em que o craque corre para a câmera com os olhos esbugalhados e aos gritos... marcante. Uma pena a cena na qual sai com a enfermeira para o antidoping que o tiraria do Mundial por uso de remédio para emagrecer. Porém, fico com a memória da primeira, já que antes não me lembro de muitos registros meus, autênticos, sem rever nada gravado, do argentino.

Depois os momentos marcantes da seleção brasileira. Lembro-me de que aquela equipe não chegou aos Estados Unidos com pinta de favorita, embora o Brasil sempre leve consigo essa alcunha. Mas foi, creio eu, uma das últimas equipes com raça, com coração em campo, em que o dinheiro de patrocínios e marcas ainda não tinha tão grande influência em convocatórias. E foi assim, na garra que o Brasil venceu. Os nomes e a escalação daquele time certamente ficaram na cabeça de todos, não havia quem não o rascunhasse, pelo menos. E foi marcante por detalhes, por momentos. Como esquecer de Bebeto embalando o filho a cada gol. Daquelas oitavas-de-final contra os EUA, jogo sofrido, Leonardo expulso com uma cotovelada, gols perdidos, gol de Bebeto que corre para Romário e diz "eu te amo". E aquela quartas-de-final contra a Holanda, grande jogo, de belos gols, 3 x 2. E claro, a final. Assistimos ao jogo em um shopping da cidade, a turma toda da família reunida com muita gente, em um almoço e depois o jogo em um telão. Estava eu, criança, sentada na primeira fila, bem debaixo da tela. Lembro do sentimento de angústia de todos, de medo diante da Itália, aquele 0 x 0 tenso, mais angustiante ainda para quem assiste ao jogo com a narração de Galvão. Pênaltis, mais nervoso.

Antes das cobranças, alguém perto de mim diz "O Taffarel não é bom em pênaltis, já perdemos". Aquela frase me marcou, por um instante me fez sentir a dor da derrota anunciada e mais, pensar "como o goleiro da seleção não é bom, ele deveria ser o melhor?". Começam as cobranças, uma bola desperdiçada para cada lado, cada gol nosso uma explosão. Taffarel pega, enfim, a quarta cobrança italiana, aquela pessoa errou, o goleiro da seleção estava lá, senti alegria por ele, era como se calasse quem duvidou, no fundo sabia que não fazia o menor sentido estar ali em vão. E o final histórico, a maior imagem, Baggio cobra pra fora... é tetra, é tetra, gritava Galvão abraçado a Pelé, com suas gravatas com a bandeira americana, pulavam juntos, uma imagem marcante, mesmo a quem não simpatize com o narrador. Choro do povo emocionado, gente se abraçando, era a primeira vez que via eu o Brasil ser campeão do mundo. Impossível esquecer aquela Copa, os detalhes, os momentos, as sensações.

A de 2002 também foi interessante, uma outra fase da vida, já sabia o que o futebol de fato representava para mim, já acompanhava e entendia com afinco e naturalidade. Mesmo com o "empresarial" mandando no futebol, aquela seleção teve coração, teve Rivaldo maestro no meio, mesmo desacreditado, teve Ronaldo, outro Deus do futebol mostrando porque é o que é no futebol mundial, maior artilheiro das Copas numa demonstração incrível de superação. A grande final contra a Alemanha. Os jogos de madrugada, cafés da manhã ao invés de churrasco com a turma, minha única mancha num exemplar currículo escolar. Coordenava eu o bolão do Mundial no fundo da sala, ao lado da mulecada... no meio da aula. Fomos expulsos da sala por atrapalhar a classe. Minha presença junto a meia dúzia de meninos amenizou a bronca, a diretora da escola apenas nos colocou no pátio para refletir sobre o que fizemos. E assim foi, sacamos nossas tabelas do bolso e continuamos as apostas, em pura reflexão sobre a Copa. Mesmo que essa não tenha sido a mais marcante, há sempre coisas boas para recordar. É o que magicamente provoca o futebol. Sem explicações.

Vale rever o final da Copa de 1994 no vídeo abaixo.

2 comentários:

  1. Pra mim também foi a Copa de 94 dos EUA. Foi a única que torci de verdade para o Brasil. Pra mim a verdadeira e única copa do mundo!

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  2. Pra mim a Copa inesquecível foi a de 2000, com a seleção escalada com: Dida; Indio, Adilson, Fabio Luciano e Kleber; Vampeta (Gilmar, antes do inicio da prorrogação), Freddy Rincón, Ricardinho (Edu, no intervalo) e Marcelinho Carioca; Edilson (Fernando Baiano, aos 8min do 2° tempo da prorrogação) e Luizão. Técnico: Oswaldo de Oliveira.
    Isso sim é que era seleção! Agora, em termos de Brasil, suas lembranças da Copa de 1994 são as minhas também, e realmente, como o Brunão, foi a única Copa em que torci de verdade pro Brasil. E na minha opinião a mancha daquele time é a mesma de hoje em dia: Dunga. Bjos!

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