quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Meu debut em gramados europeus


Não como imprensa oficial, mas do lado da torcida. Foi o primeiro jogo oficial que fui na Europa. Champions League, primeira fase, grupo D, Porto X Chelsea no Estádio do Dragão. Grande jogo para a estréia. A partida começava às 19:45, fui antes sentir o ambiente do estádio, ver como tudo acontece a volta de um grande jogo europeu em Porto, Portugal. Dia frio e chuvoso, ventava muito. Mas fez uma bela noite, gelada e de tempo estável. A tradição em volta do estádio é a venda de cachecóis. Cada jogo tem o seu, personalizado, com confronto, data e local. "Cinco euros, cachecol do jogo, cinco euros". É o que mais se ouve gritar. Barraca de lanche vi apenas uma, com cachorro-quente, alguns outros sanduíches, mas não nada de pernil. Aqui já deixo claro que é impossível não comparar com estádio brasileiros e nossos hábitos. Seguindo... ao invés disso, o que se vê a cada esquina e ponto estratégico são as panelas de castanhas e seu fumacê. A cara do inverno, até mesmo na porta do estádio de futebol.
Aos poucos a torcida vai chegando e a parada é quase obrigatória no shopping em frente ao Dragão. Seja para um lanche, um café, uma cerveja, aos poucos o centro comercial é coberto de azul e branco dos portistas. Resolvi também participar do folclore e tradição, comprei meu cachecol da partida e entrei no estádio. Portão 22, porta 21, fila 14, cadeira 4. Sim, tudo isso e de fato o assento estava lá, a minha espera. "Que organização", pensei comigo. Assim que adentrei ao estádio a ópera tema da Champions League começou a tocar. Linda, sempre gostei de ouvi-la e naquele ambiente arrepiou-me de emoção! Como ainda tinha tempo para a pelota começar a rolar fiquei o mais próxima do gramado possível. É muito perto as cadeiras do gramado... fiquei na primeira fila, na mais colada, assistindo o aquecimento dos clubes. Quase levo uma bolada na cabeça, tive o reflexo de abaixar a tempo, mas seria uma boa história para contar não? Além, claro da grande marca que teria na minha testa agora! Mas o mais incrível de ficar ali, bem perto, com a máquina fotográfica na mão, quase levando boladas é ver de perto, bem perto os jogadores. São aqueles caras que aparecem nos nossos álbuns de figurinhas, os craques da copa que só via na televisão e agora estão ali tão tão perto: Ballack, Anelka, Drogba, Deco, entre tantos outros. Inevitável pensar e ansiar pelo momento de estar do outro lado da pequena e baixa grade, trabalhando como repórter de campo, em campos pelo mundo.

Também me coloquei a imaginar isso no Brasil, essa proximidade tão grande entre jogadores e torcida, as torcidas de Chelsea e Porto separadas apenas por uma pequena mureta de concreto coberta com um plástico. Uma corrente de seguranças, mas nada que um bando nervoso não pulasse e iniciasse uma confusão. Acho que nada disso funcionaria. Eis que a partida começa, hino do Porto, portistas cantam apaixonados aos berros, escalação das equipes, mais uma vez a bela ópera da Champions, bola rolando. A torcida fica sentada, cada qual no seu lugar, só se levanta em perigo de gol, bola na trave. Como assim? Nem em casa consigo ficar sentada no sofá vendo meu time...incrível! Em pé apenas os ingleses, cerca de uns 300 ali, e duas "claques", como são denominadas as organizadas, uma do lado oposto ao que eu estava no estádio, outra ao meu lado direito. E o jogo corre assim, com alguns gritos das organizadas, vez ou outra acompanhados pelo resto da torcida, e xingos, esses universais, claro. E o típico cântico dos ingleses, aquele que mesmo se estiverem em dez pessoas o grito ecoa de forma linda pelo estádio.

Porém a manifestação de torcida mais emocionante, que me arrepiou e me trouxe lágrimas aos olhos foi em relação ao jogador Deco. O meia jogou no Porto e conquistou títulos importantes, é ídolo do clube, mas mais que isso, é ídolo nacional. No primeiro tempo o jogador pegou a bola para cobrar escanteio: o estádio todo, sem exceção, aplaudiu o atleta e gritava "Deco, Deco', e alguns outro gritos da época em que atuava no Porto. No segundo tempo foi substituído, todo o estádio de pé o aplaudia e mais uma vez gritava. De arrepiar! Havia até uma musiquinha muito engraçada que dizia "Deco é melhor que o Pelé", acredito eu uma referência à origem brasileira do hoje naturalizado português. E por falar na segunda etapa resolvi trocar de lugar. Antes fui conhecer os banheiros, mulher sabe bem o que é precisar de banheiro em estádio do Brasil. Limpos, organizados, com papel. A fila do bar também fluia com organização. Mas meu lugar me inquietava. Muito silêncio pra ser futebol. Fui para a claque à minha direita, havia lugares vagos mas tinha receio de ser abordada por fazer algo "errado"... sentar em um lugar que não era meu, ou invadir outro setor. Encontrei uma figura pitoresca, uma senhora, toda paramentada de chapéu, camisa do Porto e calças brilhantes, torcedora daquela organizada, perguntei a ela se eu podia ficar por ali, que era brasileira e gostava de ver jogos daquele modo. Fui prontamente acolhida e colocada no meio da turma. A organizada chama-se "Colectivo" e tem como lema "orgulho em ser tripeiro", uma referência às tripas, tradicionais da cozinha portuense. Embora com batuques, gritos e um maluco que puxava os cantos com um megafone, a animação não se compara a nossa. Ninguém pula junto, não se abraça o mano do lado e sai pulando...não.

O Porto perdeu, Chelsea um a zero, gol de Anelka, o deixaram sem marcação na área e de cabeça é caixa! Porém, os dois times já estavam classificados para a fase seguinte. O jogo foi brigado, disputado, de muita marcação no meio. Um grande jogo, que a mim valeu muito mais do que qualquer coisa. Valeu por, de fato, me colocar em contato com o futebol europeu, do mundo que as equipes e atletas representam, de ser o primeiro de muitos que pretendo ir e um dia trabalhar! Ah o futebol, minha grande paixão por futebol!

domingo, 22 de novembro de 2009

É o juiz que decide

O final do Campeonato Brasileiro está mesmo disputado. Ponta de cima e de baixo da tabela brigadas. Mas duas coisas me chamam atenção: o esforço de todos os outros times em parecer ajudar o São Paulo, haja vista o empate do Flamengo em casa, lotada, contra o Goáis. Gente, tudo conspira para o tricolor? Mesmo no dia em que perdem, e tinham que ganhar, o time que mais lhe ameaça a liderança tropeça também...Impressionante como essa história se repete. Bom mas o pior mesmo é a péssima arbitragem do Brasileirão. Quero crer que árbitros e assistentes são ruins mesmo, mal preparados e não mal intencionados ou comprados. Mas é difícil! O que foi o pênalti dado para o Náutico contra o Corinthians? Pouco se falou, como nos casos dos jogos do Palmeiras que chorou uma barbaridade, mas foi um escândalo que não foi pênalti. E ninguém fala nada, não teremos juiz afastado... esse resultado também influencia no campeonato, na briga dos que não querem cair. Embora ache que o Náutico já pode abraçar a viúva, porém teve aí um fio de esperança. Olha a coisa tá feia e precisa de providências! Até quando veremos os juízes não apenas se fazer cumprir as regras do futebol, mas também influenciar diretamente nos resultados dos jogos? Lamentável...
*****
Enquanto a série A pega fogo, a série B já tem seus quatro classificados: Vasco, Ceará, Guarani e Atlético Goianiense, nesta ordem. Meus dois destaques são os times maiores nestes quatro. O Vasco passou por processo parecido com o do Corinthians, uma queda talvez necessária para organizar a casa e moralizar um pouco o clube, a instituição. O Guarani passou por altos e baixos na competição, a certa altura de goleadas e pontos perdidos em casa achei que mais uma vez fosse deixar escapar a chance de volta à elite do futebol. O Bugre fez valer sua tradição e história no futebol nacional, único campeão brasileiro do interior paulista, e também retorna com méritos para a série A, já que figurou pela parte de cima da tabela a competição toda. Festa para muitos na minha querida cidade de Campinas. Para 2010 penso que o importante nestes clubes seja a preparação e, principalmente, a reestruturação de equipes, em especial Ceará, Atlético e Guarani.
* Ao querido amigo Bruno "Over head", grande bugrino e leitor deste blog...

sábado, 21 de novembro de 2009

Todo sentimento do inverno


Ele chegou. Enfim, o tão aguardado inverno europeu parece ter chegado para ficar. E para esfriar. Dizem que piora, também acho. Aqui no Porto ainda não tivemos menos do que uns 12 graus durante o dia e noite, talvez de madrugada. Mas o fato é que faz frio, chove, garoa, venta úmido. Não é um frio comum, bem que disseram, é diferente. Se você, neste momento enxuga o suor brasileiro de mais de 30 graus do seu rosto, não está visualizando bem o que digo. Nas ruas casacos de lã, cachecóis, roupas de couro, agasalhos, meias, botas. Parece que nada esquenta o suficiente, o frio já está nos ossos. Vou andando pela rua e sentindo meus dedos dos pés rijos. Apertar o passo não funciona, parece que o sangue pelo corpo não tem tempo de esquentar e se se espalhar e chegar até as extremidades.

Bem vindo ao Porto! O frio, a garoa, a chuva, o vento, são característicos da cidade para essa época. E é boa a sensação de andar pelas ruas portuenses, sentindo o vendo gelado no rosto, aquele cheiro de inverno. As calçadas forradas de folhas secas, amarelas e castanhas, que caem secas e depois colam ao solo, encharcado pela chuva e garoinha constante. No meio da tarde as luzes da cidade já estão acesas. Tempo nublado, céu cinzento, o cenário é um contraste de cores, sombras, luzes, tudo perfeitamente pintado, a arte natural da paisagem da cidade e da natureza, em perfeita sintonia. Bem vindo inverno, os bons ventos e bons fluídos que traz.

Enquanto andava na rua, não sei porque, a música abaixo me veio a cabeça...vim cantarolando por todo o caminho, o eterno Chico.

http://www.youtube.com/watch?v=anFxDsg20KE

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Brasilidade à flor da pele

Morar fora do seu país de origem é realmente algo intrigante, que desperta coisas das mais diversas. Uma delas, e talvez a principal, é o nacionalismo que nos vem à flor da pele. Ouvir falar de seu país, seja qual for a circunstância, fale bem, fale mal, interessa-lhe, você afina os ouvidos, aguça os sentidos, é como se falassem de sua própria pessoa. E entendo, claro, ninguém, mais do que si mesmo, pode saber melhor o que se passa, apenas o cidadão pode dizer qualquer coisa de seu país de origem, afinal, é quem sabe, de fato, onde o calo aperta. Sendo assim, fora do Brasil, somos mais brasileiros do que nunca, é sempre bom encontrar alguém da mesma origem, valorizamos coisas que nem mesmo imaginávamos valorizar.
Estou fora faz um mês e meio ainda, mas já sinto coisas assim, e dizem que os sintomas pioram com o passar do tempo. Hoje fui surpreendida por mim mesma e por essa brasilidade guardada em mim. O jogo da seleção de futebol foi transmitido ao vivo pelo canal internacional. Um simples amistoso, o último do ano da amareilnha, Brasil X Omã. Já neste mesmo blog comentei outras vezes meu desencanto com seleção brasileira. Continua, tanto faz, como tanto fez, ainda mais em um jogo pouco importante quanto esse. Mas o fato é que hoje eu queria ver o jogo, estava na rua e acelerava tudo para pegar ao menos o segundo tempo da partida. Cheguei em casa, sentei e assisti aos ultimos 45 minutos...e ainda torcia por gols nossos, lamentava a boa jogada perdida, me senti mais próxima, como de fato estou, muito mais interada e conhecida, dos "estrangeiros", dos recém-convocados e dos novatos que jogam na Europa. Eu vendo jogo do Brasil, simpatizando com aquilo, com uma imensa vontade de pegar minha camisa na gaveta, vesti-la e sair nas ruas. Que coisa!!! Não que eu passasse a concordar e adorar tudo que critico de uma hora para a outra, longe disso. Eis apenas o nacionalismo, mais vivo do que nunca, dentro de mim. Ainda, durante a transmissão, filmaram a torcida brasileira no estádio e um cartaz mandava abraços para minha cidade natal, Araraquara. Coincidência demais, mas costumo dizer que brasileiros e araraquarenses são como formigas, em todo lugar tem.
Claro, há um carinho pelo país que o acolhe, eu estou torcendo pela classificação portuguesa para a Copa pois estarei aqui durante o torneio, você se afeiçoa a coisas e pessoas, mas a origem é a origem. É engraçado, surpreendente e é verdade. Você se sente brasileiro quando não se está no Brasil. O ama e o defende como nunca fez. Literalmente veste a camisa do seu país.
Ao querido amigo Bruno Ribeiro, grande "defensor" de origens e raízes...

domingo, 15 de novembro de 2009

Viva a diversidade cultural!

Em um bar na cidade do Porto, na ribeira, um lugar típico da cidade. O frio, o vento, o céu nublado, depois a chuva torrencial, também característicos da cidade nessa época do ano. À mesa, do aconchegante lugar, amigos antigos, recém conhecidos, amizades que começam a se consolidar. Todos brasileiros e um espanhol...entre os brasileiros uma que tem dupla nacionalidade, também espanhola. Depois chegam e juntam-se à turma dois portugueses. Pessoas diferentes, histórias diferentes, vidas diferentes. Ali, antes de qualquer coisa, o que unia a todos era uma linguagem universal que pode ser traduzida em algumas palavras: juventude, alegria, receptividade, amizade, respeito, aceitação. Eis a diversidade cultural! Viva!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Dia de São Martinho

Hoje é dia de São Martinho. Onze de novembro, é dia do Santo que anuncia, de fato, a chegada do inverno no continente europeu. Como forma de homenagear e comemorar o dia de São Martinho, em algumas regiões de Portugal, inclusive no Porto, assam-se castanhas. Essas mesmas castanhas são típicas desta época do ano e facilmente, encontradas nas ruas, vendidas em carrinhos com imensas panelas que as cozinham e assam, provocando um grande fumacê. Ainda não as tinha comido, mas em celebração ao dia de hoje fui chamada pelos queridos vizinhos, o casal Dona Lili e Seu Jorge (que já me adotaram) para provar essa iguaria. Imaginei que as castanhas fossem bem doces e meladas. Ao contrário, são salgadinhas com um fundo adocicado... por fim, um pequeno cálice de vinho do Porto. Além de trazer o inverno, São Martinho também é considerado um Santo de caridade e generosidade e, para minha surpresa, é o padroeiro da freguesia onde moro no Porto, a Cedofeita. Coincidência ou não, o frio está mais intenso agora a noite nesse dia de São Martinho. As castanhas e o vinho combinam mesmo com o inverno que parece ter chegado de vez.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

É isso mesmo?

Posso estar longe, mas do futebol brasileiro nunca. Internet, tv, web rádio, seja lá como for, estou eu sempre acompanhando o campeonato brasileiro. E todos acham bonito ver um tornei tão disputado, ponto a ponto, posição por posição, mas poucos, ou ninguém, se atreve a comentar que é um nivelamento não lá por altos níveis futebolísticos. Essa questão posta de lado, de fato os clubes se amontoam e brigam tanto por título, quanto para não cair para série B. E o campeonato acabando, partidas decisivas para os dois extremos da tabela acontecendo...
E eis que um gol do Palmeiras anulado vira caso de polícia. O Jornal Nacional é aberto com a chamada "O que Simon viu para anular o gol de Obina?". Pera lá, nunca anularam um gol, nunca o juiz errou e, talvez mexa no "resultado" total do torneio em questão? Vá lá que deu uma forcinha ao Fluminense, no desespero para não cair (o que julgo justo, o Flu precisa pagar pelo tapete que o resgatou do limbo do futebol). Não entendo mais nada. O árbitro foi suspenso até o final do ano de gramados brasileiros. Também não entendo essa moral toda que o Palmeiras tem de chorar tanto, reclamar tanto e ser atendido, o pior...relamente tá valendo chorar. Vai desde a diretoria, passa pelo treinador, jogadores, torcida. Muricy desde sempre foi assim, resmungão, grosseiro. Até outro dia ele era assim, mau humorado, e todos riam. Aí atacou a imprensa, generalizou profissionais e pronto, todo mundo caiu de pau, ACEESP divulga nota repudiando a atitude do treinador. Pra mim, os jornalistas esportivos já deviam ter se ofendido a mais tempo, na primeira falta de respeito com algum dos profissionais. Levantem e saim da coletiva, retruquem e o deixem falando sozinho, boicotem a coletiva...veríamos o respeito surgir, respeito ao cidadão e ao profissional, foi o que sempre vi faltar e todos davam o nome de "rabugisse". Pra lacrar, faz duas semanas que ouço Obina ser chamado de craque. Hem? São loucuras que só o futebol brasileiro tem para oferecer mesmo ou eu que estou desinformada e não entendo mais nada?

sábado, 7 de novembro de 2009

O endeusado jornalismo brasileiro

Vim a Portugal em busca de ampliar meus horizontes profissionais. Claro, o pessoal vem como consequência, faz parte do processo. Mas tudo bem, o incentivo maior foi chegar a meus objetivos profissionais como uma jornalista diferenciada, mais bem preparada, enfim, motivada pelo sonho da carreira que um dia idealizei pra mim. A pós que está em andamento discute jornalismo e marketing, com foco para política. As discussões sempre envolvem história, política européia no geral, mas também comparações com o resto do mundo. Para mim é tudo novo, visões diferentes, algo muito enriquecedor para o profissional de comunicação e, por que não dizer, ao cidadão. Para esta latino-americana, são coisas nunca antes discutidas na universidade ao menos.

Para meu espanto, os colegas de turma não entendem o que faço aqui. "Como, você, jornalista brasileira, vem em busca de especialização aqui?". Ouvi isso de várias pessoas e explico. Eles consideram o jornalismo brasileiro um dos melhores do mundo. É exemplo em produção, pesquisa, teorias e práticas. Todos daqui querem ir para o Brasil ver de perto o que é esse jornalismo tão bem dito e feito. Quando questionada na aula, quando opino, todos dão atenção, perguntam mais da pergunta, como se houvesse grande propriedade para falar. Ok, hora de puxar a sardinha (tradicionais aqui no mês de junho, na época de São João, mal posso esperar para provar) para o meu braseiro. Há mesmo coisas que são discutidas em sala, relativas ao jornalismo, em que vejo que há mais experiência acadêmica e prática da coisa no nosso mundo profissional, em que noto mais traquejo do jornalista brasileiro para agir do que pelo modo como eles se colocam na situação. Em linhas gerais, vendo ao telejornal, lendo os diários, o jornalismo é basicamente o mesmo, a mesma formuleta. Mas o brasileiro, pasmem!, como eu às vezes, é mais bem produzido, com mais cuidado de detalhes que, para nós da área, fazem muita diferença no produto final.

Foi uma feliz surpresa ver nosso jornalismo valorizado, visto com bons olhos, cansado de apanhar que está. Claro, não sem razão muitas vezes, mas nem sempre valorizamos o que somos ou o que temos. Há sempre o que melhorar, e há muito, mas também precisamos olhar com mais carinho para o que fazemos, os teóricos que temos, as pesquisas realizadas, pois, acreditem ou não, eles são bases para muito do que é feito na Europa.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Luz,câmera, vida...Ação!


Dizem que a vida imita a arte. Outros que a arte é uma reflexo da vida e da realidade. Para mim, a vida é a arte! Quantos papéis e personagens a passar pela vida, quantos enredos construídos e desconstruídos, cada dia uma peça, um humor, um cenário, atores e mais atores com quem devemos contracenar. E a vida tem cores, sons, percepções, emoções, sensações varias e diversas. Temos pois a arte não só de contracenar mas de pintar, desenhar, fotografar, poetizar, escrever, cantar, recitar, olhar de modo crítico o filme da vida passando. Estive hoje na acolhedora e bela cidade de Viana do Castelo, ao norte de Portugal. Uma verdadeira cidade cenográfica. Tudo muito miúdo, rebuscado, ajeitado, Europa antiga e bela, à beira mar. Fazia um dia lindo de sol, já com os primeiros ares e ventos de inverno, aquele friozinho confortável, uma brisa fresca que compunha o cenário. A arquitetura, verde, mar, brisa, tudo colocadinho em seu lugar. Logo que cheguei, senti como se mais um capítulo de uma novela começasse.

Passeando por ruelinhas de pedras típicas, igrejas, cafés, fontes e jardins havia um local de circulação proibida. Cavaletes e fitas isolavam a área, não era possível ir nem vir por ali. Câmeras filmadoras, fotográficas, gente correndo, figurantes...como? figurantes? Sim, figurantes! Estava sendo rodado ali um filme sobre o cônsul português Aristides Sousa Mendes, que resgatou cerca de 30 mil judeus dos campos de concentração. Claro, jornalista não aguenta ver uma câmera, uma movimentação fora do comum...passei por um lado, por outro, e logo estava num dos cantos da filmagem conversando com produtores do filme. Uma equipe toda composta por profissionais de cinema, um deles, Martin, explicou-me muito gentilmente os fatos históricos a serem gravados, comentou de Portugal, Brasil etc etc etc. Ganhava eu mais um amigo luso. Pode-se dizer que ali, naquele pequeno espaço, em meio a saias longas, sacos de panos, carros antigos, encontrava-se uma boa concentração de malucos positivos, como costumo chamar, me incluo nisso ok? Cineastas, atores, comunicadores...os artistas natos!

Sim, jornalista é artista, na boa e artística expressão da palavra. Não se trata de falsetes e máscaras, trata-se da plástica beleza e habilidade em lidar com palavras, expressões, costurar textos, casar textos com imagens e fotos, usar a palavra de modo mais adequado, a expressão, a voz, a intonação, a adequação e correção textual. Jornalismo é artisticamente produzido, ou pelo menos deveria ser. Andar por Portugal, em imensas vezes me faz sentir artística. Parece que tudo antigo remete a um passado bucólico e poético, Fernando Pessoa, Camões, Garrett, o Tejo, o mar (cujo muito de seu sal, são lágrimas de Portugal, diria o poeta). Tudo parece poeticamente desenhado, arranjado. A cidade de Viana do Castelo e o filme que ali rodavam foram, para mim, a expressão mais clara desta veia artística que sinto pulsar por muitos lugares portugueses. E muitos dos meus artistas e amigos queridos me vieram a cabeça naquele momento. Os atores, os jornalistas, meus verborrágicos amigos. Não pude fotografar as filmagens, ficaram pois as lembranças, as saudades de quem me vinha a cabeça, as amizades, as impressões do capítulo de hoje.

Em especial ao sempre ator Bruno Zani e à sempre artista de alma Ju Damante. Queridos amigos...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Velhas tardes de domingo

Desde que cheguei a Portugal acompanhar o futebol brasileiro era uma luta. Primeiro por conta do fuso, quatro horas a mais, depois por falta de tv, internet, ou qualquer outro canal de comunicação que me levasse ao Brasil. A única alternativa eram mensagens de celular com o resultado. Agora já tenho internet em casa, a tv a cabo no mesmo pacote compensava mais que só a net...melhor ainda! Coloquei tudo e ainda inclui o canal brasileiro, na tentativa de estar ligada ao mundo de todos os modos. É difícil estar em um país e ainda ter claro o que acontece em outro. É uma tarefa complicada, mas que pretendo fazer por julgar essencial a minha vida e profissão.
Eis que antenada, é domingo, dia de clássico paulista, Corinthians X Palmeiras. Ah, tantos dias esperando poder acompanhar o futebol e logo o clássico, imperdível em todos os sentidos. No Brasil foi transmitido ao vivo, aqui, no retransmissão internacional da emissora não passou. Naquele momento me arrependi de ter comprado o canal extra. Comprei esperando os jogos e cadê? Ok, ainda resta a internet. A alternativa foi assistir via web, aos socos, imagem em pixels, mas era o jogo. Emocionei-me ao ouvir os gritos da torcida, chorei com o segundo gol do fenômeno. Sei que ficarei longe este período para estar ainda mais perto no futuro. Toda aquela sensação, aquele amor, a rivalidade... mais do que o time, a transmissão também me deixava nervosa. O dono do site teve a pachorra de, na hora em que Ronaldo foi cobrar o pênalti, colocar no ar uma propaganda e cortar o sinal... nossa, a mãe dele só não foi xingada de santa! Os novos vizinhos que comecem a se habituar com a gritaria em dia de jogos.
Para o Timão, em relação ao Campeonato Brasileiro, o jogo pouco valia. Apenas para o campeonato, pois é preciso sempre vencer os rivais independente de qualquer coisa. O empate pareceu-me derrota. Mas para mim este jogo teve um sabor diferente...de que é possível manter as tardes de domingo que tanto valorizo e gosto, de que acompanhar ao menos o futebol nacional, de que a saudade pode ser amenizada pela modernidade. Do mesmo modo de sempre, terminei o domingo rouca e nervosa...mas feliz! Velhas tardes de domingo futebolístico...
PS: Sim, tarde. Estamos em Portugal no horário de inverno, uma hora a menos. No Brasil, horário de verão, uma hora a mais...contas rápidas e pronto, estamos apenas com duas horas de diferença!