domingo, 25 de abril de 2010

Cravos da revolução


Vinte e cinco de abril é um dos marcos mais importantes da história recente de Portugal. Neste dia, em 1974, a Revolução dos Cravos trazia ao país a liberdade. Essa é a palavra que mais bem define a revolução e seu legado, segundo os próprios portugueses. A revolução foi conduzida por oficiais de baixa patente e jovens. Claro, sempre o espírito jovem revolucionário. O fato é que, naquele momento, estes "guerrilheiros" que não derramaram sangue, embora armados, deram um golpe de Estado que colocava fim ao regime ditatorial no país que vigorava desde 1933, cujo principal nome foi Oliveira Salazar.

O legado daquele 25 de abril se reflete ainda hoje na realidade portuguesa. Noto isso não só pelo que me dizem, inclusive professores em aula, mas também pelo que observo eu mesma, como imigrante e como não "natural" daqui, como quem é constantemente apresentada a um pouquinho da história de Portugal. Dos cravos brotou uma nova mentalidade cultural, social, política, de expressão, de atitude, que aos poucos foi, e ainda vai, despertando o pequeno país. Vejo algumas coisas que parecem ter ficado paradas no tempo e depois de 36 anos começam a florir. Na história recente desta nação, que foi uma das maiores na época das navegações, ficaram flores semeadas pelo eterno e sempre presente lirismo português... o nome da Revolução surgiu no dia seguinte ao triunfo, quando uma florista deu a um soldado um cravo vermelho, que foi colocado no cano da espingarda. Todos os demais soldados fizeram o mesmo gesto como sinal de vitória e, porque não dizer, esperança em uma nova nação.

3 comentários:

  1. Foi bonita a festa, pá
    fiquei contente
    inda guardo renitente, um velho cravo para mim

    Já murcharam tua festa, pá
    mas, certamente
    esqueceram uma semente nalgum canto de jardim

    Sei que há leguas a nos separar
    tanto mar, tanto mar
    Sei também como é preciso, pá
    navegar, navegar

    Canta a Primavera, pá
    cá estou carente
    manda novamente algum cheirinho de alecrim

    (Chico Buarque de Hollanda)

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  2. Muito bom esse post Gláucia, logo que li me veio à cabeça a música do Chico Buarque também mas não sabia os detalhes da Revolução, muito bom!! bjos

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