domingo, 20 de dezembro de 2009

Adeus ano bom, feliz ano novo!


Para o Falando com as paredes o ano chega ao fim hoje. Este é o último post de 2009, ano em que o blog surgiu... nossa parece que já falei tanto com as paredes, parece que estou com este espacinho tão meu a muito mais tempo. E que ano foi 2009! Minha vida foi uma metamorfose ambulante, literalmente. Foi nesta jornada que minha vida se tornou uma mala e eu me tornei uma pessoa nômade, totalmente. E, na verdade, eu gosto disso, dessa sensação de liberdade, de andar pelo mundo. Nestes doze meses morei em três cidades diferentes, conheci gente, cresci, trabalhei, viajei, aproveitei, chorei, sorri, vivi, intensamente vivi e tenho vivido. Acho que o ano que se acaba veio na onda de energia positiva de 2008, outro ano incrível. Estes dias, meses, foram tão intensos e positivamente loucos que valeram por muitos anos na minha vida. Ah, e o encerramento será em grande estilo, como jamais podia imaginar nos meus sonhos mais lindos: Paris dará as boas vindas a 2010 em minha vida.

E 2009 termina como uma deixa para mais conquistas para 2010. É uma coisa que sinto, uma incrível sensação de que a vida flui, de que vale a pena arriscar, tentar, voar como uma folha levada pelo vento conforme a vida te leva. Estou com essa sensação em mim, no meu coração, nas minhas atitudes, no meu modo de pensar e encarar as coisas... Faço tudo que está ao meu alcance para conseguir meus objetivos, mas também deixo a vida me levar. Isso é atitude de uma pessoa renovada, que cresceu e aprendeu com a vida, que aproveitou ao máximo os ensinamentos intensos dos últimos anos, é a pessoa que segue em constante mudança, para melhor. E tanta gente, tanta coisa, tantos fatos colaboraram e colaboram para isso... Só posso terminar esse incrível ano agradecendo a tudo que me aconteceu, a quem fez isso possível, a quem comigo sonha e acredita que possa realizar. Que 2010 tenha essa mesma luz e energia positiva de 2009, que São Jorge guerreiro continue me dando a força para seguir (e para o centenário do maior time do mundo ser incrível), Saravá, que reconheça tudo como aprendizado, oportunidade, como fatos da vida que fazem crescer, que os tombos me façam aprender e levantar ainda mais forte, enfim, que 2010 venha com a força e alegria de 2009, que seja ainda melhor... sim é possível, basta querer!

Deixo duas músicas que gosto muito. A de Zeca é bem este estilo de viver com gratidão ao que tenho e seguindo a vida conforme os caminhos que ela apresenta. Sem contar que é samba, a alegria de viver. A de Chico é meu estado de espírito, sem afobamento, nada é pra já, tudo acontece ao seu tempo... ah!, e foram anos para compreender e aceitar isso! Mas é verdade, acontece, na hora certa! Aproveitem, e feliz 2010!!! Esse ano promete!!!

http://www.youtube.com/watch?v=VFFMR9xQRrQ

http://www.youtube.com/watch?v=LOwQLarDhvI&NR=1


sábado, 19 de dezembro de 2009

O cara do ano!

O Barcelona fechou com chave de ouro o grande ano de 2009 para o clube. (de seis títulos disputados, a equipe catalã ganhou seis). Foi campeão do Mundial de Clubes da Fifa, vencendo o Estudiantes da Argentina por 2 x 1, na prorrogação, gol de Lionel Messi. O detalhe mais importante está aí. O título foi o título... Agora, Messi é craque, craque, craque. Já disse neste mesmo blog e repito. Segunda-feira, 21/12, a mesma Fifa anuncia o melhor jogador do mundo deste ano. O argentino concorre. E vai ganhar. Levou a bola de ouro e agora certamente também será o melhor do planeta. E se não for, esqueçam essa premiação, ela não é séria. Messi é o cara e o cara do ano!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O aniversário


Hoje completo mais um ano de vida. Vinte e quatro anos... velha? nova? uma criança ainda? Depende sempre do ponto de vista. Eu sempre acho que tudo é estado de espírito. O meu é jovem e pretendo mantê-lo sempre assim. Sonhador, livre, alegre. E quanto a idade os sinais do corpo, as responsabilidades agregadas, não nos deixam mentir. Mas os números são detalhes. Acho aniversário um dia especial. É preciso celebrar a vida, o seu dia, essa renovação da sua existência. E é bom também ouvir palavras de carinho de pessoas queridas que fazem parte do seu eu, é bom juntar amigos e comemorar.

Este ano estou longe de tudo e de todos, dos lugares que gosto, destas pessoas que amo e sempre contribuem com alguma coisa na minha existência, sem a turma que iria para o bar... mas o motivo é válido! Estou justamente correndo atrás da vida e dando asas a este meu espírito livre e jovem. Tudo é consequência, saudades, distâncias, abdicações, são parte do pacote de sensações e emoções. E mais engraçado é que não sinto que hoje é meu aniversário! No dia do seu aniversário você acorda sabendo e sentindo isso... Aquela sensação "dá licença que o dia hoje é meu!". Hoje está um dia comum... Inexplicável! Talvez o corpo sinta ainda as mudanças. Em 23 anos da minha vida passei aniversário pingando com o calor desértico-brasileiro. No 24 passo um frio desconhecido ateé então para mim. Talvez seja a falta de pessoas, de lugares, não sei, sinceramente não sei. Claro, me emociono com toda e qualquer manifestação de carinho dos amigos, mensagens, mas parece que nem é hoje. Mas tanto faz, deve ser até melhor assim, deve ser uma defesa emocional, quem sabe. Choro e guardo no meu coração tudo que me dizem e escrevem, obrigada a todos sempre. E não recuso o brinde pela data. Mais que pelo dia, pela vida.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O espelho da alma


Dizem que a solidão inspira poetas e escritores em geral. Deve ser pelo fato de a solidão levar à introspecção, um momento de total descoberta do que sou, de quem fui e do que quero ser. Sim, isso é algo em constante mudança em nós. Ou ao menos deveria ser... para mim, eu sou uma ebulição de sentimentos e sentidos o tempo todo. E nada como estar apenas consigo para tentar compreender melhor isso tudo, esse complexo emaranhado de coisas que juntas formam o "eu". Longe de ser Clarice Lispector, uma das maiores introspectas da alma , principalmente a feminina, reflito a existência, a minha e a de tantos e de tantas coisas.

Já se foram dois meses e meio longe de lugares, gente, hábitos, costumes, multidão. Ao contrário, estou eu flutuando no mundo com a sensação de não há ninguém em quem me escorar. Nunca liguei em passear e fazer atividades cotidianas sozinha. Mas havia sempre alguém conhecido por perto. Aqui não tenho escolha, sou eu e eu mesma. Não há a opção de ir sozinha ou convidar alguém para ir. Ou vou sozinha ou vou sozinha, sem escolha. Não acho ruim, é uma questão de habituar-se. Porém, confesso que em algumas horas sente-se saudades físicas das pessoas, dos lugares, das lembranças, dos momentos, dos cheiros, dos sabores... E o exercício de auto-conhecimento passa a ser diário.

E são estes momentos sozinhas que me fazem mergulhar de olhos fechados e peito aberto em mim mesma. Minhas ânsias, meus desejos, minhas fraquezas, minhas forças, meus medos, minha coragem, minhas alegrias, minhas tristezas, minhas conquistas, minhas frustrações, meus amores, meus horrores, meu amadurecimento, meu crescimento, a criança frágil que ainda mora em mim. E quando estou nesse processo meu sentimentalismo aflora. Ouço e degusto clássicos da música brasileira, Chico, Vinícius, Bethânia, Roberto Carlos, entre outros. Considero meu momento Chico Buarque (embora todos estes outros estejam na lista do som, Chico encabeça). É um exercício interessante e importante, como se olhasse um espelho, mas o espelho da alma. Choro, riso, vontades, saudades, ânsiedades, eis sua vida não materializada, mas sim sentimentalizada em si. Apenas sozinhos podemos fazer isso! E nada como passar horas, uns dias, momentos, sozinho ouvindo o que se tem a dizer pra si.

Não há conclusões, nem sim, nem não, nem certo, nem errado, há apenas o ser humano humano que cada um de fato é. Conosco não há máscaras, mentiras, segredos, não se pode omitir nada de si. Você encontra as coisas que mais ama, as pessoas que mais ama, do que mais sente falta de fazer, o lugar onde gosta de estar, as músicas que encantam, tudo que lhe é pertinente e, peça por peça, monta seu delicado quebra-cabeças. Mais interessante que ver a imagem formada, o que somos, é encontrar sempre algumas peças enraizadas, o que nunca deixaremos de ser.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Dezenove anos do primeiro brasileiro


Hoje faz 19 anos que o Corinthians conquistou seu primeiro título brasileiro. Era um time de raça, comandado pelo craque e eterno xodó Neto, tinha no gol o folclórico e também sempre ídolo Ronaldo, o inesquecível talismã Tupãzinho. Aquele time era bem Corinthians, era pura garra e além dos citados também contava com elenco recheado de lendas do Parque São Jorge. Melhor ainda, o primeiro título brasileiro conquistado com vitória sobre o rival São Paulo, nos dois jogos da decisão, ambos 1 a 0 pra o alvinegro.

Eu ainda no início dos 90 era pequenina, estava prestes a completar cinco anos dali dois dias, mas acreditem ou não, tenho lembranças e imagens claras em minha memória daquele título e daquele time. Talvez estes registros sejam os primórdios e o mais remoto reconhecimento do corinthianismo que tenho em mim. E lá se vão quase duas décadas... Grande lembrança, grande título!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Um belo dia de inverno


Faz três dias que não chove no Porto. Incrível! E como é lindo o dia de sol e céu aberto do inverno. Aquele azul claro com um sol brilhante, que por mais que se esforce para brilhar não esquenta. O vento frio é insuperável para o grande sol. Mesmo assim, é uma sensação indescritível. Outro dia acordei e vi pela janela a claridade, o azul... me deu saudade de acordar em um dia do verão brasileiro. Aquele dia em que você acorda simplesmente porque o corpo pede, como se quisesse aproveitar o fresco da manhã ensolarada e que logo ficará quente, insuportavelmente quente. Mas a sensação de acordar nestes dias é ótima. Pena que no frio que faz aqui, nem mesmo o céu limpo e lindo são suficientemente animadores para sair da cama. Do mesmo modo que o calor intenso cansa o corpo, o frio também o derruba. Mas estando na rua, a vontade é de andar e andar, mesmo que sem rumo, apenas para aproveitar o dia e suas paisagens.

Em três dias a temperatura caiu bruscamente. Tínhamos no sábado a máxima de 14 graus e hoje tivemos 8 graus. Repito, a máxima foi 8 graus. Imagine a mínima. Acordei, mesmo que tarde e saí por aí. Com o dia lindo de céu aberto, gaivotas a voar e gritar, mas frio, muito frio, vento gelado, gela a alma. Chego a conclusão de que conheci o frio depois de grande, agora, prestes a fazer 24 anos fui apresentada ao frio. O que sentia antes era apenas uma temperatura mais baixa, uma sensação térmica mais amena, mas não posso considerar frio, tampouco inverno. Mesmo depois de andar, subir e descer ladeiras, o corpo não esquenta por completo. A transpiração fica presa aos poros e à roupa em excesso, mãos, pés, nariz, tudo está gelado, vermelho. E mesmo assim, com todo esse desconforto é gostoso andar pelas ruas. É bom sentir o que é o frio, o cheiro da estação, observar como tudo se organiza e acontece e, principalmente, ver o que parece tão antagônico, frio e sol, convivendo de forma tão harmônica e bonita... há respeito nessa relação. O sol, gentilmente, permite que o frio e o vento aconteçam, permite o inverno apenas iluminando e tornando mais um dia da estação em um belo dia de inverno.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Maradona, la mano de dios



Estes dias assisti ao filme "Maradona, la mano de dios". Claro, só por se tratar de quem trata o filme já nos diz algo e já larga com expectativa e com o crivo de ser bom. E é. Retrata a vida deste craque do futebol, um craque que não tão cedo, ou talvez nunca será igualado. A vida de Maradona, em linhas gerais ou melhor dizer, pelo que sai na mídia, todo mundo conhece. Mas o filme nos revela bastidores importantes da vida deste personagem. Ele é um misto de genialidade e "porraloquice". Mas prefiro me ater ao gênio do futebol que Diego Maradona é. Ele nunca precisou da droga para jogar bola, o talento é natural, como bem retrata o menino Diego que já encantava desde muito cedo com seu futebol arte. A cocaína é um vício das horas vagas com o qual sempre lutou. O filme é emocionante, revela um personagem de fato desconhecido de todos, Maradona na sua intimidade, nas suas aflições e tristezas. Em diversos momentos chorei ao ver aquele monstro em campo derrotado pelo vício. E também sorri com o paralelismo entre Diego adulto e menino, às vezes confundem-se em atitudes e grandeza de espírito. (Aliás, aqui vale a nota de que o elenco é realmente muito bom, assim como a caracterização dos personagens. E a singeleza da atuação do garotinho que faz o jogador quando criança.)

Embora tenha sentido um pouco a falta de futebol, gostaria de ver e rever mais e mais lances do craque, o filme me pareceu um retrato muito fiel de Maradona, é tão autêntico quanto o próprio personagem. E isso é uma grande qualidade da produção da película, a percepção e a clareza como os fatos são tratados. De modo e em momento algum, pelo menos a mim, Maradona perde aquele encanto de ser o gênio do futebol, não deixa por este ou por aquele motivo de ser o ícone que é. No meio das emoções do filme me lembrei do nosso também genial Garrincha e pensei: "Porque estes deuses da bola têm vidas tão conturbadas, são tão "porra louca"?". E ainda a coincidência de ambos terem tido fortes mulheres ao seu lado, que sofrem por amor e pelo sofrimento destes indomáveis amados.

O filme relata a vida de Diego até 2004 e termina em uma bela homenagem e com uma dedicatória ao próprio. Ao final, o filme diz que Maradona não perdeu a vontade de lutar... Tampouco perdeu sua habitual forma polêmica de ser e de se expressar. Aos amantes do futebol e aos eternos admiradores desse gênio - desse que consegue de fato ser ídolo de uma nação, independente do time de coração de cada um, Maradona está acima de tudo - vale a pena ver o filme, conhecer e tentar entender melhor essa figura, emocionar-se ao ver a raça e amor ao esporte, ao país, rever lances e imagens que estão em nossa memória, vale simplesmente por falar do "D10s" Diego Maradona.

Um ano de "Pacaembu, casa do Corinthians" - deixando de ser foca...


Onze de dezembro é uma data marcante para mim. Hoje faz um ano que apresentei meu Trabalho de Conclusão de Curso na faculdade de jornalismo. Foi o dia em que me senti, de fato, jornalista. Claro, pois foi ali o ponto final de uma etapa e seguramente o início de outra. A palavra "aprovada" representou esse ponto nos quatro anos de graduação. Consequentemente, se aprovada, pude colar grau e fazer a festa, enfim, ali foi o "grand finale".

Estes dias e hoje, principalmente, tive lembranças das mais gostosas da produção do meu livro, (que é como um filho pra quem faz) "Pacaembu, casa do Corinthians". Ah, foi a coisa mais grandiosa e maravilhosa que já fiz. Efetivamente trabalhando na área em que quero e vou atuar profissionalmente, juntando todas as paixões possíveis, jornalismo, futebol, corinthians. Foi nesse meio, que durante cerca de seis meses eu estive, apaixonadamente louca para produzir um livro em tão pouco tempo. Foi aí também que conheci pessoas encantadoras, personagens inesquecíveis, histórias incríveis, fiz amigos que estão e sempre estarão em meu coração. Saudades de tudo e de todos estes... felizmente enumerá-los me custaria mais um texto, e ainda poderia eu cometer a injustiça de não elencar alguém. Enfim, grandes pessoas estas que sempre lembro com saudade e carinho. Escrevendo estas linhas tudo me volta a cabeça e principalmente dois momentos: a hora em que vi o livro pronto em casa, ao lado do meu irmão, companheiro em toda essa jornada... chorei muito e o abraçava de alegria e de lembrar tudo o que passei e o que passamos juntos; e o dia da apresentação para a banca e para pessoas tão queridas que foram assistir e a quem agradeci também aos pranto. Se o caro leitor me conhece bem, sabe que também estou aqui em lágrimas. Parabéns ao meu querido livro, que ainda pretendo publicar, certamente.

Depois de um ano ainda sinto algumas coisas que senti naquele momento. Saudades dos tempos de faculdade, das pessoas, dos momentos, da produção do livro, insegurança e ótimas perspectivas em relação à vida e à profissão, vontade imensa de voar e voar sempre mais alto. Ah a alma e o espírito livres de uma jovem jornalista que está deixando de ser foca, que completa um ano de formada... mas já? Essa pergunta também me fiz naquele dia e refaço hoje...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O jeans que "tá usando"


Comprar uma calça jeans é uma tarefa difícil! Você concorda, discorda, ou nunca sentiu essa dificuldade? Pois para mim tem sido, e não é de hoje. Jeans se tornou o básico do dia-a -dia da vida moderna, cotidiana. É peça certa para trabalhar, sair, fazer compras, acho que só para dormir que calças jeans não são usadas, do resto se adaptam bem a qualquer situação rotineira. E faz tempo que não encontro calças que sejam de meu gosto. Usava muito aquelas da levi's, mais tradicionais de cor bem escura. Adorava aquela peça de roupa, usava até o jeans quase preto ficar azul anil (um exagero!), as costuras começarem a puir, e daí tinha que me desfazer daquela roupa que já era como um pedaço de mim. Claro, tinha outras calças, de outras marcas e modelos, mas aquela era a querida.

Eis que, no final da vida útil de uma dessas minhas polivalentes calças, fui à loja comprar uma nova. Fui surpreendida com a notícia de que aquele modelo saiu de linha, não era mais fabricado. Um choque! Como não??? Elas vendiam tão bem, vestiam melhor ainda e o preço era acessível (importante detalhe). A moda, o mercado, sei lá o que... Minha preferência por estas calças se resume em uma palavra: tradicional. Um jeans escuro, corte reto que caia bem com salto, tênis, sandália, chinelo etc. A cor não destoava de nada, era perfeitamente usável com blusas coloridas, de frio ou de calor. Usava-se a peça para a aula, o trabalho, compras, jogo de futebol. Mas hoje em dia não tem sido fácil comprar um jeans.

Alguém consegue me explicar quem inventa, dita modas e tendências? Quem foi que disse que aquelas calças todas rasgadas, ou aquelas todas manchadas de branco, como se você tivesse trabalhado o dia todo na construção civil, são bonitas? Se as minhas calças não estivessem rasgando e desbotando por estarem velhas eu não compraria novas, certo? E as novas estão mais estragadas que as minhas que andam sozinhas de tão gastas! Agora a moda diz que é bonito aquela calça com as pernas justas, aquelas bem apertadas nas canelas, esquisitas. Se você tem a perna grossa fica deformada, se as coloca com um tênis, ou ma sandália plataforma parece que tem um trator nos pés... a única "vantagem"que assinalam é que para colocar com botas por cima da calça ficam muito melhor. Mas este argumento cai por terra, porque as calças comuns e retas também cabem na bota e ficam boas. Aí a vendedora diz : "tá usando assim!". Os outros, eu não gosto, mas não tenho mais escolha. Tenho que sair com uma calça toda rasgada, com tinta, remendos de festa junina e a barra me sufocando!?

Minha busca por uma calça que me caia com conforto é incansável. Ah, que fique claro que gosto de detalhes nas roupas sim, brilhos, strass, mas coisas que valorizem a peça e não depreciem. A batalha é antiga, ainda no Brasil procurava calças e não encontrei, pensei que na Europa encontraria. A inocência de esquecer que a moda é ditada daqui pra lá... a saga segue em outro país! Eu continuo com a minha velha mesmo, enquanto não encontro algo um pouco menos "tá usando!".

domingo, 6 de dezembro de 2009

Bola de ouro para Messi


O argentino Lionel Messi foi eleito o Bola de Ouro de 2009, premiação tradicional concedida pela revista francesa "France Football". Com merecimento o meia do Barcelona foi escolhido, o que também já era quase óbvio e certo, seria uma injustiça não lhe dar o prêmio pelo que vem jogando na equipe catalã. Grande craque, com habilidade e raça típica dos bons jogadores argentinos, Messi tem sido constante, tem feito boas partidas pelo Barça e foi um dos principais responsáveis pelo vitorioso ano de 2009 do clube (campeão da Copa do Rei, Campeonato Espanhol e Champions League 08/09), nada mais justo do que elege-lo o melhor do ano. E certamente será um dos grandes nomes da Copa. Ele merece, joga muito!

"Para voltar a crer" - por Luís Fernando Veríssimo

Assim como Veríssimo, neste belo texto publicado no jornal o Estado de S. Paulo do dia 3 de dezembro de 2009, também gostaria de ver nos jogos finais e decisivos do Campeonato Brasileiro o mínimo de dignidade de times que podem dar o título aos seus adversários. Leia-se Grêmio contra o Flamengo. Entendo a posição gremista de poder tirar a única esperança de título dos rivais Colorados, mas dar assim o jogo, entrar com reservas como anunciaram e depois recuaram, corpo mole, chega a ser anti-desportivo... Bom, Luís Fernando Veríssimo conseguiu com mais genialidade colocar este caso dentro de um contexto social, na tentativa de mexer com o brio dos rivais de seu time, o Internacional de Porto Alegre.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Brasil x Portugal


Cantei a bola ontem. Aí, na nota pé do texto do Ronaldo. Brasil e Portugal cairiam na mesma chave na Copa do Mundo de 2010. Estava com esse feeling, não sei qual a razão, mas já assisti ao sorteio sabendo!
Primeiro todo o ambiente de Copa do Mundo me emocionou! Sei lá, grandes seleções, a história e a magia que tudo isso envolve. E depois ri muito quando saiu da cumbuca o papel Portugal... Eu aqui, e logo de cara pego o confronto Brasil x Portugal. Costuma-se dizer que, com Portugal fora da Copa, todo português torce para o Brasil. Mas agora o que temos é o confronto entre os irmãos e eu no meio. Esperava mais pra frente, mas no fim achei bem interessante o confronto já! Assim como acho que será interessantíssimo estar por aqui no Mundial. Nesse mesmo blog já disse várias vezes que seleção não me desperta muito interesse, mas Copa é Copa. Não precisa descabelar, é gostoso ao menos de acompanhar... mas em 2010, para mim, terá todo esse fator de estar fora do país, aquela coisa que aflora não sei da onde, reações, pessoas e povos diferentes, tenho uma expectativa diferente esse ano! A seleção do meu país, a do país que me acolheu, as tantas outras que simpatizo, enfim...
Portugal sofreu pra se classificar, embora tenha uma boa equipe e os brasileiros naturalizados. O Brasil foi o que se esperava, e penso que vem com um time entrosado pra Copa, no mínimo jogando bem junto. Agora, independente de qualquer coisa, se me perguntarem se Brasil e Portugal vai ser um bom jogo... Ah, pra mim vai!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ronaldo!


Simplesmente fenomenal! Isso é Ronaldo! Ele cai e se levanta. Tem raça, faz o que ama, ama o que faz. Quantas vezes já não disseram agora acabou. E para ele era apenas um novo começo. Ele tem a cara do Corinthians... que me desculpem os fãs do craque que torcem pra outros times, ou mesmo os grandes clubes que ele já defendeu. Mas toda a garra, a superação, o amor, a força, parece a alvinegra. E ele é a cara do brasileiro. Cai, mas levanta! Ronaldo é talvez o último dos ídolos, realmente ídolo do futebol nacional. Aquele que, independente do time a que se torça, há sempre um espaço pra ele no coração de todo torcedor brasileiro. Quem não torceu por sua (s) recuperação (ões)? Quem não chorou com seu primeiro gol com a camisa do Timão, só por ver ali um verdadeiro mito do futebol nacional e mundial, o eterno Ronaldinho Fenômeno. Ele tem o dom, a arte do futebol e, mais que isso, tem humildade. Gordo ou magro, novo ou não tão novo assim, não importa, ele joga sempre um bolão. E mexe com o fenômeno pra ver... ele vai lá e mostra porque é e sempre vai ser Fenômeno!

Muito se discute se ele vai à Copa ou não. Dunga, na minha opinião, jogou a responsabilidade nas costas da imprensa, primeiramente, e depois de todo o povo brasileiro... "vocês querem me pressionar como fizeram em 2006 para que eu leve o Ronaldo", disse mais ou menos assim. Não foi apenas Ronaldo o culpado por perder a copa em questão. Não precisava nem de pressão, afinal se bem me recordo ele quem ganhou a de 2002. E já tinha caído algumas vezes e levantado tantas outras. Acho que no fim Dunga sabe bem que não precisa testar Ronaldo. Pra que jogar amistoso com Omã?! Já sabemos muito bem do que ele é capaz. Penso apenas que nosso treinador está de antemão se livrando da culpa ou se coroando com os louros. Se ganharmos a Copa, muito bem, fui eu quem chamei no peito, assumi a responsabilidade e levei Ronaldo. Se perdermos, um sonoro eu avisei, porém tive que ceder a pressão nacional e da imprensa (principalmente, porque a culpa é sempre da imprensa) e levei um Ronaldo que não me resolveu nada. Se não levar e ganhar, fez o correto, não precisamos do Fenômeno. Ah mas se não levar e perder, sua falta será a mais lembrada. Independente do final dessa história, de qual das respostas Dunga vai usar, pra mim é Ronaldinho e mais 10, e aposto que no fim das contas ele vai para a África do Sul. Ele é "inegociável, invendável e imprestável" (parafraseando Vicente Matheus), imcomparável, único, fenomenal!

O vídeo abaixo diz muito do que escrevi, faz parte dessa campanha "leva o Ronaldo" que já se espalha por aí. Simplesmente Ronaldo, chorei, porque é de chorar...
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E por falar em Copa, amanhã já saberemos os grupos para a competição de 2010. E há a possibilidade de um grupo com Brasil e Portugal. Será??? Não, esse confronto tão já não! Mais pra frente seria legal, mas deixem a Copa começar, deixem que eu sinta o clima português primeiro, depois confrontamos os irmãos, ora pois!

A pior das pobrezas


A pior pobreza é a de espírito. Sempre achei isso e sempre que vejo um miserável neste aspecto me entristece, me incomoda, e o pior, estas pessoas são poderosas negativamente, esgotam-me as energias. É como se sugasse o melhor do que há em ti, simplesmente porque elas não o tem, nem nunca terão alguns atributos dos "não pobres". Certamente você conhece alguém assim, que sofra desse mal. Sim é como uma doença. Os sintomas? São variados e podem ser diferentes de um para outro pobre de espírito, mas no geral são: a inveja, a covardia, o desrespeito (seja ele étnico, de ideias, de culturas, de gostos), o ego elevado, a antipatia, adoram a infelicidade alheia, não sabem como fazer e cultivar amizades - se é que são amizades o que conseguem - e por aí vai... Cansa-me só ter que pensar em alguém assim para descrevê-la. Essa pode ter tudo, mas tudo do material um dia, nunca do emocional, espiritual, e tudo o mais que transcenda ao que se pode comprar com o dinheiro. No fim tenho dó, o pobre de espírito é um mal amado, um triste, um solitário.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Parabéns ao samba!


Dois de dezembro, dia nacional do samba (no Brasil). A data merecia nem que uma singela notinha neste blog, por inúmeras razões, mais principalmente pelo samba ser uma grande companhia para mim em terras estrangeiras. Não há nada semelhante no mundo, o samba é querido aqui fora, é tema de 9 entre dez conversas de estrangeiros comigo, todos querem saber cantar e sambar, ou no mínimo admiram essa nossa cultura. Sempre amei samba, nada é tão brasileiro e autêntico quanto o bom e velho samba - já até escrevi alguma coisa aqui neste mesmo espaço (http://glauciafalandocomasparedes.blogspot.com/2009/06/o-samba-nao-morreu.html) - e é ao som deste ritmo nosso que tenho embalado minha vida numa fase tão importante. Queria poder hoje ir a um bom samba, dançar até os pés doerem, cantar até ficar rouca, lavar a alma, é o que sempre digo, o samba lava a alma e renova as energias. Na impossibilidade, seleciono os clássicos aqui na internet mesmo e em alto e bom som canto pela casa Cartola, Bete Carvalho, Zeca, Arlindo Cruz, Demônios da Garoa, entre tantos outros. Afinal, "samba, a gente não perde o prazer de cantar...". Viva o samba!

Essa música é um pouco do que é o samba, do que ele representa, da raiz, do lugar onde nasce, das origens, da saudade... "O meu lugar", que não é o da música mas existe, em algum lugar, na minha alma, guardado.



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Do lado de lá da divisa...

É apenas seguir pela estrada, nem se nota que de um momento para o outro chegou-se a outro país. Divisa entre Portugal e Espanha. Pensei que para atravessar o limite entre os territórios seria preciso passaporte, documentos, justificativas, explicações, revista na bolsa, nas roupas. Não, não foi assim. Saimos pelo Norte de Portugal e chegamos em Tui, uma pequena cidade do Noroeste da Espanha, localizada na região da Galícia. O rio Minho é uma boa referência de separação territorial entre os dois países da Península Ibérica neste trecho. A cidade é pequenina, cerca de 17 mil habitantes, mas tem uma das catedrais mais famosas da Galícia, a Catedral de Santa Maria (foto).

Meus guias e companheiros de viagem foram Aninha e Antón. São eles também meus "pais adotivos" aqui no Porto, como sempre, encontro um querido casal de amigos que me acolhe e me carrega para onde for, esteja eu onde estiver. Aninha, assim como eu, é jornalista e brasileira, de Recife. Casada há nem um ano com Antón, arquiteto e galelo da Coruña (espanhol da Galícia). É com esse culto e inteligente casal que conheço melhor a Europa. Em muitas de nossas conversas me fazem entender, ou simplesmente observar, o que de fato é cada região, cada país e suas divisões espaciais e culturais. Assim como o Brasil, todo país tem culturas, sotaques, pensamentos, necessidades, tradições, costumes específicos de cada região, muitas vezes incomparáveis umas com as outras. Países e suas respectivas organizações são complexos. A Espanha também, e conheci apenas um pequenino pedaço. Sempre quis ir ao país. Minhas origens, minha descendência, as características herdadas do povo espanhol que imigrou para o Brasil e construiu minha família, me concedeu a dupla nacionalidade... É interessante retornar as raízes, as mais profundas, as mais antigas.

Quando simplesmente de carro, seguindo pela estrada chegamos em território espanhol e me disseram "aqui já é a Espanha" senti algo diferente, fiquei emocionada, não sei exatamente explicar. Andando pelas pequenas e medievais ruas de Tui ia pensando tanta coisa, quem passou por ali, quem ali vivia, "será que meu avô menino brincava em ruas estreitas e de pedras escorregadias como essas?". Mais que isso, ia tentando compreender melhor um pouco da cultura daquela região e do país. Antón ia me explicando e defendendo o respeito e preservação do regionalismo de cada parte. O país é complexo, difícil explicar e entender a quem, assim como eu, tem apenas uma visão simplista de que tudo se resume a touradas, castanholas e paellas. Não, não é! Há mais a ser entendido, estudado, conhecido, compreendido e respeitado das diversas culturas na Espanha.

E é esse meu objetivo, poder conhecer mais e melhor este país com o qual tenho uma profunda ligação, tenho sangue que corre em minhas veias. Para a primeira impressão ficou a emoção de sentir um regresso na história, o resgate das origens e a proximidade de algo que me é peculiar. Estranho, profundo, introspecto, emocionante... Sensações tão difíceis de explicar quanto a organização do mundo. E que no fundo a gente acaba por entender.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Meu debut em gramados europeus


Não como imprensa oficial, mas do lado da torcida. Foi o primeiro jogo oficial que fui na Europa. Champions League, primeira fase, grupo D, Porto X Chelsea no Estádio do Dragão. Grande jogo para a estréia. A partida começava às 19:45, fui antes sentir o ambiente do estádio, ver como tudo acontece a volta de um grande jogo europeu em Porto, Portugal. Dia frio e chuvoso, ventava muito. Mas fez uma bela noite, gelada e de tempo estável. A tradição em volta do estádio é a venda de cachecóis. Cada jogo tem o seu, personalizado, com confronto, data e local. "Cinco euros, cachecol do jogo, cinco euros". É o que mais se ouve gritar. Barraca de lanche vi apenas uma, com cachorro-quente, alguns outros sanduíches, mas não nada de pernil. Aqui já deixo claro que é impossível não comparar com estádio brasileiros e nossos hábitos. Seguindo... ao invés disso, o que se vê a cada esquina e ponto estratégico são as panelas de castanhas e seu fumacê. A cara do inverno, até mesmo na porta do estádio de futebol.
Aos poucos a torcida vai chegando e a parada é quase obrigatória no shopping em frente ao Dragão. Seja para um lanche, um café, uma cerveja, aos poucos o centro comercial é coberto de azul e branco dos portistas. Resolvi também participar do folclore e tradição, comprei meu cachecol da partida e entrei no estádio. Portão 22, porta 21, fila 14, cadeira 4. Sim, tudo isso e de fato o assento estava lá, a minha espera. "Que organização", pensei comigo. Assim que adentrei ao estádio a ópera tema da Champions League começou a tocar. Linda, sempre gostei de ouvi-la e naquele ambiente arrepiou-me de emoção! Como ainda tinha tempo para a pelota começar a rolar fiquei o mais próxima do gramado possível. É muito perto as cadeiras do gramado... fiquei na primeira fila, na mais colada, assistindo o aquecimento dos clubes. Quase levo uma bolada na cabeça, tive o reflexo de abaixar a tempo, mas seria uma boa história para contar não? Além, claro da grande marca que teria na minha testa agora! Mas o mais incrível de ficar ali, bem perto, com a máquina fotográfica na mão, quase levando boladas é ver de perto, bem perto os jogadores. São aqueles caras que aparecem nos nossos álbuns de figurinhas, os craques da copa que só via na televisão e agora estão ali tão tão perto: Ballack, Anelka, Drogba, Deco, entre tantos outros. Inevitável pensar e ansiar pelo momento de estar do outro lado da pequena e baixa grade, trabalhando como repórter de campo, em campos pelo mundo.

Também me coloquei a imaginar isso no Brasil, essa proximidade tão grande entre jogadores e torcida, as torcidas de Chelsea e Porto separadas apenas por uma pequena mureta de concreto coberta com um plástico. Uma corrente de seguranças, mas nada que um bando nervoso não pulasse e iniciasse uma confusão. Acho que nada disso funcionaria. Eis que a partida começa, hino do Porto, portistas cantam apaixonados aos berros, escalação das equipes, mais uma vez a bela ópera da Champions, bola rolando. A torcida fica sentada, cada qual no seu lugar, só se levanta em perigo de gol, bola na trave. Como assim? Nem em casa consigo ficar sentada no sofá vendo meu time...incrível! Em pé apenas os ingleses, cerca de uns 300 ali, e duas "claques", como são denominadas as organizadas, uma do lado oposto ao que eu estava no estádio, outra ao meu lado direito. E o jogo corre assim, com alguns gritos das organizadas, vez ou outra acompanhados pelo resto da torcida, e xingos, esses universais, claro. E o típico cântico dos ingleses, aquele que mesmo se estiverem em dez pessoas o grito ecoa de forma linda pelo estádio.

Porém a manifestação de torcida mais emocionante, que me arrepiou e me trouxe lágrimas aos olhos foi em relação ao jogador Deco. O meia jogou no Porto e conquistou títulos importantes, é ídolo do clube, mas mais que isso, é ídolo nacional. No primeiro tempo o jogador pegou a bola para cobrar escanteio: o estádio todo, sem exceção, aplaudiu o atleta e gritava "Deco, Deco', e alguns outro gritos da época em que atuava no Porto. No segundo tempo foi substituído, todo o estádio de pé o aplaudia e mais uma vez gritava. De arrepiar! Havia até uma musiquinha muito engraçada que dizia "Deco é melhor que o Pelé", acredito eu uma referência à origem brasileira do hoje naturalizado português. E por falar na segunda etapa resolvi trocar de lugar. Antes fui conhecer os banheiros, mulher sabe bem o que é precisar de banheiro em estádio do Brasil. Limpos, organizados, com papel. A fila do bar também fluia com organização. Mas meu lugar me inquietava. Muito silêncio pra ser futebol. Fui para a claque à minha direita, havia lugares vagos mas tinha receio de ser abordada por fazer algo "errado"... sentar em um lugar que não era meu, ou invadir outro setor. Encontrei uma figura pitoresca, uma senhora, toda paramentada de chapéu, camisa do Porto e calças brilhantes, torcedora daquela organizada, perguntei a ela se eu podia ficar por ali, que era brasileira e gostava de ver jogos daquele modo. Fui prontamente acolhida e colocada no meio da turma. A organizada chama-se "Colectivo" e tem como lema "orgulho em ser tripeiro", uma referência às tripas, tradicionais da cozinha portuense. Embora com batuques, gritos e um maluco que puxava os cantos com um megafone, a animação não se compara a nossa. Ninguém pula junto, não se abraça o mano do lado e sai pulando...não.

O Porto perdeu, Chelsea um a zero, gol de Anelka, o deixaram sem marcação na área e de cabeça é caixa! Porém, os dois times já estavam classificados para a fase seguinte. O jogo foi brigado, disputado, de muita marcação no meio. Um grande jogo, que a mim valeu muito mais do que qualquer coisa. Valeu por, de fato, me colocar em contato com o futebol europeu, do mundo que as equipes e atletas representam, de ser o primeiro de muitos que pretendo ir e um dia trabalhar! Ah o futebol, minha grande paixão por futebol!

domingo, 22 de novembro de 2009

É o juiz que decide

O final do Campeonato Brasileiro está mesmo disputado. Ponta de cima e de baixo da tabela brigadas. Mas duas coisas me chamam atenção: o esforço de todos os outros times em parecer ajudar o São Paulo, haja vista o empate do Flamengo em casa, lotada, contra o Goáis. Gente, tudo conspira para o tricolor? Mesmo no dia em que perdem, e tinham que ganhar, o time que mais lhe ameaça a liderança tropeça também...Impressionante como essa história se repete. Bom mas o pior mesmo é a péssima arbitragem do Brasileirão. Quero crer que árbitros e assistentes são ruins mesmo, mal preparados e não mal intencionados ou comprados. Mas é difícil! O que foi o pênalti dado para o Náutico contra o Corinthians? Pouco se falou, como nos casos dos jogos do Palmeiras que chorou uma barbaridade, mas foi um escândalo que não foi pênalti. E ninguém fala nada, não teremos juiz afastado... esse resultado também influencia no campeonato, na briga dos que não querem cair. Embora ache que o Náutico já pode abraçar a viúva, porém teve aí um fio de esperança. Olha a coisa tá feia e precisa de providências! Até quando veremos os juízes não apenas se fazer cumprir as regras do futebol, mas também influenciar diretamente nos resultados dos jogos? Lamentável...
*****
Enquanto a série A pega fogo, a série B já tem seus quatro classificados: Vasco, Ceará, Guarani e Atlético Goianiense, nesta ordem. Meus dois destaques são os times maiores nestes quatro. O Vasco passou por processo parecido com o do Corinthians, uma queda talvez necessária para organizar a casa e moralizar um pouco o clube, a instituição. O Guarani passou por altos e baixos na competição, a certa altura de goleadas e pontos perdidos em casa achei que mais uma vez fosse deixar escapar a chance de volta à elite do futebol. O Bugre fez valer sua tradição e história no futebol nacional, único campeão brasileiro do interior paulista, e também retorna com méritos para a série A, já que figurou pela parte de cima da tabela a competição toda. Festa para muitos na minha querida cidade de Campinas. Para 2010 penso que o importante nestes clubes seja a preparação e, principalmente, a reestruturação de equipes, em especial Ceará, Atlético e Guarani.
* Ao querido amigo Bruno "Over head", grande bugrino e leitor deste blog...

sábado, 21 de novembro de 2009

Todo sentimento do inverno


Ele chegou. Enfim, o tão aguardado inverno europeu parece ter chegado para ficar. E para esfriar. Dizem que piora, também acho. Aqui no Porto ainda não tivemos menos do que uns 12 graus durante o dia e noite, talvez de madrugada. Mas o fato é que faz frio, chove, garoa, venta úmido. Não é um frio comum, bem que disseram, é diferente. Se você, neste momento enxuga o suor brasileiro de mais de 30 graus do seu rosto, não está visualizando bem o que digo. Nas ruas casacos de lã, cachecóis, roupas de couro, agasalhos, meias, botas. Parece que nada esquenta o suficiente, o frio já está nos ossos. Vou andando pela rua e sentindo meus dedos dos pés rijos. Apertar o passo não funciona, parece que o sangue pelo corpo não tem tempo de esquentar e se se espalhar e chegar até as extremidades.

Bem vindo ao Porto! O frio, a garoa, a chuva, o vento, são característicos da cidade para essa época. E é boa a sensação de andar pelas ruas portuenses, sentindo o vendo gelado no rosto, aquele cheiro de inverno. As calçadas forradas de folhas secas, amarelas e castanhas, que caem secas e depois colam ao solo, encharcado pela chuva e garoinha constante. No meio da tarde as luzes da cidade já estão acesas. Tempo nublado, céu cinzento, o cenário é um contraste de cores, sombras, luzes, tudo perfeitamente pintado, a arte natural da paisagem da cidade e da natureza, em perfeita sintonia. Bem vindo inverno, os bons ventos e bons fluídos que traz.

Enquanto andava na rua, não sei porque, a música abaixo me veio a cabeça...vim cantarolando por todo o caminho, o eterno Chico.

http://www.youtube.com/watch?v=anFxDsg20KE

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Brasilidade à flor da pele

Morar fora do seu país de origem é realmente algo intrigante, que desperta coisas das mais diversas. Uma delas, e talvez a principal, é o nacionalismo que nos vem à flor da pele. Ouvir falar de seu país, seja qual for a circunstância, fale bem, fale mal, interessa-lhe, você afina os ouvidos, aguça os sentidos, é como se falassem de sua própria pessoa. E entendo, claro, ninguém, mais do que si mesmo, pode saber melhor o que se passa, apenas o cidadão pode dizer qualquer coisa de seu país de origem, afinal, é quem sabe, de fato, onde o calo aperta. Sendo assim, fora do Brasil, somos mais brasileiros do que nunca, é sempre bom encontrar alguém da mesma origem, valorizamos coisas que nem mesmo imaginávamos valorizar.
Estou fora faz um mês e meio ainda, mas já sinto coisas assim, e dizem que os sintomas pioram com o passar do tempo. Hoje fui surpreendida por mim mesma e por essa brasilidade guardada em mim. O jogo da seleção de futebol foi transmitido ao vivo pelo canal internacional. Um simples amistoso, o último do ano da amareilnha, Brasil X Omã. Já neste mesmo blog comentei outras vezes meu desencanto com seleção brasileira. Continua, tanto faz, como tanto fez, ainda mais em um jogo pouco importante quanto esse. Mas o fato é que hoje eu queria ver o jogo, estava na rua e acelerava tudo para pegar ao menos o segundo tempo da partida. Cheguei em casa, sentei e assisti aos ultimos 45 minutos...e ainda torcia por gols nossos, lamentava a boa jogada perdida, me senti mais próxima, como de fato estou, muito mais interada e conhecida, dos "estrangeiros", dos recém-convocados e dos novatos que jogam na Europa. Eu vendo jogo do Brasil, simpatizando com aquilo, com uma imensa vontade de pegar minha camisa na gaveta, vesti-la e sair nas ruas. Que coisa!!! Não que eu passasse a concordar e adorar tudo que critico de uma hora para a outra, longe disso. Eis apenas o nacionalismo, mais vivo do que nunca, dentro de mim. Ainda, durante a transmissão, filmaram a torcida brasileira no estádio e um cartaz mandava abraços para minha cidade natal, Araraquara. Coincidência demais, mas costumo dizer que brasileiros e araraquarenses são como formigas, em todo lugar tem.
Claro, há um carinho pelo país que o acolhe, eu estou torcendo pela classificação portuguesa para a Copa pois estarei aqui durante o torneio, você se afeiçoa a coisas e pessoas, mas a origem é a origem. É engraçado, surpreendente e é verdade. Você se sente brasileiro quando não se está no Brasil. O ama e o defende como nunca fez. Literalmente veste a camisa do seu país.
Ao querido amigo Bruno Ribeiro, grande "defensor" de origens e raízes...

domingo, 15 de novembro de 2009

Viva a diversidade cultural!

Em um bar na cidade do Porto, na ribeira, um lugar típico da cidade. O frio, o vento, o céu nublado, depois a chuva torrencial, também característicos da cidade nessa época do ano. À mesa, do aconchegante lugar, amigos antigos, recém conhecidos, amizades que começam a se consolidar. Todos brasileiros e um espanhol...entre os brasileiros uma que tem dupla nacionalidade, também espanhola. Depois chegam e juntam-se à turma dois portugueses. Pessoas diferentes, histórias diferentes, vidas diferentes. Ali, antes de qualquer coisa, o que unia a todos era uma linguagem universal que pode ser traduzida em algumas palavras: juventude, alegria, receptividade, amizade, respeito, aceitação. Eis a diversidade cultural! Viva!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Dia de São Martinho

Hoje é dia de São Martinho. Onze de novembro, é dia do Santo que anuncia, de fato, a chegada do inverno no continente europeu. Como forma de homenagear e comemorar o dia de São Martinho, em algumas regiões de Portugal, inclusive no Porto, assam-se castanhas. Essas mesmas castanhas são típicas desta época do ano e facilmente, encontradas nas ruas, vendidas em carrinhos com imensas panelas que as cozinham e assam, provocando um grande fumacê. Ainda não as tinha comido, mas em celebração ao dia de hoje fui chamada pelos queridos vizinhos, o casal Dona Lili e Seu Jorge (que já me adotaram) para provar essa iguaria. Imaginei que as castanhas fossem bem doces e meladas. Ao contrário, são salgadinhas com um fundo adocicado... por fim, um pequeno cálice de vinho do Porto. Além de trazer o inverno, São Martinho também é considerado um Santo de caridade e generosidade e, para minha surpresa, é o padroeiro da freguesia onde moro no Porto, a Cedofeita. Coincidência ou não, o frio está mais intenso agora a noite nesse dia de São Martinho. As castanhas e o vinho combinam mesmo com o inverno que parece ter chegado de vez.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

É isso mesmo?

Posso estar longe, mas do futebol brasileiro nunca. Internet, tv, web rádio, seja lá como for, estou eu sempre acompanhando o campeonato brasileiro. E todos acham bonito ver um tornei tão disputado, ponto a ponto, posição por posição, mas poucos, ou ninguém, se atreve a comentar que é um nivelamento não lá por altos níveis futebolísticos. Essa questão posta de lado, de fato os clubes se amontoam e brigam tanto por título, quanto para não cair para série B. E o campeonato acabando, partidas decisivas para os dois extremos da tabela acontecendo...
E eis que um gol do Palmeiras anulado vira caso de polícia. O Jornal Nacional é aberto com a chamada "O que Simon viu para anular o gol de Obina?". Pera lá, nunca anularam um gol, nunca o juiz errou e, talvez mexa no "resultado" total do torneio em questão? Vá lá que deu uma forcinha ao Fluminense, no desespero para não cair (o que julgo justo, o Flu precisa pagar pelo tapete que o resgatou do limbo do futebol). Não entendo mais nada. O árbitro foi suspenso até o final do ano de gramados brasileiros. Também não entendo essa moral toda que o Palmeiras tem de chorar tanto, reclamar tanto e ser atendido, o pior...relamente tá valendo chorar. Vai desde a diretoria, passa pelo treinador, jogadores, torcida. Muricy desde sempre foi assim, resmungão, grosseiro. Até outro dia ele era assim, mau humorado, e todos riam. Aí atacou a imprensa, generalizou profissionais e pronto, todo mundo caiu de pau, ACEESP divulga nota repudiando a atitude do treinador. Pra mim, os jornalistas esportivos já deviam ter se ofendido a mais tempo, na primeira falta de respeito com algum dos profissionais. Levantem e saim da coletiva, retruquem e o deixem falando sozinho, boicotem a coletiva...veríamos o respeito surgir, respeito ao cidadão e ao profissional, foi o que sempre vi faltar e todos davam o nome de "rabugisse". Pra lacrar, faz duas semanas que ouço Obina ser chamado de craque. Hem? São loucuras que só o futebol brasileiro tem para oferecer mesmo ou eu que estou desinformada e não entendo mais nada?

sábado, 7 de novembro de 2009

O endeusado jornalismo brasileiro

Vim a Portugal em busca de ampliar meus horizontes profissionais. Claro, o pessoal vem como consequência, faz parte do processo. Mas tudo bem, o incentivo maior foi chegar a meus objetivos profissionais como uma jornalista diferenciada, mais bem preparada, enfim, motivada pelo sonho da carreira que um dia idealizei pra mim. A pós que está em andamento discute jornalismo e marketing, com foco para política. As discussões sempre envolvem história, política européia no geral, mas também comparações com o resto do mundo. Para mim é tudo novo, visões diferentes, algo muito enriquecedor para o profissional de comunicação e, por que não dizer, ao cidadão. Para esta latino-americana, são coisas nunca antes discutidas na universidade ao menos.

Para meu espanto, os colegas de turma não entendem o que faço aqui. "Como, você, jornalista brasileira, vem em busca de especialização aqui?". Ouvi isso de várias pessoas e explico. Eles consideram o jornalismo brasileiro um dos melhores do mundo. É exemplo em produção, pesquisa, teorias e práticas. Todos daqui querem ir para o Brasil ver de perto o que é esse jornalismo tão bem dito e feito. Quando questionada na aula, quando opino, todos dão atenção, perguntam mais da pergunta, como se houvesse grande propriedade para falar. Ok, hora de puxar a sardinha (tradicionais aqui no mês de junho, na época de São João, mal posso esperar para provar) para o meu braseiro. Há mesmo coisas que são discutidas em sala, relativas ao jornalismo, em que vejo que há mais experiência acadêmica e prática da coisa no nosso mundo profissional, em que noto mais traquejo do jornalista brasileiro para agir do que pelo modo como eles se colocam na situação. Em linhas gerais, vendo ao telejornal, lendo os diários, o jornalismo é basicamente o mesmo, a mesma formuleta. Mas o brasileiro, pasmem!, como eu às vezes, é mais bem produzido, com mais cuidado de detalhes que, para nós da área, fazem muita diferença no produto final.

Foi uma feliz surpresa ver nosso jornalismo valorizado, visto com bons olhos, cansado de apanhar que está. Claro, não sem razão muitas vezes, mas nem sempre valorizamos o que somos ou o que temos. Há sempre o que melhorar, e há muito, mas também precisamos olhar com mais carinho para o que fazemos, os teóricos que temos, as pesquisas realizadas, pois, acreditem ou não, eles são bases para muito do que é feito na Europa.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Luz,câmera, vida...Ação!


Dizem que a vida imita a arte. Outros que a arte é uma reflexo da vida e da realidade. Para mim, a vida é a arte! Quantos papéis e personagens a passar pela vida, quantos enredos construídos e desconstruídos, cada dia uma peça, um humor, um cenário, atores e mais atores com quem devemos contracenar. E a vida tem cores, sons, percepções, emoções, sensações varias e diversas. Temos pois a arte não só de contracenar mas de pintar, desenhar, fotografar, poetizar, escrever, cantar, recitar, olhar de modo crítico o filme da vida passando. Estive hoje na acolhedora e bela cidade de Viana do Castelo, ao norte de Portugal. Uma verdadeira cidade cenográfica. Tudo muito miúdo, rebuscado, ajeitado, Europa antiga e bela, à beira mar. Fazia um dia lindo de sol, já com os primeiros ares e ventos de inverno, aquele friozinho confortável, uma brisa fresca que compunha o cenário. A arquitetura, verde, mar, brisa, tudo colocadinho em seu lugar. Logo que cheguei, senti como se mais um capítulo de uma novela começasse.

Passeando por ruelinhas de pedras típicas, igrejas, cafés, fontes e jardins havia um local de circulação proibida. Cavaletes e fitas isolavam a área, não era possível ir nem vir por ali. Câmeras filmadoras, fotográficas, gente correndo, figurantes...como? figurantes? Sim, figurantes! Estava sendo rodado ali um filme sobre o cônsul português Aristides Sousa Mendes, que resgatou cerca de 30 mil judeus dos campos de concentração. Claro, jornalista não aguenta ver uma câmera, uma movimentação fora do comum...passei por um lado, por outro, e logo estava num dos cantos da filmagem conversando com produtores do filme. Uma equipe toda composta por profissionais de cinema, um deles, Martin, explicou-me muito gentilmente os fatos históricos a serem gravados, comentou de Portugal, Brasil etc etc etc. Ganhava eu mais um amigo luso. Pode-se dizer que ali, naquele pequeno espaço, em meio a saias longas, sacos de panos, carros antigos, encontrava-se uma boa concentração de malucos positivos, como costumo chamar, me incluo nisso ok? Cineastas, atores, comunicadores...os artistas natos!

Sim, jornalista é artista, na boa e artística expressão da palavra. Não se trata de falsetes e máscaras, trata-se da plástica beleza e habilidade em lidar com palavras, expressões, costurar textos, casar textos com imagens e fotos, usar a palavra de modo mais adequado, a expressão, a voz, a intonação, a adequação e correção textual. Jornalismo é artisticamente produzido, ou pelo menos deveria ser. Andar por Portugal, em imensas vezes me faz sentir artística. Parece que tudo antigo remete a um passado bucólico e poético, Fernando Pessoa, Camões, Garrett, o Tejo, o mar (cujo muito de seu sal, são lágrimas de Portugal, diria o poeta). Tudo parece poeticamente desenhado, arranjado. A cidade de Viana do Castelo e o filme que ali rodavam foram, para mim, a expressão mais clara desta veia artística que sinto pulsar por muitos lugares portugueses. E muitos dos meus artistas e amigos queridos me vieram a cabeça naquele momento. Os atores, os jornalistas, meus verborrágicos amigos. Não pude fotografar as filmagens, ficaram pois as lembranças, as saudades de quem me vinha a cabeça, as amizades, as impressões do capítulo de hoje.

Em especial ao sempre ator Bruno Zani e à sempre artista de alma Ju Damante. Queridos amigos...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Velhas tardes de domingo

Desde que cheguei a Portugal acompanhar o futebol brasileiro era uma luta. Primeiro por conta do fuso, quatro horas a mais, depois por falta de tv, internet, ou qualquer outro canal de comunicação que me levasse ao Brasil. A única alternativa eram mensagens de celular com o resultado. Agora já tenho internet em casa, a tv a cabo no mesmo pacote compensava mais que só a net...melhor ainda! Coloquei tudo e ainda inclui o canal brasileiro, na tentativa de estar ligada ao mundo de todos os modos. É difícil estar em um país e ainda ter claro o que acontece em outro. É uma tarefa complicada, mas que pretendo fazer por julgar essencial a minha vida e profissão.
Eis que antenada, é domingo, dia de clássico paulista, Corinthians X Palmeiras. Ah, tantos dias esperando poder acompanhar o futebol e logo o clássico, imperdível em todos os sentidos. No Brasil foi transmitido ao vivo, aqui, no retransmissão internacional da emissora não passou. Naquele momento me arrependi de ter comprado o canal extra. Comprei esperando os jogos e cadê? Ok, ainda resta a internet. A alternativa foi assistir via web, aos socos, imagem em pixels, mas era o jogo. Emocionei-me ao ouvir os gritos da torcida, chorei com o segundo gol do fenômeno. Sei que ficarei longe este período para estar ainda mais perto no futuro. Toda aquela sensação, aquele amor, a rivalidade... mais do que o time, a transmissão também me deixava nervosa. O dono do site teve a pachorra de, na hora em que Ronaldo foi cobrar o pênalti, colocar no ar uma propaganda e cortar o sinal... nossa, a mãe dele só não foi xingada de santa! Os novos vizinhos que comecem a se habituar com a gritaria em dia de jogos.
Para o Timão, em relação ao Campeonato Brasileiro, o jogo pouco valia. Apenas para o campeonato, pois é preciso sempre vencer os rivais independente de qualquer coisa. O empate pareceu-me derrota. Mas para mim este jogo teve um sabor diferente...de que é possível manter as tardes de domingo que tanto valorizo e gosto, de que acompanhar ao menos o futebol nacional, de que a saudade pode ser amenizada pela modernidade. Do mesmo modo de sempre, terminei o domingo rouca e nervosa...mas feliz! Velhas tardes de domingo futebolístico...
PS: Sim, tarde. Estamos em Portugal no horário de inverno, uma hora a menos. No Brasil, horário de verão, uma hora a mais...contas rápidas e pronto, estamos apenas com duas horas de diferença!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O diário da Europa é aberto


Depois de duas semanas em Portugal, começo a me sentir na Europa. Ao menos no que diz respeito ao clima. Foram quinze dias de um calor brasileiro, sol de arder, temperaturas na casa dos 30 graus, casacos guardados no fundo das malas. Pode ser pela língua, por esse clima atípico para o outono europeu, não sei explicar, mas não senti um grande impacto ao chegar a Porto. Algumas palavras trocadas, algumas confusões linguísticas e de comunicação, o cansaço das dez horas de voo apertadas para minhas pernas, me senti acolhida… mas cá estou em Portugal, e o sotaque e o nome do primeiro taxista não me deixaram esquecer disso: o receptivo Joaquim, foi quem nos deu as primeiras impressões da cidade, do país e até mesmo uma das visões do Brasil por aqui. São coisas paradoxais em alguns momentos. Para muitos somos mesmo irmãos, conversar, servir, ajudar a um brasileiro torna-se uma grande atração, tudo de nós faz graça ou simpatia. Outros, infelizmente nos têm do modo triste, bandido e pobre que os noticiários mostram aqui. As novelas são nosso maior cartão de apresentação, explicam nosso “português brasileiro”, nossa moda, nossos costumes, já tudo familiar a eles. Há a novela da tarde, das 20 horas, das 22, das 23 e por aí vai. Mas o lamentável mesmo, ao menos para mim, enquanto jornalista, como profissional da comunicação, cidadã no geral, é ver os programas brasileiros retransmitidos por aqui: pessoas fazendo bizarrices nos palcos dos dominicais, a notícia que corre o mundo, é a do confronto de favelas, e as moças bonitas da novela são logo esquecidas em detrimento da criminalidade e da pobreza intelectual. Cabe aos que aqui estão mudar este estereótipo, e fazer com que o outro seja predominante.

Fora essa impressão, vi, primeiramente, Porto como uma grande cidade, ampla, organizada e calma, muito calma para seus 215 mil habitantes. Agora, já mais acostumada, vejo apenas o movimento como ordenado, nada como a loucura paulistana, que, por outro lado, pode ser comparada à Lisboa, já mais metropolitana, com diversidade cultural e racial visíveis em uma breve passagem no final de semana. Enquanto procurava um lugar para morar, andava mos como loucas ( quando digo no plural me refiro a mim e minha mãe, minha companheira de viagem e de Porto nesse primeiro mês) pela cidade desconhecida: a pé, de metro (modernos, bonitos e funcionais), pergunta pra um, pergunta pra outro, mapa na mão, e assim descobria as misturas e diferenças da urbe portuense. Sim, há pobreza, casinhas humildes, gente a pedir, gente de aspecto simples, espaços antigos que se escondem em meio a modernidade e grandeza de tudo que é novo. Embora sempre tivesse visto a Europa desse modo, como uma grande mistura do antigo, dos primórdios, com o que há de mais moderno, às vezes me esquecia de que a organização social é sempre estabelecida por posses, deve haver o pobre para haver o rico e por aí vai, é do mundo e de todas as sociedades. Porto é sim bela, a parte da praia, do rio douro, o lado de Gaia, o estádio do Dragão, a região da Boa Vista (na qual estudo). Ruas estreitas, ruas largas, casas novas, casas antigas, gente nova, muita gente já não tão nova assim, gente bonita. E a constante impressão de que estamos na Torre de Babel. Línguas e mais línguas do mundo todo, a todo instante. Vez ou outra é preciso arriscar o esquecido inglês para estabelecer contatos, ou ainda afinar os ouvidos, 24 horas por dia, para compreender mesmo o português… tem horas que parece grego! Ah as palavras… adquirem múltiplos sentidos, são usadas aqui mas não aí e vice versa, penso até em fazer um dicionário. Um dicionário futebolístico é certeza. Aqui empata-se por uma bola (um a um) ou ganha-se por duas bolas a uma de diferença (dois a um), o gramado é a relva, os torcedores os adeptos, o guarda-redes fica sob as balizas ( o goleiro sob as traves) e por aí vai.

E por falar em futebol, sentia uma imensa necessidade em ver manifestações futebolísticas pelas ruas. Demorei a vê-las, é verdade. Joaquim, o taxista, contou-nos que, Felipão, quando técnico da seleção portuguesa, foi quem trouxe ao país o hábito de colocar bandeiras nas janelas em sinal de amor ao país e seu futebol. No dia da chegada, uma quarta-feira, um jogo pelas eliminatórias da Copa. Os jornais não falavam de outra coisa e, apenas para constar, a imprensa esportiva é especulativa e igual seja no Brasil, seja aqui, seja onde for, penso eu. Vitória, como era preciso, mas nada de mais. Será que não empolga mais a seleção? Pouco ligam para futebol? Eis que me vejo em Lisboa, no sábado, diante do estádio da Luz em dia de jogo para a Copa, importante e decisivo…sem querer, estava no shopping ao lado do campo. Ali sim! Bandeiras, camisas, gente ansiosa para o jogo…Ah o bom e velho futebol. Torço pela classificação portuguesa, afinal estarei aqui na Copa, quero estar nesse ambiente. O grande ídolo, como sabemos do Brasil, é Cristiano Ronaldo: ele movimenta milhões, faz a propagando do banco, do shampoo, vende camisas, arrasta multidões, é mote de 9 em dez matérias do noticiário esportivo. Jogue bem ou jogue mal, não jogue, é dele que falam. Porém, os brasileiros naturalizados portugueses também são ídolos no país: Deco, Pepe, Liedson, este último sendo já indispensável e decisivo para Portugal, cada vez mais estimado por aqui. Infelizmente não entrei naquela partida, mas ao menos comecei a ver a manifestação futebolística, que seguiu depois em visita ao estádio do Dragão, do F C Porto, em ver pelas ruas torcedores do Apoel, adversário do Porto em partida pela Champions espalhados aos montes pela cidade no dia do jogo, bem como os torcedores locais. Aí a língua é universal. Hei de cumprir o que prometi a mim mesma, seguir o futebol pelo mundo, suas manifestações, o quanto puder. Mas o time do Porto é queridíssimo, há sim cachecóis do clube pendurados às janelas, há vários brasileiros na equipe, assim como na cidade. Há sempre algum trabalhando aqui ou acolá, sempre ouve-se “nosso”português, ao sair com a camisa do Corinthians, impreterivelmente, alguém grita pelo caminho “ae curintia!”. Por falar nele, saudades já...

E agora, como dizia, o frio Europeu, pelo qual já esperava desde que sai do Brasil há quinze dias, parece querer dar as caras. Em 24 horas, a cidade passa por tudo: chove, abre um lindo sol, nubla, esquenta, esfria, venta. Mas, em síntese, agora, a temperatura já fica na casa dos 20 graus, com vento úmido que aumenta a sensação de frio, fora a chuva também gélida. Agora também já tenho um teto. Depois de tanto andar, visitar “n”apartamentos, alguns dos quais pareciam ter sido habitados por D. Pedro I, achei meu canto. Ainda falta internet e antena para a TV. Ao mesmo tempo em que penso “como essas modernidades fazem falta”, e fazem muita, e me questiono “como vivíamos sem tudo isso?”, retomo os primórdios e aproveito o rádio: nele ouço as notícias, o futebol (é sempre bom, futebol no velho radinho...), as músicas locais e também brasileiras, sempre um sucesso aqui. Tudo pode ter evoluído, mas rádio continua a caixinha mágica da comunicação. Aproveito ainda para ver e rever o mapa da cidade, os caminhos dos trens (comboios aqui) para outras cidades, o percurso do metro, planejo o passeio do dia seguinte; vejo as fotos que registram as impressões que agora escrevo e muito mais, já que imagens dizem mais que palavras, faço esses relatos. E aos poucos me organizo, reestruturo para cá passar os próximos doze meses de minha vida.

ps: este texto foi escrito três dias antes da data da postagem... nestes dias o sol e o calor voltaram, o suor e a marca do óculos no rosto...o clima está mesmo mudado no mundo todo! Aqui também comentam isso, sentem falta do atrasado frio de verdade.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Grande voo


Eis que visto novamente minhas asas. E dessa vez, elas baterão para longe, muito mais longe do que o imaginado. Sonhos, atrás deles que vivo voando, com o pé no chão, mas sempre em busca de realizá-los. O sonho é alto. Mais uma vez reconstruindo tudo...hábitos, lugares, pessoas, expectativas, a vida! Ela segue, eu também. Desta vez deixei São Caetano, São Bernardo, ABC paulista. Novamente com carinho, mais uma cidade querida, mais pessoas queridas, mais amadurecimento, mais uma etapa em busca do que pretendo para mim como profissional e como ser humano.

Agora minhas asas são também as do avião. Próxima parada, Porto, Portugal. Faço o caminho inverso de meus antepassados e sinto-me diante da porta do mundo, quero entrar! Uma sensação gostosa de liberdade, de viver, da já habitual "minha vida em uma mala". Claro, as saudades, as renúncias, as dificuldades, as superações sempre são e sempre serão constantes. A família, os amigos deixados, o time de coração, o país, momentos, experiências... saudades já de tudo e de todos, do que amo, do que me faz ser eu, porém mesmo distante não deixarei de ser. Ao contrário, vou além para me encontrar... eu, novamente reconstruída, eu, sempre eu mesma.

Coincidência ou não, há tempos procuro colocar em prática e seguir o pensamento dito pelo português Fernando Pessoa: " Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena". E a minha é gigante, assim como meus sonhos e meus horizontes.

ps: O Falando com as paredes será um grande e importante elo entre mim e o Brasil, com todos que aqui estão, aos que se interessam em viver um pouquinho do que viverei em terras lusitanas. Viva todos!

sábado, 3 de outubro de 2009

Pão e Circo 2016

O país está em festa. Nada mais importante aconteceu no Brasil e no mundo para os noticiários falarem. Olimpíadas no Rio de Janeiro, 2016, é a grande sensação do momento. Surpresa? Loucura? Festa? Conquista? Sinceramente não coloco muita fé nisso não. Há os que divagam por aí dizendo que os investimentos serão benéficos ao Rio, a iniciativa privada isso e aquilo, é uma festa merecida pelo povo, e por aí vai... Será?
Uma das coisas que mais me indigna e faz questionar é o apoio de atletas de ponta à candidatura e agora à realização dos jogos no Rio. Quanto é investido pelo Governo brasileiro em esportes olímpicos? Onde esses atletas treinam, são ginásios, pistas, piscinas de última geração, com recursos dos mais modernos e de profissionais das mais diversas especialidades? Parece que não... toda medalha olímpica conquistada por brasileiro, seja de ouro seja de latão vem acompanhada de choro! Não apenas pela vitória esportiva, mas a vitória na vida, superação da falta de grana, de estrutura, de incentivo é um show de desabafos. Quando não sai medalha, não há muito como exigir, o desempenho técnico é bem abaixo de potências como Estados Unidos, simplesmente porque a base e o treino do competidores são bem diferentes. No último sábado, por exemplo, foi ao programa de Luciano Huck uma garota, atleta de karatê, bi-campeã brasileira em sua categoria, mas que não tem dinheiro nem mesmo para viajar e competir. Precisou se arrastar, entre fios para conquistar míseros 10 mil reais que não só patrocinarão sua ida a mais um campeonato, mas também trará alguns recursos para a humilde família.
Assim como essa há milhares pelo país sede dos jogos olímpicos de 2016... César Ciello estava na comitiva em Copenhague, mas me lembro de ter visto seu pai em entrevista, logo quando o nadador conquistou uma de suas primeiras medalhas internacionais, dizer que se não fosse o PAItrocínio que bancou o atleta nos Estados Unidos, treinando duro e com grandes recursos, hoje ele talvez não fosse quem é. Nas areias de Copacabana outros milhares pulavam, sambavam e aproveitavam a sexta-feira comum e comercial para comemorar. Desde cedo praia cheia, tv ao vivo, gente famosa, e os tantos anônimos não tinham que trabalhar naquele dia festivo, que mudará a vida de cada um deles, afinal teremos olimPIADAS... hipocrisia, paradoxos, o Brasil é mesmo cheio disso. A sede das olimpíadas brasileira que o diga. Enquanto estádios de ponta são erguidos, rede hoteleira é ampliada a espera de gringos, as favelas continuarão do mesmo tamanho, a pobreza e a desigualdade também, mas quem sabe a iniciativa privada não invista tanto, mas tanto que tudo isso se arrume em seis anos e poucos meses. Pão e circo, parabéns Rio por 2016.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Por que parou?

O blog anda parado...porque eu ando correndo. Atrás da vida, dos sonhos, de tudo...Talvez seja muita coisa acontecendo em vida, em minha cabeça, para colocar de modo organizado aqui. Calma, volto logo, volto já, volto sempre, porque escrever é parte de mim. Que anda parada, mas volta já...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O que acontece Argentina?

Alguém consegue explicar o que acontece com a seleção da Argentina? Um time montado com grandes craques, a começar pelo treinador, mas que parecem apenas amontoados em campo sem nenhuma técnica, sem nenhum futebol. Sábado perdeu para o Brasil, um bom jogo dos brasileiros contra a apatia argentina, sem reação nenhuma. Ontem foi a vez do Paraguai, vitória magra de um a zero, mas sem grandes dificuldades...a Argentina nem mesmo atacou os paraguaios, precisando vencer. Azar dos hermanos que agora estão na quinta posição nas eliminatórias e, conforme tudo caminhar, precisem se sujeitar à repescagem para garantir uma vaga na Copa de 2010. Quem diria, com um time com Messi, Tevez, Mascherano, Verón, Agüero... penar para se classificar nas eliminatórias sul-americanas, que pode ter tradição pelas seleções que engloba, mas pouco talento. Ontem ouvi vários comentaristas, todo mundo tentando responder a pergunta inicial: será Maradona, será muito talento individual sem coletivo, azar, corpo mole... etc etc etc. Copa sem Argentina? Acho difícil, mas se acontecer seria triste o mundial sem uma das maiores seleções do planeta.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Seleção sem empolgação

A rodada de meio de semana do Brasileirão foi curtérrima, no final de semana alguns grandes times não jogam, sobrou a seleção brasileira para se discutir. Sim, sobrou, porque jogos da seleção não causam nenhuma comoção nacional. O povo pode até se reunir para um churrasco, tomar uma cerveja, tudo pelo prazer de estar junto aos amigos, é sempre uma oportunidade. Mas não para vibrar com um amontoado de jogadores escolhidos pela mídia e que não são ídolos de quase ninguém. Ok, alguns de fato são bons jogadores, até merecem seleção, com aquela conotação que ela teve no passado, porém não são maioria.
Essa semana estava assistindo na ESPN o comentarista Flávio Gomes falar de modo muito pontual sobre essa falta de apelo da seleção, e desinteresse de torcida, jornalistas etc. Concordo e sempre digo isso. Passo por chata e não patriota, mas é apenas uma constatação. Você, caro leitor, se descabela, ficará triste no sábado caso a seleção não ganhe, gasta grana que for necessária pra ir ao estádio, é prioridade para você o horário do jogo da seleção, tem algum grande ídolo em campo? Silêncio...ou respostas vagas do tipo é não é... pois bem. Sem empolgação. O jogo é um dos grandes clássicos mundiais. A Argentina é um grande selecionado de craques, mas que surpreendentemente juntos não rendem o quanto rendem em seus clubes. Eles vêm com a clássica catimba, Maradona já tentando criar polêmica e tirar a tranquilidade do "circo" de Dunga (veja bem treinador, circo porque vocês permitem que se faça, que fiquem jornalistas, torcedores, tietagem desnecessária e que só atrapalha, mas que se tornou tradicional em treinos de seleção). Toda a rivalidade, a catimba vai acontecer, é Brasil e Argentina. Quem sabe até um grande jogo dependendo da inspiração de ambas as equipes. Agora, querer comparar com grandes partidas do passado, dizer que o pessol tá esperando pela pelada a semana toda é exagero... a seleção já não empolga, tampouco tem empolgação para tal. Vale pelo futebol, sempre.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O cara!

Foi sofrido, foi corinthians. Fim do jogo com taquicardia, o timão ainda enfarta o torcedor. Primeiro tempo de domínio e chances perdidas. Souza não joga futebol, será que ninguém percebe? Ele não nasceu pra isso, pra que insistir!!! Segundo tempo entra outro craque de bola, Bill, mas que ao menos se esforçou, mostrou raça e marcou o seu. E o gol que não saiu na primeira etapa foi sair apenas aos 43 do segundo tempo, corinthians! Após o gol do Santos, logo aos sete minutos, momentos de agonia e susto para os corinthianos, que até então viam um Santos que pouco criava. Susto, sufoco, a redenção...Chicão foi o nome da virada, o cara com a cara do timão. Falhou na marcação no gol santista, mas estava lá pra resolver. Raça, garra isso é Chicão, isso é corinthians.... chegando, chegando.

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Vale apenas um detalhe: com jogo sendo transmitido em rede aberta, a arbitragem aproveitou para fazer seu show a parte. Estrelismo e atuação ruim para os dois lados. A coisa tá feia em juizada?!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Parabéns Corinthians, 99 anos!


Nesta data querida, é difícil explicar o que é "ser" Corinthians. Amor, paixão, devoção, sei lá...já tentei explicar, juro que já, para amigos que não compreendem essa verdadeira loucura, o que costumo considerar uma doença, sem cura, que se agrava ao passar dos anos, das emoções, dos sofrimentos e das alegrias. Você já esteve no estádio, no meio daquela massa enlouquecida, no bando de loucos pulando e gritando sem parar? Sim, é a maior do país, quiçá do mundo. Inexplicável e me arrepia só de lembrar e escrever aqui! Talvez aquele operários que fundaram essa nação em 1º de setembro de 1910 não imaginassem as dimensões que o clube tomaria. Tudo é incondicional, imensurável, incontestável, inexplicável quando se trata de Corinthians. Não tente entender, caro amigo, caso você não seja corinthiano. É preciso sentir. Parabéns ao clube que é a vida, a história e o amor primeiro e eterno de milhares de brasileiros. Que São Jorge guerreiro continue a nos iluminar por muitos anos e glórias.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sem marcar

É como a vida de ser. As coisas acontecem porque têm que acontecer. Sem hora marcada, sem pensar, sem se preocupar...Vamos? Vamos! Quer? Quero! Pode? Posso! Na hora de bate pronto. Vale a vida sem compromisso agendado, com hora marcada, combinado a semanas, daqueles que quando parece estar chegando tudo começa a atrapalhar; vale o compromisso assumido de momento, porque resolvi agora que sim. Pra conhecer, pra gostar, pra estar junto, pra divertir, pra passear, pra respirar ao ar livre, pra colocar o pé na água, pra sentir a brisa no rosto, pra estar em lugares nunca antes conhecidos, pra estar com pessoas queridas a muito tempo ou a pouco tempo, pra sentir o amor em si por tantas coisas. Sem formalidades, razão ou reflexão, impulso de vida apenas... Com três pontos no final pra simbolizar que a vida segue e tudo acontece novo ou novamente, sem esperar...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O que faz você feliz?


Não, não se trata de um comercial da rede de supermercados. É apenas uma reflexão que faço constantemente... eu e acredito que toda a humanidade. O que é afinal a felicidade? Um momento, uma constante, um sentimento, algo físico, um estado de espírito? Não sei, já busquei "n" respostas, nenhuma se encaixa plenamente e sempre para a pergunta. Ser feliz ou estar feliz? Não sei...talvez os dois, talvez isso seja a mesma coisa.

O que me faz feliz eu, porque sinto. Ser livre me faz feliz, fazer o que gosto, estar onde quero, estar com quem amo... Mas a liberdade, para mim, é predicativo para a felicidade. Tenho espírito livre, quando estou nas circunstâncias citadas fecho os olhos e vejo nas minhas cosas um par de asas, não aquelas como a de anjos, mas as de pássaros, que me conduzem à felicidade. Basta batê-las e voar, voar, voar... Estar no meio da torcida, em um estádio de futebol, pulando, gritando, como uma louca, isso me faz feliz. Mais do que a camisa do time, estou lá com as asas. Sair, conversar, conhecer gente, aquelas amigas que são como irmãs, rir até chorar, dançar, arrumada com minhas asas. Viajar, conhecer o novo, o mundo, estar em frente ao mar, com a brisa que traz a sensação de leveza, de paz interior, que favorece ao vôo, que faz bater minhas asas. Ficar sozinha, quieta, comigo mesma, ouvindo o que há em mim, o que meu corpo diz, meu coração quer, reclusa em mim para me achar, com minhas asas recolhidas. Momentos felizes, em que encontro o mais essencial e puro de mim, em que sou feliz, porque estou feliz.

E você o que faz você feliz?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ode ao medíocre

Dia desses estava discutindo sobre a mediocridade humana com um grande amigo. Talvez um dos mais malucos, um verdadeiro lunático, porém sensato, de boa ideias e reflexões. Falávamos pois da mediocridade em todas suas possíveis facetas: profissional, pessoal, da existência, do não questionamento, da aceitação, do emburrecimento, dos moldes a que as pessoas são impostas, da não expressão. A conversa começou com o jornalismo, nosso ofício, e tomou caminhos imagináveis, talvez passe em nossas cabeças apenas, infelizmente. Questionar, falar, se articular, virou defeito, é algo problemático, inclusive (veja que contradição absurda!!!) em nossa profissão, concluímos nós, mesmo sendo recém formados . O ato de observar, perguntar, falar, conversar, conhecer, parece não ser mais prerrogativa importante a um jornalista e sim uma ameaça. Triste, muito triste. E aos que trilham ou trilharam o mesmo caminho que nós de modo quadrado e medíocre sobram louros. É o que exige o mercado, a sociedade de um modo geral. Pensar dá trabalho, cansa e isso já é indispensável no mundo que nos consome com besteirol.
Depois daquele papo passei a guardar em mim, em um cantinho especial da minha observação, junto com questionamentos, "revoltas" e "conflitos" internos, tudo que há de mais medíocre no mundo à minha volta, tudo que noto merecer esta conotação. O incômodo pela simplicidade, pela amizade sem interesse, o desrespeito à normas e aos demais, o simples sim quando na verdade é não, estacionar a vida comodamente em um ponto por se pensar difícil sair dali e progredir, ou mesmo regredir atrás do seu "eu". O que somos, pra que estamos aqui, o que fazemos enquanto atores socias nas mais diversas esferas, o que queremos afinal?!? Triste e medíocre a vida destes que ao invés de buscar, falar, questionar, pensar, simplesmente observam a vida passar sentados, como passageiros de um trem, com o mundo correndo a sua janela em alta velocidade. Estes são conduzidos por maquinistas, que um dia ousaram inovar e agora conhece os caminhos, transporta os medíocres para onde quer que vá, foge ao que não quer segundo seu interesse. Então, porque não ser quem está na plataforma da estação, observando este sistema, tentando entender desde a engrenagem que move tudo, até a atuação destes personagens. Eu e meu amigo estamos na estação discutindo...Quem sabe esperamos um outro trem, que não passa nunca.
Eta vida besta, meu Deus!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Rapidinhas

Queria chegar aqui e destacar o grande jogo que foi Corinthians e Botafogo, mais uma boa atuação da equipe corinthiana, mesmo remendada. Mas me sinto sem alegria de escrever deste empate com sabor de derrota, do rídiculo gol de mão, clamoroso dado à equipe carioca. Por tudo que o timão apresentou em campo merecia vencer. O bota se deu bem na bola parada e nada mais. Mesmo com o empate o timão continua ali no bolo, poucos pontos separam um time do outro. Já o carioca, continua na zona de rebaixamento, nem o pontinho fora de casa ajudou juizão!
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O Corinthians apresentou agora cedo, ainda não oficial, no aeroporto após o desembarque mesmo (a apresentação oficial é manhã), o meia argentino Matías Defederico. O menino chega como promessa e título de "novo Maradona, novo Messi", além de empolgação em jogar pelo timão como um dia Tevez jogou e motivado por ter ao seu lado Ronaldo. Se depender da empolgação e rotulação o argentino será o cara... vamos esperar pra ver!
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Depois de cinco anos Rubens Barrichello voltou a vencer um GP de fórmula 1. Independente de qualquer coisa, usar o manto alvinegro para treinar foi um ponto positivo, de boas energias e sorte ao brasileiro. (Foto publicada no portal g1.com.br)





quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Estrela solitária

Domingo estava zapeando canais na TV, já quase pra ir dormir. Eis que passando pela TV Cultura uma figura prendeu minha atenção: Garrincha! Em comemoração aos 40 anos da emissora, uma edição do programa Vox Popoli, de 1978, estava sendo reapresentada. O craque ao centro, em em um monitor perguntas de pessoas que haviam sido entrevistadas na rua. Questões sobre carreira, vida pessoal, e Garrincha é exatamente o Garrincha que conheci lendo a biografia escrita por Ruy Castro, "Estrela Solitária". Aquela figura simples, um cara bronco, que não conseguia articular suas ideias com tanta facilidade quanto driblava adversários. Ele nasceu pro futebol e ponto! E que pessoa frágil, que tentava não passar imagem de acuado, tampouco embaraçado diante de algumas perguntas. Trazia já a expressão sofrida em seu rosto, assim como foi o fim de sua vida, melancólico.

O livro de Ruy Castro tornou-se um de meus favoritos, pela temática, pela precisão de dados, pelo enredo, pela história que faz rir e chorar, de um personagem tão alegre em campo, e muitas vezes nem tão alegre assim fora dele. No programa exibido pela Cultura, pouco se pode apreender do que Garrincha disse, valeu mesmo ver aquele figura carismática e inesquecível do futebol brasileiro. O final do programa me remeteu ao final da biografia, e consequentemente ao final da vida do jogador: olhos que seguravam algumas lágrimas, poucas palavras, ideias confusas, sozinho no centro do programa, luzes apagadas, silêncio... Assim como na última página, enquanto os letreiros subiam também me emocionei. Prefiro aquela figura que ficou eternizada em dribles. Gênio, herói, e estes são fortes...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Eus em mim

Vez ou outra me defronto com vários "eus". O que eu sou, o que eu tenho, o que eu quero ser e ter. Não, não são dúvidas, são realidades e fatos que me vêm à mente e à frente e gritam por reflexão. E também não se trata de nada material, ou até mesmo físico, são coisas que me fazem ser quem sou. Paixões, vontades, realizações. Só consigo viver assim, motivada pela paixão de ser, de fazer, de viver. Estes dias me tenho visto diante destes "eus" imaginários e existentes dentro de mim. Eles convivem em harmonia, todos em busca de um ponto comum, mas as vezes conflitam. E quando conflitam é um momento importante de crescimento. Sinto-me mais segura e decidida depois de debater acerca de tudo isso. E é o que houve por estes dias. O que amo, o que me realiza, o que quero, o que tenho, o que vivo, o que pretendo, e novamente, tudo mais claro. Como sempre já tomei partido e decidi o que vai ser: a paixão, o que amo e o que me faz viver.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O coringão voltou


O que se viu ontem no Pacaembu talvez nem o mais otimista dos corinthianos previa. Um corinthians de raça, atacando, brigando em campo, sufocou o "favorito" Atlético Mineiro. Apenas uma boa chance do galo, uma bola tirada quase dentro do gol por Edu e nada mais. Eu esperava um jogo mais difícil, sufoco, brigado. A volta de Diego Tardelli da seleção foi super valorizada. Desculpem os atleticanos, ele não viu a cor da bola. O time de Parque São Jorge não tomou nem conhecimento do visitante. Nem mesmo a entrada de Moradei no meio comprometeu. Elias reencontrou o futebol, superou o trauma de não ver Cristian ao seu lado no meio e jogou demais. Marcou, armou, um monstro em campo, como nos velhos tempos de Elias. Boquita fez uma de suas melhores partidas no profissional, fechou a partida com um golaço. Dentinho e Jorge Henrique correram, se mexeram, deram muito trabalho à defesa do Galo. A defesa bem postada, segura, Felipe como o que vem salvando a pátria sempre. Sim, aquilo era, aquilo é corinthians. De deixar a fiel maluca no Pacaembu. Novamente, o coringão voltou. Espero que a boa fase e o bom futebol permaneçam. Ainda dá!