quarta-feira, 29 de abril de 2009

Só é gênio quem sabe, não quem quer


Craque, fenômeno, gênio. São diversos os adjetivos que podem ser relacionado a Ronaldo. O jogo de domingo foi apenas o cenário de fundo para o show do atacante. Todos os outros em campo foram coadjuvantes, alguns de maior importância, mas ele foi e é a estrela maior. Dois golaços, talento e liderança em campo. A partida se tornou mais uma página da história de vida deste gênio do futebol nacional e mundial, mais uma prova de que quando se é craque nunca se esquece como jogar futebol. O domínio de bola, o raciocínio rápido, a visão de jogo, o drible, o gol por cobertura, só faz tudo o que Ronaldo fez na Vila Belmiro quem sabe, não quem apenas quer.


O jogo terminou 3 a 1 para o Corinthians, que colocou as mãos de modo “fenomenal”na taça. Genial, o jogador não precisa provar mais nada para ninguém, ficou provado que se levanta ainda mais forte e motivado do que quando caiu. Fora de forma, gordo, sem ritmo de jogo, em fim de carreira? Imagine se estivesse magro, em forma, com ritmo, no auge, o que ele faria mais? Faria chover, é apenas o que falta Ronaldo fazer em campo para provar definitivamente aos corneteiros que é um Deus do futebol.


E ao Rei Pelé, que o via ao vivo e comparou os gols do Fenômeno com os seus, lembro apenas que é preciso colocar no estádio do Santos uma placa em memória ao gol de Ronaldo, como um dia o próprio Pelé fez para o também cracasso corinthiano Marcelinho Carioca. Afinal de contas, o gol de domingo foi um golaço de placa, de gênio.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O templo de Jorge


Capela de São Jorge, no Parque São Jorge, em São Paulo. Lugar divino de força, luz e fé.

Saravá São Jorge!


Vinte e três de abril, dia de São Jorge guerreiro. Força, fé, perseverança, luz. Ele quem dá força para as batalhas da vida. Escudeiro fiel, São Jorge, Ogum, Santo protetor seja qual for a fé. Mesmo eu, que não sigo religiões, faço parte da cavalaria de Jorge. Ao entrar em seu templo sinto a força e a proteção, pois eu estou vestida com a força e as armas de Jorge! Amém, Saravá São Jorge!

Oração a São Jorge

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.
São Jorge Rogai por Nós.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Fim de semana de futeba e sem internet

A empresa de telefonia me atrapalhou. Há três dias fiquei sem acesso a internet, manutenção nas redes deles e o usuário, claro, pagou o pato. Domingo a noite vim seca para postar mais um texto, que foi adiado para hoje, com a comemorada, inesperada e incerta volta da internet! Então, lá vamos nós!

O final de semana do futebol foi emocionante. Dois grandes jogos nas semifinais paulistas. Santos e Corinthians reverteram a vantagem, mas sinceramente não sei até que ponto isso é bom pra um e pra outro. Para o Peixe, é preciso cautela e não vestir os saltos altos... o time da Vila dominou boa parte do segundo tempo, mesmo contra um criativo e eficiente meio de campo do verdão. No palestra mais uma vez teremos um jogo pegado e uma disputa entre comandantes. Ao Peixe, todo cuidado é pouco no Palestra. Motivado sim, já ganhou não!

Já para o Corinthians, bem para o Timão...a vitória foi a mais corinthiana possível, embora o time de Parque São Jorge merecesse uma diferença maior pelo futebol, marcação e pressão. Quanto às polêmicas, me desculpem os Tricolores que tanto choram, mas antes da falta de Ronaldo, foi André Dias quem entrou de forma violenta, por sinal. O gol estava impedido, e conforme manda a regra, é possível vantagem e depois punir um jogador por lance anterior. Vamos admitir que Mano acertou com o time que colocou em campo, que marcou muito bem e apenas não soube aproveitar bem as chances criadas. Tomara que o gol aos 47 do segundo tempo motive a equipe alvinegra e não lhe dê um par de pernas de pau.Para o próximo domingo grande jogo, com desfalque para o timão: Rogério Ceni estava mais ajudando o adversário do que ao próprio time, que fase do goleiro! E também porque qualquer goleirinho, seja quem for, que jogue contra o Corinthians fecha o gol, impressionante! Quanto a polêmica comemoração de Cristian, foi um desabafo, bem corinthiano, bem torcedor, punir o que e pra quê? Ele já até se desculpou, e disse que foi mesmo tudo isso.

Saldo positivo de ambos os clássicos: Não houve incidentes de maior proporção entre as torcidas...ao menos não foram difundidos. Torço pelo dia em que possamos ter duas torcidas sim, com apenas o futebol como disputa principal!

Saldo negativo: Além dos derrotados, a atuação da polícia militar no Pacaembu, que tentando coibir um tumulto na torcida do São Paulo misturou as bolas e o despreparo e agiu com força e quase chegou a vias de fato contra um repórter da rádio Eldorado, que apenas trabalhava no estádio e foi detido como um marginal. Abuso de poder, além de proibir o nobre colega de exercer seu trabalho e o direito de todos nós de receber informação! Absurdo!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O prazeroso ato de fazer xixi e a história do super-herói

Entrar em casa correndo para fazer xixi ou estar em algum lugar apertado e incomodado, sem saber como agir diante da vontade de urinar. O elevador demora horas, mesmo que você more no primeiro andar; a chave da porta não entra e não gira; você joga a bolsa e todas as coisas de sua mão sobre a mesa; há gente no caminho; e quanto mais perto se está do banheiro pior fica e aí você pensa "não vai dar tempo, não vai dar tempo...", já suando frio e desabotoando as calças. Ah! o alívio de fazer xixi, chega a ser algo prazeroso. Quem nunca passou por essa situação? É algo extremamente comum e corriqueiro a todos nós, mas talvez nem percebamos todas estas atitudes e o "grande final".

O caro leitor deve estar se perguntando porque de toda esta história do ato de fazer xixi, do aperto, do prazer. Explico! Muitas vezes nesta situação ficamos tensos, reclamamos do desespero gerado pelo momento, o xixi parece um grande trabalho. Desconsidere estes pensamentos e reflita comigo: você já pensou se não pudesse simplesmente urinar, se seu corpo não funcionasse bem e esse ato não lhe pertencesse? Difícil hem!? Comecei a pensar isso motivada pelos meus quase doze meses de trabalho no Hospital de Clínicas da Unicamp. Dentre muitas coisas, uma das mais comuns são pessoas com problemas renais. Salas de hemodiálise lotadas, fila de transplante por um rim cada vez maior, pessoas fazendo diálise, adultos, crianças, todos privados de simplesmente fazer xixi.

Quando comecei a pensar que reclamava de passar estes apertos, ou de ter que urinar praticamente em pé em bares e banheiros públicos, me senti uma pessoas mesquinha e pequena. Aquelas pessoas que não tem este privilégio passam, geralmente, três vezes por semana, quatro horas por dia, presas à uma máquina de hemodíálise, para que o sangue seja filtrado e a função dos riuns doentes seja feita. E não há feriado, final de semana, dia santo, a saúde não espera, é preciso ir ao hospital e passar pelo tratamento invariavelmente. Além disso, ainda esperam em uma longa fila por um rim que pode devolve-las o direito de ir ao banheiro urinar. Já pensou? Nem quero pensar. Uma simples infecção de urina já me fez dimensionar o que é não ter plena saúde para tal. Dores para conseguir expelir gotas que mais parecem areia com fogo, uma concentração imensa para encontrar no cérebro que área do seu corpo coordena esta função, não é possível simplesmente sentar e colocar para fora de uma vez todo o líquido acumulado em sua bexiga.

E em meio a todas estas pessoas via crinaças, de seis, sete, oito anos de idade presas às máquinas de hemodiálise, ou com sacos de diálise pendurados em seus leitos e ,pior, precisando de um transplante de rim. É cruel! Várias vezes chorei ao retornar da pediatria após ver cenas assim. Blasfemei comigo mesma e vi como o mundo é injusto e duro. Aqueles pequenos são anjos, todos inchados e precisando de tratamento. Desde então, acho lindo o fato de poder entrar em casa correndo, jogar tudo no chão entrar com as calças na mão, sentar e urinar. Rio, rio da saúde, rio de alívio, rio pelos simples e maravilhoso fato de fazer xixi.

*** Super-herói***

Acompanhei um pouco a história de um destes pequenos anjos. Meio sem querer fui sabendo, passo a passo, do tratamento da linda Júlia de 6 anos. Um dia fui à Enfermaria de Pediatria para cobrir umas entrega de televisores. As crianças pintavam no pátio com os voluntários e palhaços que as fazem companhia nas longas e duras tardes de hospital. Júlia veio correndo em minha direção com um desenho na mão, ela mesmo havia colorido a figura da princesa. "Tia, tia olha o que fiz!". Perguntei para a pedagoga qual era o problema da pequena, e ela me disse que Júlia estava esperando por um transplante de rim, assim como tantos outros que passavam por nós. E a menina não parava de correr, conversava com todos, comigo, com os amiguinhos, era iluminada, alegre e espontânea como a maioria das crianças. Fui embora dali com Júlia na cabeça.

Algumas semanas depois voltei à pediatria para cobrir a festa de Dia das Crianças. Não a vi por lá. Mais uma vez indaguei a pedagoga que, feliz, me contou que Júlia passava pela cirurgia de transplante naquele momento. Nada seria melhor presente para aquela criança naquele dia. Senti-me leve e feliz com a notícia, mais uma vez passei o dia a pensar positivo para a menina. Dali alguns dias estava eu novamente na ala das crinaças no hospital e uma menina vem correndo ao meu encontro. Não a reconheci de pronto, estava de máscara cirúrgica, aventalzinho branco, os longos cabelos que balançavam sempre estavam presos. Era Júlia! Não via seus lábios e seu sorriso habitual devido a máscara. Via seu sorriso através de seus olhos castanhos e grandes. Comecei a conversar com ela, um papo talvez surrel, mas que me fez guardar daquela menina uma imagem linda e forte.
- Oi Júlia tudo bem?
- Tudo...
- E essa máscara aí hem?! Não sabia que você era como um super-herói. Eles que usam máscaras não é?
- Não eu não sou, tenho que usar a máscara para não ficar doente.
- Júlia eu já vi você aqui outras vezes, sei que está melhor agora...prometo guardar segredo sobre você ser como um super-herói tá?!
Ela apenas concordou com a cabeça, sorriu de satisfação com os olhos e saiu correndo. Uma verdadeira heroína. Só faltou sua capa tremular com o vento.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Clássico é clássico...

As semi-finais do Campeonato Paulista estão definidas: Palmeiras X Santos e São Paulo X Corinthians. Deu, enfim, o previsível, os grandes decidirão o Paulistão. Dois clássicos nas semi, e mais o clássico da final. É difícil opinar sobre os confrontos, pois como dizia o grande Vicente Matheus, "Clássico é clássico, e vice e versa". Mas arrisco um pitaco: a grande final será Palmeiras X Corinthians, o mais tradicional dos clássicos paulistas.


Alguns dirão que o Corinthians não está empolgando muito, o São Paulo vem mais bem organizado como time, mas estou com o felling de que o Timão virá comendo a grama nestes dois jogos. Acho que o Fenômeno também fará a diferença, serão os jogos do craque, os demais corinthianos vão na raça e na vontade de reverter a vantagem dos empates que é do São Paulo. Aliás, acho que este fator favorece ao Corinthians. Se a vantagem fosse do time de Parque São Jorge, o grupo entraria folgado em campo, já começando pelo esquema tático de Mano Menezes, que certamente seria mais retrancado a espera de contra-ataques. Vai ser um jogão!

Já na outra partida o Palmeiras vem com todo o favoritismo além da vantagem do regulamento por ser o primeiro na classificação. O Palestra é mesmo melhor time, mais bem armado por Luxemburgo e ainda com a vantagem de que, contra o Santos, o garoto Keirrison não perdoa. Será que esta sina se repete? É esperar pra saber. Ao meu ver, o Santos chegou às semi-finais mais por incompetência dos adversários do que por méritos próprios. Pode até dar trabalho ao Palmeiras, mas não leva.

A verdade é que serão dos grandes e bons jogos, que espero, sejam decididos apenas em campo, pelos atletas, sem arbitragens etc etc.

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Por falar em clássicos, arbitragens e fatores extra-campo, o fato de as semi serem dois grandes jogos entre os quatros principais rivais paulistas me preocupa. Fatalmente veremos cenas de violência, confusão, tumulto nos estádios e fora deles. Aí virão os demagogos, mais uma vez, sugerir idéias mil como credenciamento de torcedores, redução de torcida adversária ou até mesmo a extinção dela, mudanças e mais mudanças que no fim das contas não mudarão nem ajudarão em nada. E se eu não sou credenciada e quero ir a um jogo de futebol, como será feito? Tirar uma das torcidas, de qualquer que seja o jogo, estraga com a graça do futebol, e o direito de simplesmente ir ao campo assitir seu time de coração.

Como já é de costume neste país, as medidas nunca previnem ou resolvem o probema, aliás mal remediam os problemas. Achar que medidas como as citadas afastarão, acabarão ou mesmo irão amenizar a violência no futebol é uma grande hipocrisia. Tudo isso é uma grande hipocrisia...Será mesmo que os gestores de futebol deste país não percebem que o que gera violência é todo um contexto social no qual estão inseridos os trocedores, é chegar ao estádio e ter que pagar R$ 100 no ingresso, enfrentar fila e comprar ingresso da mão de cambistas (como isso não é fiscalizado?), ser recebido e tratado pior que animais por policiais despreparados e ainda ser confinados em espaços que não cabem metade das pessoas ali colocadas; sem contar que o torcedor acaba sendo moeda de troca entre dirigentes, cartolas de clubes e federações. Eles se desentendem, e a briga sobra para o torcedor que paga caro no pouco ingresso disponibilizado, ou não foi o que aconteceu no último São Paulo X Corinthians? Cartolagem pura, azar do torcedor. Infelizmente não será nestes clássicos que as coisas serão resolvidas, haja vista os horários marcados para os jogos de Palmeiras X Santos. Ambos no sábado, às 18:10, ou seja sem transmissão de TV aberta. O trocedor tem que ter o canal pago ou ir ao estádio ver seu time, enfrentando todo este tumulto de um clássico... Difícil.

E ainda acreditam que a Copa no Brasil será um sucesso e mudará as coisas, se mal conseguem organizar um campeonato estadual... hipocrisia, novamente!

sábado, 4 de abril de 2009

Boleiros


Ontem assisti pela enésima vez o filme "Boleiros: Era uma vez o futebol". O filme dirigido por Ugo Giorgetti é de 1998, e é disparado, um dos meus preferidos, por tratar de algo que tanto amo, o futebol. O enredo é simples, mas a quem é apaixonado pelo tema central é encantador.

Basicamente a história se passa em uma mesa de um bar, todo decorado com fotos antigas de futebol, e entre goles de cerveja, ex-jogadores e ex-juízes relembram boas histórias de uma época aúrea do esporte no Brasil. Os "causos" contados pelos personagens são de cunho fictício, mas são genuínos ao futebol brasileiro. São história moldadas pelo romantismo do esporte de uma época em que as camisas, como diz um dos personagens, tinham apenas as cores do clube e não cores de patrocínios e da grana, eram apenas as cores da garra e do amor ao manto vestido pelos atletas.

Assim como os que estão em cena, o espectador, se o tema lhe for apaixonante como a mim, chora e ri ao longo da película com as histórias de Virgílio Pênalti, do Pai Vavá, imprensa esportiva, ex-jogadores... Ah são coisas e emoções que apenas o futebol pode proporcionar. Sempre gostei de ouvir histórias de boleiros, e assim como o filme, posso ouví-las quantas vezes forem necessárias, sem me cansar, apenas me emocionar. Sinto saudades de uma época que não vivi, de times que não vi jogar, da época de ouro do futebol nacional em que todo e qualquer jogo era show, em que o futebol do interior era "rico" e disputava grandes jogos entre si e com os grandes times, em que craques de fato existiam e jogavam. Os personagens trazem em si a mesma nostalgia que sinto quando vejo e ouço "causos" e jogos como os descritos, assim como os repórteres mostrados no filme também me envolvo com a cobertura esportiva e gosto de relembrar grandes momentos do esporte.

Boleiros retrada exatamente tudo isso, a nostalgia, o futebol arte, o futebol mandinga, o futebol puro em sua essência. Os personagens discutem vez ou outra o que se tornou o futebol no país atualmente, e o final e o presente de cada um é exatamente melâncólico como o da maioria dos craques do passado. O filme tem sua segunda versão, "Boleiros 2: vencedores e vencidos", mas não é tão bom quanto o primeiro. Mas entendo e admiro a persepção do diretor. O segundo filme mostra exatamente o que é o futebol atualmente: dinheiro, empresários, craques criados pela mídia e pela grana, sem amor a camisa. Assiti ao dois apenas uma vez, assistiria novamente, mas não com o mesmo deleite com que assisto ao primeiro cada vez que reapresentado na TV Cultura, ou em dvd na minha casa quando tenho vontade. Os casos relatados ali estão na mídia diariamente, é com que trabalhamos nós jornalistas. E mesmo assim, ainda o veria, como vejo o futebol, como algo apaixonante, capaz de despertar emoções das mais diversas a quem gosta e trabalha com isso, mesmo que sinta que aos poucos perdemos um pouco da essência deste grande esporte.
Foto: Divulgação

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Pitacos futebolísticos

Às portas das semi-finais do Paulistão, cá estou eu para fazer uma das coisas que mais gosto: comentar futebol!

Não é surpresa para ninguém que os grandes tenham se garantido para as etapas finais do Campeonato...embora o Santos ainda não esteja garantido, Portuguesa e Santo André ainda brigam pela quarta vaga, o mais provável mesmo é que os maiores times do Estado estejam no G4. A Lusinha parecia ter reagido de um começo ruim de campeonato, e vinha embalada rumo a vaga. Mas, tem coisas de Portuguesa que serão eternamente de Portuguesa. Tudo bem que o confronto direto de ontem com o Peixe foi na Vila Belmiro, um empate seria bom resultado para a Lusa, mas sinceramente já esperava pelo tropeço do time do Canindé em alguma de suas partidas restantes e mais uma vez ficaria no sonho o Paulistão...Falta uma rodada, é preciso esperar.

Quanto ao Santos achei que na montanha russa que o time vinha no campeonato, não conseguiria a classificação. Muita euforia sobre o Peixe, por conta do garoto Neymar. Confesso que vi poucos jogos com o menino em campo para opinar, mas calma lá, todo garoto que desponta do Santos, aos 17 anos, todos já acham que é o novo Pelé? Pra mim, além de qualquer talento pessol do atleta, trabalho forte de empresário. A mídia toda, a torcida, todos já o tem como novo ídolo da Vila, grande craque, propostas do exterior. É preciso calma. Vi alguns de seus jogos, ele é mesmo habilidoso, tem boa movimentação, mas jogar bem contra Oestes e Noroestes, não faz de ninguém grande craque. No clássico contra o Corinthians, por exemplo, em que o compararam com Ronaldo Fenômeno, colocaram um duelo pessoal entre ambos, o garoto sentiu o peso da responsabilidade e pouco fez, apenas perdeu uma boa chance de gol. Acho que é preciso esperar antes de rotulá-lo como novo "cracasso" da Vila, principalmente a imprensa.

O Palmeiras talvez tenha sido o time mais constante ao longo da primeira fase. Embora sempre bem esquematizado por Luxemburgo, também não é lá um timasso... o pricipal atacante da equipe, Keirrison, é bom jogador, bom atacante, sempre bem colocado e mesmo quando joga mal costuma aparecer em boas oportunidades. Mas também tem deixado a desejar. Nos clássicos não tem nem seu nome narrado, e nos principais jogos do Verdão na libertadores também sumiu. Sinceramente, ainda não entendi o que acontece com K9, e vez enquando penso que jogar contra Mogis e Ituanos seja seu máximo.

O São Paulo engrenou faz pouco, mas mais uma vez já começam a pipocar comentários de que o time do Morumbi é um time de chegada, que os erros de início são compensados com acertos na reta final, Muricy volta aos microfones, as piadinhas e o Tricolor o grande favorito ao título. Será???

O Corinthians entrou como favorito, marketing e holofotes para o Fenômeno. Não a toa! Ele pode estar com uns quilos a mais, fora de forma, mas talento nunca se perde! Ele sabe o que faz ali e tem resolvido para o apático time do Corinthians! O maestro douglas parece que só sabia tocar a banda na série B. Até agora, nada de grandes apresentações, tampouco passes e armções do meio alvinegro, que anda meio capenga e desorganizado. Aliás, o time anda sem padrão, Mano Menezes não se entende: vai da retranca ao ofensivo com improvisos desnecessários. Tá difícil entender o Timão, que mesmo assim chega invicto à última rodada da primeira fase do Paulistão.

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Comecei com Paulistão, mas vou terminar com Seleção. Esta Seleção apática e cheio de "não me toques". Ninguém pode ser criticado pelo ridículo empate com o Equador. Desculpas das mais variadas, e ninguém admitiu erros, todos doídos com críticas da imprensa e da opinião popular... E depois dos 3 contra o Peru em casa, todos falam com a boca cheia do que significa jogar na Seleça, do bom jogo, como se não fosse mais que obrigação ganhar estes três pontos em casa. A verdade é que não há como ficar fora da Copa, os times Sul-americanos se esforçam pela ruindade, mas a quem empolga torcer para este time cheio de estrelas e máscaras? Eu, pra dizer a verdade, torço contra, estes aí não representam meu país!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O curioso convite à reflexão

Há umas duas semanas fui ao cinema, assistir ao filme "O curioso caso de Benjamin Button". Motivada não só pelo elenco, que conta com Brad Pitt, e pelos prêmios ganhos pelo filme, o enredo e as indicações de outras pessoas também me fizeram assistir a película.

O filme, a quem o assiste desprovido de compromisso, como um simples passa tempo é apenas um caso curioso, de um menino que nasce velho, com características de um idoso, porém, conforme vai ganhando idade, ele vai rejuvenescendo. É, a primeira vista, e dito assim, uma história maluca, e como o título diz, curiosa. Mas há muito por trás deste personagem, de sua vida, desta intrigante história. Há mensagens de vida, reflexões acerca da existência humana, de valores.

Logo de cara o personagem principal é abandonado pelo pai por ser esquisito e feio... encontra uma mulher de bom coração que o adota, sem se importar com sua aparência e doenças precocemente senis apresentadas pelo bebê. Há aí a rejeição e preconceito, contra a aceitação do ser como ele é. Bejamim cresce em uma casa de repouso para idosos, da qual a mãe adotiva é uma espécie de coordenadora. O "menino"era como todos os demais moradores fisicamente, catarata, artroses, dificuldades de locomoção, mas sua mente reagia em muitos momentos como de uma criança que, pela idade, ele o era. Encarava com naturalidade a velhice, a morte, a vida sem agitos e rotineira imposta aos idosos. Respeito aos mais velhos, aos que tinham uma longa história de vida.

A parte mais marcante de filme é quando Benjamim decide sair de casa, em torno dos vinte e poucos anos de idade. Vai trabalhar como marinheiro, conhecer o mundo. Quando retorna a casa, entende a síntese da vida, de como mudamos conforme amadurecemos, não fisicamente, mas mental, intelectual e psicológicamente. Ele diz que o que muda somos nós e não as coisas... e tampouco as pessoas que permanecem no mesmo lugar, no mesmo mundo, na mesma vida.

O enredo segue, com o envelhecimento e o rejuvenecimento de Benjamim acontecendo ao mesmo tempo. Benjamim é o que todos um dia já pensamos ser, hoje com a cabeça de amanhã. Mas isso é impossível. O amadurecimento vem com as frustrações, com os tropeços, com a vivência. O corpo precisa andar em parceria com a cabeça... impossível, como bem mostrou o personagem em questão, termos a cabeça de uma pessoa de 50 anos, com o corpo de 20. É como se nosso próprio organismo tivesse instintos diferentes e condizentes com a idade, ele tem a disposição que precisa ter conforme nossa cabeça.

Ah! as mudanças... ver quem ficou para trás, quem não saiu de sua raiz, quem permaneceu ali, apenas a espera de nosso breve retorno. Elas podem não mudar, o lugar e a rotina também não, mas para quem vai e depois volta, a mudança interna é imensa e intensa. Uma vez arrancadas as raízes elas não fincam mais naquele mesmo chão. Voltar à casa e ao seio em que nasceu despois que se foi não é mais a mesma coisa... é como se você fosse hóspede numa casa que um dia foi sua, os assuntos, seus pensamentos, suas necessidades, seus hábitos, sua rotina, não são mais os mesmos daquelas pessoas que ali ficaram.

A morte é o final da vida, e em geral é um final guardado para os idosos e triste para quem fica. Por mais que saibamos que esse é nosso fim, é difícil encarar com naturalidade que as pessoas se vão para nunca mais, e pior, que jovens morram, este não é o natural. Benjamim morre um lindo bebê, mas idoso... A vida sabe o que é certo e correto a ela. Se fossemos maduros quando crianças, não teríamos a inocência que faz delas tão simples e felizes por serem simplesmente crianças, sem preocupações maiores. Se fossemos maduros quando jovens, não erraríamos tanto, não aproveitaríamos tanto, não seríamos tão felizes simplesmente por ter a vitalidade da juventude, por nos divertirmos com tudo e com pouco, por curtir a vida como ela se oferece para nós. Se fossemos inocentes e imaturos quando adultos não sobreviveríamos ao mundo selvagem e cruel que o próprio ser humano monta. O caso de Benjamim é mais que curioso, é reflexivo, e nos faz pensar simplismente no que é a vida.