terça-feira, 27 de abril de 2010

Pacaembu, o mais querido

Já tive o privilégio de visitar grandes estádios da Europa, que têm importância e relevância na história do futebol mundial. Em cada um destes templos futebolísticos que entro sinto uma emoção diferente, mas sempre uma imensa alegria, quase infantil em estar em um lugar como esses, que via apenas pela tv. Mesmo assim, há um que não troco por nada, e não troco por tudo que representa para mim. Hoje este meu mais querido aniversaria, faz 70 anos. Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. Lugar de energia incomparável, inexplicável, de áurea sagrada. O já "idoso" estádio tem importante papel na história do futebol brasileiro e mundial, já viu em seus gramados jogos de Copa do Mundo, grandes clássicos nacionais, já viu muito choro de alegria, de tristeza, já foi agredido por torcedores enfurecidos. E ele continua ali, lindo e imponente na Praça Charles Muller, sendo parte da arquitetura e história da Paulicéia Desvairada. Abriga não só o estádio de futebol, mas também um grande complexo esportivo e o belo Museu do Futebol, uma verdadeira homenagem ao esporte e a seus amantes.

Esse estádio que descobri por inteiro depois de grande, no qual entrei pela primeira vez em um jogo ruim entre Corinthians x Botafogo pelo Campeonato Brasileiro. Porém, nem o mau futebol daquela partida e o presságio do pior naquele brasileirão tiraram o brilho de entrar pela primeira vez naquele local. Emocionei-me, foi de arrepiar sentir a energia que o Pacaembu guarda em si. Lembro como se fosse hoje daquele momento em que, levada pelo meu irmão descobri meu amor pelo estádio. Que depois veio a ser o personagem e cenário, tudo ao mesmo tempo, do meu Trabalho de Conclusão de Curso, o trabalho mais bonito e mais querido que já fiz na vida. Conhecer cada cantinho, cada história, cada funcionário que faz do Pacaembu grande até hoje. Conheci ali pessoas queridas, de histórias diferentes e emocionantes, de histórias de vida que se confundem e que são contadas juntamente com a história do estádio. Ri e chorei com essa gente, fui acolhida pela "família Pacaembu" como eles se denominam. Ah, saudades dos dias de jogo no Paulo Machado de Carvalho, saudades de pular nas arquibancadas amarelas, de estar na praça Charles Muller vendo a torcida chegar, o estádio encher, a alegria do domingo. Saudade de estar no meio da loucura do pequeno espaço de imprensa, de estar em casa. É assim que me sinto sempre que vou ao Pacaembu, como quem chega em casa... e encontra pessoas queridas, um ambiente seu, intimamente acolhedor em que se poder ser e viver plenamente o que se é, de corpo, alma e profissão.

Parabéns ao Pacaembu, obrigada a quem cuida deste querido vovô do futebol brasileiro, que mesmo com a idade continua charmoso e imponente. E será sempre o mais querido. Pelo menos no meu coração.

Imagem do Acervo da Secretaria de Esportes de São Paulo - década de 40, um dia de jogo no Pacaembu.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Paciência

Há dias e momentos em que o corpo, a alma, o espírito pedem calma... cada qual e entre si. Mas o tempo, a vida, o dia-dia não param, não dão chance para que o corpo e a mente descansem. Tampouco eles se dão ao direito de parar. Paciência... Quem nunca sentiu isso? Lembrei-me desta música do Lenine, linda e que trata disso. No fim, tal como devemos concluir, a vida não pode parar, ela pede esse pulso, é rara e preciosa. É preciso viver...vida que segue!

domingo, 25 de abril de 2010

Cravos da revolução


Vinte e cinco de abril é um dos marcos mais importantes da história recente de Portugal. Neste dia, em 1974, a Revolução dos Cravos trazia ao país a liberdade. Essa é a palavra que mais bem define a revolução e seu legado, segundo os próprios portugueses. A revolução foi conduzida por oficiais de baixa patente e jovens. Claro, sempre o espírito jovem revolucionário. O fato é que, naquele momento, estes "guerrilheiros" que não derramaram sangue, embora armados, deram um golpe de Estado que colocava fim ao regime ditatorial no país que vigorava desde 1933, cujo principal nome foi Oliveira Salazar.

O legado daquele 25 de abril se reflete ainda hoje na realidade portuguesa. Noto isso não só pelo que me dizem, inclusive professores em aula, mas também pelo que observo eu mesma, como imigrante e como não "natural" daqui, como quem é constantemente apresentada a um pouquinho da história de Portugal. Dos cravos brotou uma nova mentalidade cultural, social, política, de expressão, de atitude, que aos poucos foi, e ainda vai, despertando o pequeno país. Vejo algumas coisas que parecem ter ficado paradas no tempo e depois de 36 anos começam a florir. Na história recente desta nação, que foi uma das maiores na época das navegações, ficaram flores semeadas pelo eterno e sempre presente lirismo português... o nome da Revolução surgiu no dia seguinte ao triunfo, quando uma florista deu a um soldado um cravo vermelho, que foi colocado no cano da espingarda. Todos os demais soldados fizeram o mesmo gesto como sinal de vitória e, porque não dizer, esperança em uma nova nação.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Jorge!


A simbologia da força, da guerra, da presistência. É isso que inspira, a imagem do guerreiro. Parabéns Jorge pelo dia de hoje, muita luz e inspiração a todos nós! Saravá, São Jorge, ele vai nos ajudar!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Meninos, eu vi...


Ao vivo, a cores e in loco o grande time do Barcelona jogar. A partida era válida pelo campeonato da liga espanhola. Barça x Atlético de Bilbao. Não sei porque, mas todo jogo entre clubes espanhóis me soa sempre como bom jogo, de tradição. Independente de quem fosse o adversário, estar no Cam Nou, um estádio dos mais tradicionais do futebol mundial e assistindo a equipe dona da casa pra mim já era o bastante. Mas esse não é um time qualquer do clube catalão. A equipe comandada por Guardiola é de encher os olhos, joga o verdadeiro futebol arte, que há muito não se via, uma equipe verdadeiramente campeã. Que desde já fique bem claro que, não a toa, eu e a imprensa mundial veneram este elenco. Ele é mesmo formado por grandes jogadores e tem como principal ídolo o verdadeiro estereótipo de craque, Lionel Messi. Não é mais um dos tantos craques que surgem e desaparecem da noite para o dia na empolgação da mídia. Não, o argentino joga muito e é o grande maestro desse time que joga verdadeiramente por música. Nesse jogo em especial mais dois grandes nomes em campo: Puyol, monstruoso na marcação e Xavi no meio. Infelizmente Dani Alves e Ibrahimovic não jogaram, outros nomes fortes do futebol mundial.

Meu lugar na arquibancada do estádio era longe, bem longe do gramado, mais propriamente na antepenúltima fileira do estádio, perto do gradal mais alto. Mas o Camp Nou é projetado de modo que se vê muito bem o jogo, esteja ao lado do campo ou nas alturas como eu estava. A visão é distante, mas ampla e clara, tem-se o que chamamos visão de jogo: a movimentação das equipes, o posicionamento, enfim, tudo que se passa dentro das quatro linhas. Nesse aspecto, não há, portanto, do que reclamar. Podia ver a troca de passes, as belas jogadas, o belo futebol por inteiro. E é o vendo assim que, de fato, vê-se o quão bem joga uma equipe. O estádio lotado completa a bela noite de futebol. Comprei meu bilhete na manhã da partida, eram os últimos. Segundo a bilheteira, é sempre assim quando se trata de jogos do barça. Fase boa, fase ruim, a casa lota. E os torcedores me pareceram mesmo apaixonados. É bonito o modo como os gritos "barça, barça, baaaaarça"ecoam no estádio. E também a empolgação do povo cada vez que Messi toca na bola, a cada drible, a cada grande jogada, a torcida grita como se fosse gol.

O placar não podia ser outro, nem melhor para quem vai ao estádio por amor ao esporte e para ver show: 4 a 1 para o Barcelona, fora o grande futebol. Um detalhe muito bonito foi a paz entre todos. A torcida do Atlético estava bem pertinho de onde eu estava. Mas havia adeptos espalhados pela arquibancada, onde houvesse lugar, mesmo que a cadeira fosse em espaço dedicado a um barcelonista. Misturados aos espanhóis, os turistas. O jogo do Barça é também, e porque não, uma grande atração turística. Sotaques de todos os lugares, gente de todos os sexos, idades, nacionalidades. Sem contar que o locutor do estádio fala tudo em catalão, e torna, definitivamente, o Camp Nou em uma torre de babel. Na fileira atrás à minha fiz amizade com um rapaz bósnio, mas que mora na República Tcheca e passava férias com a mãe em Barcelona. Eu brasileira, que vive em Portugal e também passava férias ali. Sim, nos comunicamos. Nada que o bom e velho inglês, a la Joel Santana, não resolva. Mais que isso, linguagem tão universal que a do futebol não existe. Todo mundo se entende, envoltos pela mesma paixão.

O vídeo a seguir mostra a entrada em campo das duas equipes, ao som do hino do clube catalão e dos gritos "barça, barça".

sábado, 17 de abril de 2010

Olé! Olé!


Corrida de touros. É assim que é chamada na Espanha o que conhecemos no Brasil por tourada. Em Madrid, não perdi a oportunidade de ver ao vivo, na praça de touro Ventas esse espetáculo tão tradicional e folclórico da cultura espanhola. Não me agradava a ideia de ver animais sendo mortos, mas é preciso ver e conhecer tudo o que é possível do mundo e da tradição alheia. Fazia um sol escaldante na tarde de domingo. Mais do que curiosos e turistas como eu, as arquibancadas tinham pessoas que têm a corrida de touros como uma paixão, vão à praça como quem vai ao estádio ver seu time de coração. Senti-me emocionada de adentrar àquele local imenso, de esfera e energia tão diferentes e especiais.

Precisamente às 17 horas começa o espetáculo. Um grupo de trompetes e cornetas toca a música típica, característica das touradas, exatamente essa que vem à nossa mente, associada aos touros, à Espanha... fiquei pensando de onde é essa memória sonora, mas sinceramente não encontrei sua origem. Os seis toureiros, tipicamente vestidos e munidos de seus panos em rosa, inicialmente, adentram a arena e se posicionam. Em seguida vem o touro. Corre para o lado de um toureiro, é driblado, corre pra outro, quase o pega. Então é a vez de entrar cavaleiros chamados como "picadores". São estes homens sobre cavalos que com uma lança bem longa ferem o touro inicialmente. Depois os animais são espetados por alguns dos toureiros. Fincam em seu lombo espetos ornamentados. O grand finale fica por conta de um toureiro apenas. Os outros, ficam nas laterais da arena como modo de socorro caso algo dê errado. Agora, já com o tradicional pano vermelho em mãos e uma espada o toureiro em questão dribla o animal e levanta a platéia. Faz parte do show, antes de matar o touro, dar-lhe olés e mais olés. A arquibancanda é um espetáculo a parte. Os espanhóis mais exaltados e envolvidos com a corrida gritam, insultam o toureiro, discutem entre si. Chega a ser engraçado, muito engraçado. Depois de tanto driblar o touro, no momento exato, friamente pensado, o toureiro o enfia a espada... recebe aplausos, gritos, lenços brancos, abre os braços para ser ovacionado pelo público. O touro no chão, se esvaindo em sangue é recolhido e arrastado para fora da arena por um grupo montado a cavalo.

Confesso que quase chorei ao ver o primeiro touro ser morto (no total foram seis corridas, seis animais). É uma cena brutal e forte. Sim, diante destas circunstâncias, uma pessoa leiga e minimamente humana como eu, é inevitável não torcer para o touro na corrida a seguir. Depois, acostuma-se com a brutalidade do ato, entende-se melhor as regras da tourada, envolve-se com a torcida enfurecida a gritar para o toureiro, para o picador, batendo boca com a pessoa sentada ao lado. No final, fica claro apenas como tradições são fortes e resistem ao tempo, às mudanças do mundo e são passadas, invariavelmente, de geração para geração. Para mim, mais que isso, foi conhecer mais um traço folclórico de uma cultura tão rica como a espanhola*.

O vídeo abaixo foi feito neste dia, e mostra o momento em que o toureiro mata o animal que resiste em cair. Chega a ser teatral a cena. Por fim, o toureiro é ovacionado pela platéia que acena lenços brancos, um sinal maior que seu triunfo e reconhecimento.


*Embora as touradas sejam sempre associadas à Espanha, elas também são realizadas na França, países da América Latina e em Portugal, país que proibiu a morte do touro nas arenas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A mi me encantan Madrid y Barcelona!

De volta à terrinha, depois de mais dez dias pelo mundo. As paradas desta vez foram Barcelona e Madrid, Espanha. Havia prometido para mim mesma que não voltaria sem conhecer estas duas cidades. Considero que não seja possível compará-las, são atmosferas, ambientes, belezas diferentes. Mas são incríveis! Os cenários tornaram-se ainda mais bonitos iluminados pelos primeiros raios de sol que anunciam a primavera, que chega um pouco atrasada, mas parece ter vindo para ficar. Sol, céu azul, camisetas de mangas curtas e apenas um casaco. Pelas praças e parques as pessoas deitam nos gramados expostas ao sol, tão esperado por todos e que aquece , mais que tudo, a alma.

Barcelona traz traços mais modernos, Gaudi é a marca maior do arrojo que é a cidade. Beira-mar, brisa, espaços amplos. O antigo forma a paisagem urbana perfeitamente encaixado as curvas e cores insanamente pensadas pelo artista catalão. E há ainda um dos grandes templos do futebol, o estádio Camp Nou. Sem perder tempo, fui a um jogo no grande estádio: Barcelona x Atlético de Bilbao, 4 a 1 para os donos da casa, fora o futebol arte que vem jogando Messi e cia, um verdadeiro espetáculo que merecerá descrição depois.

Madrid é o que imaginava de Europa. Prédios antigos, arquitetura imponente, palácios, grandes museus, jardins e tudo muito bem cuidado. Na capital espanhola mais um grande estádio, o Santiago Bernabeu. Havia planejado a viagem para coincidir com a data do clássico espanhol Real Madrid e Barcelona. Coincidiu, mas os ingressos tiveram venda limitada a sócios. Sim, sempre há gente vendendo na porta, como os cambistas no Brasil. Mas para essa partida, o preço pedido era alto demais: 500 euros um bilhete. Fica para uma próxima oportunidade... Da cultura espanhola, para mim, a novidade foi a tourada. Só digo que foi uma experiência única, que será descrita em outro post, o cenário, os personagens e tudo o mais.

Muito se diz sobre rivalidades regionais entre as duas cidades, há quem prefira essa ao invés daquela, uma porque tem praia, a outra porque não tem... sinceramente, amei as duas e regressei com a sensação de que é preciso voltar outras tantas vezes em ambas, para aproveitar o que só cada uma delas pode oferecer. Mais dois lugares que não se pode deixar de conhecer.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Pausa para andar pelo mundo


Os meus queridos amigos e leitores desse humilde espaço devem ter notado que ele anda um pouco abandonado. Também não gosto quando isso ocorre, mas o motivo é de força maior, força imensa e, certamente, a pausa renderá bons textos, boas histórias, boas vivências. Estou cumprindo parte de minha missão: andar por esse imenso e maravilhoso mundão velho sem porteira! Assim, é difícil parar e escrever com o carinho e atenção que o blog merece. Logo mais volto, e compartilho com todos essa minha grande aventura de viver!