quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Luz,câmera, vida...Ação!


Dizem que a vida imita a arte. Outros que a arte é uma reflexo da vida e da realidade. Para mim, a vida é a arte! Quantos papéis e personagens a passar pela vida, quantos enredos construídos e desconstruídos, cada dia uma peça, um humor, um cenário, atores e mais atores com quem devemos contracenar. E a vida tem cores, sons, percepções, emoções, sensações varias e diversas. Temos pois a arte não só de contracenar mas de pintar, desenhar, fotografar, poetizar, escrever, cantar, recitar, olhar de modo crítico o filme da vida passando. Estive hoje na acolhedora e bela cidade de Viana do Castelo, ao norte de Portugal. Uma verdadeira cidade cenográfica. Tudo muito miúdo, rebuscado, ajeitado, Europa antiga e bela, à beira mar. Fazia um dia lindo de sol, já com os primeiros ares e ventos de inverno, aquele friozinho confortável, uma brisa fresca que compunha o cenário. A arquitetura, verde, mar, brisa, tudo colocadinho em seu lugar. Logo que cheguei, senti como se mais um capítulo de uma novela começasse.

Passeando por ruelinhas de pedras típicas, igrejas, cafés, fontes e jardins havia um local de circulação proibida. Cavaletes e fitas isolavam a área, não era possível ir nem vir por ali. Câmeras filmadoras, fotográficas, gente correndo, figurantes...como? figurantes? Sim, figurantes! Estava sendo rodado ali um filme sobre o cônsul português Aristides Sousa Mendes, que resgatou cerca de 30 mil judeus dos campos de concentração. Claro, jornalista não aguenta ver uma câmera, uma movimentação fora do comum...passei por um lado, por outro, e logo estava num dos cantos da filmagem conversando com produtores do filme. Uma equipe toda composta por profissionais de cinema, um deles, Martin, explicou-me muito gentilmente os fatos históricos a serem gravados, comentou de Portugal, Brasil etc etc etc. Ganhava eu mais um amigo luso. Pode-se dizer que ali, naquele pequeno espaço, em meio a saias longas, sacos de panos, carros antigos, encontrava-se uma boa concentração de malucos positivos, como costumo chamar, me incluo nisso ok? Cineastas, atores, comunicadores...os artistas natos!

Sim, jornalista é artista, na boa e artística expressão da palavra. Não se trata de falsetes e máscaras, trata-se da plástica beleza e habilidade em lidar com palavras, expressões, costurar textos, casar textos com imagens e fotos, usar a palavra de modo mais adequado, a expressão, a voz, a intonação, a adequação e correção textual. Jornalismo é artisticamente produzido, ou pelo menos deveria ser. Andar por Portugal, em imensas vezes me faz sentir artística. Parece que tudo antigo remete a um passado bucólico e poético, Fernando Pessoa, Camões, Garrett, o Tejo, o mar (cujo muito de seu sal, são lágrimas de Portugal, diria o poeta). Tudo parece poeticamente desenhado, arranjado. A cidade de Viana do Castelo e o filme que ali rodavam foram, para mim, a expressão mais clara desta veia artística que sinto pulsar por muitos lugares portugueses. E muitos dos meus artistas e amigos queridos me vieram a cabeça naquele momento. Os atores, os jornalistas, meus verborrágicos amigos. Não pude fotografar as filmagens, ficaram pois as lembranças, as saudades de quem me vinha a cabeça, as amizades, as impressões do capítulo de hoje.

Em especial ao sempre ator Bruno Zani e à sempre artista de alma Ju Damante. Queridos amigos...

3 comentários:

  1. Que bacana, Glau!!
    Imaginei que fosse esse o post que você pediu para eu ler, pelo título...fico muitíssimo feliz com a homenagem e a lembrança, feliz saber que estou contigo mesmo do outro lado do oceano...Beijo enorme, te cuida por aí!

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  2. Ah querida...
    sabia que ia me emocionar com esse texto...
    me emocionar com a saudade sua, lembrar de tudo o que já tecemos crescendo vivendo nesses últimos anos.
    Lindo texto....e como sempre nessa sensibilidade de mulher que é, simplesmente simples assim.

    Muita saudade sua,
    sua irmã que te ama!

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  3. Belíssimo texto, belíssima experiência! Saudades de você. Escreva bastante, te seguirei por aqui.

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