terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Do lado de lá da divisa...

É apenas seguir pela estrada, nem se nota que de um momento para o outro chegou-se a outro país. Divisa entre Portugal e Espanha. Pensei que para atravessar o limite entre os territórios seria preciso passaporte, documentos, justificativas, explicações, revista na bolsa, nas roupas. Não, não foi assim. Saimos pelo Norte de Portugal e chegamos em Tui, uma pequena cidade do Noroeste da Espanha, localizada na região da Galícia. O rio Minho é uma boa referência de separação territorial entre os dois países da Península Ibérica neste trecho. A cidade é pequenina, cerca de 17 mil habitantes, mas tem uma das catedrais mais famosas da Galícia, a Catedral de Santa Maria (foto).

Meus guias e companheiros de viagem foram Aninha e Antón. São eles também meus "pais adotivos" aqui no Porto, como sempre, encontro um querido casal de amigos que me acolhe e me carrega para onde for, esteja eu onde estiver. Aninha, assim como eu, é jornalista e brasileira, de Recife. Casada há nem um ano com Antón, arquiteto e galelo da Coruña (espanhol da Galícia). É com esse culto e inteligente casal que conheço melhor a Europa. Em muitas de nossas conversas me fazem entender, ou simplesmente observar, o que de fato é cada região, cada país e suas divisões espaciais e culturais. Assim como o Brasil, todo país tem culturas, sotaques, pensamentos, necessidades, tradições, costumes específicos de cada região, muitas vezes incomparáveis umas com as outras. Países e suas respectivas organizações são complexos. A Espanha também, e conheci apenas um pequenino pedaço. Sempre quis ir ao país. Minhas origens, minha descendência, as características herdadas do povo espanhol que imigrou para o Brasil e construiu minha família, me concedeu a dupla nacionalidade... É interessante retornar as raízes, as mais profundas, as mais antigas.

Quando simplesmente de carro, seguindo pela estrada chegamos em território espanhol e me disseram "aqui já é a Espanha" senti algo diferente, fiquei emocionada, não sei exatamente explicar. Andando pelas pequenas e medievais ruas de Tui ia pensando tanta coisa, quem passou por ali, quem ali vivia, "será que meu avô menino brincava em ruas estreitas e de pedras escorregadias como essas?". Mais que isso, ia tentando compreender melhor um pouco da cultura daquela região e do país. Antón ia me explicando e defendendo o respeito e preservação do regionalismo de cada parte. O país é complexo, difícil explicar e entender a quem, assim como eu, tem apenas uma visão simplista de que tudo se resume a touradas, castanholas e paellas. Não, não é! Há mais a ser entendido, estudado, conhecido, compreendido e respeitado das diversas culturas na Espanha.

E é esse meu objetivo, poder conhecer mais e melhor este país com o qual tenho uma profunda ligação, tenho sangue que corre em minhas veias. Para a primeira impressão ficou a emoção de sentir um regresso na história, o resgate das origens e a proximidade de algo que me é peculiar. Estranho, profundo, introspecto, emocionante... Sensações tão difíceis de explicar quanto a organização do mundo. E que no fundo a gente acaba por entender.

Um comentário:

  1. Para nós foi uma honra e uma alegria participar de um momento tão especial pra você. Obrigada pelos elogios e saiba que você é uma excelente companhia para nós também.

    Pé na estrada que o mundo é grande e temos muito o que aprender ainda!
    Beijão!

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