domingo, 24 de maio de 2009

Leitura de viagem

Ler é mais do que um simples hábito enriquecedor da cultura e do conteúdo de cada um, é um excelente passa-tempo. Pode ser um hobby, uma obrigação, um prazer, mas passa-se muito bem o tempo que parecia perdido em meio a textos, frases palavras. E, claro, como cada um de nós temos gostos diferentes, preferências, as leituras também são variadas. Eu, por exemplo, leio tudo que me aparece em mãos, uma bula de remédio que seja já me interessa a leitura.
E foi usando a leitura como um belo passa-tempo que algo me chamou a atenção: a leitura que as pessoas fazem dentro do ônibus. Das cansativas horas perdidas entre uma cidade e outra, em meio a coxinhas, lanches, salgadinhos de saquinho (aqueles de isopor), crianças chorando, pessoas falando alto em celulares e tudo mais, ler sempre foi meu grande remédio. Um bom livro, jornais e mais jornais, revistas. Eis que me coloquei a observar o que as outras pessoas liam durante aquelas infernais horas confinadas em uma lata andante, e, para minha surpresa, mais do que jornais e livros, vi coisas no mínimo curiosas...
Uma moça, logo que o ônibus sai, início da viagem que duraria cerca de três horas, começa a vasculhar um a sacola colocada sob seus pés. Cavuca, cavuca e tira uma pequena revista: Receitas rápidas e gostosas para o Natal. Isso, ela foi lendo duante mais de duas horas receitas! E pior, receitas natalinas mas estávamos em junho. Fiquei pensando que leitura interessante e instrutiva a dela: Duas colheres de sopa de açúcar; três ovos; uma xícara de farinha de trigo, e por aí vai. Mesmo que ela seja chef de cozinha, difícil e maçante.
Em outra viagem o rapaz do meu lado abre uma revistinha semelhante a um gibi. Estico os olhos pra ver do que se tratava, era um revista em quadrinhos japonesa. Toda em branco e preto, pude ler um pedacinho dos diálogos, já que ele a lia bem distante dos olhos. Os diálogos eram longos, chatos e sem graça. Mas o rapaz ria, ria de chorar, se virava na poltrona e eu pensando: "O que há de tão engraçado nisso?". Depois da viagem, estava cansada só de ver aquele moço fazendo contorcionismos de rir de algo tão chato, ao menos para mim. O outro já entra com o livro na mão, estava em um banco perpendicular ao meu, mas próximo. Livro grosso, grande, pensei ser um romance, ou quem sabe um best-seller, pois não, não era nada disso. Era um livro de geometria analítica. Exato, o menino passou quase três horas, no escuro, porque já passava das oito da noite, apenas com aquela luzinha péssima que fica sobre as poltronas, lendo duas linhas e analisando fórmulas, mais duas linhas analisava um triângulo. Tudo bem, concordo que não é minha área, nunca gostei de matemática e cálculos, ao contrário, odeio e foi meu terror na escola a vida toda, mas assim também já é demais! Neste mesmo ônibus, na metade do trajeto, a menina da frente tira um caderno da bolsa. Também cheio de fórmulas e com nada, absolutamente nada escrito, apenas numerais. Mas a insanidade literária dela durou apenas alguns minutos, não mais que trinta e o caderno voltou para a bolsa, melhor ir repousando!
O figura me entra no ônibus outro dia, todo atarantado, cheio de pastinhas e coisas nas mãos. Mochila no bagageiro, pasta de lap-top na mão, arquivos na outra. Sentou-se esparramou-se no banco, abriu uma das pastas. Tirou um contrato, algo de imóveis. Leis, clausulas. A cada trecho lido ele ligava pra o pai, debatia, confabulava, assim fiquei sabendo do que se tratava o documento. Mas alguns parágrafos resmungava sozinho, bufava, ligava para o pai. Isso se deu por meia viagem. Custa esperar chegar para ligar, para ler, para falar sozinho. Malucos, todos! Porque não leem algo mais básico e corriqueiro? O que é de gosto, regalo da vida, já diz o dito. Respeitemos pois as pluralidades de leitura! Ao menos esse povo lê, seja lá o que for!
E também, se eu for ficar aqui descrevendo mais destes loucos, as crianças que importunam o ônibus com choros e gritos, as mães que dão bronca, os lanches e jantares, marmitas e marmitex que se passam dentro de um ônibus daria bem mais do que as três horas de viagem. Temas para outros posts...

Um comentário:

  1. Olha, parece que já vi essa cena....?
    Que coisa! Faz uns 4 anos que vejo sempre tudo isso! E sempre aprendo a entender os desejos de cada um, o objetivo de cada um dentro de um ônibus. Fico imaginando quem vem de onde, pra onde, por que, quando....é bonito de se ver até. Com um fone no ouvido para espantar choros e roncos! rs

    beijoca

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