terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ode ao medíocre

Dia desses estava discutindo sobre a mediocridade humana com um grande amigo. Talvez um dos mais malucos, um verdadeiro lunático, porém sensato, de boa ideias e reflexões. Falávamos pois da mediocridade em todas suas possíveis facetas: profissional, pessoal, da existência, do não questionamento, da aceitação, do emburrecimento, dos moldes a que as pessoas são impostas, da não expressão. A conversa começou com o jornalismo, nosso ofício, e tomou caminhos imagináveis, talvez passe em nossas cabeças apenas, infelizmente. Questionar, falar, se articular, virou defeito, é algo problemático, inclusive (veja que contradição absurda!!!) em nossa profissão, concluímos nós, mesmo sendo recém formados . O ato de observar, perguntar, falar, conversar, conhecer, parece não ser mais prerrogativa importante a um jornalista e sim uma ameaça. Triste, muito triste. E aos que trilham ou trilharam o mesmo caminho que nós de modo quadrado e medíocre sobram louros. É o que exige o mercado, a sociedade de um modo geral. Pensar dá trabalho, cansa e isso já é indispensável no mundo que nos consome com besteirol.
Depois daquele papo passei a guardar em mim, em um cantinho especial da minha observação, junto com questionamentos, "revoltas" e "conflitos" internos, tudo que há de mais medíocre no mundo à minha volta, tudo que noto merecer esta conotação. O incômodo pela simplicidade, pela amizade sem interesse, o desrespeito à normas e aos demais, o simples sim quando na verdade é não, estacionar a vida comodamente em um ponto por se pensar difícil sair dali e progredir, ou mesmo regredir atrás do seu "eu". O que somos, pra que estamos aqui, o que fazemos enquanto atores socias nas mais diversas esferas, o que queremos afinal?!? Triste e medíocre a vida destes que ao invés de buscar, falar, questionar, pensar, simplesmente observam a vida passar sentados, como passageiros de um trem, com o mundo correndo a sua janela em alta velocidade. Estes são conduzidos por maquinistas, que um dia ousaram inovar e agora conhece os caminhos, transporta os medíocres para onde quer que vá, foge ao que não quer segundo seu interesse. Então, porque não ser quem está na plataforma da estação, observando este sistema, tentando entender desde a engrenagem que move tudo, até a atuação destes personagens. Eu e meu amigo estamos na estação discutindo...Quem sabe esperamos um outro trem, que não passa nunca.
Eta vida besta, meu Deus!

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