quarta-feira, 10 de março de 2010

Nós somos o samba

O módulo básico do curso de espanhol está chegando ao fim. Como avaliações finais teremos provas escrita e oral. Bem, a oral já foi feita. A professora deu como opção um bate-papo com ela durante cinco minutos ou uma apresentação para a turma toda, com mesmo tempo e com tema livre, porém algo que fosse um aspecto cultural do mundo hispânico. Conversei com ela que, preferia a apresentação, porém sem moral nenhuma, tampouco conhecimento, para falar da cultura alheia. Amo conhecer culturas, gentes e coisas, mas não me sentiria a vontade de fazer uma pesquisa no google, traduzir palavras, decorá-las e reproduzir como uma papagaio frente à turma. Combinamos então que eu falaria de algo cultural do Brasil, ou algo mais pertinente a mim. Daí passei a semana pensando em que dizer e com preguiça de preparar tudo (acho que já não dou mais conta de tarefas, aulas, estudos, quero tudo mais prático).

Minha primeira ideia foi futebol, meu time, mas depois imaginei que nem todo mundo se interessa por isso e poderia ser chata a apresentação a estas pessoas. Depois pensei em falar sobre São Jorge, já que em uma das lições do curso citou-se uma festa feita ao santo em seu dia, e ninguém conhecia a história, nem a imagem de Jorge. Talvez não chegasse a cinco minutos falando. E enfim, cheguei ao tema, que estava mais à minha vista, ou melhor, aos meus ouvidos do que nunca: Samba! Já disse aqui nesse mesmo blog que o ritmo musical tem sido minha grande companhia. Ouço direto sambas, da melhor qualidade (se é que existe de má qualidade) e nada mais brasileiro para apresentar. Na época de faculdade já havia feito um trabalho sobre isso, sabia um pouco de sua história, de seus gêneros. Refiz a pesquisa, para lembrar e relembrar dados e preparei algo... falar de samba em espanhol? Sim, deu samba! E deu porque não há nada melhor do que falar com o coração. Seja em português, em espanhol, em inglês, em alemão, seja a língua que for, a do sentimento é universal.

Falei bem resumidamente das origens negras dos ritmos e do nome, da mescla de culturas como se formou, de alguns tipos e suas diferenças em cadências, batuques, composição. Claro, não tenho muita propriedade nem autoridade para falar, mas até superficialmente e bem simplificado, foi possível levar um pouquinho do que é samba e do que somos nós, brasileiros ,à turma da classe. O final da apresentação foi o mais adequado: alguém, como sempre, vira para a brasileira e diz " você sabe sambar? samba aí pra gente ver...". Óbvio, não sambei e calmamente expliquei, que não é assim, "samba aí!". Disse a eles que para nós, brasileiros, samba não é apenas um estilo musical, uma simples música regional. Samba é o que somos, é a nossa origem é como fomos formados, é a mistura de raças, de gentes, de culturas que todo brasileiro é. E mais que isso, samba é algo que nos toca a alma, sambamos porque a alma dança e sente o ritmo da música, a força dos seus versos, de seus batuques, não é assim, sambar a seco, sem sentir, sem ouvir. Finalizei dizendo que samba é, de fato, o que somos: a alegria! Mesmo que a letra diga diferente, samba remete à alegria, e nós somos alegres, mesmo que a vida nos diga diferente. Nós, somos o samba!

Os colegas gostaram, a professora também, ninguém conhecia nada do que disse ali. Ainda disse alguns grandes nomes do samba nacional para que procurassem e conhecessem um pouco mais, além do carnaval, o pouco que chega aqui. Se irão pesquisar e conhecer não sei, mas ao menos espero que vejam o samba com outros olhos, assim como a nós e nossa cultura, tão nossa e tão nós.

2 comentários:

  1. Nem aqui no Brasil as pessoas enxergam o samba sem ser: Escola de samba e mulatas do samba! A sua escrita é fera.

    ResponderExcluir
  2. Ae Glaucinhaaa! Nd como falar do nosso querido sambaa..q saudadessss!

    Parabéns e mt sucesso queridona!

    Michele

    ResponderExcluir