quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Meu debut em gramados europeus


Não como imprensa oficial, mas do lado da torcida. Foi o primeiro jogo oficial que fui na Europa. Champions League, primeira fase, grupo D, Porto X Chelsea no Estádio do Dragão. Grande jogo para a estréia. A partida começava às 19:45, fui antes sentir o ambiente do estádio, ver como tudo acontece a volta de um grande jogo europeu em Porto, Portugal. Dia frio e chuvoso, ventava muito. Mas fez uma bela noite, gelada e de tempo estável. A tradição em volta do estádio é a venda de cachecóis. Cada jogo tem o seu, personalizado, com confronto, data e local. "Cinco euros, cachecol do jogo, cinco euros". É o que mais se ouve gritar. Barraca de lanche vi apenas uma, com cachorro-quente, alguns outros sanduíches, mas não nada de pernil. Aqui já deixo claro que é impossível não comparar com estádio brasileiros e nossos hábitos. Seguindo... ao invés disso, o que se vê a cada esquina e ponto estratégico são as panelas de castanhas e seu fumacê. A cara do inverno, até mesmo na porta do estádio de futebol.
Aos poucos a torcida vai chegando e a parada é quase obrigatória no shopping em frente ao Dragão. Seja para um lanche, um café, uma cerveja, aos poucos o centro comercial é coberto de azul e branco dos portistas. Resolvi também participar do folclore e tradição, comprei meu cachecol da partida e entrei no estádio. Portão 22, porta 21, fila 14, cadeira 4. Sim, tudo isso e de fato o assento estava lá, a minha espera. "Que organização", pensei comigo. Assim que adentrei ao estádio a ópera tema da Champions League começou a tocar. Linda, sempre gostei de ouvi-la e naquele ambiente arrepiou-me de emoção! Como ainda tinha tempo para a pelota começar a rolar fiquei o mais próxima do gramado possível. É muito perto as cadeiras do gramado... fiquei na primeira fila, na mais colada, assistindo o aquecimento dos clubes. Quase levo uma bolada na cabeça, tive o reflexo de abaixar a tempo, mas seria uma boa história para contar não? Além, claro da grande marca que teria na minha testa agora! Mas o mais incrível de ficar ali, bem perto, com a máquina fotográfica na mão, quase levando boladas é ver de perto, bem perto os jogadores. São aqueles caras que aparecem nos nossos álbuns de figurinhas, os craques da copa que só via na televisão e agora estão ali tão tão perto: Ballack, Anelka, Drogba, Deco, entre tantos outros. Inevitável pensar e ansiar pelo momento de estar do outro lado da pequena e baixa grade, trabalhando como repórter de campo, em campos pelo mundo.

Também me coloquei a imaginar isso no Brasil, essa proximidade tão grande entre jogadores e torcida, as torcidas de Chelsea e Porto separadas apenas por uma pequena mureta de concreto coberta com um plástico. Uma corrente de seguranças, mas nada que um bando nervoso não pulasse e iniciasse uma confusão. Acho que nada disso funcionaria. Eis que a partida começa, hino do Porto, portistas cantam apaixonados aos berros, escalação das equipes, mais uma vez a bela ópera da Champions, bola rolando. A torcida fica sentada, cada qual no seu lugar, só se levanta em perigo de gol, bola na trave. Como assim? Nem em casa consigo ficar sentada no sofá vendo meu time...incrível! Em pé apenas os ingleses, cerca de uns 300 ali, e duas "claques", como são denominadas as organizadas, uma do lado oposto ao que eu estava no estádio, outra ao meu lado direito. E o jogo corre assim, com alguns gritos das organizadas, vez ou outra acompanhados pelo resto da torcida, e xingos, esses universais, claro. E o típico cântico dos ingleses, aquele que mesmo se estiverem em dez pessoas o grito ecoa de forma linda pelo estádio.

Porém a manifestação de torcida mais emocionante, que me arrepiou e me trouxe lágrimas aos olhos foi em relação ao jogador Deco. O meia jogou no Porto e conquistou títulos importantes, é ídolo do clube, mas mais que isso, é ídolo nacional. No primeiro tempo o jogador pegou a bola para cobrar escanteio: o estádio todo, sem exceção, aplaudiu o atleta e gritava "Deco, Deco', e alguns outro gritos da época em que atuava no Porto. No segundo tempo foi substituído, todo o estádio de pé o aplaudia e mais uma vez gritava. De arrepiar! Havia até uma musiquinha muito engraçada que dizia "Deco é melhor que o Pelé", acredito eu uma referência à origem brasileira do hoje naturalizado português. E por falar na segunda etapa resolvi trocar de lugar. Antes fui conhecer os banheiros, mulher sabe bem o que é precisar de banheiro em estádio do Brasil. Limpos, organizados, com papel. A fila do bar também fluia com organização. Mas meu lugar me inquietava. Muito silêncio pra ser futebol. Fui para a claque à minha direita, havia lugares vagos mas tinha receio de ser abordada por fazer algo "errado"... sentar em um lugar que não era meu, ou invadir outro setor. Encontrei uma figura pitoresca, uma senhora, toda paramentada de chapéu, camisa do Porto e calças brilhantes, torcedora daquela organizada, perguntei a ela se eu podia ficar por ali, que era brasileira e gostava de ver jogos daquele modo. Fui prontamente acolhida e colocada no meio da turma. A organizada chama-se "Colectivo" e tem como lema "orgulho em ser tripeiro", uma referência às tripas, tradicionais da cozinha portuense. Embora com batuques, gritos e um maluco que puxava os cantos com um megafone, a animação não se compara a nossa. Ninguém pula junto, não se abraça o mano do lado e sai pulando...não.

O Porto perdeu, Chelsea um a zero, gol de Anelka, o deixaram sem marcação na área e de cabeça é caixa! Porém, os dois times já estavam classificados para a fase seguinte. O jogo foi brigado, disputado, de muita marcação no meio. Um grande jogo, que a mim valeu muito mais do que qualquer coisa. Valeu por, de fato, me colocar em contato com o futebol europeu, do mundo que as equipes e atletas representam, de ser o primeiro de muitos que pretendo ir e um dia trabalhar! Ah o futebol, minha grande paixão por futebol!

2 comentários:

  1. ai creidiiiiiiiiiiii

    que nojjjjjjjjjjjjjjjjjjo vc aí nos gramados europeusssssssss de cachicol!!!! hahaha

    beijo saudade

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  2. Muito legal a sua descrição do antes-durante-e-depois do jogo :)
    Fico muito feliz por vc!!! Aproveite essa experiência aqui porque isso é uma bagagem muito valiosa que vc leva de volta pra o Brasil.
    Certeza que vc vai ter um futuro brilhante no jornalismo esportivo aqui, lá ou em qualquer lugar porque você tem dois ingredientes essenciais para a área: talento e paixão!

    Outra coisa que eu queria comentar: eu AMO a música da Champions!
    Beijão!

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