domingo, 20 de dezembro de 2009

Adeus ano bom, feliz ano novo!


Para o Falando com as paredes o ano chega ao fim hoje. Este é o último post de 2009, ano em que o blog surgiu... nossa parece que já falei tanto com as paredes, parece que estou com este espacinho tão meu a muito mais tempo. E que ano foi 2009! Minha vida foi uma metamorfose ambulante, literalmente. Foi nesta jornada que minha vida se tornou uma mala e eu me tornei uma pessoa nômade, totalmente. E, na verdade, eu gosto disso, dessa sensação de liberdade, de andar pelo mundo. Nestes doze meses morei em três cidades diferentes, conheci gente, cresci, trabalhei, viajei, aproveitei, chorei, sorri, vivi, intensamente vivi e tenho vivido. Acho que o ano que se acaba veio na onda de energia positiva de 2008, outro ano incrível. Estes dias, meses, foram tão intensos e positivamente loucos que valeram por muitos anos na minha vida. Ah, e o encerramento será em grande estilo, como jamais podia imaginar nos meus sonhos mais lindos: Paris dará as boas vindas a 2010 em minha vida.

E 2009 termina como uma deixa para mais conquistas para 2010. É uma coisa que sinto, uma incrível sensação de que a vida flui, de que vale a pena arriscar, tentar, voar como uma folha levada pelo vento conforme a vida te leva. Estou com essa sensação em mim, no meu coração, nas minhas atitudes, no meu modo de pensar e encarar as coisas... Faço tudo que está ao meu alcance para conseguir meus objetivos, mas também deixo a vida me levar. Isso é atitude de uma pessoa renovada, que cresceu e aprendeu com a vida, que aproveitou ao máximo os ensinamentos intensos dos últimos anos, é a pessoa que segue em constante mudança, para melhor. E tanta gente, tanta coisa, tantos fatos colaboraram e colaboram para isso... Só posso terminar esse incrível ano agradecendo a tudo que me aconteceu, a quem fez isso possível, a quem comigo sonha e acredita que possa realizar. Que 2010 tenha essa mesma luz e energia positiva de 2009, que São Jorge guerreiro continue me dando a força para seguir (e para o centenário do maior time do mundo ser incrível), Saravá, que reconheça tudo como aprendizado, oportunidade, como fatos da vida que fazem crescer, que os tombos me façam aprender e levantar ainda mais forte, enfim, que 2010 venha com a força e alegria de 2009, que seja ainda melhor... sim é possível, basta querer!

Deixo duas músicas que gosto muito. A de Zeca é bem este estilo de viver com gratidão ao que tenho e seguindo a vida conforme os caminhos que ela apresenta. Sem contar que é samba, a alegria de viver. A de Chico é meu estado de espírito, sem afobamento, nada é pra já, tudo acontece ao seu tempo... ah!, e foram anos para compreender e aceitar isso! Mas é verdade, acontece, na hora certa! Aproveitem, e feliz 2010!!! Esse ano promete!!!

http://www.youtube.com/watch?v=VFFMR9xQRrQ

http://www.youtube.com/watch?v=LOwQLarDhvI&NR=1


sábado, 19 de dezembro de 2009

O cara do ano!

O Barcelona fechou com chave de ouro o grande ano de 2009 para o clube. (de seis títulos disputados, a equipe catalã ganhou seis). Foi campeão do Mundial de Clubes da Fifa, vencendo o Estudiantes da Argentina por 2 x 1, na prorrogação, gol de Lionel Messi. O detalhe mais importante está aí. O título foi o título... Agora, Messi é craque, craque, craque. Já disse neste mesmo blog e repito. Segunda-feira, 21/12, a mesma Fifa anuncia o melhor jogador do mundo deste ano. O argentino concorre. E vai ganhar. Levou a bola de ouro e agora certamente também será o melhor do planeta. E se não for, esqueçam essa premiação, ela não é séria. Messi é o cara e o cara do ano!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O aniversário


Hoje completo mais um ano de vida. Vinte e quatro anos... velha? nova? uma criança ainda? Depende sempre do ponto de vista. Eu sempre acho que tudo é estado de espírito. O meu é jovem e pretendo mantê-lo sempre assim. Sonhador, livre, alegre. E quanto a idade os sinais do corpo, as responsabilidades agregadas, não nos deixam mentir. Mas os números são detalhes. Acho aniversário um dia especial. É preciso celebrar a vida, o seu dia, essa renovação da sua existência. E é bom também ouvir palavras de carinho de pessoas queridas que fazem parte do seu eu, é bom juntar amigos e comemorar.

Este ano estou longe de tudo e de todos, dos lugares que gosto, destas pessoas que amo e sempre contribuem com alguma coisa na minha existência, sem a turma que iria para o bar... mas o motivo é válido! Estou justamente correndo atrás da vida e dando asas a este meu espírito livre e jovem. Tudo é consequência, saudades, distâncias, abdicações, são parte do pacote de sensações e emoções. E mais engraçado é que não sinto que hoje é meu aniversário! No dia do seu aniversário você acorda sabendo e sentindo isso... Aquela sensação "dá licença que o dia hoje é meu!". Hoje está um dia comum... Inexplicável! Talvez o corpo sinta ainda as mudanças. Em 23 anos da minha vida passei aniversário pingando com o calor desértico-brasileiro. No 24 passo um frio desconhecido ateé então para mim. Talvez seja a falta de pessoas, de lugares, não sei, sinceramente não sei. Claro, me emociono com toda e qualquer manifestação de carinho dos amigos, mensagens, mas parece que nem é hoje. Mas tanto faz, deve ser até melhor assim, deve ser uma defesa emocional, quem sabe. Choro e guardo no meu coração tudo que me dizem e escrevem, obrigada a todos sempre. E não recuso o brinde pela data. Mais que pelo dia, pela vida.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O espelho da alma


Dizem que a solidão inspira poetas e escritores em geral. Deve ser pelo fato de a solidão levar à introspecção, um momento de total descoberta do que sou, de quem fui e do que quero ser. Sim, isso é algo em constante mudança em nós. Ou ao menos deveria ser... para mim, eu sou uma ebulição de sentimentos e sentidos o tempo todo. E nada como estar apenas consigo para tentar compreender melhor isso tudo, esse complexo emaranhado de coisas que juntas formam o "eu". Longe de ser Clarice Lispector, uma das maiores introspectas da alma , principalmente a feminina, reflito a existência, a minha e a de tantos e de tantas coisas.

Já se foram dois meses e meio longe de lugares, gente, hábitos, costumes, multidão. Ao contrário, estou eu flutuando no mundo com a sensação de não há ninguém em quem me escorar. Nunca liguei em passear e fazer atividades cotidianas sozinha. Mas havia sempre alguém conhecido por perto. Aqui não tenho escolha, sou eu e eu mesma. Não há a opção de ir sozinha ou convidar alguém para ir. Ou vou sozinha ou vou sozinha, sem escolha. Não acho ruim, é uma questão de habituar-se. Porém, confesso que em algumas horas sente-se saudades físicas das pessoas, dos lugares, das lembranças, dos momentos, dos cheiros, dos sabores... E o exercício de auto-conhecimento passa a ser diário.

E são estes momentos sozinhas que me fazem mergulhar de olhos fechados e peito aberto em mim mesma. Minhas ânsias, meus desejos, minhas fraquezas, minhas forças, meus medos, minha coragem, minhas alegrias, minhas tristezas, minhas conquistas, minhas frustrações, meus amores, meus horrores, meu amadurecimento, meu crescimento, a criança frágil que ainda mora em mim. E quando estou nesse processo meu sentimentalismo aflora. Ouço e degusto clássicos da música brasileira, Chico, Vinícius, Bethânia, Roberto Carlos, entre outros. Considero meu momento Chico Buarque (embora todos estes outros estejam na lista do som, Chico encabeça). É um exercício interessante e importante, como se olhasse um espelho, mas o espelho da alma. Choro, riso, vontades, saudades, ânsiedades, eis sua vida não materializada, mas sim sentimentalizada em si. Apenas sozinhos podemos fazer isso! E nada como passar horas, uns dias, momentos, sozinho ouvindo o que se tem a dizer pra si.

Não há conclusões, nem sim, nem não, nem certo, nem errado, há apenas o ser humano humano que cada um de fato é. Conosco não há máscaras, mentiras, segredos, não se pode omitir nada de si. Você encontra as coisas que mais ama, as pessoas que mais ama, do que mais sente falta de fazer, o lugar onde gosta de estar, as músicas que encantam, tudo que lhe é pertinente e, peça por peça, monta seu delicado quebra-cabeças. Mais interessante que ver a imagem formada, o que somos, é encontrar sempre algumas peças enraizadas, o que nunca deixaremos de ser.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Dezenove anos do primeiro brasileiro


Hoje faz 19 anos que o Corinthians conquistou seu primeiro título brasileiro. Era um time de raça, comandado pelo craque e eterno xodó Neto, tinha no gol o folclórico e também sempre ídolo Ronaldo, o inesquecível talismã Tupãzinho. Aquele time era bem Corinthians, era pura garra e além dos citados também contava com elenco recheado de lendas do Parque São Jorge. Melhor ainda, o primeiro título brasileiro conquistado com vitória sobre o rival São Paulo, nos dois jogos da decisão, ambos 1 a 0 pra o alvinegro.

Eu ainda no início dos 90 era pequenina, estava prestes a completar cinco anos dali dois dias, mas acreditem ou não, tenho lembranças e imagens claras em minha memória daquele título e daquele time. Talvez estes registros sejam os primórdios e o mais remoto reconhecimento do corinthianismo que tenho em mim. E lá se vão quase duas décadas... Grande lembrança, grande título!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Um belo dia de inverno


Faz três dias que não chove no Porto. Incrível! E como é lindo o dia de sol e céu aberto do inverno. Aquele azul claro com um sol brilhante, que por mais que se esforce para brilhar não esquenta. O vento frio é insuperável para o grande sol. Mesmo assim, é uma sensação indescritível. Outro dia acordei e vi pela janela a claridade, o azul... me deu saudade de acordar em um dia do verão brasileiro. Aquele dia em que você acorda simplesmente porque o corpo pede, como se quisesse aproveitar o fresco da manhã ensolarada e que logo ficará quente, insuportavelmente quente. Mas a sensação de acordar nestes dias é ótima. Pena que no frio que faz aqui, nem mesmo o céu limpo e lindo são suficientemente animadores para sair da cama. Do mesmo modo que o calor intenso cansa o corpo, o frio também o derruba. Mas estando na rua, a vontade é de andar e andar, mesmo que sem rumo, apenas para aproveitar o dia e suas paisagens.

Em três dias a temperatura caiu bruscamente. Tínhamos no sábado a máxima de 14 graus e hoje tivemos 8 graus. Repito, a máxima foi 8 graus. Imagine a mínima. Acordei, mesmo que tarde e saí por aí. Com o dia lindo de céu aberto, gaivotas a voar e gritar, mas frio, muito frio, vento gelado, gela a alma. Chego a conclusão de que conheci o frio depois de grande, agora, prestes a fazer 24 anos fui apresentada ao frio. O que sentia antes era apenas uma temperatura mais baixa, uma sensação térmica mais amena, mas não posso considerar frio, tampouco inverno. Mesmo depois de andar, subir e descer ladeiras, o corpo não esquenta por completo. A transpiração fica presa aos poros e à roupa em excesso, mãos, pés, nariz, tudo está gelado, vermelho. E mesmo assim, com todo esse desconforto é gostoso andar pelas ruas. É bom sentir o que é o frio, o cheiro da estação, observar como tudo se organiza e acontece e, principalmente, ver o que parece tão antagônico, frio e sol, convivendo de forma tão harmônica e bonita... há respeito nessa relação. O sol, gentilmente, permite que o frio e o vento aconteçam, permite o inverno apenas iluminando e tornando mais um dia da estação em um belo dia de inverno.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Maradona, la mano de dios



Estes dias assisti ao filme "Maradona, la mano de dios". Claro, só por se tratar de quem trata o filme já nos diz algo e já larga com expectativa e com o crivo de ser bom. E é. Retrata a vida deste craque do futebol, um craque que não tão cedo, ou talvez nunca será igualado. A vida de Maradona, em linhas gerais ou melhor dizer, pelo que sai na mídia, todo mundo conhece. Mas o filme nos revela bastidores importantes da vida deste personagem. Ele é um misto de genialidade e "porraloquice". Mas prefiro me ater ao gênio do futebol que Diego Maradona é. Ele nunca precisou da droga para jogar bola, o talento é natural, como bem retrata o menino Diego que já encantava desde muito cedo com seu futebol arte. A cocaína é um vício das horas vagas com o qual sempre lutou. O filme é emocionante, revela um personagem de fato desconhecido de todos, Maradona na sua intimidade, nas suas aflições e tristezas. Em diversos momentos chorei ao ver aquele monstro em campo derrotado pelo vício. E também sorri com o paralelismo entre Diego adulto e menino, às vezes confundem-se em atitudes e grandeza de espírito. (Aliás, aqui vale a nota de que o elenco é realmente muito bom, assim como a caracterização dos personagens. E a singeleza da atuação do garotinho que faz o jogador quando criança.)

Embora tenha sentido um pouco a falta de futebol, gostaria de ver e rever mais e mais lances do craque, o filme me pareceu um retrato muito fiel de Maradona, é tão autêntico quanto o próprio personagem. E isso é uma grande qualidade da produção da película, a percepção e a clareza como os fatos são tratados. De modo e em momento algum, pelo menos a mim, Maradona perde aquele encanto de ser o gênio do futebol, não deixa por este ou por aquele motivo de ser o ícone que é. No meio das emoções do filme me lembrei do nosso também genial Garrincha e pensei: "Porque estes deuses da bola têm vidas tão conturbadas, são tão "porra louca"?". E ainda a coincidência de ambos terem tido fortes mulheres ao seu lado, que sofrem por amor e pelo sofrimento destes indomáveis amados.

O filme relata a vida de Diego até 2004 e termina em uma bela homenagem e com uma dedicatória ao próprio. Ao final, o filme diz que Maradona não perdeu a vontade de lutar... Tampouco perdeu sua habitual forma polêmica de ser e de se expressar. Aos amantes do futebol e aos eternos admiradores desse gênio - desse que consegue de fato ser ídolo de uma nação, independente do time de coração de cada um, Maradona está acima de tudo - vale a pena ver o filme, conhecer e tentar entender melhor essa figura, emocionar-se ao ver a raça e amor ao esporte, ao país, rever lances e imagens que estão em nossa memória, vale simplesmente por falar do "D10s" Diego Maradona.

Um ano de "Pacaembu, casa do Corinthians" - deixando de ser foca...


Onze de dezembro é uma data marcante para mim. Hoje faz um ano que apresentei meu Trabalho de Conclusão de Curso na faculdade de jornalismo. Foi o dia em que me senti, de fato, jornalista. Claro, pois foi ali o ponto final de uma etapa e seguramente o início de outra. A palavra "aprovada" representou esse ponto nos quatro anos de graduação. Consequentemente, se aprovada, pude colar grau e fazer a festa, enfim, ali foi o "grand finale".

Estes dias e hoje, principalmente, tive lembranças das mais gostosas da produção do meu livro, (que é como um filho pra quem faz) "Pacaembu, casa do Corinthians". Ah, foi a coisa mais grandiosa e maravilhosa que já fiz. Efetivamente trabalhando na área em que quero e vou atuar profissionalmente, juntando todas as paixões possíveis, jornalismo, futebol, corinthians. Foi nesse meio, que durante cerca de seis meses eu estive, apaixonadamente louca para produzir um livro em tão pouco tempo. Foi aí também que conheci pessoas encantadoras, personagens inesquecíveis, histórias incríveis, fiz amigos que estão e sempre estarão em meu coração. Saudades de tudo e de todos estes... felizmente enumerá-los me custaria mais um texto, e ainda poderia eu cometer a injustiça de não elencar alguém. Enfim, grandes pessoas estas que sempre lembro com saudade e carinho. Escrevendo estas linhas tudo me volta a cabeça e principalmente dois momentos: a hora em que vi o livro pronto em casa, ao lado do meu irmão, companheiro em toda essa jornada... chorei muito e o abraçava de alegria e de lembrar tudo o que passei e o que passamos juntos; e o dia da apresentação para a banca e para pessoas tão queridas que foram assistir e a quem agradeci também aos pranto. Se o caro leitor me conhece bem, sabe que também estou aqui em lágrimas. Parabéns ao meu querido livro, que ainda pretendo publicar, certamente.

Depois de um ano ainda sinto algumas coisas que senti naquele momento. Saudades dos tempos de faculdade, das pessoas, dos momentos, da produção do livro, insegurança e ótimas perspectivas em relação à vida e à profissão, vontade imensa de voar e voar sempre mais alto. Ah a alma e o espírito livres de uma jovem jornalista que está deixando de ser foca, que completa um ano de formada... mas já? Essa pergunta também me fiz naquele dia e refaço hoje...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O jeans que "tá usando"


Comprar uma calça jeans é uma tarefa difícil! Você concorda, discorda, ou nunca sentiu essa dificuldade? Pois para mim tem sido, e não é de hoje. Jeans se tornou o básico do dia-a -dia da vida moderna, cotidiana. É peça certa para trabalhar, sair, fazer compras, acho que só para dormir que calças jeans não são usadas, do resto se adaptam bem a qualquer situação rotineira. E faz tempo que não encontro calças que sejam de meu gosto. Usava muito aquelas da levi's, mais tradicionais de cor bem escura. Adorava aquela peça de roupa, usava até o jeans quase preto ficar azul anil (um exagero!), as costuras começarem a puir, e daí tinha que me desfazer daquela roupa que já era como um pedaço de mim. Claro, tinha outras calças, de outras marcas e modelos, mas aquela era a querida.

Eis que, no final da vida útil de uma dessas minhas polivalentes calças, fui à loja comprar uma nova. Fui surpreendida com a notícia de que aquele modelo saiu de linha, não era mais fabricado. Um choque! Como não??? Elas vendiam tão bem, vestiam melhor ainda e o preço era acessível (importante detalhe). A moda, o mercado, sei lá o que... Minha preferência por estas calças se resume em uma palavra: tradicional. Um jeans escuro, corte reto que caia bem com salto, tênis, sandália, chinelo etc. A cor não destoava de nada, era perfeitamente usável com blusas coloridas, de frio ou de calor. Usava-se a peça para a aula, o trabalho, compras, jogo de futebol. Mas hoje em dia não tem sido fácil comprar um jeans.

Alguém consegue me explicar quem inventa, dita modas e tendências? Quem foi que disse que aquelas calças todas rasgadas, ou aquelas todas manchadas de branco, como se você tivesse trabalhado o dia todo na construção civil, são bonitas? Se as minhas calças não estivessem rasgando e desbotando por estarem velhas eu não compraria novas, certo? E as novas estão mais estragadas que as minhas que andam sozinhas de tão gastas! Agora a moda diz que é bonito aquela calça com as pernas justas, aquelas bem apertadas nas canelas, esquisitas. Se você tem a perna grossa fica deformada, se as coloca com um tênis, ou ma sandália plataforma parece que tem um trator nos pés... a única "vantagem"que assinalam é que para colocar com botas por cima da calça ficam muito melhor. Mas este argumento cai por terra, porque as calças comuns e retas também cabem na bota e ficam boas. Aí a vendedora diz : "tá usando assim!". Os outros, eu não gosto, mas não tenho mais escolha. Tenho que sair com uma calça toda rasgada, com tinta, remendos de festa junina e a barra me sufocando!?

Minha busca por uma calça que me caia com conforto é incansável. Ah, que fique claro que gosto de detalhes nas roupas sim, brilhos, strass, mas coisas que valorizem a peça e não depreciem. A batalha é antiga, ainda no Brasil procurava calças e não encontrei, pensei que na Europa encontraria. A inocência de esquecer que a moda é ditada daqui pra lá... a saga segue em outro país! Eu continuo com a minha velha mesmo, enquanto não encontro algo um pouco menos "tá usando!".

domingo, 6 de dezembro de 2009

Bola de ouro para Messi


O argentino Lionel Messi foi eleito o Bola de Ouro de 2009, premiação tradicional concedida pela revista francesa "France Football". Com merecimento o meia do Barcelona foi escolhido, o que também já era quase óbvio e certo, seria uma injustiça não lhe dar o prêmio pelo que vem jogando na equipe catalã. Grande craque, com habilidade e raça típica dos bons jogadores argentinos, Messi tem sido constante, tem feito boas partidas pelo Barça e foi um dos principais responsáveis pelo vitorioso ano de 2009 do clube (campeão da Copa do Rei, Campeonato Espanhol e Champions League 08/09), nada mais justo do que elege-lo o melhor do ano. E certamente será um dos grandes nomes da Copa. Ele merece, joga muito!

"Para voltar a crer" - por Luís Fernando Veríssimo

Assim como Veríssimo, neste belo texto publicado no jornal o Estado de S. Paulo do dia 3 de dezembro de 2009, também gostaria de ver nos jogos finais e decisivos do Campeonato Brasileiro o mínimo de dignidade de times que podem dar o título aos seus adversários. Leia-se Grêmio contra o Flamengo. Entendo a posição gremista de poder tirar a única esperança de título dos rivais Colorados, mas dar assim o jogo, entrar com reservas como anunciaram e depois recuaram, corpo mole, chega a ser anti-desportivo... Bom, Luís Fernando Veríssimo conseguiu com mais genialidade colocar este caso dentro de um contexto social, na tentativa de mexer com o brio dos rivais de seu time, o Internacional de Porto Alegre.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Brasil x Portugal


Cantei a bola ontem. Aí, na nota pé do texto do Ronaldo. Brasil e Portugal cairiam na mesma chave na Copa do Mundo de 2010. Estava com esse feeling, não sei qual a razão, mas já assisti ao sorteio sabendo!
Primeiro todo o ambiente de Copa do Mundo me emocionou! Sei lá, grandes seleções, a história e a magia que tudo isso envolve. E depois ri muito quando saiu da cumbuca o papel Portugal... Eu aqui, e logo de cara pego o confronto Brasil x Portugal. Costuma-se dizer que, com Portugal fora da Copa, todo português torce para o Brasil. Mas agora o que temos é o confronto entre os irmãos e eu no meio. Esperava mais pra frente, mas no fim achei bem interessante o confronto já! Assim como acho que será interessantíssimo estar por aqui no Mundial. Nesse mesmo blog já disse várias vezes que seleção não me desperta muito interesse, mas Copa é Copa. Não precisa descabelar, é gostoso ao menos de acompanhar... mas em 2010, para mim, terá todo esse fator de estar fora do país, aquela coisa que aflora não sei da onde, reações, pessoas e povos diferentes, tenho uma expectativa diferente esse ano! A seleção do meu país, a do país que me acolheu, as tantas outras que simpatizo, enfim...
Portugal sofreu pra se classificar, embora tenha uma boa equipe e os brasileiros naturalizados. O Brasil foi o que se esperava, e penso que vem com um time entrosado pra Copa, no mínimo jogando bem junto. Agora, independente de qualquer coisa, se me perguntarem se Brasil e Portugal vai ser um bom jogo... Ah, pra mim vai!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ronaldo!


Simplesmente fenomenal! Isso é Ronaldo! Ele cai e se levanta. Tem raça, faz o que ama, ama o que faz. Quantas vezes já não disseram agora acabou. E para ele era apenas um novo começo. Ele tem a cara do Corinthians... que me desculpem os fãs do craque que torcem pra outros times, ou mesmo os grandes clubes que ele já defendeu. Mas toda a garra, a superação, o amor, a força, parece a alvinegra. E ele é a cara do brasileiro. Cai, mas levanta! Ronaldo é talvez o último dos ídolos, realmente ídolo do futebol nacional. Aquele que, independente do time a que se torça, há sempre um espaço pra ele no coração de todo torcedor brasileiro. Quem não torceu por sua (s) recuperação (ões)? Quem não chorou com seu primeiro gol com a camisa do Timão, só por ver ali um verdadeiro mito do futebol nacional e mundial, o eterno Ronaldinho Fenômeno. Ele tem o dom, a arte do futebol e, mais que isso, tem humildade. Gordo ou magro, novo ou não tão novo assim, não importa, ele joga sempre um bolão. E mexe com o fenômeno pra ver... ele vai lá e mostra porque é e sempre vai ser Fenômeno!

Muito se discute se ele vai à Copa ou não. Dunga, na minha opinião, jogou a responsabilidade nas costas da imprensa, primeiramente, e depois de todo o povo brasileiro... "vocês querem me pressionar como fizeram em 2006 para que eu leve o Ronaldo", disse mais ou menos assim. Não foi apenas Ronaldo o culpado por perder a copa em questão. Não precisava nem de pressão, afinal se bem me recordo ele quem ganhou a de 2002. E já tinha caído algumas vezes e levantado tantas outras. Acho que no fim Dunga sabe bem que não precisa testar Ronaldo. Pra que jogar amistoso com Omã?! Já sabemos muito bem do que ele é capaz. Penso apenas que nosso treinador está de antemão se livrando da culpa ou se coroando com os louros. Se ganharmos a Copa, muito bem, fui eu quem chamei no peito, assumi a responsabilidade e levei Ronaldo. Se perdermos, um sonoro eu avisei, porém tive que ceder a pressão nacional e da imprensa (principalmente, porque a culpa é sempre da imprensa) e levei um Ronaldo que não me resolveu nada. Se não levar e ganhar, fez o correto, não precisamos do Fenômeno. Ah mas se não levar e perder, sua falta será a mais lembrada. Independente do final dessa história, de qual das respostas Dunga vai usar, pra mim é Ronaldinho e mais 10, e aposto que no fim das contas ele vai para a África do Sul. Ele é "inegociável, invendável e imprestável" (parafraseando Vicente Matheus), imcomparável, único, fenomenal!

O vídeo abaixo diz muito do que escrevi, faz parte dessa campanha "leva o Ronaldo" que já se espalha por aí. Simplesmente Ronaldo, chorei, porque é de chorar...
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E por falar em Copa, amanhã já saberemos os grupos para a competição de 2010. E há a possibilidade de um grupo com Brasil e Portugal. Será??? Não, esse confronto tão já não! Mais pra frente seria legal, mas deixem a Copa começar, deixem que eu sinta o clima português primeiro, depois confrontamos os irmãos, ora pois!

A pior das pobrezas


A pior pobreza é a de espírito. Sempre achei isso e sempre que vejo um miserável neste aspecto me entristece, me incomoda, e o pior, estas pessoas são poderosas negativamente, esgotam-me as energias. É como se sugasse o melhor do que há em ti, simplesmente porque elas não o tem, nem nunca terão alguns atributos dos "não pobres". Certamente você conhece alguém assim, que sofra desse mal. Sim é como uma doença. Os sintomas? São variados e podem ser diferentes de um para outro pobre de espírito, mas no geral são: a inveja, a covardia, o desrespeito (seja ele étnico, de ideias, de culturas, de gostos), o ego elevado, a antipatia, adoram a infelicidade alheia, não sabem como fazer e cultivar amizades - se é que são amizades o que conseguem - e por aí vai... Cansa-me só ter que pensar em alguém assim para descrevê-la. Essa pode ter tudo, mas tudo do material um dia, nunca do emocional, espiritual, e tudo o mais que transcenda ao que se pode comprar com o dinheiro. No fim tenho dó, o pobre de espírito é um mal amado, um triste, um solitário.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Parabéns ao samba!


Dois de dezembro, dia nacional do samba (no Brasil). A data merecia nem que uma singela notinha neste blog, por inúmeras razões, mais principalmente pelo samba ser uma grande companhia para mim em terras estrangeiras. Não há nada semelhante no mundo, o samba é querido aqui fora, é tema de 9 entre dez conversas de estrangeiros comigo, todos querem saber cantar e sambar, ou no mínimo admiram essa nossa cultura. Sempre amei samba, nada é tão brasileiro e autêntico quanto o bom e velho samba - já até escrevi alguma coisa aqui neste mesmo espaço (http://glauciafalandocomasparedes.blogspot.com/2009/06/o-samba-nao-morreu.html) - e é ao som deste ritmo nosso que tenho embalado minha vida numa fase tão importante. Queria poder hoje ir a um bom samba, dançar até os pés doerem, cantar até ficar rouca, lavar a alma, é o que sempre digo, o samba lava a alma e renova as energias. Na impossibilidade, seleciono os clássicos aqui na internet mesmo e em alto e bom som canto pela casa Cartola, Bete Carvalho, Zeca, Arlindo Cruz, Demônios da Garoa, entre tantos outros. Afinal, "samba, a gente não perde o prazer de cantar...". Viva o samba!

Essa música é um pouco do que é o samba, do que ele representa, da raiz, do lugar onde nasce, das origens, da saudade... "O meu lugar", que não é o da música mas existe, em algum lugar, na minha alma, guardado.



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Do lado de lá da divisa...

É apenas seguir pela estrada, nem se nota que de um momento para o outro chegou-se a outro país. Divisa entre Portugal e Espanha. Pensei que para atravessar o limite entre os territórios seria preciso passaporte, documentos, justificativas, explicações, revista na bolsa, nas roupas. Não, não foi assim. Saimos pelo Norte de Portugal e chegamos em Tui, uma pequena cidade do Noroeste da Espanha, localizada na região da Galícia. O rio Minho é uma boa referência de separação territorial entre os dois países da Península Ibérica neste trecho. A cidade é pequenina, cerca de 17 mil habitantes, mas tem uma das catedrais mais famosas da Galícia, a Catedral de Santa Maria (foto).

Meus guias e companheiros de viagem foram Aninha e Antón. São eles também meus "pais adotivos" aqui no Porto, como sempre, encontro um querido casal de amigos que me acolhe e me carrega para onde for, esteja eu onde estiver. Aninha, assim como eu, é jornalista e brasileira, de Recife. Casada há nem um ano com Antón, arquiteto e galelo da Coruña (espanhol da Galícia). É com esse culto e inteligente casal que conheço melhor a Europa. Em muitas de nossas conversas me fazem entender, ou simplesmente observar, o que de fato é cada região, cada país e suas divisões espaciais e culturais. Assim como o Brasil, todo país tem culturas, sotaques, pensamentos, necessidades, tradições, costumes específicos de cada região, muitas vezes incomparáveis umas com as outras. Países e suas respectivas organizações são complexos. A Espanha também, e conheci apenas um pequenino pedaço. Sempre quis ir ao país. Minhas origens, minha descendência, as características herdadas do povo espanhol que imigrou para o Brasil e construiu minha família, me concedeu a dupla nacionalidade... É interessante retornar as raízes, as mais profundas, as mais antigas.

Quando simplesmente de carro, seguindo pela estrada chegamos em território espanhol e me disseram "aqui já é a Espanha" senti algo diferente, fiquei emocionada, não sei exatamente explicar. Andando pelas pequenas e medievais ruas de Tui ia pensando tanta coisa, quem passou por ali, quem ali vivia, "será que meu avô menino brincava em ruas estreitas e de pedras escorregadias como essas?". Mais que isso, ia tentando compreender melhor um pouco da cultura daquela região e do país. Antón ia me explicando e defendendo o respeito e preservação do regionalismo de cada parte. O país é complexo, difícil explicar e entender a quem, assim como eu, tem apenas uma visão simplista de que tudo se resume a touradas, castanholas e paellas. Não, não é! Há mais a ser entendido, estudado, conhecido, compreendido e respeitado das diversas culturas na Espanha.

E é esse meu objetivo, poder conhecer mais e melhor este país com o qual tenho uma profunda ligação, tenho sangue que corre em minhas veias. Para a primeira impressão ficou a emoção de sentir um regresso na história, o resgate das origens e a proximidade de algo que me é peculiar. Estranho, profundo, introspecto, emocionante... Sensações tão difíceis de explicar quanto a organização do mundo. E que no fundo a gente acaba por entender.