domingo, 28 de fevereiro de 2010

Planeta Terra chamando


Catástrofes seguidas, terremotos, chuvas destruidoras, o que acontece? Coincidência? Não, sinceramente, acho que não! Verdadeiros dilúvios alagam e deslizam o Brasil, mês passado o Haiti foi destruído por um terremoto, desta vez foi o Chile. Há duas semanas chuvas e ventos arrasaram com a Ilha da Madeira em Portugal, neste mesmo período as chuvas no continente português foram mais intensas e este final de semana o país está em alerta laranja, o segundo em uma escala de quatro, que indica possibilidade de eventos com velocidade superior a 160 km por hora, ondas maiores que 7 metros e propensão à formação de furacões. Que medo! Ontem, andando pela rua já era possível sentir o vento deslocar seu corpo... Mais medo ainda em um final de semana em que catástrofes seguidas acontecem ao redor do mundo. O Japão também teve abalos sísmicos, há alerta de Tsunami na costa do Pacífico, tempestades com destruição e mortes na França e na Espanha, no Porto, desde ontem, casas e árvores foram derrubadas, o Rio Douro já sobe e começa a invadir residências à sua beira e o alerta com rio e mar são totais. O Chile, além recolher corpos em escombros tenta evitar o saque da população ao que restou de "usável" no meio da destruição. É a pura miséria humana, é o reflexo de necessidades e causas sociais muito mais profundas. Assim como no Haiti vendiam crianças como mercadorias que sobraram. Tudo tão triste.

Claro, há o científico, os locais propensos a tais fenômenos como terremotos, mas mais que isso, acho que a Terra tenta nos avisar que algo não vai bem. O verão por aí tem sido um dos mais intensos, assim como o inverno por aqui tem sido um dos mais rigorosos dos últimos tempos. Coincidiu? Não, acho mesmo que não. A Terra pede socorro e avisa do modo mais brusco que precisa urgentemente ser cuidada. Apenas desligar a torneira enquanto se escova os dentes ou reciclar o lixo da cozinha não é o suficiente. É preciso mais e de todos nós, para já, para ontem. É preciso tentar desfazer todo o mal que o homem tem feito ao seu habitat natural desde que se viu capaz de mudá-lo. Falsa impressão, com a natureza nunca poderemos, apenas interferimos nela, mas não somos capaz de detê-la, basta ver as desgraças dos últimos tempos. Até quando vamos recolher corpos em escombros, ver fome, miséria e destruição, chorar a perda de entes queridos, de cidades e populações reduzidas a pó? Até quando vamos esperar pelas gerações futuras? Eu já não sou mais geração futura e desde que era ouço isso, mas nada foi mudado. Do jeito que a coisa vai, receio que esta geração, ou mesmo seu futuro, nem exista!

* Gostaria de nunca mais usar uma imagem como essa neste blog, tampouco, e ainda mais, ver cenas assim em nossa realidade, nua e dura. Basta jogar palavras chaves no google para buscar a foto e verá coisas assim e ainda mais tristes, realmente de chorar. A imagem usada é do terremoto do último mês de janeiro no Haiti.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Papo com o ídolo


Chego em casa da aula, toca meu celular (popular telemóvel em Portugal). Eram meus pais. Estavam embarcando no Navio do Centenário, viagem turística para corinthianos, uma das ações comemorativas aos cem anos do clube. Meu pai quem ligou, emocionado não conseguia dizer uma só palavra, apenas chorava. Minha mãe pegou o telefone, disse que era impossível não pensar em mim e não sentir minha falta em um ambiente tão propício, tão corinthiano. Fiquei emocionada por tudo, pela saudade, por eles, por me representarem lá... Vários craques que jogaram no timão estão participando da viagem: Biro-Biro, Vladmir, Basílio, Marcelinho Carioca, Sócrates. Pedi para minha mãe mandar a todos um beijo meu, dizer a eles que os admiro, agradecer pelo que cada um fez pelo Corinthians. Em especial pedi que mandasse esse recado a Marcelinho, para mim, um dos maiores ídolos do clube, um ídolo que vi jogar e, talvez, por isso, tenha carinho imenso por ele.

Minha mãe devolveu o telefone ao meu pai, já mais calmo conseguíamos conversar. De repente, ele diz: "olha o Marcelinho passando aqui do lado!". Ao mesmo tempo ouço a mãe dizendo: "Marcelinho minha filha é sua fã, não está no Brasil, não pode vir ao barco...". Eu já ao gritos para meu pai: "coloca ele na linha, coloca ele na linha..." Eis que Marcelinho pega o telefone, e deu-se o seguinte diálogo:

- Marcelinho???
- Oi meu amor tudo bem? (note a amizade e intimidade do craque comigo)
- Tudo e com você... olha, sou sua fã!
- Oh minha linda obrigada!
- Marcelinho obrigada por tudo que fez pelo Corinthians, você é um dos maiores craques que eu vi jogar, eu te amo, sou sua fã mesmo, obrigada por tudo!!! (eu estava eufórica, não sabia o que dizer)
- Que isso minha linda, obrigada você pelo carinho...
-Marcelinho um beijo grande te adoro!
-Um beijo querida!

Marcelinho foi muito simpático, parece que via suas expressões enquanto falava, foi, no mínimo, atencioso em atender à ligação. Esse foi o diálogo. Segundos, nada demais, nem de complexo, mas foi muito legal, fiquei emocionada, ria e chorava ao mesmo tempo, terminei assim a conversa com meu pai que também se emocionou, agora por mim e comigo. Tudo que se refere a Corinthians tem mexido comigo além da conta, pela ausência e pela distância. Muitos podem estar lendo este texto e achando uma idiotice, vendo a imagem de Marcelinho e torcendo o nariz, mas não podem negar o grande jogador que ele foi, sobretudo para o timão. E sem dúvida, tem até hoje grande identificação com o clube. E ele é mesmo como Corinthians: ou você ama ou odeia, não há meio termo, nem simpatizantes. Quanto a mim, nem preciso falar... Uh Marcelinho!

* E antes que alguns corneteiros, já me vieram à cabeça, digam que sou jornalista e tudo mais, apenas uma coisa. Sou mesmo, com honra e ética, mas antes de tudo e de qualquer coisa tenho paixões sentimentos, ídolos, gostos pessoais, como qualquer pessoa e não vejo vergonha nem motivo para escondê-los. Além do mais, neste momento estou e estava à paisana.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A semana inteira, fiquei esperando...

As horas demoram a passar em Portugal, na Europa em geral. Não sei explicar porque, mas desde que cheguei aqui sinto isso, sinto que os dias parecem ser mais longos, mais demorados. No Brasil, essa sensação me era comum em dia de jogos do Corinthians, principalmente em dia de jogos mais decisivos, mais importantes, mas no geral, era da hora em que acordava até a hora do jogo ver cada minuto passar como se fosse uma hora. Agora some estas duas coisas, um lugar onde o tempo demora a passar e jogo importante do Corinthians: a quarta-feira parecia um longo mês. Somado a isso, temos ainda o fuso-horário, estamos adiantados em três horas (normalmente são quatro, mas como temos horário de inverno, cai uma hora a diferença). Se antes era preciso esperar até 22 horas, vulgo 22 da madrugada para o futebol, aqui precisei mesmo esperar o dia seguinte chegar. Meu jogo começou quase uma da manhã. E acaba quase 3, momento em que escrevo este texto. Foi a estréia do timão na Libertadores 2010, jogo contra o Racing, Uruguai, em casa.

Fora isso, desde ontem vocês acompanham meu drama de como ver a partida. Hoje passei horas instalando e desinstalando programas no meu computador, testando sites de transmissão ao vivo, para que na hora mais aguardada do dia nada saisse errado. E assim foi, até cerca de 15 minutos antes. Liguei o laptop era por volta de seis da tarde, portuguesa. Deixei sem volume o site conectado na Globo. Desde Sessão da Tarde até Viver a Vida tudo correu bem. Não travava, os socos eram esporádicos. Nessa toada fui preparando o psicológico, tomei uma ice, belisquei algumas coisinhas. Mas corinthiano nasce pra sofrer, é uma saga. Quinze minutos antes do jogo a transmissão foi cortada. Desespero! Abria outros sites, o explorer não suportou tantas janelas e não respondia, as páginas que abriam o futebol estavam com a transmissão do Flamengo. P... até na internet a hegemonia global é carioca? Aí não dá. Abre um, abre outro, pronto, a transmissão paulista. Pacaembu lotado, me emocionei como é de praxe ao ver o povão gritando. Mal a bola rolou, o site travou! Desespero 2! Atualiza uma página, abre outra, e sem entender o que se passava o Racing já tinha feito aquele gol fantasma, que surgiu não sei como, nem de onde. O jogo segue e eu, escaldada, já preparei uma verdadeira operação de guerra, praticamente a terceira grande guerra mundial, nível nuclear, era o que esperava. Eram dois sites abertos no jogo, um sem som, caso o outro travasse; rádio web conectada, também muda, caso os dois sites travassem. Belo gol de Elias, o empate, grito como uma doida, de madrugada, sozinha em casa. Espero não ter acordado ou assustado os vizinhos. Aliás, agradeço não ser despejada após esta madrugada de futebol. Após o gol me senti um pouco menos tensa, o site que transmitia o jogo também. Não travou mais, até o final do primeiro tempo, foi tão manso quanto o jogo. O único site que transmitia o timão, de modo ,"assistível", até certo ponto, não permitia a expansão da tela. Assisti, os noventa minutos num quadradinho, a bola não aparecia direito, os jogadores eram vultos, entendia as jogadas pela narração e pela lógica. Via a partida com os olhos quase grudados à tela.

Segunda etapa, Souza vem a campo. Concordei que era preciso mais ataque, mas ele?... o sofrimento alvinegro. Ok, o atacante não comprometeu, ao contrário, fez bons lances, inclusive o passe do segundo gol. Pressão corinthiana todo o segundo tempo, a torcida empurrando, "essa é minha fiel", me arrepiava ouvir, e de repente... o site trava e a mensagem de que meu computador tem problemas que precisam ser resolvidos. Pera aí Joaquim (é o nome do meu laptop) discutir a relação agora, no meio do jogo??? Prometo que depois resolvo todos seus problemas, você ganha novo anti-vírus, programas, o que quiser, mas agora não! Atualizei o site e o jogo seguiu. Fui alternando as páginas o segundo tempo todo. Uma travava, eu atualizava, enquanto seguia a partida na outra. Gol de Elias, mais um belo gol, mais um grande grito, mais uma vez o sentimento de tensão sai de meus ombros. E dos jogadores do timão também. O time parecia jogar mais tranquilo, tocar a bola mais solta, ir embalado nos gritos menos nervosos da torcida. O clima de libertadores é diferente, dá pra sentir. Elias foi o grande nome do jogo, não só pelos dois gols mas por toda a movimentação, gosto demais de seu futebol.

Valeu a vitória, a estréia positiva na Libertadores. Corinthiana, bem corinthiana. Sofrida, bem sofrida, para mim, dentro e fora do gramado. Com o Corinthians onde ele estiver, onde eu estiver. O vídeo abaixo é o sentimento descrito no início deste post traduzido em mais uma grande paródia da torcida alvinegra.

http://www.youtube.com/watch?v=_lQJqWN0dc8&feature=related


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Pra quê essa tv a cabo?


Este post é um desabafo, uma indignação, uma revolta! Desde sempre por aqui, tive a preocupação de encontrar meios para assistir aos jogos do Corinthians! Preocupada com isso, logo que cheguei, coloquei a TV a cabo (combo com a internet) e já desembolsei mais 15 euros mensais para ter também Globo Internacional e PFC. Eis que ontem fui apenas confirmar a transmissão do jogo de estréia do timão na libertadores na próxima quarta e, para minha surpresa e indignação, o PFC não irá transmitir! No horário, aqui para minha região, anuncia um VT, leia atentamente, eu disse VT, de Joinville e Novo Hamburgo pelo Campeonato Catarinense! É um absurdo! Daí, neste momento você se pergunta, como eu me perguntei, porém já com a certeza da resposta negativa, "será que a Globo não passa?". Não, não passa, nunca passa futebol, e quando passa são jogos já terminados ou em andamento de uma hora. Até hoje não entendi porque mantenho o canal internacional aqui em casa, se só transmitem programas atrasados e velhos. Acredite, está passando Rainha da Sucata aqui na Globo Internacional! É o fim da picada! Meu time estreando na libertadores e eu terei que assistir pela internet aos socos, isso se o moderador do site também não cortar a transmissão depois de 10 minutos pedindo um cadastro! Mostra o interesse e o real valor do futebol sul-americano e da Taça Libertadores para eles, e para todo o mundo... Ninguém tá nem aí! Minha vontade é de cancelar a TV a cabo, não pagar esse mês, qualquer coisa assim! Para assistir a Copa São Paulo, o Mirassol, não me adianta. Tampouco para ver Faustão, meus domingos tem sido bem menos melancólicos com a TV desligada e sem ver programas como esses. Pena que não vai adiantar nenhuma destas medidas, nem quebrar o aparelho, porque mesmo no exterior a poderosa consegue dominar e nos irritar!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

De encher a mão e de lavar a alma

Rivalidade regional é incomparável mesmo, é um toque especial em qualquer jogo de futebol. O jogo da Champions tem toda a grandeza e o glamour da competição e dos times, mas não tem o toque e o gosto de jogar contra um rival do país. O jogo foi Porto x Braga, equipe da cidade de mesmo nome, ao norte de Portugal, cerca de 50 km do Porto. O time tem também como suas cores o vermelho e branco, e é conhecido como o Arsenal português. O Braga este ano vem bem no campeonato nacional, é líder. O Porto defende o título e precisava da vitória para manter vivas as chances de ser campeão também nessa temporada. Vinha ainda com fatores extra-campo entalados na garganta (vide segunda parte do texto), com protesto ta torcida no início da partida, atletas aquecendo com camisas especiais em homenagem a Hulk e Sapunaru, suspensos. Esse era o clima para o clássico dos times do norte de Portugal.

E o Dragão entrou como devia, comendo a grama, com muita raça. Sapecou logo 5 a 1 no Braga. Confesso que fui curiosa não só por ser um clássico, mas também, e principalmente ,por ver essa equipe do Braga, algo deve ter para liderar o campeonato. Nada de especial, com destaque para o goleiro Eduardo, da seleção portuguesa. Por essa nem ele esperava, passar cinco bolas para suas redes foi demais! O estádio estava lotado, cerca de 47 mil adeptos empurraram o Porto para esta grande vitória. Estava eu, mais uma vez no meio da Super Dragões, a organizada do clube. E desta vez a festa foi muito maior, os gritos muito mais intensos, os pulos, os xingos, a claque* estava mesmo muito mais sul-americana. A rivalidade entre Norte e Sul de Portugal foi ponto comum entre as torcidas do Porto e do Braga. Ambos nortistas, odeiam os sulistas, Benfica e Sporting em especial, com mais intensidade os primeiros. A claque do Porto gritava de um lado, a do Braga respondia do outro, unidas as vozes para aleatoriamente, mas não sem razão, gritar contra os times do Sul. Foi um grande jogo em todos os sentidos! Foi o melhor em ambiente e futebol que vi aqui até agora. O Porto venceu por 5 a 1, mas podia ter sido mais. Ao final da partida uma chuva torrencial para lavar a alma, literalmente.

* Claque em Portugal é a denominação para torcida organizada. O restante dos torcedores são ditos adeptos.

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O São Paulo Português

Depois de quase seis meses em Portugal e acompanhando o futebol do país de perto, é possível ter algumas percepções importantes, saber bastidores, envolver-se. Por aqui, há uma grande "rivalidade" no país entre Sul e Norte, mais intensa entre as duas grandes maiores cidades, lisboa e Porto, respectivamente. Isso é claro em comentários e conversas com gente das mais diversas, oriundas de ambas as regiões. Essa rixa se estende, obviamente, ao futebol. Os grandes rivais são Benfica e Porto, guardadas dimensões, regionalismos e realidades, imagine um Corinthians x Palmeiras. Assim como não uso nada verde, um bom portista odeia vermelho! Mas o fato é que, em dezembro do ano passado, os grandes adversários se enfrentaram pelo Campeonato Português no estádio da Luz, casa do encarnados em Lisboa. Ao final do jogo, confusão entre os atletas nos túneis dos vestiários. Bate-boca, agressões fisicas. Disso tudo, o Porto teve dois atletas suspensos, Hulk e Sapunaro. Após dois meses afastados dos campos, a decisão final para os envolvidos na briga: quatro meses de gancho! Neste momento o leitor deve estar pensando, as e do Benfica, ninguém afastado? Não! Estranho, dá a impressão de que os atletas do Porto brigaram sozinhos e entre si nos túneis. Ontem, no estádio, contaram-me que caso semelhante aconteceu também com o time do Braga em um jogo na Luz. Apenas atletas do vermelho do Norte foram suspensos.

A diretoria portista anunciou que irá recorrer à decisão. Os atletas aqueceram, antes da partida com o Braga, com camisetas brancas com o nome e número dos atletas suspensos. Na última coletiva do clube antes do clássico, o plantel todo compareceu, como sinal de união. A claque do clube, além do protesto de ontem nas arquibancadas, fará amanhã uma manifestação na sede de Porto da Liga de Clubes portuguesa. Não sei se alguma destas coisas surtirá efeito, mas a meu ver, vale fazê-las. Outro modo, mais certo de eficácia é em campo, jogando com raça como o Porto fez. O mundo da bola também segue a mesma toada: alguém sempre é o queridinho da mídia e do poder. Pensei que fosse só com o São Paulo...

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O lirismo melancólico é uma das características culturais mais fortes do português. Seja no fado, seja na literatura, seja no dia-dia. A dor e o sentimentalismo fazem parte da essência portuguesa. Ontem, ainda no Estádio do Dragão, vi uma bela prova disso. A ilha da Madeira está devastada pelas fortes chuvas dos últimos dias: destruição e mortos. Antes da partida, um minuto de silêncio pelas vítimas. Jogadores das duas equipes abraçados no centro do gramado, o público de todo o estádio em pé, aplaudindo, e uma música orquestral de notas tristes tocando. De arrepiar e de levar lágrimas aos olhos a homenagem prestadas às vítimas da Madeira. Assim ficamos, de fato, um minuto, envoltos no mais puro sentimentalismo melancólico português. Bonita homenagem!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O vício do blog


Para mim, o blog é como uma terapia. Usei o todo pela parte, a terapia é escrever, o que faço com paixão imensa. Preciso escrever, externar o que sinto, o que penso, o que gosto, de algum modo, daí escrevo. Isso me faz bem. Já fui de escrever poesias, cartas, contos. Agora o que escrevo são textos corridos, que nem sei bem como classificar, se é que isso é preciso! Prefiro mesmo dizer que são meus devaneios, mesmo quando se tratam de opiniões concretas, sobre coisas concretas como o futebol. Mas o fato é que o blog surgiu para estes amantes da escrita como uma boa ferramenta. Teoricamente é possível difundir o que se pensa por meio destes textos. Digo teoricamente porque a sensação plena e constante é de que escrevemos para ninguém ler! Perdoem-me leitores deste humilde espaço, mas os companheiros blogueiros entendem o que digo, é um sentimento comum a todos nós.

Eis que meu irmão quis criar um blog. Passou pelo processo sofrido de escolher um nome, de entender o motivo de ter este espaço, de como funciona, do faço ou não faço, será que alguém vai ler e por aí vai. O começo é mesmo assim, e todas as questões que colocamos são pertinentes, bem como os motivos mais diversos pelos quais dizemos ter inventado o blog: ócio, solidão, vontade de dizer algo nem se sabe pra quem ou porque, tudo é cabível! O fato é que ele criou seu blog e, assim como todos nós, blogueiros que somos, já está viciado! (daí me surge o mote para este post). Sim, isso aqui é viciante! Escrever é terapêutico, mas deixar o "pobre" blog abandonado por dias nos transtorna! Sinto como se eu estivesse secando por dentro, sem ideias, sem opiniões, sem razões para falar. Isso perturba! Contraditórias estas sensações? Sim, são! Há ainda um certo sentimento de pânico por escrever, quando há várias ideias, ou mesmo uma apenas e você não vê a hora de sentar e escrever já que o assunto fica às voltas na sua cabeça porque é um bom tema para um post, ele precisa ser feito com urgência, "alguém me arruma um computador com internet aí agora ou as linhas já esboçadas em minha mente fogem!!!".

Postar no blog torna-se mais que um hábito, ou uma ação despretensiosa, torna-se uma condição sine qua non à sobrevivência. Diferente da maioria dos viciados, seja lá no que for, admito meu vício, reconheço. Porém, agora com a maioria, não pretendo deixá-lo. Afinal, ele não faz mal, ao contrário, faz um bem danado, acho eu! E posso advertir com tanta propriedade quanto adverte o ministério da saúde em casos como esse: ter um blog não causa mal a saúde! E o leitor pensará, "ué mas não é um vício?". Contradições da vida meu caro. E eu não largo!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Mais um jogão na Champions


Outro grande jogo. Mais uma vez voltei ao Estádio do Dragão, mais uma vez a Champions League, mais uma vez um adversário inglês para o Porto. Desta vez valia mais, primeiro jogo pelas oitavas de final da competição, Porto x Arsenal. Desta vez eram os vermelhos quem vinham ao Dragão com seu inconfundível grito ressoante, com grande time de craques e estrelas. Desta vez vi a vitória do time da cidade que me acolheu, 2 x 1 com muita polêmica e um jogão de bola! Desta vez também a emoção na arquibancada foi maior, estava eu, no meio da Super Dragões, a torcida organizada dos portistas. Naquele local se vê o jogo em pé, se xinga, grita, canta. É deste modo que gosto de ver jogos, estava mais em casa assim!

Em dia de grandes jogos como esse, a cidade respira o clima da partida desde cedo e por todos os lugares. Nesta quarta-feira, passeava eu com uma querida amiga que me visitava, mostrava a cidade e seus pontos principais. Eis que na Ribeira, cartão-postal portuense à beira do Rio Douro, demos de cara com a torcida do Arsenal, em peso! Os típicos "branquelos"ingleses, vestidos em vermelho, já se concentravam regados a muita cerveja e gritos de guerra. De repente, basta um deles levantar, gritar algo, todos os demais, estejam longe ou perto deste fulano, respondem em coro, aos berros. Felizmente, tudo com muita alegria, sem qualquer violência a que o futebol inglês muitas vezes é associado.

Esperava do Arsenal um grande futebol. Foi uma equipe pouco aguerrida. Ao contrário do Porto, que batalhou, mas perdeu boas chances de ampliar o placar. Um gol a mais faria toda a diferença para o confronto do dia 9 de março, na Inglaterra. Será preciso dobrar a raça do dragão na casa dos adversários. Mais que pelo futebol das duas equipes, o jogo foi marcado por lances no mínimo curiosos ou bizarros. O primeiro gol do Porto uma falha do goleiro do Arsenal, que aceitou um chute despretensioso de Varela. No tento de empate dos ingleses, a zaga e o goleiro Helton também falharam. Mas o gol da vitória foi o mais discutido, em todas as acepções da palavra. Bola atrasada, Fabianski, goleiro inglês, pega a bola com a mão. Na cobrança da falta na área, rapidez do ataque português, Falcão marca... autorizou, não autorizou, valeu não valeu...??? A galera vibra, o colombiano corre com os braços abertos, vitória do Porto. Pra mim, o gol foi legal, malandragem e agilidade de um lado, ingenuidade e desatenção do outro. Um ingrediente especial para este que foi apenas o primeiro tempo de um grande confronto. Certamente o segundo será ainda mais emocionante... e claro, estarei na torcida que o Porto avance e que tenhamos aqui mais grandes times do futebol mundial.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Futebol e samba

O clima é de carnaval, celebridades, sambódromos, futebol morno no final de semana, e os craques são o destaque desde cadernos de fofoca ao noticiário esportivo. Neste ritmo, entre Anhembis e Sapucaís, é preciso tratar de algo a mais do que simplesmente a folia com os atletas, talvez futebol seja uma boa opção. Eis que alguém lança a pauta Copa do Mundo, aproveitando que Ronaldo, Robinho, Dunga e outros tantos selecionáveis estavam no samba. Eu até pensei em comentar sobre a seleção há alguns dias, mas achei que já tinha perdido a atualidade, um dos princípio jornalísticos. Mas, como o fato ainda rende discussões, me vi no direito de dar meus pitacos.

Também sou da bancada que clama pelos Ronaldos na seleça. O Gaúcho por tudo que vem jogando, o Fenômeno por ser quem é. A ausência de um, de outro ou de ambos tem como explicação a coerência de Dunga. O treinador pode não agradar (se é que treinador um dia agradou alguém) a gregos ou a troianos, mas a verdade é que suas convocações têm sido bem regulares. A base do time é sempre o mesmo, e pelo que consta não é muito alheio a chamar jogadores por boa fase, tampouco por má fase. Aqui leia-se Robinho. Alguém me explica o que ele faz lá? Ok, nunca fui fã do futebol dele, sua passagem pela Europa foi medíocre, sua ida pro Santos é puro marketing, e independente de indas e vindas não atravessa fase das melhores. Justifica-se pela coerência, mais uma vez. Embora algumas coisas como Gilberto sejam incoerentes...

Daí há a bancada dos que querem doentiamente Neymar na seleção, o maior "injustiçado" por esta coerência na convocação de Dunga. Isso me incomoda. O menino pode estar jogando um bolão e tudo mais, mas porque que sempre que surge algum menino na Vila o povo já acha que é o novo Pelé? Foi assim com Robinho, provou-se que não! Agora Neymar é Deus, merece seleção aos 18 anos pra seguir a mística do rei. Aí o menino faz um breque, porque foi mais que uma paradinha, na cobrança de pênalti, diante do experiente Rogério Ceni e ganha ainda mais créditos com a imprensa, "que frieza", "que maturidade". Duvido que se fosse outro garoto seriam estes os comentários, ao contrário, seria mascarado, deveria baixar a bola etc. Essa diferenciação de tratamento é chata e irritante! O fato é que a marra e a máscara já vêm com os atletas da categoria de base (aqui mesmo já comentei). Outra coisa, estas frescurinhas e brincadeiras fora de propósito, que os poetas do jornalismo literário preferem chamar de "molecagem" é cansativa e serve para dar margem à marra dos jovens atletas. Chamar Neymar por ser uma promessa, não justifica, a boa fase também não. Vale lembrar que uma coisa é brilhar frente aos Mirassol e Paulistas da vida. E fase boa por fase boa, coerentemente chamaria-se Ronaldinho Gaúcho!

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A mistura mais bonita de futebol e samba é a Gaviões da Fiel na avenida. Longe de tudo isso, com temperaturas de 1 grau doendo nos ossos, sem barulho, nem feriado prolongado, o carnaval faz mais falta. É origem, cultura e tudo mais. Impossível não acompanhar o que se passa no Brasil. O brasileiro despatriado clama por isso. Prometi que não leria nada, nem ficaria ouvindo sambas e acompanhando desfiles... não tem como! Emoção por emoção, que a escola desfile. Ver daqui a Gaviões aí, com enredo que fala dos 100 anos da paixão que une toda essa gente, realmente de chorar! De lindo, de amor e de saudade.

"De Jorge a força / que vem lá do céu / a ti serei fiel", esteja eu onde estiver!
"Corinthians é o meu amor / o samba é minha paixão /eu bato no peito / e grito pro mundo / o meu orgulho de ser gavião", literalmente.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Coisas simples que me fazem falta...


Depois de cinco meses no velho mundo algumas coisas simples começam a fazer falta. E dizem que as coisas mais simples são as melhores da vida, por isso acho que a falta delas está mais acentuada. Que fique bem claro que não se trata de não estar bem aqui ou coisa assim. Ao contrário, estou feliz, mas saudade é recorrente e inevitável. Os meios eletrônicos, as comunicações, tudo isso evoluiu de um modo louco, mas prático e necessário para a vida cotidiana, estes adventos são mesmo indispensáveis. Como era viver em outro país sem telefone, internet, tv a cabo? Cartas apenas... vivia-se, mesmo porque não se conhecia nada disso, então não faziam falta, certo? Errado, devia haver uma inquietude de ausência de algo que não se tinha, nem mesmo se conhecia, tampouco se imaginava que um dia existiria. Grandes invenções que dão a impressão de que o mundo é pequeno, que ele cabe no google, que mascara a saudade e nos dá a fantasiosa impressão de que não estamos sozinhos. Tudo isso não é mentira, mas também não é plena verdade, ao menos aos que ainda tem um certo saudosismo de cartas, cartões-postais, jornal em mãos, quem gosta de ver o mundo com os próprios olhos, quem gosta de conhecer pessoas, ouvir, ver, sentir. A saudade aperta mais quando é física, de ser e estar, de pessoas e de lugares especiais.

O fato é que sinto muita falta de coisas que são mesmo minhas, e que a cada vez que me cutucam o coração fazem ter a certeza de que volto. Pensei até em fazer uma lista, na qual colocaria afazeres urgentes quando voltar ao Brasil. Simbolicamente ela se materializa em minha mente, mesmo porque estas faltas não me deixarão esquecê-las... Tenho andado muito e conhecido os maiores, mais modernos e melhores estádios de futebol do mundo. Mas sinto saudade mesmo do histórico e simbólico Pacaembu. Lugar onde me sinto em casa, onde fiz o trabalho "profissional"que até hoje mais me realizou e, mais que isso, em que sinto a verdadeira paixão pelo futebol, onde a diferenças sociais, raciais e de todo gênero somem numa multidão enlouquecida na arquibancada, no abraço em um irmão momentâneo e unido à ti pelo mesmo amor. Ou simplesmente assistir ao jogo ao lado de pessoas queridas em casa mesmo, com amigos, com o irmão de sangue, com quem se pode comentar, desabafar, comemorar o gol. A música também é companhia e um pedacinho de lá aqui. Porém, faz falta ir ao samba, regado a boa caipiroska, com amigos queridos, dançar e suar, deixar que a música lave plenamente sua alma. Todo domingo quando acordo bate saudades do jornal brasileiro. Acordar, pegar minha grande caneca de café e sentar no sofá com o jornal em mãos e ler calmamente notícias, artigos, colunas, saborear palavras (e mentalmente também avaliar o produto, isso é uma mania de muitos jornalistas, tenho certeza). O cheiro, a textura, a tinta nas mãos, é minha profissão, minha paixão materializada. Ah e junto a isso o cheiro e sabor do café feito pela minha mãe, hum! Nestas manhãs, em que geralmente o dia está nublado no Porto, imagino aquelas manhãs quentes brasileiras em que se acorda, paradoxalmente, com o fresco do nascer do dia. Nunca pensei, mas a verdade é que até o calor brasileiro me faz falta... o humano e o desumano, que sempre me fez derreter e reclamar!

Estes dias estou com uma vontade insuportável de ser jornalista. Sim, eu sou, mas digo no sentido de atuar, de fazer jornalismo, de praticar a profissão que tanto amo e que escolhi pra mim. Ouço rádio pela web, mas sempre adorei os de pilha, com as antenas, de toda a magia e a técnica que o veículo exige. Queria fazê-lo. Simplesmente me deu vontade de escrever, de entrevistar, de ouvir gente, histórias, transcrevê-las artisticamente como quem costura retalhos e faz uma bela colcha. É assim produzir textos jornalísticos, numa visão, minimamente, apaixonada. As cidades em que morei. Não é de hoje que sou andarilha, quase de profissão. Cada lugar destes tem um espacinho muito especial em meu coração, em minha memória, estas urbes são representativas, cada qual a seu modo, cada qual à uma fase importante de minha vida. Penso em ruas, lugares, hábitos, caminhos. Tenho vontade de abraça-las! Assim como as pessoas. Com as quais convivia todo dia, o dia todo, as que via aos finais de semana, as que via raramente, as que não via, mas todas que de algum modo também tem um pedacinho representativo neste grande coração, onde sempre cabe mais alguém, mais uma cidade, mais uma saudade.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Coruña


Continuo minha incansável e incrível caminhada pelo mundão velho sem porteiras. Sim, é essa a sensação que tenho andando pela Europa, de que não há fronteiras. Desde que cheguei aqui acentuaram-se meu respeito e admiração pela diversidade cultural, de raças, de línguas, e nada disso se torna uma barreira, e sim uma atração a mais em cada lugar visitado.

Desta vez estive em A Coruña (ou La Coruña em castelhano), ao noroeste da Espanha. Quando cheguei à região ainda não tinha entendido bem a organização geográfica do local. Por aqui, para mim, é sempre um pouco mais complicado entender a organização política e social das áreas. Mas Coruña (também é correto dizer assim) é uma cidade da região da Galiza, capital da província de mesmo nome, que abrange outros municípios. Meus guias e companheiros de viagem foi o casal de amigos que me adotou em Porto. Confesso que não imaginava encontrar um lugar tão lindo como o que vi. A região é litorânea, cercada por mar e também por rio e ría (uma forma específica de encontro entre um braço de rio e mar). Mesmo com frio, mas com sol, as paisagens são incrivelmente lindas, e tudo encaixado perfeitamente com a cidade.

Fora as descobertas, cultura, vistas incríveis e o contato com o mar, coisas que me fazem sempre ter certeza de que estar aqui vale muito a pena, a culinária local é um espetáculo! Claro, estar com um "nativo" local como guia ajuda muito, você vai direto aos lugares onde a comida é a mais especial e os ambientes são peculiares. Embutidos, maricos, frutos do mar, carne de porco... hummm! Até agora foi um dos lugares onde mais e melhor comi na Europa. Mais uma linda e inesquecível viagem, mais uma região espanhola, mais um pedacinho do mundo que agora se materializa como um pedacinho do meu coração. É assim, com todo lugar que visito.