sábado, 7 de novembro de 2009

O endeusado jornalismo brasileiro

Vim a Portugal em busca de ampliar meus horizontes profissionais. Claro, o pessoal vem como consequência, faz parte do processo. Mas tudo bem, o incentivo maior foi chegar a meus objetivos profissionais como uma jornalista diferenciada, mais bem preparada, enfim, motivada pelo sonho da carreira que um dia idealizei pra mim. A pós que está em andamento discute jornalismo e marketing, com foco para política. As discussões sempre envolvem história, política européia no geral, mas também comparações com o resto do mundo. Para mim é tudo novo, visões diferentes, algo muito enriquecedor para o profissional de comunicação e, por que não dizer, ao cidadão. Para esta latino-americana, são coisas nunca antes discutidas na universidade ao menos.

Para meu espanto, os colegas de turma não entendem o que faço aqui. "Como, você, jornalista brasileira, vem em busca de especialização aqui?". Ouvi isso de várias pessoas e explico. Eles consideram o jornalismo brasileiro um dos melhores do mundo. É exemplo em produção, pesquisa, teorias e práticas. Todos daqui querem ir para o Brasil ver de perto o que é esse jornalismo tão bem dito e feito. Quando questionada na aula, quando opino, todos dão atenção, perguntam mais da pergunta, como se houvesse grande propriedade para falar. Ok, hora de puxar a sardinha (tradicionais aqui no mês de junho, na época de São João, mal posso esperar para provar) para o meu braseiro. Há mesmo coisas que são discutidas em sala, relativas ao jornalismo, em que vejo que há mais experiência acadêmica e prática da coisa no nosso mundo profissional, em que noto mais traquejo do jornalista brasileiro para agir do que pelo modo como eles se colocam na situação. Em linhas gerais, vendo ao telejornal, lendo os diários, o jornalismo é basicamente o mesmo, a mesma formuleta. Mas o brasileiro, pasmem!, como eu às vezes, é mais bem produzido, com mais cuidado de detalhes que, para nós da área, fazem muita diferença no produto final.

Foi uma feliz surpresa ver nosso jornalismo valorizado, visto com bons olhos, cansado de apanhar que está. Claro, não sem razão muitas vezes, mas nem sempre valorizamos o que somos ou o que temos. Há sempre o que melhorar, e há muito, mas também precisamos olhar com mais carinho para o que fazemos, os teóricos que temos, as pesquisas realizadas, pois, acreditem ou não, eles são bases para muito do que é feito na Europa.

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