sábado, 30 de maio de 2009

Tirando as raízes para replantar

Quatro anos passaram muito rápido. Voaram e também me fizeram voar. Lembro de quando sai de Araraquara, imatura, perdida, assustada. Cheguei a Campinas assim! Chorava de desespero...hoje choro pelas boas lembranças e pelas saudades que ficarão. E quanto mudei! Foram anos riquíssimos, os melhores de minha vida, de muito aprendizado. Não só o aprendizado profissional, hoje saio da cidade uma jornalista formada, mas o aprendizado humano, pessoal, de vida, isso nada paga, nenhuma faculdade ensina. Dos erros, dos acertos, dos bons e dos maus momentos, da companhia e da solidão, das saudades e da estafa de todos, de tudo, absolutamente tudo tirei lições valiosíssimas!
Saio da "Cidade das Andorinhas" com um imenso sentimento de gratidão! Gratidão à cidade que me acolheu, aos amigos queridos que fiz, aos aprendizados, aos grandes momentos, ao amadurecimento que me fez uma pessoa muito maior e muito melhor. De todas as pessoas que passaram pela minha vida, que fizeram parte desta fase tão importante levo de cada uma um pedacinho, uma lição, algo que contribuiu muito para o ser que sou hoje. Sou uma soma de tudo, de todos dentro do que já sou eu mesma.
Agora, como quatro anos atrás, tenho de desenterrar minhas raízes e seguir para novos terrenos. Semear um pouco de mim, colher um tanto dos outros e crescer, amadurecer, cada vez mais. À Campinas meu eterno carinho e agradecimento, a esta cidade que aprendi a viver e a gostar, que me acolheu mesmo com minha resistência inicial, este lugar onde encontrei um lugar para mim. Aos amigos minha eterna gratidão, carinho, amor, todos, absolutamente todos, irão comigo nos frutos que me permitiram colher, em pensamento, no coração.
São Caetano do Sul é minha nova parada, meu novo pouso, o novo terreno onde plantarei minhas raízes, local onde inicio agora uma nova fase de minha vida, a fase para qual me preparei nestes quatro anos: a vida profissional, a vida adulta. Chego ansiosa, cheia de perspectivas, com anseios e medos naturais, mas com os quais sei lidar e considero-os estimulantes. Vida que muda, vida que segue, gente que muda, gente que cresce, o ciclo natural, naturalmente bom, a natural sensação de vida que segue. Sucesso, eu sigo também!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Pitacos

O show do Jonas Brothers levou mais gente ao Morumbi do que o time do São Paulo arrebata em dia de jogos. Quarenta e cinco mil pessoas é um número expressivo pouco visto pelo estádio, quando depende de sua torcida...
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Ah e por falar em público, audiênca, torcida, a maior emissora de TV do país, e a outra que também transmite futebol, ambas transmitindo Corinthians X Vasco, no Maracanã, pela Copa do Brasil, equanto, ao mesmo tempo, jogam Cruzeiro X São Paulo, no Mineirão, pela Libertadores. Mas esta não é a competição mais importante, mais competitiva, mais desejada do continente do país...é, parece que temos times mais importantes e atrativos comercialmente e passionalmente falando, não competições.

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Luxemburgo foi corajoso ao dizer, o que muita gente, inclusive imprensa, gostaria de dizer à coordenação de arbitragem, que usam por baixo do uniforme a camisa do Sâo Paulo. Será que procede a "acusação", ou é apenas choro do treinador palmeirense? Quem acompanha futebol pode deduzir e chegar a sua própria conclusão.

domingo, 24 de maio de 2009

Leitura de viagem

Ler é mais do que um simples hábito enriquecedor da cultura e do conteúdo de cada um, é um excelente passa-tempo. Pode ser um hobby, uma obrigação, um prazer, mas passa-se muito bem o tempo que parecia perdido em meio a textos, frases palavras. E, claro, como cada um de nós temos gostos diferentes, preferências, as leituras também são variadas. Eu, por exemplo, leio tudo que me aparece em mãos, uma bula de remédio que seja já me interessa a leitura.
E foi usando a leitura como um belo passa-tempo que algo me chamou a atenção: a leitura que as pessoas fazem dentro do ônibus. Das cansativas horas perdidas entre uma cidade e outra, em meio a coxinhas, lanches, salgadinhos de saquinho (aqueles de isopor), crianças chorando, pessoas falando alto em celulares e tudo mais, ler sempre foi meu grande remédio. Um bom livro, jornais e mais jornais, revistas. Eis que me coloquei a observar o que as outras pessoas liam durante aquelas infernais horas confinadas em uma lata andante, e, para minha surpresa, mais do que jornais e livros, vi coisas no mínimo curiosas...
Uma moça, logo que o ônibus sai, início da viagem que duraria cerca de três horas, começa a vasculhar um a sacola colocada sob seus pés. Cavuca, cavuca e tira uma pequena revista: Receitas rápidas e gostosas para o Natal. Isso, ela foi lendo duante mais de duas horas receitas! E pior, receitas natalinas mas estávamos em junho. Fiquei pensando que leitura interessante e instrutiva a dela: Duas colheres de sopa de açúcar; três ovos; uma xícara de farinha de trigo, e por aí vai. Mesmo que ela seja chef de cozinha, difícil e maçante.
Em outra viagem o rapaz do meu lado abre uma revistinha semelhante a um gibi. Estico os olhos pra ver do que se tratava, era um revista em quadrinhos japonesa. Toda em branco e preto, pude ler um pedacinho dos diálogos, já que ele a lia bem distante dos olhos. Os diálogos eram longos, chatos e sem graça. Mas o rapaz ria, ria de chorar, se virava na poltrona e eu pensando: "O que há de tão engraçado nisso?". Depois da viagem, estava cansada só de ver aquele moço fazendo contorcionismos de rir de algo tão chato, ao menos para mim. O outro já entra com o livro na mão, estava em um banco perpendicular ao meu, mas próximo. Livro grosso, grande, pensei ser um romance, ou quem sabe um best-seller, pois não, não era nada disso. Era um livro de geometria analítica. Exato, o menino passou quase três horas, no escuro, porque já passava das oito da noite, apenas com aquela luzinha péssima que fica sobre as poltronas, lendo duas linhas e analisando fórmulas, mais duas linhas analisava um triângulo. Tudo bem, concordo que não é minha área, nunca gostei de matemática e cálculos, ao contrário, odeio e foi meu terror na escola a vida toda, mas assim também já é demais! Neste mesmo ônibus, na metade do trajeto, a menina da frente tira um caderno da bolsa. Também cheio de fórmulas e com nada, absolutamente nada escrito, apenas numerais. Mas a insanidade literária dela durou apenas alguns minutos, não mais que trinta e o caderno voltou para a bolsa, melhor ir repousando!
O figura me entra no ônibus outro dia, todo atarantado, cheio de pastinhas e coisas nas mãos. Mochila no bagageiro, pasta de lap-top na mão, arquivos na outra. Sentou-se esparramou-se no banco, abriu uma das pastas. Tirou um contrato, algo de imóveis. Leis, clausulas. A cada trecho lido ele ligava pra o pai, debatia, confabulava, assim fiquei sabendo do que se tratava o documento. Mas alguns parágrafos resmungava sozinho, bufava, ligava para o pai. Isso se deu por meia viagem. Custa esperar chegar para ligar, para ler, para falar sozinho. Malucos, todos! Porque não leem algo mais básico e corriqueiro? O que é de gosto, regalo da vida, já diz o dito. Respeitemos pois as pluralidades de leitura! Ao menos esse povo lê, seja lá o que for!
E também, se eu for ficar aqui descrevendo mais destes loucos, as crianças que importunam o ônibus com choros e gritos, as mães que dão bronca, os lanches e jantares, marmitas e marmitex que se passam dentro de um ônibus daria bem mais do que as três horas de viagem. Temas para outros posts...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Seleção Brasileira

Sai hoje mais uma convocação da Seleção Brasileira de futebol, agora para mais dois jogos das Eliminatórias da Copa. Para mim, e para muitos, que assim como eu amam o futebol, a Seleção já não empolga faz tempo. Graça em ver a seleção jogar, nervoso, expectativa, nada disso sinto ao ver a amarelinha em campo. Os clubes de coração são a preferência da galera em minha opinião. Mas é óbvio que mesmo sem tanta animação não podemos deixar de observar, criticar, palpitar. Dizem que cada um tem sua seleção, todos somos técnicos, que seja. Porém acho que a mesmice se mantém. Pode ser Dunga, Zagallo, Felipão, João da Padaria, qualquer um, e mudam-se poucas peças, a escalação também está subordinada a políticas, confederação, etc etc, que nem convém entrar no mérito.
Para dizer a verdade, se eu fosse escalar a seleção, ela mudaria muito do que temos aí, daria até mesmo mais atenção a jogadores "nacionais", qua ainda atuam por aqui, como um dia já foi condição para ser chamado. Há muitos bons atletas pelo Brasil ainda. Mas aí questiono, caro leitor, será que queremos ver Dunga chamar os jogadores de nossos times, principalmente os que estão em fases decisivas de Copa do Brasil e Libertadores, para simplesmente compor o grupo e esquentar banco? Eu sinceramente não quero, e olha que no meu time há bem uns três jogadores merecendo convocação. Mas também, para chamar estes citados, apenas para dizer que há mudanças, que todos tem espaço, que a comissão técnica observa e blá blá blá não precisa! Leve o que já está acostumado e deixe os times completos por aqui para que o bom futebol continue rolando, como na rodada de ontem pela Copa do Brasil, com Inter X Flamengo e Fluminense X Corinthians. E não me venham dizer do sentimento de patriotismo, do que é ser convocado, isso já se foi faz tempo, literalmente ser chamado tem outro "valor". Então vamos com o que temos pra hoje mesmo!
Ficarmos fora da Copa do Mundo? Acho difícil! Mesmo jogando mal a seleção tem condições de ganhar dos times sul-americanos. Mas como nada é impossível, é a única coisa que ainda torço de verdade quando se trata de seleção...vamos ao Mundial, pois querendo ou não, ainda é uma grande competição, e talvez seja o que nos resta de emoção quando se trata da amarelinha!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Agradecimento a Jorge


É ele! São Jorge guerreiro, iluminando e dando força mais uma vez! Obrigada meu fiel cavaleiro por toda luz, fé, força! Continue a me guiar, mostrando sempre o melhor caminho e as melhores armas para seguir na batalha! Mais uma vencida, mas não, nem nunca, a guerra! Saravá Ogum! Obrigada São Jorge!


Ogum

(Zeca Pagodinho)


Eu sou descendente zulu
Sou um soldado de ogum
Um devoto dessa imensa legião de Jorge
Eu sincretizado na fé
Sou carregado de axé
E protegido por um cavaleiro nobre

Sim vou na igreja festejar meu protetor
E agradecer por eu ser mais um vencedor
Nas lutas nas batalhas
Sim vou no terreiro pra bater o meu tambor
Bato cabeça firmo ponto sim senhor
Eu canto pra Ogum

Ogum
Ogum
Um guerreiro valente que cuida da gente que sofre demais

Ogum
Ele vem de aruanda ele vence demanda de gente que faz

Ogum
Cavaleiro do céu escudeiro fiel mensageiro da paz

Ogum
Ele nunca balança ele pega na lança ele mata o dragão

Ogum
É quem da confiança pra uma criança virar um leão

Ogum
É um mar de esperança que traz abonança pro meu coração

Ogum
Ooogum

(Jorge Ben Jor)

Deus adiante paz e guia
Encomendo-me a Deus e a virgem Maria minha mãe ..
Os doze apóstolos meus irmãos
Andarei neste dia nesta noite
Com meu corpo cercado vigiado e protegido
Pelas as armas de são Jorge
São Jorge sentou praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem
Tendo mãos não me peguem não me toquem
Tendo olhos não me enxerguem
E nem em pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo o meu corpo não alcançará
Facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é da Capadócia.

Salve Jorge!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Bairrismo

Pera lá! Quer dizer que Dentinho foi suspenso por três jogos e Fred foi absolvido na mesma Copa do Brasil? E que no segundo jogo entre Corinthians e Fluminense, pelas quartas-de-final da competição, o gaúcho Carlos Eugênio Simon é quem vai apitar, sendo que no último domingo ele também apitou um jogo do timão contra outro carioca, o Botafogo, e teve lances polêmicos contestados pelos alvinegros? Que que acontece? Dentinho suspenso por um lance que se quer foi parar na súmula, em um jogo na fase anterior contra o Atlético Paranaense... Fred deu um tapa no colega do Goiás, mas nem expulso foi e no julgamento manteve-se a não penalização. E Simon, apitando Corinthians nunca foi uma boa combinação, sempre há uma polêmica, e não teremos nem se quer uma semana de distância entre uma e outra para ao menos os lances duvidosos se esvairem da memória corinthiana. Como reclamaram Felipe, goleiro do Timão, e Mano Menezes, técnico alvinegro, parece carioquice tudo isso... será? Típico do futebol brasileiro! Sejamos otimistas, e não percebamos o bairrismo intrínsico a tudo isso!

Mais uma vez


Não sou fã de Legião Urbana, nem de Renato Russo. Nunca me interessei pela banda, às vezes até ao contrário. Mas confesso que há algumas letras de músicas deles que são bem filosóficas, bonitas, marcantes, tocantes. Nestes dias em que ando bem introspecta e reflexiva acerca da vida, eis que a pessoa mais importante da minha me mostra a letra a seguir... "Preste atenção nas palavras, que música linda! é isso mesmo!", disse. Li com atenção e vi que muitas das coisas ditas ali de fato batiam com o que refletia eu nestes dias. Então, força, mais uma vez, que o sol brilha a cada dia, a cada manhã, é preciso acreditar para alcançar! Lá vou eu, mais uma vez...


Mais Uma Vez

Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!
Quem acredita sempre alcança!

sábado, 16 de maio de 2009

Seguindo...

Começo a me defrontar com uma nova vida, uma nova realidade, mas com pelejas, dificuldades e enfrentamentos ainda do antigo modo de viver. Sinto-me presa, amarrada, impotente, incapaz, rídiculamente frágil como ser agente e existente da minha própria vida. Perco o chão tentando lutar contra os antigos hábitos, as amarras velhas que já não me servem mais, mas é difícil cortá-las assim, com as mãos limpas. Cortar o cordão que ainda remete ao que já não sou mais dói como um parto, não sai, nem escorrega tão facilmente como deveria. Sangra, antes de qualquer coisa, o coração e a honra. Humildade que enobrece, parece emburrecer e diminuir, sinceridade pequena perto do que precisa de superlativos, sensibilidade endurecida pelo rancor guardado e engolido. Os seres mudam, amadurecem, a vida segue e o mundo gira, esperando que todos andem consigo, para frente, progredindo enquanto seres agentes. Tento apenas seguir o natural da vida, o fluxo, a frente, o novo, a nova, a vida, a "eu" a cada dia apenas eu, agente , atriz, sem máscaras, nem fantasias, nem demagogias, eu!...será que posso viver?

terça-feira, 12 de maio de 2009

Libertadores não é séria

Dizem que a Libertadores da América é uma competição séria, a mais importante das Américas, disputadíssima, de grande valor. O São Paulo se vangloria por disputá-la com frequência, colecionar títulos, é como se, no Brasil, fossem os "donos" da Libertadores. O Palmiras também já ganhou a taça, o Santos, Grêmio, entre outros grandes do nosso futebol. E há muita cobrança pelo fato de, dentre estes maiores times, o Corinthians nunca tê-la conquistado, está, inclusive, nos planos da diretoria para a festa do centenário do clube ganhar a América.

Concomitantemente à realização da Libertadores de 2009, surege no México e se espalha pelo mundo a Gripe Suína. Como um dia a Espanhola surgiu e assustou o planeta. Casos confirmados em diversos países, mortes, o México, o grande foco, para suas atividades econômicas, sociais, esportivas. Eis que o brasileiro São Paulo avança às oitavas-de-final da competição e teria como adversário o Chivas do México. Outra partida seria San Luis e Nacional do Uruguai. Surge então o entrave: ir ao país onde surgiu a temida gripe é inviável, trazer ao Brasil ou outro país os mexicanos um risco, como fazer então para disputar a vaga das quartas-de-final na libertadores? Parecia mesmo um complicado caso a ser resolvido. Dou razão a ambas as partes, quem não quer ir e quem não quer vir, os direitos e medos que cada clube alegou, mas a solução encontrada foi a mais bizarra e desmoralizante possível.

A Confederação Sulamericana de Futebol (Conmebol), que organiza a Libertadores, tentou acordos, soluções como dois jogos no Brasil, jogo único em São Paulo, mas sem aceitação dos clubes envolvidos, no caso da partida que envolve o time brasileiro. Sem acordo, os times mexicanos se ofereceram para sair da competição, o que de pronto foi aceito. São Paulo e Nacional avançaram às quartas sem nem se quer jogar. Como assim? Que desordem é essa? É um problema mundial, que concordo, parecia sem solução para ambos neste caso. Já que os mexicanos desistiram, que os terceiros dos respectivos grupos ficassem com a vaga, ao menos para haver disputa em campo, não dar a vaga assim! Que uma solução fosse pensada, sem fazer com que a disputa caísse no ridículo.

Para mim, isso faz com que a Libertadores caia no descrédito. Times desistindo da competição, vagas dadas... E claro, os interessados dizem que jogar seria melhor, mas que isso e aquilo e ficam com a vaga fácil sem titubear! Fica fácil assim! E o pior é que a notícia é dada, mas não comentada. Imagino se isso acontece com o Corinthians, por exemplo. Já teria aquela chiadeira de que o campeonato foi roubado, o time favorecido. Mas com os donos da competição é normal, foi a solução encontrada, justa ou não. Porque os dirigentes não aparecem agora, esbravejando na tv? Comodismo, satisfação. E ainda dizem que é séria, disputadíssima, a melhor do continente, que todo mundo quer? Isso tá mais mal explicado e mal organizado que competição no Brasil... Quero ver o que os poetas da imprensa irão falar. Nada né?

Fim do livro


Terminar um livro é como perder ou separar-se de alguém querido. Conviver com personagens, vidas, histórias diariamente, acabo me envolvndo com o que leio, com estas pessoas, imaginárias ou não. Este final de semana perdi mais um querido amigo, terminei de ler "Anjo Pornogárifo, a vida de Nelson Rodrigues", escrito por Ruy Castro. Ao longo das mais de 400 páginas fui conhecendo um Nelson que não conhecia, uma vida cheia de batalhas, indas e vindas, histórias que mais parecem inventadas, mas são reais e de fato compuseram de modo caricatural e literário este grande personagem do jornalismo brasileiro. Quando Nelson morreu o livro também acabou. Chorei, emocionada com o fim da vida deste personagem que fez parte de meu dia-a-dia durante semanas e também com a dor de sair de mais uma história. É sempre assim quando um livro se acaba. Foi assim também, recentemente quando se acabou "Estrela Solitária" a biografia de Garrincha, escrita pelo mesmo Ruy Castro. Biografias tão completas, tão magicamente escritas, detalhadas, foi como viver com estas figuras em carne e osso. Aí a sensação tão concreta da perda.
Paradoxalmente, já sinto a sensação de que é preciso nova obra para preencher o lugar deixado pela findada. Começo a vasculhar prateleiras, gavetas, livrarias, avaliando qual livro será meu companheiro, quais personagens serão meus novos entes queridos durante um tempo.

Eles se vão mas da minha memória não saem. Como os amigos perdidos, lembro sempre dos fatos lidos com carinho, indico as obras pra os "amigos reais". Afinal, estas histórias se confundiram com a minha durante meses, dias, horas precisosas da minha vida, me fizeram refletir, me emocionaram, me ensinaram, foram os deliciosos e indispensáveis os momentos de leitura que ajudam na construção do personagem real que sou.

Desanimado começo

O Brasileirão 2009 começou, mas sem a emoção que promete ter ao longo da competição. Times reservas, jogadores cansados, estádios com pouco público, ingressos caros que fazem o torcedor guardar o dinheiro para os jogos de meio de semana. Começar a competição com os principais clubes do país disputando fases finais de Libertadores e Copa do Brasil é pedir para que torcidas e jogadores não se animem muito com o início do Campeonato Brasileiro. Não é possível fazer análises, apostas e perspectivas baseadas nestes primeiros jogos da competição. Ela só começará com força total quando as demais acabarem...desorganização eterna do calendário do futebol brasileiro.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Brasileirão 2009

No próximo final de semana começa o Campeonato Brasileiro de Futebol, considerado a maior competição nacional da modalidade. E este ano acredito que, de fato, o campeonato seja realmente de bom nível. Sempre com tradicionais equipes do país, em 2009 o Brasileirão conta com a volta do Corinthians. Depois do seu passeio pela série B, o Time do Povo volta empolgado após a conquista do Campeonato Paulista deste ano, o bom desempenho na Copa do Brasil e claro, devido a Ronaldo Fenômeno. Assim como o Corinthians, o jogador estava no fundo do poço ano passado, mas bastou raça, força de vontade, amor e apoio para se reerguer e voltar ao lugar que lhe é seu de direito. Fenômeno, continua sendo a alcunha de Ronaldo, bem como Timão a de Corinthians.

Fora o time paulista embalado, apostaria também nos dois grandes gaúchos, Grêmio e Internacional. O Inter traz na bagagem de 2009 o título estadual e a sequência na Copa do Brasil. Já o Grêmio traz o bom retrospecto na libertadores. Ambos têm elencos fortes, competitivos, bem armados que darão trabalho no Campeonato. Melhor assim, quem agradece é o futebol, com bons jogos, boas disputas e a saída das "mesmisses" de sempre às quais parece estar fadado nosso futebol. Bem, pelos lados do Rio, muitas fichas estão sendo apostadas no Flamengo, tri-campeão carioca, que acaba de apresentar Adriano, Imperador (????). Não acho que a conquista do estadual sirva muito de parâmetro, e também não acho que com Adriano será como foi com Ronaldo. Este sempre disse amar o que faz, aquele, mês passado, disse não ter mais prazer algum em jogar futebol...Marketing, craque, grandes atuações como no início de carreira no próprio rubro-negro? Prefiro esperar para ver, mas sem empolgação, nem enganação.

Que as cortinas sejam abertas ao bom futebol, mesmo que o nacional ainda sofra com mazelas de más administrações, calendários conturbados, salários atrasados, ingressos caros, torcedores mal tratados, etc etc etc. A paixão nacional ainda pulsa.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Radinho de pilha

Sempre adorei rádio. Principalmente ouvir futebol no radinho, mesmo que a AM não pegasse direito no interior paulista, onde nasci e fui criada. Mesmo em meio a chiados, ouvia jogos e mais jogos por meio da "caixa mágica".

Mantendo este hábito que carrego há anos, estava eu precisando de um radinho novo para ouvir as transmissões esportivas. Fui ao centro da cidade, entrei em todas, literalmente, todas as lojas de eletroeletrônicos da rua. Mas não foi fácil realizar a compra. Pedir por um radinho de pilha, atualmente, era como se eu dissesse ao vendedor: "Por favor, eu queria um disco voador...". Ouvi as mais diversas coisas, das quais muitas me deixavam incomodada, irritada. Gente, eu só quero um rádio de pilha! Das coisas que ouvia dos vendedores, eis algumas pérolas:

- Rádio de pilha? Qual, daqueles pequenos? Não, nós não recebemos mais daqueles...
- Ah tá, obrigada!

- Rádio de pilha? Olha, eu tenho esse que toca cd, é portátil, vende bem...
- Não, eu queria de pilha mesmo, pequeno, apenas com AM e FM.
- Não, desse não vendemos mais.

- Rádio de pilha? Tenho MP3, MP4, porque você num compra um desses?
- Eu queria radinho de pilha, com AM e FM sabe...
- Ah não é pra você, é pra presente...Desses eu não tenho mais, nem recebo.
- É pra mim mesmo, mas eu queria assim. Obrigada!

- Rádio de pilha? É pra você mesma? Porque você não compra um MP3, salva músicas, dá pra ouvir na rua, no ônibus...
- (Pensando comigo mesma: Eu sei o que é um MP3 minha filha, eu tenho um, mas não foi o que pedi...)Sim é pra mim... é pra ouvir futebol, preciso que pegue AM.
- Ouvir futebol? Você quer um rádio pra você ouvir futebol? (risos irônicos da moça)
- (Eu mantendo a classe e educação) Isso, mas MP3 não serve. (Viro as costas e saio andando)

Sei que coisas como estas estão ficando ultrapassadas no mundo loucamente moderno, mas um radinho de pilha, daqueles com um fiozinho para segurar na mão quando se vai ao campo ver o jogo, para aproximá-lo do ouvido, que pegue basicamente AM e FM com uma anteninha, é pedir demais? Sim, eles estão em extinção. Algo tão folclórico, clássico, emblemático do futebol e do torcedor está acabando. Depois da saga, encontrei um sobrevivente a onda moderna de "MP coisas". Comprei o radinho de pilha que era para mim, para ouvir AM e para ouvir futebol. Ah!, nada como ouvir o grito de gol através da caixinha mágica...

Fim de semana de harmonia


Uma cidade pequena e de ares frios. Mas com pessoas de coração quente. Aos menos as que me receberam. Ruas de subidas e descidas e casas grandes, uma bela paisagem. Em uma destas ladeiras, em uma destas casas grandes mora uma grande família, composta por pessoas grandes de espírito. Foi neste local que passei meu final de semana, em meio a uma grande turma, parentes, agregados, amigos, cachorros, todos em harmonia. A palavra chave do ambiente é harmonia entre as pessoas. Do respeito às crenças, às opiniões, às raças, ao modo de vida de cada um. Cada qual a seu modo trazia para aquela casa lotada boas energias, bons pensamentos, histórias de vida.


Foram três dias, um final de semana de convívio intenso com pessoas em sua maioria, até então, desconhecidas para mim, mas das quais rapidamente me tornei companheira. Senti como se ganhasse a cada instante novos irmãos, primos, amigos tamanho acolhimento, intimidade, liberdade, reciprocidade, respeito. Todos dormindo juntos, jogados na sala vendo tv como um acampamento, risadas na hora do almoço, fotos e mais fotos no bar e na festa, reunião e união na hora do jogo que não interessava a todos, mas todos se uniram a minha causa. Cada um que ali chega é recebido de braços abertos, tira os sapatos, se mistura à saudável bagunça e contribui com a presença e amizade todo o carinho que recebe em troca.


Três dias foram suficientes para sentir saudade e deixar a certeza de que em breve voltarei para a cidade do interior paulista, para a harmonia daquela casa, daquela grande e querida família.