sexta-feira, 27 de março de 2009

Jornalismo esportivo sim!

O amor ao futebol contribuiu, e muito, para a escolha da minha profissão. Sempre gostei do noticiário esportivo, de ouvir a narração do jogo no radinho que mal pegava na AM. Meu foco ao longo do curso de jornalismo foi trabalhar com jornalismo esportivo, preferencialmente o futebol. Quando possível, em trabalhos acadêmicos, escolhia a área para escrever, a pauta era futebolística.

Na hora do TCC, óbvio, escolheria trabalhar com futebol e, como ainda posso ser até certo ponto parcial, o Corinthians também deveria ser, obrigatoriamente personagem. Pensar em um bom foco foi difícil. Futebol é algo amplo, Corinthians também, embora haja muito a ser dito, a escolha não é fácil. Depois de muito pensar, de opções descartadas por falta de dados, informações, tive uma idéia. Estava jantando em casa e assistindo ao jornal. De repente uma matéria sobre Pacaembu. Nada de muito relevante, mas imediatamente pensei: “É um grande tema!”.


Pesquisei sobre o estádio, não havia nada de publicado sobre ele, nenhum material teórico e escrito “oficialmente”. Algo apenas sobre o Municipal seria fantástico, porém muito amplo para alguns meses de produção. Eu também queria falar de Corinthians, minha paixão. O foco estava definido, Pacaembu, casa do Corinthians. Fiquei na dúvida acerca do tema, recorri então ao professor de jornalismo literário, na verdade um papa na disciplina, Celso Falaschi. Encontrei nele o incentivo que precisava. Com o mesmo brilho nos olhos que eu trazia, ele me incentivou a tocar a proposta, ajudou a definir alguns caminhos a percorrer, quem deveria entrevistar. Senti um alívio e uma felicidade imensos. O tema escolhido para meu TCC estava definido, era de meu gosto, maravilhoso para mim. Celso seria meu orientador, infelizmente, não foi. Saiu da faculdade, chorei com a notícia, mas seguiria com empenho no meu propósito, sem nunca me esquecer daquela figura que sorriu com satisfação quando definimos do que se trataria o livro reportagem. Só do incentivo inicial, sua participação foi fundamental.

Quando enfim comecei a produzir o livro as sensações e emoções vividas foram incríveis. Desde chegar aos bastidores do Pacaembu, desconhecidos e lindos, a passagem pelo Parque São Jorge, o templo corintiano, até os personagens apaixonantes, indispensáveis para o livro. Dentre tantos dias e momentos especiais, um foi incrível... dia de jogo do Timão no Municipal e lá estava eu, em meio à imprensa. O que eu sempre quis fazer na vida. É isso que eu quero, reafirmei comigo mesma. O falatório na sala de imprensa, a amizade entre os profissionais, o trabalho de campo e de bastidores, tudo fantástico à quase foca, deslumbrada em meio aos já repórteres. Aquele dia foi uma reafirmação da profissão que há um tempo escolhi para vida toda, e da vontade cada vez mais ansiosa para, enfim, trabalhar com futebol. “Se Ganha pouco”, “você é mulher”, “não é ambiente para você”, “é preciso isenção total...” estas são apenas algumas das coisas que já ouvi pelos que não vêem com bons olhos este meu sonho. Pouco me importa, sei de tudo isso e pretendo trabalhar da melhor maneira possível com as adversidades.

Sem paixão é impossível trabalhar com jornalismo, especialmente o esportivo. Um de meus argumentos preferidos li no livro “Jornalismo Esportivo”, de Paulo Vinicius Coelho. Todos que trabalham com isso foram meninos, no meu caso menina, que colecionava pastas e álbuns do clube de coração, que aos 12 anos guardava com afinco jornais e pôsteres do campeonato ganho. Fazia exatamente isso, e guardo até hoje, com muito carinho minhas pastas, recortes e afins. Quanto a imparcialidade e objetividade tão exigidas no jornalismo vemos, desde o primeiro dia de faculdade que elas são verdadeiros mitos. Cada repórter traz consigo seus princípios éticos e morais e eles são suficientes para que ambas se tornem inviáveis. Amo sim o Corinthians, amo o futebol. Amo a profissão que escolhi. Saberei trabalhar com eles com paixão e profissionalismo. No jornalismo, um exige o outro, invariavelmente.

01/11/2008

Eis mais um texto da época de produção do tcc...

7 comentários:

  1. Ainda estou lendo o livro e gostando muuuito do que as páginas me trazem! E você tem a paixão necessária para esta carreira, Gláucia, acredite!
    Só uma ressalva que faço, partimos de um ponto, de um pressuposto, por isso o dilema da imparcialidade, que não pode ser confundida com tendencionismo...agora a objetividade tem de ser uma realidade, inclusive, como exigência normativa!
    Beijos

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  2. Eu também sempre amei o rádio, am principalmente.
    Hoje realizo meu sonho, estou no rádio.

    E em cada jogo que eu trabalho, faço dele minha vida, tento deixar o ouvinte feliz e que seja um jogo marcante para ele e para mim.

    bjs menina

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  3. Eu sou seu fã!!!!
    Mesmo degustando bastidores e amostras do seu trabalho, tenho certeza de que seu livro é excepcional, pois foi feito com amor e paixão!
    Bjs alvinegros

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  4. Hj, eu acordei com meu despertador no celular que ainda não sei mexer e por isso tava despertando. Aí que eu apertei umas coisas lá sem saber...e me começa a tocar "GA-VI-ÕES Ohhhhhhhhhhhhhôooooooooo OooooÔOOOoooo"....MEREÇO!
    :)
    mas ainda vou conseguir colocar no seu toque Creide!

    beijos praticamente alvinegros!
    aauhauhauhauha

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  5. olá Adorei seu blog,estou no 1 ano de jornalismo e quero seguir nessa área tbm, quando possivel em meus trabalhos, coloco o futebol no meio, gostaria se possivel que vc me add no msn para que possamos trocar idéias, e vc pode me dar umas dicas, meu msn é avo_Felipe@hotmail.com

    beijos

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  6. Gláucia, tu não tem noção do quanto me ajudou com esse post, que confesso ter achado por acaso, pesquisando pela internet. Eu também sou apaixonado por futebol, pesquisador há 10 anos e agora, ao final de minha faculdade de Jornalismo, tenho o tema pronto. Será sobre o jornalismo esportivo, mais especificamente o "futebol alternativo", aquele que não tem espaço na grande mídia. Mas o que fazer com esse tema? Pensei no modelo para um programa de tv, ou algo do tipo, mas murchei quando um professor me disse que na apresentação da monografia teria de fazer os demonstrativos do programa. De repente, vejo aqui sua idéia se tornando realidade numa livro-reportagem. Sensacional! Pensei hoje: "meu projeto TCC vai enfim sair e vou partir pra livro-reportagem!!!". Muito, mas muito obrigado mesmo!

    Rafael Mendonza

    rafa_aapp4@hotmail.com

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