domingo, 6 de dezembro de 2009

Bola de ouro para Messi


O argentino Lionel Messi foi eleito o Bola de Ouro de 2009, premiação tradicional concedida pela revista francesa "France Football". Com merecimento o meia do Barcelona foi escolhido, o que também já era quase óbvio e certo, seria uma injustiça não lhe dar o prêmio pelo que vem jogando na equipe catalã. Grande craque, com habilidade e raça típica dos bons jogadores argentinos, Messi tem sido constante, tem feito boas partidas pelo Barça e foi um dos principais responsáveis pelo vitorioso ano de 2009 do clube (campeão da Copa do Rei, Campeonato Espanhol e Champions League 08/09), nada mais justo do que elege-lo o melhor do ano. E certamente será um dos grandes nomes da Copa. Ele merece, joga muito!

"Para voltar a crer" - por Luís Fernando Veríssimo

Assim como Veríssimo, neste belo texto publicado no jornal o Estado de S. Paulo do dia 3 de dezembro de 2009, também gostaria de ver nos jogos finais e decisivos do Campeonato Brasileiro o mínimo de dignidade de times que podem dar o título aos seus adversários. Leia-se Grêmio contra o Flamengo. Entendo a posição gremista de poder tirar a única esperança de título dos rivais Colorados, mas dar assim o jogo, entrar com reservas como anunciaram e depois recuaram, corpo mole, chega a ser anti-desportivo... Bom, Luís Fernando Veríssimo conseguiu com mais genialidade colocar este caso dentro de um contexto social, na tentativa de mexer com o brio dos rivais de seu time, o Internacional de Porto Alegre.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Brasil x Portugal


Cantei a bola ontem. Aí, na nota pé do texto do Ronaldo. Brasil e Portugal cairiam na mesma chave na Copa do Mundo de 2010. Estava com esse feeling, não sei qual a razão, mas já assisti ao sorteio sabendo!
Primeiro todo o ambiente de Copa do Mundo me emocionou! Sei lá, grandes seleções, a história e a magia que tudo isso envolve. E depois ri muito quando saiu da cumbuca o papel Portugal... Eu aqui, e logo de cara pego o confronto Brasil x Portugal. Costuma-se dizer que, com Portugal fora da Copa, todo português torce para o Brasil. Mas agora o que temos é o confronto entre os irmãos e eu no meio. Esperava mais pra frente, mas no fim achei bem interessante o confronto já! Assim como acho que será interessantíssimo estar por aqui no Mundial. Nesse mesmo blog já disse várias vezes que seleção não me desperta muito interesse, mas Copa é Copa. Não precisa descabelar, é gostoso ao menos de acompanhar... mas em 2010, para mim, terá todo esse fator de estar fora do país, aquela coisa que aflora não sei da onde, reações, pessoas e povos diferentes, tenho uma expectativa diferente esse ano! A seleção do meu país, a do país que me acolheu, as tantas outras que simpatizo, enfim...
Portugal sofreu pra se classificar, embora tenha uma boa equipe e os brasileiros naturalizados. O Brasil foi o que se esperava, e penso que vem com um time entrosado pra Copa, no mínimo jogando bem junto. Agora, independente de qualquer coisa, se me perguntarem se Brasil e Portugal vai ser um bom jogo... Ah, pra mim vai!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ronaldo!


Simplesmente fenomenal! Isso é Ronaldo! Ele cai e se levanta. Tem raça, faz o que ama, ama o que faz. Quantas vezes já não disseram agora acabou. E para ele era apenas um novo começo. Ele tem a cara do Corinthians... que me desculpem os fãs do craque que torcem pra outros times, ou mesmo os grandes clubes que ele já defendeu. Mas toda a garra, a superação, o amor, a força, parece a alvinegra. E ele é a cara do brasileiro. Cai, mas levanta! Ronaldo é talvez o último dos ídolos, realmente ídolo do futebol nacional. Aquele que, independente do time a que se torça, há sempre um espaço pra ele no coração de todo torcedor brasileiro. Quem não torceu por sua (s) recuperação (ões)? Quem não chorou com seu primeiro gol com a camisa do Timão, só por ver ali um verdadeiro mito do futebol nacional e mundial, o eterno Ronaldinho Fenômeno. Ele tem o dom, a arte do futebol e, mais que isso, tem humildade. Gordo ou magro, novo ou não tão novo assim, não importa, ele joga sempre um bolão. E mexe com o fenômeno pra ver... ele vai lá e mostra porque é e sempre vai ser Fenômeno!

Muito se discute se ele vai à Copa ou não. Dunga, na minha opinião, jogou a responsabilidade nas costas da imprensa, primeiramente, e depois de todo o povo brasileiro... "vocês querem me pressionar como fizeram em 2006 para que eu leve o Ronaldo", disse mais ou menos assim. Não foi apenas Ronaldo o culpado por perder a copa em questão. Não precisava nem de pressão, afinal se bem me recordo ele quem ganhou a de 2002. E já tinha caído algumas vezes e levantado tantas outras. Acho que no fim Dunga sabe bem que não precisa testar Ronaldo. Pra que jogar amistoso com Omã?! Já sabemos muito bem do que ele é capaz. Penso apenas que nosso treinador está de antemão se livrando da culpa ou se coroando com os louros. Se ganharmos a Copa, muito bem, fui eu quem chamei no peito, assumi a responsabilidade e levei Ronaldo. Se perdermos, um sonoro eu avisei, porém tive que ceder a pressão nacional e da imprensa (principalmente, porque a culpa é sempre da imprensa) e levei um Ronaldo que não me resolveu nada. Se não levar e ganhar, fez o correto, não precisamos do Fenômeno. Ah mas se não levar e perder, sua falta será a mais lembrada. Independente do final dessa história, de qual das respostas Dunga vai usar, pra mim é Ronaldinho e mais 10, e aposto que no fim das contas ele vai para a África do Sul. Ele é "inegociável, invendável e imprestável" (parafraseando Vicente Matheus), imcomparável, único, fenomenal!

O vídeo abaixo diz muito do que escrevi, faz parte dessa campanha "leva o Ronaldo" que já se espalha por aí. Simplesmente Ronaldo, chorei, porque é de chorar...
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E por falar em Copa, amanhã já saberemos os grupos para a competição de 2010. E há a possibilidade de um grupo com Brasil e Portugal. Será??? Não, esse confronto tão já não! Mais pra frente seria legal, mas deixem a Copa começar, deixem que eu sinta o clima português primeiro, depois confrontamos os irmãos, ora pois!

A pior das pobrezas


A pior pobreza é a de espírito. Sempre achei isso e sempre que vejo um miserável neste aspecto me entristece, me incomoda, e o pior, estas pessoas são poderosas negativamente, esgotam-me as energias. É como se sugasse o melhor do que há em ti, simplesmente porque elas não o tem, nem nunca terão alguns atributos dos "não pobres". Certamente você conhece alguém assim, que sofra desse mal. Sim é como uma doença. Os sintomas? São variados e podem ser diferentes de um para outro pobre de espírito, mas no geral são: a inveja, a covardia, o desrespeito (seja ele étnico, de ideias, de culturas, de gostos), o ego elevado, a antipatia, adoram a infelicidade alheia, não sabem como fazer e cultivar amizades - se é que são amizades o que conseguem - e por aí vai... Cansa-me só ter que pensar em alguém assim para descrevê-la. Essa pode ter tudo, mas tudo do material um dia, nunca do emocional, espiritual, e tudo o mais que transcenda ao que se pode comprar com o dinheiro. No fim tenho dó, o pobre de espírito é um mal amado, um triste, um solitário.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Parabéns ao samba!


Dois de dezembro, dia nacional do samba (no Brasil). A data merecia nem que uma singela notinha neste blog, por inúmeras razões, mais principalmente pelo samba ser uma grande companhia para mim em terras estrangeiras. Não há nada semelhante no mundo, o samba é querido aqui fora, é tema de 9 entre dez conversas de estrangeiros comigo, todos querem saber cantar e sambar, ou no mínimo admiram essa nossa cultura. Sempre amei samba, nada é tão brasileiro e autêntico quanto o bom e velho samba - já até escrevi alguma coisa aqui neste mesmo espaço (http://glauciafalandocomasparedes.blogspot.com/2009/06/o-samba-nao-morreu.html) - e é ao som deste ritmo nosso que tenho embalado minha vida numa fase tão importante. Queria poder hoje ir a um bom samba, dançar até os pés doerem, cantar até ficar rouca, lavar a alma, é o que sempre digo, o samba lava a alma e renova as energias. Na impossibilidade, seleciono os clássicos aqui na internet mesmo e em alto e bom som canto pela casa Cartola, Bete Carvalho, Zeca, Arlindo Cruz, Demônios da Garoa, entre tantos outros. Afinal, "samba, a gente não perde o prazer de cantar...". Viva o samba!

Essa música é um pouco do que é o samba, do que ele representa, da raiz, do lugar onde nasce, das origens, da saudade... "O meu lugar", que não é o da música mas existe, em algum lugar, na minha alma, guardado.



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Do lado de lá da divisa...

É apenas seguir pela estrada, nem se nota que de um momento para o outro chegou-se a outro país. Divisa entre Portugal e Espanha. Pensei que para atravessar o limite entre os territórios seria preciso passaporte, documentos, justificativas, explicações, revista na bolsa, nas roupas. Não, não foi assim. Saimos pelo Norte de Portugal e chegamos em Tui, uma pequena cidade do Noroeste da Espanha, localizada na região da Galícia. O rio Minho é uma boa referência de separação territorial entre os dois países da Península Ibérica neste trecho. A cidade é pequenina, cerca de 17 mil habitantes, mas tem uma das catedrais mais famosas da Galícia, a Catedral de Santa Maria (foto).

Meus guias e companheiros de viagem foram Aninha e Antón. São eles também meus "pais adotivos" aqui no Porto, como sempre, encontro um querido casal de amigos que me acolhe e me carrega para onde for, esteja eu onde estiver. Aninha, assim como eu, é jornalista e brasileira, de Recife. Casada há nem um ano com Antón, arquiteto e galelo da Coruña (espanhol da Galícia). É com esse culto e inteligente casal que conheço melhor a Europa. Em muitas de nossas conversas me fazem entender, ou simplesmente observar, o que de fato é cada região, cada país e suas divisões espaciais e culturais. Assim como o Brasil, todo país tem culturas, sotaques, pensamentos, necessidades, tradições, costumes específicos de cada região, muitas vezes incomparáveis umas com as outras. Países e suas respectivas organizações são complexos. A Espanha também, e conheci apenas um pequenino pedaço. Sempre quis ir ao país. Minhas origens, minha descendência, as características herdadas do povo espanhol que imigrou para o Brasil e construiu minha família, me concedeu a dupla nacionalidade... É interessante retornar as raízes, as mais profundas, as mais antigas.

Quando simplesmente de carro, seguindo pela estrada chegamos em território espanhol e me disseram "aqui já é a Espanha" senti algo diferente, fiquei emocionada, não sei exatamente explicar. Andando pelas pequenas e medievais ruas de Tui ia pensando tanta coisa, quem passou por ali, quem ali vivia, "será que meu avô menino brincava em ruas estreitas e de pedras escorregadias como essas?". Mais que isso, ia tentando compreender melhor um pouco da cultura daquela região e do país. Antón ia me explicando e defendendo o respeito e preservação do regionalismo de cada parte. O país é complexo, difícil explicar e entender a quem, assim como eu, tem apenas uma visão simplista de que tudo se resume a touradas, castanholas e paellas. Não, não é! Há mais a ser entendido, estudado, conhecido, compreendido e respeitado das diversas culturas na Espanha.

E é esse meu objetivo, poder conhecer mais e melhor este país com o qual tenho uma profunda ligação, tenho sangue que corre em minhas veias. Para a primeira impressão ficou a emoção de sentir um regresso na história, o resgate das origens e a proximidade de algo que me é peculiar. Estranho, profundo, introspecto, emocionante... Sensações tão difíceis de explicar quanto a organização do mundo. E que no fundo a gente acaba por entender.