sábado, 4 de abril de 2009

Boleiros


Ontem assisti pela enésima vez o filme "Boleiros: Era uma vez o futebol". O filme dirigido por Ugo Giorgetti é de 1998, e é disparado, um dos meus preferidos, por tratar de algo que tanto amo, o futebol. O enredo é simples, mas a quem é apaixonado pelo tema central é encantador.

Basicamente a história se passa em uma mesa de um bar, todo decorado com fotos antigas de futebol, e entre goles de cerveja, ex-jogadores e ex-juízes relembram boas histórias de uma época aúrea do esporte no Brasil. Os "causos" contados pelos personagens são de cunho fictício, mas são genuínos ao futebol brasileiro. São história moldadas pelo romantismo do esporte de uma época em que as camisas, como diz um dos personagens, tinham apenas as cores do clube e não cores de patrocínios e da grana, eram apenas as cores da garra e do amor ao manto vestido pelos atletas.

Assim como os que estão em cena, o espectador, se o tema lhe for apaixonante como a mim, chora e ri ao longo da película com as histórias de Virgílio Pênalti, do Pai Vavá, imprensa esportiva, ex-jogadores... Ah são coisas e emoções que apenas o futebol pode proporcionar. Sempre gostei de ouvir histórias de boleiros, e assim como o filme, posso ouví-las quantas vezes forem necessárias, sem me cansar, apenas me emocionar. Sinto saudades de uma época que não vivi, de times que não vi jogar, da época de ouro do futebol nacional em que todo e qualquer jogo era show, em que o futebol do interior era "rico" e disputava grandes jogos entre si e com os grandes times, em que craques de fato existiam e jogavam. Os personagens trazem em si a mesma nostalgia que sinto quando vejo e ouço "causos" e jogos como os descritos, assim como os repórteres mostrados no filme também me envolvo com a cobertura esportiva e gosto de relembrar grandes momentos do esporte.

Boleiros retrada exatamente tudo isso, a nostalgia, o futebol arte, o futebol mandinga, o futebol puro em sua essência. Os personagens discutem vez ou outra o que se tornou o futebol no país atualmente, e o final e o presente de cada um é exatamente melâncólico como o da maioria dos craques do passado. O filme tem sua segunda versão, "Boleiros 2: vencedores e vencidos", mas não é tão bom quanto o primeiro. Mas entendo e admiro a persepção do diretor. O segundo filme mostra exatamente o que é o futebol atualmente: dinheiro, empresários, craques criados pela mídia e pela grana, sem amor a camisa. Assiti ao dois apenas uma vez, assistiria novamente, mas não com o mesmo deleite com que assisto ao primeiro cada vez que reapresentado na TV Cultura, ou em dvd na minha casa quando tenho vontade. Os casos relatados ali estão na mídia diariamente, é com que trabalhamos nós jornalistas. E mesmo assim, ainda o veria, como vejo o futebol, como algo apaixonante, capaz de despertar emoções das mais diversas a quem gosta e trabalha com isso, mesmo que sinta que aos poucos perdemos um pouco da essência deste grande esporte.
Foto: Divulgação

Um comentário:

  1. Ontem fui ao cinema e vi um pôster de um filme.
    Lembrei de você.
    O título? "Fiel".
    Porque aqui, você sabe o que é, né?
    Beijo, fiaaa!

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