quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A origem


Refiz o caminho feito acerca de 100 anos atrás por meu avô. Ainda criança, em 1919,Ramon Peres deixava Malpartida, um povoado pertencente a província de Salamanca, acompanhado dos pais e duas irmãs menores. O destino era o Brasil, em meio a tantos imigrantes europeus que seguiam a mesma rota levando consigo nada mais que esperança. Ele nunca mais voltou à terra natal, mesmo depois de velho teve oportunidade, mas por motivos que só seu íntimo e seu psicológico sabiam (e ficaram para sempre apenas para ele estes sentimentos) Ramon não quis rever o lugar onde viveu seus dez primeiros anos de vida.

Em condições bem diferentes, por motivos de uma esperança muito mais feliz fui conhecer Salamanca. No caminho, mesmo em uma viagem de seis horas não consegui dormir. Viagens são sempre excitantes, com um sentimento quase infantil quero sempre chegar logo. Mas o fato é que fui pensando, como já fiz outras vezes, nestas viagens que imigrantes faziam ao Brasil, entre eles meu avô. Meses em um navio lotado, pessoas das mais diversas, condições das mais adversas, incertezas, medo... Mesmo para uma criança de dez anos como o pequeno Ramon, aquela experiência devia ficar guardada de modo realista e sem cores na memória, sempre viva. Talvez por isso regressar seria colocar o dedo em uma funda ferida, mesmo que já cicatrizada, mesmo que as condições fossem de um imigrante que batalhou muito, construiu uma família e a proveu de tudo o que foi necessário para conforto, sobrevivência e educação. Essa última ele só teve a da vida. Mesmo voltando em um avião, em "algumas" confortáveis horas de vôo, seria voltar a um passado a ser esquecido, mas que nunca pode ser apagado, trata-se da história e origem.

E foi com o sentimento de quem volta às reais origens que fui à Salamanca. Com o sentimento espanhol mais aflorado que nunca, com o sangue vermelho "furioso"correndo nas veias, com o passaporte e nacionalidade herdadas do avô como comprovantes dessas origens tão fortes e presentes em mim. Características físicas, comportamentais, dupla nacionalidade, um sentimento de carinho pelas origens. Meu registro como espanhola também é em Salamanca, é, de modo simplista e grosseiro, como se eu fosse nascida ali para o governo da Espanha. Fui com entusiasmo e com meu avô na memória. Pesquisei em alguns órgãos públicos da cidade algum registro, documentos, como chegar em Malpartida, alguma coisa que me colocasse ainda mais perto - ao menos de um modo físico, ou simbólico - de minha origem. Infelizmente estive na cidade poucos dias, era preciso uma investigação mais aprofundada. Porém, vivi o sentimento de estar ainda mais fundo em minhas raízes. Ficava me questionando e imaginando como viviam, o que passaram, será que moraram em casas como as que vi, andavam em ruas como as que andei, será que meu avô-menino corria por praças e no meio de grandes construções tão antigas e imponentes quanto as que conheci., será que estiveram efetivamente em Salamanca, de onde saíram até chegar no navio para o Brasil, como decidiram enfim embarcar para a América, entre tantas outras coisas... Valeu não só por conhecer mais um bela e histórica cidade da Europa, por enriquecer a cultura, mas também e principalmente pela fantasia e pelo resgate - mesmo que apenas sentimental - do que sou, do que me formou, de onde vim, do que forma meu DNA e minha história, o mais bonito de nós que podemos preservar e escrever.

Foto: Torres da Catedral de Salamanca (vista da terraça)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Roberto Carlos critica Galvão Bueno em coletiva


Começou em tom de brincadeira, com uma pergunta despretenciosa de um repórter e virou um desabafo, uma crítica séria. Questionado sobre o elástico de sua meia para jogar no Corinthians - em referência à ajeitada de meia da Copa do Mundo de 2006 no jogo em que o Brasil foi eliminado pela França - o lateral-esquerdo Roberto Carlos disparou que estes comentários maldosos foram criados por Galvão Bueno, sendo ainda o narrador um dos culpados pela saída do jogador da seleção. O que era para ser uma piada, gerou polêmica e revelou a mágoa do jogador. Rixas e meias a parte, acho que RC só externou o que muita gente pensa de Galvão, inclusive entre jogadores e imprensa esportiva. E mais, ainda mostra um Roberto Carlos com vontade de jogar e jogar muito para que não fique dúvidas em relação ao seu futebol. Ele vem com tudo em campo pelo timão, pode apostar.

Confira o trecho da entrevista coletiva em que Roberto Carlos desabafa sobre Galvão Bueno em http://www.youtube.com/watch?v=kAIXDo356pA

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ronaldinho Gaúcho está de volta


Não é de hoje, já há algum tempo Ronaldinho Gaúcho parece ter encontrado a velha forma e o grande futebol que o fez ser quem é. Lembro-me que meses atrás o jogador disse estar em sua melhor fase. Na época o processo de volta ao grande futebol estava no início e, assim como eu, muitos acharam um exagero e um modo de auto-afirmação de Ronaldinho, que nos últimos tempos sofria com críticas, com desempenhos ruins em campo, com o radicalismo de muitos que o diziam acabado para o futebol. Mas o craque estava certo e agora cala a todos estes que não mais acreditavam nele. Vivia e vive o auge desta sua grande fase! Fico feliz em ver Ronaldinho jogando como antes e como sempre, aquela alegria, aquela categoria que só quem é craque como ele tem. E Gaúcho ressurge em um momento importante, à vésperas da Copa. Dunga disse que quem estivesse bem teria chances não é? E agora "professor", vai levar Ronaldinho? Ainda temos aí um amistoso em março, o último teste e a última esperança dos que ainda querem carimbar passaporte para a África do Sul. Eu levaria. Craque é craque, nunca vai deixar de ser, futebol não se esquece como joga. E nessa de vai ou não vai, lembro ainda o outro Ronlado, o Fenômeno. E aí Dunga? Uma coisa é certa, se os Ronaldos estiverem bem como mostram que estão e o treinador não os levar a Copa pode apostar, será o mais criticado, o mais "zicado" e o que mais angariou torcida contra de todos os tempos. Para mim, Gaúcho e Fenômeno na seleção. Afinal, craques fazem a diferença!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Nossa língua portuguesa

Sexta a noite, aula de pós-graduação, cidade do Porto, Portugal. A colega do lado me cutuca e diz baixinho:
- Tens um rebuçado para me dar?
Perplexa e sem entender o que ela pediu respondo:
- O que? Não entendi...
- Um rebuçado...
- Um o que? O que é isso?
- Humm não sei te explicar...
(Como assim ela quer uma coisa que não sabe me explicar o que é?)
Ela prossegue tentando se fazer entender:
- É doce, coloca na boca...
- Ah! Um chiclete?!
- Não, não é chicle (como diz em português de Portugal), esse derrete na boca...
- Ah! uma bala?
- Não sei, não sei o que é bala...
Por sorte havia uma bala na minha bolsa. Tirei-a e mostrei à colega:
- É isso?
- Isso, é isso! Podes me dar?
- Claro! Mas por favor, me escreva o nome de bala para você que não entendi muito bem o que falou...
Ainda rindo de toda a situação ela escreveu em seu caderno a palavra "rebuçado", com uma grafia bem escrita para que não restasse dúvidas. Por aqui, bala é mesmo, apenas, a de revólver.

*****
No dia seguinte, na aula de espanhol, mas uma novidade linguística: drogaria aqui não é algo semelhante à farmácia. Não, uma drogaria é uma loja que vende materiais para reparos como tintas, ferramentas, pregos, pás e algumas ainda podem ter alguma coisa de construção. Ótimo, em Portugal se vai à drogaria comprar uma chave de fenda ou um alicate, que não é de unha.

*****
As diferenças linguísticas entre o português do Brasil e o português de Portugal são diversas. Palavras novas são corriqueiras em meu cotidiano. Não que as palavras que usamos não sejam entendidas, ou até mesmo façam parte do vocabulário local, mas ,obviamente, usa-se mais as do português português. Vai pedir uma xícara de café, ou de leite? Então peça uma chávena. Um bife, uma bifana e para comprá-la vá a um talho, não a um açougue. Sendo um peão, ao invés de pedestre, ande no passeio, ao invés de andar na calçada. Um puto não tem a conotação de palavra de baixo nível como no Brasil. Simplesmente é um rapaz jovem. Mas é muito engraçado ouvir os homens dizerem "quando eu era puto", no sentido de quando eram moços. O café-da-manhã é o pequeno-almoço, me dá a impressão que logo cedo as pessoas comem arroz, feijão, um ovo frito, tudo em pequenas quantidades. O banheiro é a casa de banho. Parece que só se toma banho ali, embora enquanto pensava e comparava com "banheiro" imaginei que a raiz da palavra também seja do banho. Para a limpeza da casa de banho, nada melhor que a lixívia. Hem? É a popular cândida, a água de lavadeira, água sanitária.

Vou deixar para um outro post mais diferenças da nossa língua portuguesa...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Chuteiras da humildade


A Copa São Paulo de Futebol Junior é a maior competição de categoria de base, sub-18, do futebol brasileiro. Ao menos em quantidade. O torneio conta, inicialmente, com 92 equipes de todo o Brasil. Multiplique isso por vinte, uma média (talvez alta?) de jogadores por time, teremos aí cerca de 1840 atletas, garotos que sonham vingar no futebol, almejam fama, dinheiro, contratos milionários, o exterior e tudo mais que craques privilegiados da bola têm. Todo ano me pergunto: "quantos destes quase dois mil meninos vingarão, de fato, no futebol?". Pouquíssimos, dentro de um universo tão grande e que se renova a cada temporada. Sim, a Copinha já revelou grandes jogadores, grandes ídolos do futebol nacional e internacional, mas todos hão de concordar que é uma porcentagem pequena dentro de um universo tão grande de nomes, talentos, sonhos, promessas, frustrações, empresários, clubes etc etc etc.

Sem entrar no mérito do talento deste ou daquele, no investimento sério desta ou daquela agremiação na formações profissional destes meninos, quero ressaltar um aspecto, muito falado no discurso quase paterno de técnicos, mas que, na prática, em especial este ano, não tenho visto: "é preciso trabalhar a cabeça destes atletas!". Chega a ser bonito ouvir isso, parece uma preocupação humana em meio a uma disputa desumana por espaço, por sobrevivência, por vingar na carreira no meio de tantos. Mas é só discurso. Não me lembro de ter visto tantos meninos tão "mascarados" como na edição 2010 da Copa São Paulo. E não é privilégio de um ou de outro time, eles estão espalhados por toda a competição. Chuteiras coloridas, quase espaciais de tanta tecnologia; cabelos dos mais diversos; dribles desnecessários e sem objetivo; outro faz um passe simples de meio metro, e após a bola ter saído do seu pé olha para o companheiro do lado oposto ao passe, como se fizesse aquela jogada clássica - mas para quem pode - de olhar para um lado e tocar para o outro, enganando assim o adversário; outros pedem a participação da torcida o tempo todo, numa demonstração de raça e entusiasmo não refletidos na bola; entrevista para a imprensa com pose, "o professor" e "vamos trabalhar" e tantos outros termos chavões recorrentes em entrevistas de jogadores de futebol.

Calma! Cadê a humildade? Cadê as tradicionais chuteiras pretas surradas, os cabelos ruins que foram raspados, o menino franzino que joga futebol com a mesma espontaneidade com que respira, o choro infantil e sincero do derrotado, o brilho nos olhos de quem joga por que ama jogar? Cadê o futebol, antes de qualquer coisa, o que irá mantê-los vivos não só na competição, mas no mercado? E cadê o "trabalho com a cabeça dos atletas"? Os jogos muitas vezes são sofríveis, times de baixo nível técnico, mas os meninos estão lá, com chuteiras, cabelos, discursos, pose de grande estrela e na verdade não são ninguém ainda (e mesmo que fossem, nada justifica a falta de humildade, mas...).

Jogar no Corinthians, no São Paulo, no Fluminense, no Flamengo, seja lá em que grande time junior é, de fato, um grande passo, um grande mérito, mas ainda não é tudo. É preciso ralar muito ainda. Quantos não chegam ao profissional destes clubes e com a mesma facilidade e rapidez saem, se perdem por aí em um clube menor e o sonho todo se foi, para quem um dia estava tão perto do auge. E o que chamou atenção da imprensa, li várias coisas sobre, foi o goleiro do Botafogo (RJ), Luiz Guilherme que, após defender dois pênaltis contra o São Carlos e levar seu clube às oitavas de final da competição falou humildemente como quem apenas cumpriu com a obrigação. Virou exceção ao que deveria ser regra. Com essa marra e com o pouco futebol que tenho acompanhado dessa Copinha, poucos desta vez chegam lá. Ao menos, aos que vingarem, a pose e a marra já vêm da base! Chuteiras da humildade para vocês!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O dono do mundo


Há exatos dez anos o mundo se vestia de preto e branco. O Corinthians sagrava-se campeão mundial após vencer o Vasco (RJ) nos pênaltis. O título, ao longo destes dez anos ,foi contestado por adversários e corneteiros de plantão, talvez se outro clube o tivesse conquistado ninguém falaria nada, aceitaria-se como a realidade. Mas Corinthians é polêmico até quando vence e mais, gera uma insuportável inveja por parte dos torcedores adversários que nenhum outro faz. Porém, o mundial foi o primeiro cuja taça traz a inscrição Fifa. Órgão máximo do futebol mundial, é ela quem deve reconhecer campeonatos oficiais pelo planeta não é? Assim como a Fia na Fórmula 1, a ATP no tênis e assim vai. Tudo isso para dizer que aquele título foi genuíno, foi o primeiro e foi corinthiano.

Uma década já... tiro agora dez anos da minha idade e me deparo com uma menina, uma adolescente. Com as imagens e lembranças frescas daquela noite de decisão na cabeça. Vi em casa, com meu pai e irmão. Lembro do choro, do coração apertado ao ver o pênalti perdido por Marcelinho, do desabafo ao ver Edmundo mandar pra lua a bola- foi São Jorge quem defendeu aquela cobrança - e a taça ficar conosco. Chorava como sempre choro nestas ocasiões, como uma criança. E que time tinha o Corinthians. Acho que o maior e melhor que eu vi jogar. Do meio para frente era imbatível, jogava por música, era o futebol arte que tanto falta hoje e que enche os olhos, eram toques de calcanhar, era técnica e raça juntas. Ríncon e Vampeta eram monstruosos, Marcelinho pela direita, Ricardinho pela esquerda armavam o time com genialidade e tinha a frente o capetinha (não sem razão, infernizava zagas adversárias) Edílson e o goleador Luizão. A defesa também era segura, Dida no gol, Fábio Luciano e Adilson na zaga, pelos lados Kléber, despontando com grande futebol pela esquerda e Índio, que nunca deixou o timão na mão, embora sempre coadjuvante, pela direita. Talvez para esse time ser o dos sonhos, Gamarra ainda devesse vestir a quatro. O maior zagueiro que vi jorgar no Parque São Jorge. O banco ainda contava com grandes nomes como do volante Edu, menino prata da casa, grande craque e que está novamente no timão e o eterno gavião Dinei.

Mas esse time foi histórico! Vinha embalado, com algumas poucas modificações, campeão Brasileiro de 98, Paulista e Brasileiro de 99, o Mundial foi a coroação desse time, dessa época, foi, de fato, o "Todo Poderoso Timão". Falem o que quiser, contestem, morram de inveja, pois o Corinthians tem o mundo há dez anos. Como bem diz uma composição da Gaviões "É nóis na Fifa, pra delírio da fiel!". E no mundo!

O vídeo que segue tem como trilha essa referida composição, que tão bem embala a conquista alvinegra: http://www.youtube.com/watch?v=x-OVEc9-Wcc&feature=related

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Começou o ano do centenário


Começou, em campo, o ano de 2010 para o Corinthians, o ano do centenário. Amistoso com o Hurácan da Argentina, longe de ser um grande espetáculo de bola, mas teve significados especiais. Marcelinho Carioca com a camisa do timão novamente. Jogou apenas um tempo, não fez gol, mas é lindo vê-lo tocar na bola, aquele efeito na pelota que só ele sabe dar. Ainda acho que no meio do caminho o craque pode deixar de ser apenas embaixador dos 100 anos e integrar a equipe... será? Seria demais! O Corinthians e seus atletas, enfim, iniciam o ano mais importante do clube. Todo mundo jogando com vontade, foi o que senti no fácil amistoso, vitória de 3 a 0, mas os jogadores pareciam querer mostrar serviço. E toda a mística e a energia do centenário já pairam no ar. Chorei ao ver o Corinthians em campo nesta quarta-feira, chorei ao ver Marcelinho com o manto mais uma vez, chorei ao ouvir a torcida gritando, principalmente o hino do clube e o "bando de loucos". Saudades de estar no Pacaembu, de viver tudo isso, de viver o centenário do Corinthians ali perto. As cortinas se abriram, começou, com o pé direito, 2010 para o alvinegro. Que venha iluminado e abençoado por São Jorge. Saravá, ele vai nos ajudar, vai Corinthians!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Espírito inquieto...


Tem horas que é preciso acalmar o espírito. Muitos planos, muitas ideias, muita novidade, transtorno total entre querer e poder. Muitas vezes sei o que quero, não depende só de mim para fazer. Muitas vezes não sei o que fazer, dúvidas, insegurança, inquietação. Meus pensamentos passam o dia a fervilhar, literalmente são as 24 horas pois durante o sono não me abandonam. Distância, solidão, vontades, saudades e uma constante sensação de que é preciso fazer tudo antes que o agora se vá. Inquietação pessoal, profissional, tudo junto e junta tudo. É o espírito que está inquieto...

Fui até a praia, sentei nas pedras e fiquei observando as ondas virem e irem, sentindo no rosto o vento gelado e o sol luminoso, mas fraco, ouvindo e pio das gaivotas que voam livres de um lado para o outro. Calma e paz. Nada mais confortante que isso. Nada melhor para acalmar os ânimos perdidos e encontrados dentro de si. Estar em frente ao mar. A sensação boa de paz fica consigo mais um tempo. Esgota-se assim que volta ao seu conflituoso mundo interior. É ao menos uma boa razão para voltar à praia e ver o mar.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Uh! Marcelinho


Já tinha cantado a bola antes e estava até na expectativa. Ele voltou. Era esperado para o ano do centenário. Um dos sinais era a grande quantidade de produtos oficiais do Corinthians lançados com o nome do eterno ídolo, Marcelinho Carioca. Nada mais justo e adequado do que um dos maiores jogadores da história do clube, grande campeão, voltar nesse ano tão simbólico. Pena não voltar para jogar, pena não usar a sete eternamente sua, pena não vermos mais faltas venenosamente cobradas e aqueles bracinhos girando no ar... saudades. Mas ele voltou, como "embaixador do centenário", jogará um amistoso aqui outro ali e participará da festa. Só de vê-lo no clube novamente já é bom. De fato, o bom filho a casa torna... e pra mim ele sempre teve razão, saiu injustamente. Uh! Marcelinho, uh! Marcelinho!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Corinthians 2010: ainda maior


Nada melhor do que começar o ano falando do nosso bom e velho futebol. Mais precisamente de Corinthians e seu novo / velho time. Muito se diz da alta média de idade desta equipe montada, dos trintões recém-contratados. Eu acho que é uma boa aposta. O timão vai precisar mesmo de experiência para disputar a Libertadores, de jogadores que saibam lidar melhor com a pressão redobrada da torcida alvinegra neste ano de centenário: tem que ganhar sempre, mas esse ano é 100 vezes pior a coisa.

E claro, o lateral-esquerdo Roberto Carlos é o grande nome das contratações da temporada. Campeão do mundo pela seleção, jogador rodado pela Europa, dispensa grandes apresentações. Embora o alvinegro tenha feito uma grande festa para receber o lateral. Os mais espirituosos até aproveitaram para dizer que o especial de fim de ano do rei Roberto Carlos foi transferido para janeiro no Parque São Jorge... em grandeza e importância não fica atrás, guardadas proporções. Nunca fui fã do atleta, como pessoa e como jogador. Mas ontem o que se viu foi um Roberto Carlos se esforçando ao máximo para ser simpático e receptivo com a massa alvinegra que o recebia com festa. Ele não tem o carisma natural que tem Ronaldo, mas tentou.

E acho que a aposta não poderia ser melhor. Pode não ser dono do melhor futebol, mas tem uma experiência inegável, e já ficou claro que jogadores vindos da Europa, repatriados, com tanta bagagem nas costas, dão certo no Brasil. Vamos combinar, o Campeonato Brasileiro foi nivelado tão para baixo que para Adriano ser o cara não custou muito (deixando de lado o talento ou não dele ok?). O que quero dizer é que para o futebol brasileiro estes caras caem muito bem. E para suas respectivas carreiras, o futebol brasileiro se encaixa como um final não melancólico, ao contrário, por cima e em boa forma. É isso que RC espera, tenho certeza. Juntou-se a fome com a vontade de comer. E pode cruzar na área que Ronaldo tá sempre por ali, com fome de gol. Aposto alto nesse timão. E que falem os corneteiros e torcedores adversários: centenário é o clube, não o time. Esse é experiente e ideal para o timão 2010.

*****
Nos primeiros dias do ano também pipocaram pela imprensa pesquisas sobre o crescimento das torcidas pelo país. Uma delas diz que a do Flamengo aumentou devido ao título Brasiliero. Pera lá, não tem nem um mês que ganharam e já é capaz de angariam mais tantos milhões de torcedores?! Acho que no fundo tem-se muito folclore nestes dados e apurações. Porém, outro levantamento diz do crescimento da torcida corinthiana no Estado de São Paulo e na capital paulista. Na contra-mão, a torcida do São Paulo diminuiu nos dois cenários. Opa, mas antes haviam outras pesquisas que previam o tricolor paulista com a segunda ou mesmo até a primeira maior torcida de São Paulo em breve, num espaço de cinco a dez anos. Essa sempre achei uma das mais estapafúrdias pesquisas... Tradição é tradição, povão é povão, camisa é camisa, futebol é paixão, é emoção, é lotar o estádio todo dia, não Guarujá. A nova pesquisa Datafolha está aí pra mostrar o quão impossível é essa previsão. E mais, o Corinthians disputou a série B em 2008, e mesmo assim aponta crescimento de torcida em 2009. É no sofrimento que se vê o tamanho do amor. Dizem que foi assim no jejum, foi assim agora e vai ser sempre... sempre a maior.

Aos interessados, segue a matéria do Globoesportes.com, com os dados da pesquisa:
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1434135-9825,00-TORCIDA+DO+CORINTHIANS+E+A+QUE+MAIS+CRESCE+NA+CAPITAL+E+NO+ESTADO+DE+SP.html

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Paris, um estado de espírito


O primeiro post de 2010 vem com as boas energias do final de 2009, as que receberam de braços abertos o novo ano. Dez dias em Paris me fizeram ainda mais feliz pela vida, mais disposta a voar e voar alto. A sensação de liberdade, de estar no mundão sem porteiras, do vento frio, mas acolhedor ,batendo no rosto, de caminhar em um livro de história e das mais diversas reações e sensações, foram essas as coisas mais importantes que trouxe comigo da cidade mais linda em que já estive na minha vida.

Logo que cheguei vi a região rural do aeroporto coberta por neve. Chão branco, flocos caindo, chorei. Cidades em que choro ao chegar ou ao sair, ou as duas coisas, ficam certamente guardadas em meu coração. Desci do avião como uma criança e como as crianças que também desembarcavam: mãos espalmadas para o céu esperando a neve cair. Foi a neve quem me recebeu e foi ela quem veio se despedir de mim, com um pedido para que voltasse quando possível. Só a vi nestes dois momentos, desembarcando e embarcando. O primeiro grande ícone de Paris em que estive foi o Museu do Louvre. Ria sozinha, incrédula de estar ali, na frente da imensa pirâmide de vidro que guarda muito da riqueza cultural e artística do mundo.

Porém, o símbolo maior da cidade ficará também como o marco mais expressivo em minha memória, a Torre Eiffel. Chorei quando a vi, num inexplicável momento de deslumbre e contemplação do gigantesco e maravilhoso emaranhado de ferro. Do alto da torre, vê-se a cidade toda, grande e organizada, como desenhada. Onde quer que esteja na cidade, do chão, basta olhar para o alto, verá nem que seja o cume da torre. Ela observa e acompanha sua estada e seu passeio por Paris a todo instante. Ah!, a Champs Elysees! Passear na avenida mais famosa da capital francesa é uma das atividades mais gostosas de se fazer por lá. Simplesmente andar, tomar um chocolate quente, um vinho quente nas barraquinhas especiais de natal espalhadas ao longo da Champs. Você desce a avenida, o vento bate com um sabor incrível de paz interior.

Mais que essas sensações, ficarão para sempre comigo os cheiros, os gostos, os sons... do francês, das línguas misturadas pela cidade que se torna uma grande torre de babel; o cheiro e o sabor dos crepes, dos gaufres com chocolate, do cheiro do frio, e do gelo que cobre calçadas e lagos, a cultura, a arte que lhe salta aos olhos em pequenos detalhes, ou dentro dos grandes museus vendo obras dos mais diversos gênios, o eterno glamour que tudo na cidade tem. Até o glamour esportivo nas quadras de Roland Garros, o mais fino do tênis ,ou mesmo no monstruoso e Stade France. Sinto que ainda não me fiz compreender... talvez tudo o que disse até agora seja inexplicável em simples linhas e palavras... mais que isso, é preciso estar na cidade para entender, para sentir! Paris é um estado de espírito. E não é luxo ir a Paris, chega a ser uma questão de amor próprio.