sábado, 29 de maio de 2010

Extra! Extra! Saiu na Fut Lance deste mês...

Só eu sei o quanto tenho batalhado pelo que realmente quero e acredito. Investimento de todos os gêneros na carreira que escolhi pra seguir, uma perseguição obsessiva por um sonho, apoio e expectativa de pais, família, irmão, amigos e gente querida de todo lado, de todo canto do mundo (sem exageros). Falta experiência muitas vezes, mas nunca vontade e humildade. Dos erros que já cometi tentando acertar ficaram lições valiosas, que sem dúvida ajudaram a moldar a profissional em constante transformação, "estamos trabalhando para melhor atendê-los".

Depois de alguns "nãos", portas fechadas, telefonemas não atendidos, dificuldades básicas, inexperiência, alguma coisa tem que acontecer, uma pauta tem que virar... e virou! No meio de tanta gente, sempre aparece alguém que lhe estende a mão, seja um jornalista, seja uma fonte. Neste caso específico há todos estes personagens, e há grandes personagens. Uma folha na revista, seu nome assina a matéria, isso vale todo o esforço, o sacrifício, é o que eu me propus a fazer como meu dever. Tá feito. Na revista Fut Lance deste mês, uma pequena participação desta jornalista em início e busca de tudo. A matéria feita pela redação da revista fala da Seleção Portuguesa de Futebol, e nela uma página em que falo de três torcedores especiais da Seleção das Quinas, (como é chamada a equipe portuguesa aqui). Para mim, foi um grande prazer ter esta participação publicada pela revista de grande circulação, ver um pouquinho do meu trabalho realizado.

Aos que me seguem, confiram na edição deste mês da Fut Lance, a "Paixão lusitana que ganha jogo". Valeu a todos os envolvidos!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Eu em campo


O jogo era amistoso, ou amigável na linguagem local. Portugal x Cabo verde, Covilhã, partida de preparação para a Copa do Mundo da África do Sul. Desta vez não fui na torcida, fui onde devo estar, fazendo o que amo, o que realmente sinto que nasci para fazer. Já teve esta sensação? Pois é, é assim que me sinto, e me senti nessa partida, na área de imprensa, devidamente credenciada. A cidade é também o local de concentração da seleção das Quinas até o embarque para a Copa. É ali que os atletas treinam e fazem os jogos preparativos. Com pouco mais de 34 mil habitantes (população somada às das freguesias vizinhas que formam seu perímetro urbano) a cidade está em festa, bandeiras, faixas de incentivo pelas ruas, câmara municipal decorada, um mascote (foto) especial na cidade para a equipe portuguesa.

A partida em si foi ruim, um 0 a 0 com direito a vaias portuguesas no final. Mas, para mim, repórter, valeu por colher informações e desenvolver uma pauta parada há meses pela complicada e burocrática imprensa de Portugal. Mais que isso, por vencer algumas inseguranças em relação ao meu jornalismo prático um pouco parado pela viagem e pela pós-graduação. Não, ele vive, não se desaprende, não se perde o feeling, não se deixa de saber fazer o que sempre se soube. Mais que isso ainda, foi válido pela experiência fora do meu país, com futebol internacional, como tudo é feito, como se trabalha, como se organiza. Valeu por ser simplesmente minhas grandes paixões, futebol e jornalismo.

ps: O texto pode parecer de caráter muito simplista, ou até mesmo sem razão de ser, já que estava exercendo minha profissão... mas sou jovem, ainda atrás do meu lugarzinho ao sol e a humildade de reconhecer e sentir isso tudo, para mim, é muito justo e fiel.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pra cantar o português claro

O Português parece outra língua do lado de cá do oceano. Palavras, pronuncias, sentidos, significados, sotaques. O arrastadinho, a ausência do gerundio, as sílabas ditas todas juntas como se fossem um aglomerado de letras, esses muito puxados que parecem chiar. É o português de Portugal aos ouvidos brasilieros. Já o português brasileiro soa de outro modo aos ouvidos lusos. E de um modo que nunca havia reparado, de um modo que, de fato, nunca havia ouvido, em todos os sentidos da palavra. Para os portugueses, o brasileiros cantam ao falar. Sim, é verdade. Damos ao português ritmo, falamos cada letra, cada sílaba, cada palavra com a sonoridade própria que elas têm, é um falar muito mais expressivo.

A definição não podia ser mais bonita e mais brasileira. É toda a ginga, e todo o som de que somos formados expressos no português. E porque não dizer até, que é um português formado por todas as outras línguas das quais sofremos influências e dessa mistura, mesmo em paradoxo, temos um português genuíno do Brasil. Sempre em movimento, gerundicamente sempre falando, cantando, expressando. A doçura dessa pronúncia faz da língua ainda mais vivaz, é como se cada palavra tivesse vida própria, mesmo dentro de um contexto, saltam ao ouvido uma a uma, mesmo quando aglomeradas em frases. Salvos sotaques e regionalismos, mais que musicalidade, a pronúncia tupiniquim tem mais clareza, faz o português parecer ainda mais bonito, seus sons ainda mais marcantes. A língua é, sem dúvidas, uma das características mais marcantes da cultura de um país, de um povo, mais que simples via de comunicação, ela é um patrimônio. E foi esse, talvez, um dos grandes legados deixados pelo povo português colonizador, herança essa que o brasileiro tratou de cuidar e usar a seu modo, preservar e também mudar com suas características, principalmente com a alegria e expressividade criativa desse país tão peculiar. Bem da verdade, nós cantamos o português claro. Chega a ser poético...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A emoção de narrar

A discussão tem sido constante nas aulas da pós graduação de Jornalismo Esportivo. O ato e o fato de narrar uma partida de futebol. Os professores portugueses defendem que o trabalho deve ser feito única e exclusivamente por jornalistas, formados, diplomados, que um dia juraram seguir o código ético e deontológico da profissão. Nunca vi o ofício de narrador assim. Sim, no Brasil também há os jornalistas formados que exercem a função, mas os mais tradicionais narradores brasileiros não precisaram de diploma, nem da alcunha de jornalista para serem geniais no que faziam. Independente de se jurar um código, de ter um diploma, o bom senso e a ética devem ser, antes de qualquer coisa, pertinentes ao ser humano, é algo enraizado ao caráter de cada um. A discussão se deve, principalmente ao fato de a narração esportiva se usar de muita emoção e adjetivação, atitudes estas opostas ao que pede o jornalismo. Porém, como narrar futebol sem gritar, sem emocionar, sem adjetivar? Mesmo descrever o fato em uma matéria de jornal, sabemos que é preciso, muitas vezes, recorrer a palavras específicas da área, a adjetivações que, ao invés de parecerem parcialidade do repórter, descrevem com mais exatidão o lance.

Mais que isso, é preciso entender e perceber as diferenças entre a narração em tv e em rádio. Enquanto a tv dá ao narrador e ao expectador o suporte da imagem, o rádio é um vazio que deve ser preenchido. Como descrever, então, o jogo sem emoções se a pessoa que ouve não o vê e precisa "imaginá-lo"? Não concordo que o uso de jargões, adjetivos e palavras mais verborragicamente ditas sejam um exagero, é uma necessidade. Imagine aquele gol inesquecível, narrado sem emoção, descrito como se fosse um funeral de gente famosa? Não, não é a mesma coisa. E que fique claro que, há uma sensível diferença entre emocionar o ouvinte com a narração e colocar suas emoções ou predileções no fato. Aí sim cabe a discussão ética, pois, como qualquer jornalista, o narrador não deve tomar partido deste ou daquele. Porém, ainda se permite admitir que o ser narrador de futebol é também um ser humano, que se envolve no clima da partida, que tem convicções, origens, história de vida. Não que seja permitido ou aceitável, mas é até compreensível que grite com mais emoção um gol do seu país na final da Copa do Mundo, ou mesmo um gol de título de um clube qualquer, envolto pelo momento do estádio, pela adrenalina do jogo e do próprio ofício.

O fato é que não julgo condição si ne qua non ser jornalista de diploma em punho para o exercício do ofício de narrador de futebol. Claro, aos repórteres de campo e demais envolvidos sim, jornalistas de formação. Imagine se Fiori Gigliotti, José Silvério, Osmar Santos, entre tantos outros geniais narradores do Brasil não tivesse exercido a função. Concordo, eram outros tempos, alguns em que até a profissão nem era regulamentada, mas sendo bem simplista e até exagerando, seria uma perda. Mais que um diploma, para isso é preciso um dom. E também não julgo anti-ético, ou anti-profissional a forma como se faz a narração hoje, no Brasil, diferente da narração de Portugal, seja em rádio ou em tv. Estas diferenças, em muito, são culturais, são hábitos. Nós crescemos ouvindo o radialismo esportivo, e ainda hoje tem força e representatividade no país, mesmo com a chegada da tv. Muito por isso, talvez, considero que toda essa emoção é necessária e não vai contra os princípios do ato. Deve haver sim formas diferentes para cada veículo, mas nunca sem emoção, pois é disso que é feito o futebol.

Abaixo dois gols narrados por Osmar Santos (lamentável o que a vida o reservou). Note como se tornam imagéticas e emblemáticas expressões como "firuliruli firulirula", "capricha garotão", "e que gol", "na boca da butija" etc. Mais que isso, a descrição não só do gol, mas de reações da torcida, dos olhos cheios de lágrima, a alegria do povo. É de arrepiar qualquer torcedor. Sugiro ainda que, feche os olhos e ouça apenas a narração. Mesmo que estas imagens já tenham sido tantas vezes repetidas, já estejam desenhadas e gravadas com vida na memória de todos que acompanham futebol, ouvir apenas o som já basta e as torna ainda mais coloridas pela bela narração.




terça-feira, 11 de maio de 2010

Você gostou da seleça?

O que você achou da seleção convocada por Dunga? Assim como todo brasileiro também discordo, chamaria outros e por aí vai. Teimosia por chamar esse e não aquele? Pode ser, mas ele foi coerente, tanto que não houve surpresas maiores e a base da equipe é a que já se esperava. Dunga foi bem gaúcho nessa convocação. Meia de origem, de posição mesmo, só Kaká. Julio Batista, Ramires, podem jogar pela meia também, mas não são dali por excelência. Quem arma o time, quem é maestro aí? Alguns jogadores a coerência insistiu em mantê-los, não a qualidade. Doni? Um dos piores goleiros que o Brasil já teve, o típico caso de bom empresário no futebol. Felipe Melo não está lá jogando grande futebol na Juventus, podia dar lugar a outro meia. Gilberto já passou seu tempo, não é possível que não há ninguém pra chamar para a lateral, alguém para improvisar, ele é ultrapassado. Esperava um André Santos, talvez. E Grafite, foi a maior surpresa da lista. Está jogando bem na Alemanha, mas na seleça de Dunga só fez um jogo, o amistoso com a Irlanda no início de 2010. Chamar Grafite, me pareceu apenas mais correto por não chamar Adriano, que não justificava faz tempo sua presença na Copa. É uma equipe que não agrada, mas também não vou só descer a lenha do treinador. Não ceder às pressões da imprensa por chamar os "meninos da vila" (ainda acho que algum deles pode aparecer na lista dos 7 suplentes) e desconvocar Adriano a meu ver foram os pontos " fortes" . Mas a equipe é fraca. Segue a convocação:

Goleiros:
Julio César (Inter de Milão)
Gomes (Tottenham)
Doni (Roma)

Laterais:
Maicon (Inter de Milão)
Daniel Alves (Barcelona)
Michel Bastos (Lyon)
Gilberto (Cruzeiro)

Zagueiros:
Lúcio (Inter de Milão)
Juan (Roma)
Luisão (Benfica)
Thiago Silva (Milan)

Meio-campistas:
Felipe Melo (Juventus)
Gilberto Silva (Panathinaikos)
Ramires (Benfica)
Elano (Galatasaray)
Kaká (Real Madrid)
Josué (Wolfsburg)
Julio Baptista (Roma)
Kleberson (Flamengo)

Atacantes:
Robinho (Santos)
Luis Fabiano (Sevilla)
Nilmar (Villarreal)
Grafite (Wolfsburg)

Ainda em tempo: Dunga disse na coletiva que convocou os jogadores também pelo critério bom-mocismo...Essa foi boa! E ouvi alguns comentários na imprensa que já há uma preocupação com o psicológico de Ganso e Neymar pela não convocação. Todos os que nutriam a esperança e não foram chamados também devem ter ficado frustrados. É do futebol, ou melhor, é da vida. Que dois comentários mais sem propósito.

domingo, 2 de maio de 2010

Água no chopp do Benfica

O Benfica veio fechado, o empate garantia o título aos encarnados. No primeiro tempo, poucos lances de perigo dos visitantes, uma bola na trave e nada mais. Os donos da casa foram mais perigosos, foram para cima, ao Porto o jogo tinha valor moral de ganhar do maior rival português. Além da rivalidade futebolística, em Porto x Benfica, sempre está em campo a rivalidade regional Norte x Sul, respectivamente. Mas o jogo foi brigado, muita raça dos portistas que abriram o placar no final da primeira etapa. Foi o suficiente para deixar ainda mais eufórico o estádio do Dragão.

A segunda etapa começou ainda mais quente, e em um ataque do Porto, o dragão Fucile foi expulso. Logo em seguida, o Benfica empatou e parecia que, enfim, começaria a festa benfiquista. Parecia...Mesmo com dez, os portistas foram para cima, viraram e fizeram 3 a 1. O Benfica ainda mantém as mão na taça, contra o Rio Ave, na Luz, semana que vem, precisa apenas de um pontinho, ou nem isso, caso o Braga, segundo colocado não vença. O jogo de hoje foi clássico, aqueles grandes jogos, de grandes emoções, clima tenso nas arquibancadas. Valeu por ser um Porto x Benfica, com a rivalidade aumentada pelas confusões ao longo do Campeonato Português e pela hipótese de rival ganhar o título na casa do rival. O vídeo abaixo mostra os instantes finais da partida e a vibração portista como se fosse título. Para uma temporada de decepções, foi mesmo como uma taça.