terça-feira, 12 de maio de 2009

Fim do livro


Terminar um livro é como perder ou separar-se de alguém querido. Conviver com personagens, vidas, histórias diariamente, acabo me envolvndo com o que leio, com estas pessoas, imaginárias ou não. Este final de semana perdi mais um querido amigo, terminei de ler "Anjo Pornogárifo, a vida de Nelson Rodrigues", escrito por Ruy Castro. Ao longo das mais de 400 páginas fui conhecendo um Nelson que não conhecia, uma vida cheia de batalhas, indas e vindas, histórias que mais parecem inventadas, mas são reais e de fato compuseram de modo caricatural e literário este grande personagem do jornalismo brasileiro. Quando Nelson morreu o livro também acabou. Chorei, emocionada com o fim da vida deste personagem que fez parte de meu dia-a-dia durante semanas e também com a dor de sair de mais uma história. É sempre assim quando um livro se acaba. Foi assim também, recentemente quando se acabou "Estrela Solitária" a biografia de Garrincha, escrita pelo mesmo Ruy Castro. Biografias tão completas, tão magicamente escritas, detalhadas, foi como viver com estas figuras em carne e osso. Aí a sensação tão concreta da perda.
Paradoxalmente, já sinto a sensação de que é preciso nova obra para preencher o lugar deixado pela findada. Começo a vasculhar prateleiras, gavetas, livrarias, avaliando qual livro será meu companheiro, quais personagens serão meus novos entes queridos durante um tempo.

Eles se vão mas da minha memória não saem. Como os amigos perdidos, lembro sempre dos fatos lidos com carinho, indico as obras pra os "amigos reais". Afinal, estas histórias se confundiram com a minha durante meses, dias, horas precisosas da minha vida, me fizeram refletir, me emocionaram, me ensinaram, foram os deliciosos e indispensáveis os momentos de leitura que ajudam na construção do personagem real que sou.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Quando conheci uma grande personagem através de algumas xícaras de café, sabia que o sabor era mais forte do que torrões moídos. Sabia que a cia era mais eterna do que alguns segundos de tarde. Entendia que era confidência pelo aroma. E até hoje continua. Não é que tinha certeza?
    Queridona vc é uma grande personagem que amo muito viu! Mulher guerreira, e viva São Jorge! Pq aqui nóis é curíntia!

    beijo

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