quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Estrela solitária

Domingo estava zapeando canais na TV, já quase pra ir dormir. Eis que passando pela TV Cultura uma figura prendeu minha atenção: Garrincha! Em comemoração aos 40 anos da emissora, uma edição do programa Vox Popoli, de 1978, estava sendo reapresentada. O craque ao centro, em em um monitor perguntas de pessoas que haviam sido entrevistadas na rua. Questões sobre carreira, vida pessoal, e Garrincha é exatamente o Garrincha que conheci lendo a biografia escrita por Ruy Castro, "Estrela Solitária". Aquela figura simples, um cara bronco, que não conseguia articular suas ideias com tanta facilidade quanto driblava adversários. Ele nasceu pro futebol e ponto! E que pessoa frágil, que tentava não passar imagem de acuado, tampouco embaraçado diante de algumas perguntas. Trazia já a expressão sofrida em seu rosto, assim como foi o fim de sua vida, melancólico.

O livro de Ruy Castro tornou-se um de meus favoritos, pela temática, pela precisão de dados, pelo enredo, pela história que faz rir e chorar, de um personagem tão alegre em campo, e muitas vezes nem tão alegre assim fora dele. No programa exibido pela Cultura, pouco se pode apreender do que Garrincha disse, valeu mesmo ver aquele figura carismática e inesquecível do futebol brasileiro. O final do programa me remeteu ao final da biografia, e consequentemente ao final da vida do jogador: olhos que seguravam algumas lágrimas, poucas palavras, ideias confusas, sozinho no centro do programa, luzes apagadas, silêncio... Assim como na última página, enquanto os letreiros subiam também me emocionei. Prefiro aquela figura que ficou eternizada em dribles. Gênio, herói, e estes são fortes...

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