segunda-feira, 30 de junho de 2014

Nas asas das Super Águias



Quando o ônibus partiu, confesso, me deu aquele aperto. Pelas janelas muitos dos meus amigos dos últimos 20 dias me acenavam, tentavam dizer algo que compreendi, respondi por gestos e sinais. O comboio partiu. Seguimos atrás, correndo como sempre. As lágrimas também correram. Naquele ônibus não ia apenas uma seleção de futebol, um mundo no qual passei dias mergulhadas, sem ter noção de hora, nem semana. Um momento que demorou pra chegar e se foi assim, tão rápido, sem volta. Ali seguia um pouco de sonho, uma esperança em que só eu sei, e nem sei também. Seguia as novas relações construídas, a materialização de tantas coisas. Foi um pedacinho e ficou um pedação dentro de mim, daqueles bem guardadinhos no coração. 

Não era uma das seleções badaladas da Copa, nem com o cara mais famoso, mais caro, melhor do mundo. Não foi fácil trabalhar, muitas vezes, mas o carisma e cada sorriso sincero, cada bom dia sincero dos jogadores fazia valer a pena. Cada história descoberta na raça, no papo, nas fontes cultivadas no dia-a-dia, na brincadeira inesperada do maior nome do time, da exclusiva com um ídolo do futebol do país, um nome do futebol mundial. É inevitável, a gente se apega, torce, vê no sonho do outro o seu, na luta do outro a sua. A gente se parece mesmo, tanto do Brasileiro veio da África. Não fui aos jogos, senti falta. Ia comigo toda vez, em toda saída de comboio a energia positiva, a torcida pra que tudo desse certo... pra nós. Naquele dia o ônibus partiu sem volta, a sensação de que tudo desse certo continuou, mas acho que pra um futuro, não dois dias entre um jogo e outro. 

Foi cansativo, até sofrido em alguns momentos, mas valeu tanto a pena. Fica uma sensação de vazio voltar à rotina. A programação da TV, sua "não" rotina, futebol na veia o tempo todo, é bem o que sonhou um dia ter. Podia ter sido mais intenso, mas foi, do jeito que foi. Senti também este choque de realidade, de não estar mais na Copa, de ver que aos poucos tudo vai partindo, vai acabando, a vida vai voltar ao normal. Quem sabe na próxima partida seja eu quem siga, como tantas outras vezes. Atrás daquele sonho de Copa de sempre. 

Do que fica, das risadas, das novas amizades, dos laços antigos que se apertaram ainda mais, da torre de babel em que todos se entendiam, da vontade de estar no mundo de novo, de estar no Mundial de novo. Da alegria e da honra que foi fazer parte deste pedacinho da Nigéria fora da África. De ser chamada pelos amigos da redação de "miss Nigéria" e ter o apelido com carinho. De tudo que só meu coração sabe dizer, explicar e guardar. 

Valeu Super Águias! A gente se encontra em algum voo por aí! 

* Com carinho para os amigos que estiveram comigo nesta cobertura, que também, com certeza, guardam consigo lembranças, experiências, momentos. Obrigada mesmo pela parceria!

domingo, 29 de dezembro de 2013

O último de 2013

Poeirão que levanta! Volto eu, depois de um longo tempo, a escrever. Ou poeirão que baixa, quando paro um pouco... pouco. O texto, caro amigo leitor, não tem o objetivo de refletir sobre o ano que se vai, relembrar, não é uma reflexão, tampouco um balanço de 2013. Veja como quiser (ou nem veja se já o fiz perder o interesse). O fato é que somos feitos de ciclos, a vida é assim. Começa, termina, dura o que tiver que durar, perdura, eterniza. Aquela ideia, que alguém já escreveu, de acabar o ano para renovar energias, esperanças, dar novo ânimo. É isso! Fatiar o tempo não apenas em anos, é como quando o dia acaba, amanhã é um novo e tudo pode ser diferente, e teremos novidades e se quer fazer algo a mais, dá um alívio ou um gosto de quero mais, uma expectativa pelo dia seguinte. Assim vão as semanas, os meses, os anos. Tudo é chance, é nova oportunidade, é um respiro, é uma renovação, é um descansar para recomeçar, ou simplesmente para continuar. É como um livro, o capítulo nem sempre coloca fim ã história, traz novos fatos, dá uma cadência melhor, um respiro, um novo começo sem acabar.

Uma hora cansa, desanima, cai. Quem sabe, amanhã acerte, melhora. Engraçado, quantas vezes se vive o hoje pensando no amanhã. É impossível viver como se o dia seguinte não viesse, não nos cobrasse, não esperasse um pouquinho a mais de nós. (será????) Prefiro achar que se trata de sonhar, de querer, de esperar, de fazer. Aquele novo dia, aquela nova chance, aquele novo ciclo, aquela nova fase, aquela nova velha vida que se faz e se transforma a cada dia. E os ciclos compõem a vida de cada um de nós. Fica aquele verdadeiro arquivão, tá tudo guardado, pasta segunda, pasta sábado, pasta janeiro, pasta dezembro, pasta 1985, pasta 2013. E arquiva tudo! O que fez chorar de alegria e de tristeza, o que fez sorrir até chorar e o que fez sorrir para não chorar; o que se quer repetir, o que se quer esquecer e fica ali no fundo da gaveta pra doer menos (mas tá guardado); a música que lembra um momento, um cheiro que lembra um lugar, um sabor que se quer repetir. Fica anexo a vontade de reescrever aquela letra, abrir a janela para o vento renovar os ares, de colocar mais pimenta no tempero da vida. 

Daí você segue andando, como aquele mochileiros que carregam sacolas imensas nas costas. Sua vivência, sua maturidade, suas experiências, seus ciclos, sua vida. Uma hora você pode até parar de andar, fecha um ciclo. Mas mesmo parado coloca tudo pra rodar. Já andei tanto e muitas vezes acho que estou patinando. Minhas malas são cada vez maiores, mas a bagagem ainda não é suficiente para o que preciso. Meu bom e velho par de asas sempre me fazem buscar vôos mais altos, mais ã frente, mais ao longe. O fato é que eu espero ansiosamente pelo amanhã, pelo realizar, pelo novo, pela nova melodia, respirar melhor, pelo tempero que dá gosto a vida! Vamos logo virar a página, quero escrever outro capítulo!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O que ficou das férias

Voa. Passa rápido. Trinta dias, um mês, pareceu uma semana. Deu tempo para algumas coisas, a sensação é de que faltou para tantas outras. Foi possível conhecer lugares e gentes... Ah como eu amo viajar, como eu amo conhecer lugares, gentes, culturas. Conheci um pouquinho mais do Brasil. Eta país lindo, eta povo querido, tudo aqui tem sempre uma peculiaridade especial. Desde que morei fora sinto isso, Brasil é sempre incomparável, por si só. João Pessoa e Campina Grande, Paraíba. Povo receptivo, cidade lindas, bem cuidadas, desenvolvidas. Na história do Estado resistência, força, sobrevivência. Ah, os regionalismos, ah o forró, ah o São João. A festa foi um dos motivos da escolha do destino. Certeiro! Tradicional, com aquelas quadrilhas incrivelmente coloridas, com o passo certo, arrepia, emociona de ver. Cultura, as manifestações, as origens, os traços mais marcantes e fortes de um povo. Lindo! O forró, as bandeirinhas, o bem receber sempre. Praias, sol, alegria e paz. Passagens rápidas, apenas para dar mais vontade de voltar, de viajar sem parada, pelo Estado de Pernambuco. Recife, Porto de Galinhas, Olinda. Ladeiras, colorido, gente, história sempre viva, praias encantadoras. Mas o tempo... só uma semana, pra tudo isso, faltou, ficou mesmo aquela sensação de vou voltar, mas quando?! 

Deu tempo de conhecer e rever gente querida. Ou melhor, tempo pra ver o quanto vivemos distantes uns dos outros, fisicamente mesmo, de como a vida nos consome, tempo de já sentir saudade mesmo antes de ter partido, ou de ter partido a pouco tempo. Mais faltou do que deu tempo pra tudo e pra tanto. Pra ir a outros lugares, pra encontros e reencontros, talvez tempo mesmo de ficar sem nada pra fazer, pra dormir até tarde, pra ficar de bobeira, largado em um sofá. Engraçado, até nas férias é preciso correr pra aproveitar, afinal, os 30 dias passam voando. E nessa corrida maluca para ser feliz e aproveitar a cabeça não para. Parece querer avaliar tudo o que acontece, o que aconteceu, a vida, pelo menos nos últimos 12 meses, último mês, sei lá eu. Pesa, repensa, vê o que se passa na sua vida profissional, pessoal, o que se ganhou, o que se perdeu, o que é preciso mudar. O que fazer, como fazer, o sim, o não, o quero, o não quero, o mudo, o não mudo nos próximos meses, nos próximos dias, nos próximos instantes. Sim, é com a mesma rapidez que os dias de folga se esvaem entre seus dedos que você quer resolver o que não lhe parece bem resolvido até então. 

Que tal então começar com uma arrumação em casa, nos armários. Parece que concretizam uma limpeza na vida. A cada gaveta, cada porta, cada caixa ali parada num fundo de armário revela uma coisa. Curioso que já fiz isso tantas vezes, já ocupei e desocupei lugares, fiz e refiz malas e a sensação é sempre a mesma. Surpresas, lembranças, um filme vai passando. Não, nunca em ordem cronológica ou de importância. O que determina isso são os objetos, as fotos, os cheiros, o que fica ou o que vai embora, porque, de algum modo, aquilo ali não serve mais. Você deixa de servir em uma roupa querida, em um sapato velhinho que poderia contar histórias incríveis sobre sua vida, linhas escritas anos atrás já não parecem mais traduzir você e também se vão. Tem coisa que vai, mas leva consigo lembranças queridas. E não adianta, se desfazer daquilo não apaga nada da sua memória. Já que é assim tem coisa que fica, não vai ser usada, mas por algum motivo vai ficar ali, até a próxima faxina pelo menos. Tudo isso vai passando, as coisas mudam de lugar, o que não serve vai embora, coisas novas ganham espaço e aquilo tudo aos poucos te devolve para a realidade. Da vida que já passou por tantas coisas, que já desejou e planejou tanto, do que foi conquistado, do que foi esquecido, do que espera ali sua próxima chance de acontecer. Da vida que não espera pra acontecer, que nem por trinta dias parou e pulsou, pulsou a cada nova descoberta, cada nova emoção, cada novo lugar, cada novo momento. Mas que lá no fundinho, resgatava sempre aquele velho lugar, aquele momento passado.

Tanta coisa, dias e histórias compartilhadas com tanta gente, mas é com a gente mesmo que tudo faz sentido. É quando você guarda estas novas lembranças num lugar especial dentro de si, ao lado de tantas outras que os trinta dias parecem ter voado tanto. No fim passam rápido como todos os outros dias. Aqueles em que se trabalhou tanto, em que alguma coisa foi esquecida, ou lembrada, aquele outro guardado com carinho no coração ou ainda aquele outro que já foi jogado fora porque não lhe servia mais. Na verdade o que passou rápido mesmo foi mais um mês da sua vida, um mês diferente, mas passou voando como os outros 11 do ano, ou os outros tantos já vividos. Deixa saudades, deixa lembranças, deixa histórias pra contar, lugares para amar e para voltar, gentes de quem sentir falta, deixa mais e mais coisas pra guardar não só nas gavetas e armários, mais principalmente no coração. Te coloca de novo numa renovação de esperanças e sensações e energias para mais tantos outros meses e dias de trabalho, de correria pelas coisas mais diversas. No fim, a gente continua correndo mesmo em busca da felicidade, de fazer e de aproveitar o que a vida tem no momento e o que queremos para os próximos meses, para colocar nas gavetas e armários nas próximas arrumações.

sexta-feira, 8 de março de 2013

O ser do ser mulher


É até difícil explicar o que é ser mulher... Deve ser porque somos muito sentimento e sentimento, quase (??) nunca se consegue explicar. Deve ser porque somos isso tudo, uma mistura de coisas, de sentidos, sentimentos, gentes. Mulher que trabalha, profissional que dedica horas do seu dia, dias do seu mês, meses do seu ano, anos da sua vida por um sonho profissional... estudo, dedicação, carreira. Mulher que ama: o homem, os filhos, os amigos, que traz em si aquele instinto de atenção, carinho, dedicação, cuidado e preocupação com o outro, que instintivamente sabe o que fazer com uma criança no colo. Mulher vaidosa, que adora salão, uma roupa ou um sapato novo, que precisar perder uns quilinhos, que se preocupa com a saúde, vai ao médico regularmente, que quer apenas sentir-se bem consigo mesma. Mulher do lar, que coloca o cabelo pro alto e faz aquela faxina hospitalar em casa, passa a roupa, cozinha, cuida das crianças, do marido, do cachorro, do papagaio. Mulher de fases, que se descabela no período menstrual (e isso é um incômodo, mais do que pra vocês rapazes, acreditem), que chora de tanto rir de uma besteira qualquer, que chora um rio com um filme, uma música, uma lembrança, uma saudade, que quer voar, voar e depois encontrar um pouso calmo e seguro. 

Mulher improvável, mas possível, que sabe bem a regra do impedimento, que lembra de datas e jogos históricos, que escala até um time de quarta divisão do paulista, que poderia ser técnica da seleção de brincos maquiagem e unhas vermelhas; que entende que um palavrão bem colocado define qualquer situação, que falar besteiras com os amigos está liberado e faz um bem danado; que gosta de beber umas e outras pra descontrair, pra rir, pra chorar, pra relaxar, pra celebrar, pra afogar seja lá o que for; que às vezes parece guardar um homem dentro de si, ao vislumbrar uma vitrine de materiais esportivos, ao ir ao estádio, ao ver o novo carro, ao não se sentir tocado por algo simples. Mulher psicóloga, que ouve todo mundo, que aconselha, que empresta o ombro, que deixa de lado seus problemas, suas angústias, sua canseira porque o outro precisa de você, mas que também precisa abrir aquele coração cheio de tantas coisas. Mulher sonhadora, que traça suas metas seus sonhos, sabe bem o que quer, mas não perde o romantismo de desejar um mundo ideal em todas as esferas da sua vida. Mulher forte, sem perder a ternura, sem deixar de brigar, sem se deixar abater externamente, sem desistir da guerra mesmo que lá dentro já se sinta sem forças pra lutar. Mulher comum, que se permite olheiras, uma celulite ou uma estria perdida, que pode não ter as curvas mais bem definidas, mas mesmo assim é diferente de todas, um mulherão, seja qual for a conotação desta palavra.
Tudo isso é um ser só, ser mulher! É agir com uma razão que só o coração sabe explicar, com a intuição, com a sensibilidade, com hormônios, com esta loucura tão sensata, com o amor incondicional à quem e ao se ama. Não é tão difícil entendê-la, ela diz tudo, absolutamente, nem sempre com palavras. Em um olhar, em um sorriso, em uma lágrima, em um abraço, em um silêncio. O que ela precisa é mais barato e mais simples do que se pensa. Vai desde um simples momento sozinha até um simples momento feliz. É um elogio, uma ligação, um gesto de atenção, ser ouvida. É, às vezes um colo vai bem, uma boa companhia, um chocolate, uma flor, uma surpresa. Não é complicado nem difícil entender. Basta ser uma de nós, ou simplesmente gostar, de coração, como pede, sem exceção, nosso figurino.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Das emoções que a razão desconhece

É pena, mas o blog empoeira às vezes. Ideias que vão e vem mas não se fixaram no papel, mesmo este virtual. Retomo pela saudades de escrever, porque como sempre, minha alma fala. E questiona. Talvez esta a atividade mais antiga da humanidade. Se tornou uma marca dos grande filósofos e pensadores, questionar, tentar entender (o que talvez meus amigos, não tenha explicação tampouco compreensão). Já ouvi algumas vezes, algumas repetidas vezes que eu questiono muito. É fato. Quem sabe por isso seja jornalista, ou por ser jornalista, que vive de perguntas, quem sabe.

O fato mesmo é que a cada época, de tempos em tempos, tento entender algumas coisas. Porque gostar disso e não daquilo? Querer isso, mas não aquilo? Gostar deste e não daquele? Vai saber. Sei que quando eu gosto, eu gosto. Quando eu amo, eu amo. Não sou muito de meio termo, meias palavras, de pode ser. É mesmo a ideia das razões do coração que a própria razão desconhece. Um querer ou um não querer de coração mesmo, de sentimento. Em relação ao meu trabalho, em relação às pessoas, em relação a lugares. 

Engraçado que este sim e este não nem sempre tem o porque, mas tem um como, tem uma reação, é evidente, se manifesta. Porque então eu não conseguir explicar se fico eufórica, se meu coração palpita, se fico feliz, se choro, rio, se dói, se parece que vou morrer ou que nasci outra vez?! Tá vendo, até pra perguntar pra mim mesma sou verborrágica, a coisa mexe comigo. Este meu modo intenso, quando vi já falei, quando vi já gostei, quando vi já quis ou já desquis. Mesmo assim tem certas coisas que não sei dizer e digo, não sei entender e compreendo e aceito. Porque eu fico feliz em um campo de futebol, porque eu gosto de ver aquele povo todo correndo atrás de uma bola, meu clube me faz chorar, a distância e a saudade me sufocam tantas vezes; porque boas histórias me emocionam e me tocam, grandes personagens me fazem chorar, quando viajo, me vejo diante da capa do livro de história, da foto e me emociono, fico eufórica, quero falar com aquela gente, conhecer tudo como se o mundo que existe a milênios fosse acabar amanhã? Mas e aquele lugar que sua energia se esgota, aquela pessoa que de ver você sente arrepiar como um gato assustado, ou mesmo alguém que te canse estar diante, ter que encarar, pode ela nunca ter lhe feito nada de grave. Pura falta de empatia, o tal bater o santo? Pode ser uma pessoa até bem conceituada, tida como "legal", mas sabe como é... não gostei, não gosto!

Ah e quando é diferente, você abre aquele sorrisão, abre os braços e abraços, o coração dispara, as pernas bambeiam. Quem te dá uma paz de espírito enorme só de estar ao lado, como ter uma criança nos braços. As sensações, os seres... Aqui pode ser um bem maluco (daqueles positivos), um desconhecido, alguém que habitualmente lhe diriam "não goste". Daí é a empatia, ou o santo bateu, trombou! Gostei, gosto, amo!

Engraçado, tanta coisa, tantas sensações e sentimentos e eu procurando razões pra todas elas. Razão????? Acho que nunca me entendi muito bem com isso, porque será? Sei lá! Dizem que deve haver um equilíbrio entre razão e emoção, um pouco pra cada lado, há quem diga até que existe inteligência emocional. Sou um gênio, é isso então??? Ah sei lá porque gosto, porque quero, apenas por que me faz bem, me faz feliz, porque sinto assim. Será mesmo preciso ter uma resposta pra tudo, quem tem então a "razão" do que é certo, do que é errado, do que é bom, ruim, bonito, feio, normal, loucura. Eu busco resposta, acho ainda mais perguntas e no fundo mesmo elas se misturam. Nunca também fiz questão de padrões, acho até que já fui mais correta sob a ótica de alguns, porém menos feliz, menos eu até. 

Olha só, nas dúvidas todas do porque disso e daquilo até começo a responder uma questão clássica do ser humano: quem sou eu?! Ok, não é fácil definir nem peçam detalhes. Sou esse tudo, que no fundo pode parecer nada, mas que diz muito. Esse sentimento louco pelas coisas mais improváveis, pelo que muita gente nem valoriza e tantas outras compartilham comigo um amor doentio. Sou a expressão do que penso e sinto em cada sentimento, em cada olhar, ao respirar até, acredite. Sou essa mistura muito louca de dúvidas e respostas, de sonhos, de realidades, de decepções e descobertas. De razões que não pretendo ter nem seguir, porque no fundo mesmo prefiro seguir o que me toca o coração, mais que isso a alma, sem que tenha a menor explicação. Sentir me basta mais que compreender, me responde mais, de modo nem um pouco lógico. Nunca gostei mesmo de exatas, não sei calcular, nem quero nada que seja quadradamente planejado, friamente calculado. Aliás, pra quem busco justificar tudo isso? Pra mim mesma? Bobagem! Para os outros, idiotice maior ainda. Fico com minhas dúvidas, minhas inquietações a espera de que um simples gosto não gosto, amo não amo, sinto não sinto, vivo não vivo, me responda. Isso basta! 

terça-feira, 24 de julho de 2012

De histórias, sonhos e luta vive o esporte

Adoro história de boleiro. História de atletas, do esporte. Das antigas, das contadas por ex-jogadores, dos jogadores ainda em atividade, das que eu presencio e das que relato. Diferente destas últimas, muitas não aparecem, pouca gente fica sabendo, ou apenas conhece quem está mais próximo do mundo do esporte, que mergulha nesta realidade. Quem gosta, quem acompanha, quem conhece acaba se envolvendo com estas histórias. Passam a compor seu repertório, aquelas pessoas passam a ter um significado diferente, você tem um olhar e uma torcida diferente. Não raro isso me acontece. Mesmo fora de gramados, quadras, continuo acompanhando a vida de muitos atletas. E sucesso no esporte, assim como em qualquer área, exige trabalho, abdicações, dedicação, uma pitada de sorte e por aí vai. Tantas vezes mais se perde do que se ganha, mais se cai, porém se levanta, o clube sem recursos, da categoria sem incentivo. No fundo tenho a impressão que a realidade é mesmo aquela que não mostramos. Atletas bem sucedidos são, infelizmente, uma minoria. Poucos ganham muito, outros tantos sonham e tentam. Sempre me pego pensando nisso quando cubro a Copa São Paulo de Juniores, por exemplo. São cerca de 2500 meninos, correndo atrás de um sonho, mais do que da bola. Quantos dali chegam lá? Os dos grandes clubes sofrem a pressão pela concorrência e pelas camisas que usam. Os dos clubes menores pela falta de recursos, por ser aqueles poucos jogos a única chance. Cubro divisões de acesso. Adoro! E são tantos times, tantas lutas, tantos sonhos. Estamos falando de futebol no Estado mais rico da Federação. Mesmo assim há dificuldades. Se elas existem no esporte mais popular do país, imagine para outros. Falta patrocínio, incentivo e o time de basquete, o de vôlei, a natação, tudo vai parando. 

Dei toda esta volta para falar de sonho. Do que vive o ser humano se não de sonhos? O que nos move, nos incentiva, se não um objetivo a ser alcançado, algo a ser realizado? É nisso que esse povo do esporte se apoia e vai. Acreditando nisso, eu e meu colega de trabalho fomos fazer uma matéria com as divisões de base de um pequeno clube do interior de São Paulo. Nem só o que foi ao ar, mas principalmente o que ouvimos, o que choramos e com o que nos identificamos ficou guardado. Histórias de vida, simples assim. Na mesma época, coincidentemente, eu lia o livro do zagueiro Paulo André, "O jogo da minha vida - histórias e reflexões de um atleta". Paulo André é um cara diferenciado, culto, conhecedor de artes, se expressa bem. Confesso, o livro me surpreendeu positivamente. Encontrei ali estas histórias que tanto gosto, parecidas e comuns aos atletas. O clube pequeno, a categoria de base, o sucesso e o fracasso, a vontade de desistir, as ilusões, as decepções. Chorei lendo vários trechos do livro, por me identificar, de algum modo com os sonhos e esforços. Também por conviver com esta realidade, de acompanhar trajetórias e saber que é assim mesmo. 

Naquela base do pequeno clube, encontrei várias histórias. Algumas mais sofridas, da pobreza humana e monetária. Mas encontrei também um Paulo André. Um jovem zagueiro, que além de jogar no clube ajudava na educação dos mais novos, nos treinos, na orientação. Com uma boa base familiar, aos vinte anos, ele era um pouco pai dos mais novos. Falava bem, bem articulado, curioso e interessado pelo que fazíamos ali e também pelas nossas histórias. Enquanto conversava com ele lembrava de trechos do livro, juntava com as outras histórias ouvidas, e misturava com mais outras do zagueiro famoso hoje. O final do livro de Paulo André é feliz. Depois de tudo que passou, chegou ao sucesso. Mas, nem é preciso dizer que nem todos os livros terão finais assim. Que o final não seja um grande clube do Brasil ou exterior, uma seleção, seja ele de que modalidade for, há sempre um bom rumo dado pelo esporte. Quantos daqueles meninos poderiam ter finais mais tristes, famílias destruídas, violência, drogas, e no esporte há uma nova perspectiva. Um dia foram ajudados pelo esporte, também podem ajudar por ele. O papel social, a formação de cidadãos, de seres humanos. O menino pode não ser o atacante ou o armador da seleça, mas será professor, educador físico, envolverá a sociedade em um projeto esportivo e fará a diferença como um dia alguém fez em sua vida. Que as histórias tenham finais diferentes, felizes a seu modo, mas que sejam histórias do esporte leal, de superação, de educação, de luta pelo ideal que todos nós que amamos o esporte acreditamos. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Férias, viagens, reflexões...


Pó. Muito pó no blog, parado há meses. Como sempre eu corro atrás da vida, algumas coisas dela precisam parar por um tempo. Não devia ser assim, mas é, mas foi. Quantas vezes tinha zilhões de ideias, textos se formavam, linha a linha em minha cabeça, e por lá ficavam. Apenas não se materializavam no blog, não foram compartilhados com os amigos leitores. Empoeiradas também estavam minhas botas viajantes, as mesmas que tempos atrás andaram incansavelmente o mundo comigo. Mais que elas, minhas asas! Ah, minhas asas... reclusas, chegam a doer. Quando abertas, batem levantando pó, pó da estrada, das ruas, das cidades, do mundo novo, do velho mundo que pra mim é descoberta. A limpeza, de fato, é na alma, esta alma viajante, esta alma curiosa e apaixonada pelo mundo, pelas cidades, pelas culturas. Cheia de sonhos, vai, voa e volta transtornada de novidades, de fatos e, principalmente, de esperança. 

Depois de quase um ano e meio de muito trabalho, de dias incansáveis de labuta árdua, trinta dias de férias pareciam pouco, e foram mesmo quase nada. Ou será que sou eu que não caibo dentro de mim? Dentro de um espaço que parece delimitado? Não sei... Em doze dias viajei, segui com minha missão de conhecer o mundo, literalmente. O destino desta vez foi a América do Sul, três países, três capitais: Buenos Aires, Montevideo e Santiago do Chile. Um cidade grande, movimentada, trânsito, avenidas largas; a outra parece praiana, mas a "beira mar", na verdade, é toda beira rio; por fim, a que fica embrenhada nas montanhas, em um buraco, em meio às Cordilheiras dos Andes a cidade vive, sob olhos atentos e permanentes dos picos nevados, aqueles mesmos que só via em aulas de geografia, que pareciam dar contornos finais ao continente. 

Conheci estádios e clubes tradicionais, monumentos, gentes. Doze dias intensos de espanhol para os ouvidos, língua que traz consigo um pouco da minha origem, assim como a origem de todos estes povos com quem estive. No fundo, todos nós viemos de algum lugar em comum, temos histórias (de vida e de países, de política) muito parecidas, desde o colonizador aos dias mais atuais. Vi neve aos montes, do alto das cordilheiras, cenário indescritível, um capricho da natureza, daqueles lugares em que nunca se imagina estar, e quando chega tem a certeza que não poderíamos sair deste mundo sem estar ali. 

Enquanto viajo vou também  refletindo. Na volta mais cidades queridas, pessoas queridas, gente das antigas, gente que acaba de chegar ao mundo. Faltou tempo para mais lugares e mais pessoas que moram longe, mas moram no meu coração. Viagem, uma "pausa"no dia-a-dia, tudo me leva a refletir. Porque tudo isso, porque determinada cidade, porque lembranças e descobertas, tudo isso mexe tanto comigo?? Dos sonhos que construí e ainda não realizei, dos sonhos que se renovam, dos outros que surgem. Os lugares onde estive, onde vivi, onde vivo, por onde passei. Ir e voltar, voar, sempre mexe demais com meu íntimo. Volto não só com as energias renovadas, mas com minha natural inquietude aguçada. É difícil explicar, quem me conhece bem sabe, só eu sei ao fundo o que digo e sinto. No fundo, a sensação é de vida que segue, de voar e viver intensamente, como se o amanhã fosse sempre pra ontem... Sonho, vivo e corro para viver e realizar. Eu mesma, nunca paro!