terça-feira, 17 de novembro de 2009

Brasilidade à flor da pele

Morar fora do seu país de origem é realmente algo intrigante, que desperta coisas das mais diversas. Uma delas, e talvez a principal, é o nacionalismo que nos vem à flor da pele. Ouvir falar de seu país, seja qual for a circunstância, fale bem, fale mal, interessa-lhe, você afina os ouvidos, aguça os sentidos, é como se falassem de sua própria pessoa. E entendo, claro, ninguém, mais do que si mesmo, pode saber melhor o que se passa, apenas o cidadão pode dizer qualquer coisa de seu país de origem, afinal, é quem sabe, de fato, onde o calo aperta. Sendo assim, fora do Brasil, somos mais brasileiros do que nunca, é sempre bom encontrar alguém da mesma origem, valorizamos coisas que nem mesmo imaginávamos valorizar.
Estou fora faz um mês e meio ainda, mas já sinto coisas assim, e dizem que os sintomas pioram com o passar do tempo. Hoje fui surpreendida por mim mesma e por essa brasilidade guardada em mim. O jogo da seleção de futebol foi transmitido ao vivo pelo canal internacional. Um simples amistoso, o último do ano da amareilnha, Brasil X Omã. Já neste mesmo blog comentei outras vezes meu desencanto com seleção brasileira. Continua, tanto faz, como tanto fez, ainda mais em um jogo pouco importante quanto esse. Mas o fato é que hoje eu queria ver o jogo, estava na rua e acelerava tudo para pegar ao menos o segundo tempo da partida. Cheguei em casa, sentei e assisti aos ultimos 45 minutos...e ainda torcia por gols nossos, lamentava a boa jogada perdida, me senti mais próxima, como de fato estou, muito mais interada e conhecida, dos "estrangeiros", dos recém-convocados e dos novatos que jogam na Europa. Eu vendo jogo do Brasil, simpatizando com aquilo, com uma imensa vontade de pegar minha camisa na gaveta, vesti-la e sair nas ruas. Que coisa!!! Não que eu passasse a concordar e adorar tudo que critico de uma hora para a outra, longe disso. Eis apenas o nacionalismo, mais vivo do que nunca, dentro de mim. Ainda, durante a transmissão, filmaram a torcida brasileira no estádio e um cartaz mandava abraços para minha cidade natal, Araraquara. Coincidência demais, mas costumo dizer que brasileiros e araraquarenses são como formigas, em todo lugar tem.
Claro, há um carinho pelo país que o acolhe, eu estou torcendo pela classificação portuguesa para a Copa pois estarei aqui durante o torneio, você se afeiçoa a coisas e pessoas, mas a origem é a origem. É engraçado, surpreendente e é verdade. Você se sente brasileiro quando não se está no Brasil. O ama e o defende como nunca fez. Literalmente veste a camisa do seu país.
Ao querido amigo Bruno Ribeiro, grande "defensor" de origens e raízes...

2 comentários:

  1. Obrigado, Glaucinha, pela parte que me toca! Belo texto mais uma vez. E o Brasil lhe aguarda de braços abertos. Por hora, aproveite o momento!

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