sábado, 28 de março de 2009

Asas da liberdade

Liberdade. Esta sempre foi uma palavra, atitude e um estado de espírito muito importante para mim, é algo que almejo sempre. Acredito que ela é não só direito de cada um, mas deveria ser um dever exercê-la!

Sim, mas a liberdade sadia, não a quebra de regras sociais, ou o desrespeito aos demais, isso não! Sem ambos é impossível viver, e a liberdade deixa de ser o que é, passa a ser baderna. Mas digo da liberdade nata e própria ao ser humano, o livre arbítrio, que faz de nós seres especiais, que além de agirem com instinto agem por afinidade, gostos, costumes, vontades das mais diversas.

E nem é preciso recorrer ao dicionário para entender o que digo...liberdade é compreensível a qualquer pessoa. O simples ato de escolher fazer isso ao invés daquilo, vir aqui e não ir ali, sim ou não, gosto ou não gosto, quero ou não quero, optar, opções e mais opções, as múltiplas opções e oportunidades que a vida lhe oferece em relação a tudo, e você poder escolher o que mais lhe agrada e apetece. Isso é ser livre. Para a imprensa a liberdade é mais do que necessária para o exercício de suas atividades. Liberdade de expressão, de escrita, jornalismo livre!

Digo isso tudo porque a ausência de liberdade, de poder usar meu livre arbítrio me sufoca. Deixar de fazer coisas que me alegram, coisas que amo, em detrimento de gostos e imposições alheias me faz morrer um pouco por dentro, fere minha essência, minha existência, exige que eu não seja eu mesma e isso me mata! Em um momento assim, tomada pela fúria de se ver presa pude compreender e refletir sobre algo que talvez nunca tenha pensado, ao menos de modo tão profundo: a cadeia. Prender um ser humano por ter desrespeitado a lei, as normas, é muito mais que tirá-lo do convívio social em busca de reeducação. Simplesmente tira-se do preso o que toda pessoa tem de mais rico em sua vida, o que revolta não ter, sua liberdade. Você não poder fazer o que quer a hora que quer, estar preso sem acesso à vida é humilhante... sem poder escolher e agir conforme somos perdemos a essência, deixamos de ser pessoas para sermos simples animais enjaulados.

Tirar a liberdade de alguém é como tirar as asas de um pássaro. Sem as asas o bichinho não voa atrás de comida, de abrigo, do seu bando, de ambientes propícios à sobrevivência, ele morre sem o essencial de sua vida. Ao mesmo tempo que sabemos o que é liberdade, me senti perdida para defini-la... é algo tão simples e tão complexo. Cecília Meireles tentou explicá-la, e não poderia ter encontrado forma melhor do que esta que segue, e que sempre me vem a cabeça quando me faltam as asas que tanto prezo ter:
"...Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda..."
(Romanceiro da Inconfidência)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Jornalismo esportivo sim!

O amor ao futebol contribuiu, e muito, para a escolha da minha profissão. Sempre gostei do noticiário esportivo, de ouvir a narração do jogo no radinho que mal pegava na AM. Meu foco ao longo do curso de jornalismo foi trabalhar com jornalismo esportivo, preferencialmente o futebol. Quando possível, em trabalhos acadêmicos, escolhia a área para escrever, a pauta era futebolística.

Na hora do TCC, óbvio, escolheria trabalhar com futebol e, como ainda posso ser até certo ponto parcial, o Corinthians também deveria ser, obrigatoriamente personagem. Pensar em um bom foco foi difícil. Futebol é algo amplo, Corinthians também, embora haja muito a ser dito, a escolha não é fácil. Depois de muito pensar, de opções descartadas por falta de dados, informações, tive uma idéia. Estava jantando em casa e assistindo ao jornal. De repente uma matéria sobre Pacaembu. Nada de muito relevante, mas imediatamente pensei: “É um grande tema!”.


Pesquisei sobre o estádio, não havia nada de publicado sobre ele, nenhum material teórico e escrito “oficialmente”. Algo apenas sobre o Municipal seria fantástico, porém muito amplo para alguns meses de produção. Eu também queria falar de Corinthians, minha paixão. O foco estava definido, Pacaembu, casa do Corinthians. Fiquei na dúvida acerca do tema, recorri então ao professor de jornalismo literário, na verdade um papa na disciplina, Celso Falaschi. Encontrei nele o incentivo que precisava. Com o mesmo brilho nos olhos que eu trazia, ele me incentivou a tocar a proposta, ajudou a definir alguns caminhos a percorrer, quem deveria entrevistar. Senti um alívio e uma felicidade imensos. O tema escolhido para meu TCC estava definido, era de meu gosto, maravilhoso para mim. Celso seria meu orientador, infelizmente, não foi. Saiu da faculdade, chorei com a notícia, mas seguiria com empenho no meu propósito, sem nunca me esquecer daquela figura que sorriu com satisfação quando definimos do que se trataria o livro reportagem. Só do incentivo inicial, sua participação foi fundamental.

Quando enfim comecei a produzir o livro as sensações e emoções vividas foram incríveis. Desde chegar aos bastidores do Pacaembu, desconhecidos e lindos, a passagem pelo Parque São Jorge, o templo corintiano, até os personagens apaixonantes, indispensáveis para o livro. Dentre tantos dias e momentos especiais, um foi incrível... dia de jogo do Timão no Municipal e lá estava eu, em meio à imprensa. O que eu sempre quis fazer na vida. É isso que eu quero, reafirmei comigo mesma. O falatório na sala de imprensa, a amizade entre os profissionais, o trabalho de campo e de bastidores, tudo fantástico à quase foca, deslumbrada em meio aos já repórteres. Aquele dia foi uma reafirmação da profissão que há um tempo escolhi para vida toda, e da vontade cada vez mais ansiosa para, enfim, trabalhar com futebol. “Se Ganha pouco”, “você é mulher”, “não é ambiente para você”, “é preciso isenção total...” estas são apenas algumas das coisas que já ouvi pelos que não vêem com bons olhos este meu sonho. Pouco me importa, sei de tudo isso e pretendo trabalhar da melhor maneira possível com as adversidades.

Sem paixão é impossível trabalhar com jornalismo, especialmente o esportivo. Um de meus argumentos preferidos li no livro “Jornalismo Esportivo”, de Paulo Vinicius Coelho. Todos que trabalham com isso foram meninos, no meu caso menina, que colecionava pastas e álbuns do clube de coração, que aos 12 anos guardava com afinco jornais e pôsteres do campeonato ganho. Fazia exatamente isso, e guardo até hoje, com muito carinho minhas pastas, recortes e afins. Quanto a imparcialidade e objetividade tão exigidas no jornalismo vemos, desde o primeiro dia de faculdade que elas são verdadeiros mitos. Cada repórter traz consigo seus princípios éticos e morais e eles são suficientes para que ambas se tornem inviáveis. Amo sim o Corinthians, amo o futebol. Amo a profissão que escolhi. Saberei trabalhar com eles com paixão e profissionalismo. No jornalismo, um exige o outro, invariavelmente.

01/11/2008

Eis mais um texto da época de produção do tcc...

quinta-feira, 26 de março de 2009

No salão de beleza...

Toda mulher sabe como é bom ir ao salão de beleza, gastar reais e mais reais com unha, depilação, cabelo, etc etc etc. É a vaidade feminina bem cuidada, é uma das belezas, um dos prazeres de ser mulher. Naqueles dias em que sua auto-estima não está bem, sua energia está nos pés, ir ao salão e cuidar de si mesma é um bom remédio. Sair com mãos e pés pintados, cabelos arrumados, a mulher se sente uma diva!

O salão é um local predominantemente frequentado por mulheres. E por ser um local onde o clima é de descontração os papos não são dos mais interessantes, ou complexos. As revistas de fofocas e novelas pautam a conversa do dia e da semana. Mulheres discutindo relacionamentos de famosos, defendendo participantes do BBB, chega a ser enfadonho! As opiniões são defendidas com unhas e dentes, tudo sobre nada, absolutamente nada!

Eu sento lá, relaxo e apenas ouço, rio e concordo com um sorriso nos lábios...mas no fundo fico pensando "o que isso me interessa? O que tenho a ver com a vida dessa ou daquela atriz, com quem ela sai ou deixou de sair?". E a coisa é séria. Dia desses estava lá, e uma figura chegou para fazer a unha. Eu com mãos e pés esticados, quase dormindo, quando a moça em questão grita, indignada: "Gente essa mulher já está com outro, e o rapaz é muito mais novo que ela, que absurdo!" Todas as demais olharam, perplexas com o berro e a atitude da mocinha.

No mesmo dia o cabeleireiro vira, indignado para mim, com uma revista na mão e me diz: "Fiquei bege de ver como esta mulher tá velha e feia...como o marido dela ainda não separou?"

Absurdo digo meu minha amiga, bege fico eu meu amigo! Pra que isso, me questionei, será que eles não teriam conseguido vivido até o presente momento sem aquelas informações? Tenha dó.

Tudo bem, sei que eu não me interesso em fofocas e novelas, prefiro discutir o bom e velho futebol, mas acho que o pessoal passa dos limites. Tá, também concordo que esse é, inclusive, um grande filão da minha profissão, há muito produto "jornalistico" com estas bandeiras e são bem sucedidos. Mas ver e ouvir coisas como estas cansam, e as vezes estragam a graça do salão, mesmo porque, num tenho assunto e nem sei do que tão falando.

Em outra ocasião, começaram a falar do Ronaldo Fenômeno, ao meu lado. Ufa, poderia tranquilamente entrar no papo. Ilusão a minha, logo o assunto enveredou para a vida particular de mulheres, filhos, noitadas... acabou minha graça. Ilusão mesmo achar que ali, onde apenas mulheres falam como gralhas, e como é sabido poucas se interessam por futebol, a conversa pudesse seguir por esquemas táticos, corinthians, a rodada do final de semana.

No fim das contas o salão é um local no qual falo pouco, apenas observo e reflito muito sobre a sociedade, a mulher e tudo isso junto. A vaidade e a beleza de ser mulher se perde em meio a frivolidade dos comentários e assuntos vazios. Uma pena!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Enfim, foca! Jornalista formada

Nunca pensei que me sentiria tão feliz quanto naqueles dois dias. Nem em minhas mais positivas perspectivas me via tão feliz.

Lembro de quando cheguei em Campinas, quando ingressei na Pontifícia Católica para cursar jornalismo. Era ano de 2005, uma moça imatura, no auge de seus 19 anos iniciava a realização de um sonho, com medos, inseguranças, perdida pelas novidades que o mundo recém descoberto trazia...

Quatro anos passados e a menina já é uma mulher mais madura, agora com 23 anos, formada jornalista. (Talvez até mesmo este blog, recém-inaugurado, seja melhor escrito por esta Gláucia de agora) O sonho tornou-se realidade e estar naquele auditório, vestida de beca com um simbólico canudo de diploma na mão era a materialização de tudo isso! Passou-me um filme pela cabeça enquanto a cerimônia de colação de grau transcorria, ao longo daquelas duas horas, pessoas, acontecimentos, lágrimas, sorrisos, pautas, leads, matérias, fontes, entrevistas, acertos, erros, decepções, frustrações, conquistas, tudo, tudo vivido antes, durante e depois da faculdade passava pela minha cabeça, numa mistura de emoções e sensações.

Como assim já acabou? Como minha formatura é hoje e ainda me resta a sensação de que falta muito a aprender, a fazer, a viver... por isso a vida que segue. Ao final de tudo, me veio esta incrível sensação de vida que segue, que muda, assim como mudo eu, constantemente, ao meu ver para melhor, sempre. Ouvi dia desses, providencialmente a frase "as coisas e os lugares não mudam, somos nós que mudamos". Que bom! Concordo e observo que é exatamente isso!

Do choro de insegurança, o choro transformou-se em orgulho no último final de semana, durante os dois dias de formatura em que dancei até os pés abrirem feridas, em que tirei fotos até a pilha da máquina acabar, em que ri muito, ri até chorar e até minha barriga doer, bebi como não estou acostumada para brindar com todo mundo o sucesso de todos, chorei de emoção e de alegria, em ver o orgulho nos olhos de meus pais, de meus familiares, dos familiares de meus amigos e também nos nossos, de expectativa pelo futuro que sempre sonhei, que embora desconhecido, tem rumo e me alegra imaginá-lo.

Enfim, jornalista, enfim foca, enfim formada. Sucesso a todos nós nessa nova caminhada... espero que meus amigos tão importantes nesta fase mutante estejam sempre comigo, assim como seguirei com eles, ao menos em pensamentos positivos, torcida, companheira de profissão.

A inauguração

Depois de muito ensaiar, enrolar, adiar, eis aqui meu blog. Demorei em fazê-lo pois precisava de um nome... e muitos foram os nomes pensados, sugeridos, ponderados... o escolhido, pode não significar nada ao leitor, mas para mim, é mais do que um termo utilizado de forma irônica por esta que vos fala.

Falando com as paredes, digo quando falo algo que não ouvem e se concretiza posteriormente, ou quando simplesmente me sinto falando sozinha, ou seja, com as paredes; mas pode também ser interpretado como algo que se passa dentro de mim, dentro das paredes de meu pensamento, as coisas que observo e pondero, o que analiso criticamente enquanto jornalista e cidadã, as paredes ficam sendo, então, meu interior, o que há dentro de mim, as minhas mais íntimas ideias.

Eis, portanto, a liberdade de expressão, as livres ideias de quem escreve e de quem lê, o exercício livre da escrita e, porque não, do que amo fazer como ofício, do jornalismo, da opinião, da observação do mundo, do futebol que me é apaixonante, da vida que tanto gosto ver seguir.

Falando com as paredes e com que mais se propor a ouvir-me, bem vindos!